filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    sugestão da Ana Andrade, Docente UCP-Porto, Porto 

     

    o livro:

    Staring at the Sun, de Irvin Yalom (imagem via wook

     

    a citação:

    “O rippling refere-se ao facto de que cada um de nós cria — frequentemente sem intenção de o ter feito — círculos concêntricos de influência que poderão tocar os outros durante anos, ou até gerações. Ou seja, o efeito que exercemos em alguém é, por sua vez, passado a outras pessoas, à semelhança de pequenas ondas concêntricas que criamos quando atiramos uma pedra a um lago, que se vão alargando, alargando, até se perderem de vista, mas que na realidade continuam a um nível infinitesimal.”

     

    a reflexão:

    A esperança de deixar um legado, de sobreviver à própria morte, será algo que caracteriza a maioria dos seres humanos: o senso comum fala em plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, mas pensar nas três cumulativamente avassala — nem todos temos terreno ou competência para plantar árvores, poucos temos coisas para publicar e, certamente, alguns não desejam procriar. Parece-me bonita esta ideia de tocarmos outros que tocam outros, até que a nossa existência deixe progressivamente de tocar quem quer que seja. Não tenho como preocupação premente deixar uma marca no mundo, mas gosto de tocar pessoas, e de ser tocada por elas — sobretudo em vida.

     

    a pergunta: 

    Será assim tão determinante deixar um legado que nos sobreviva?

     

    *

    #LERePENSARcom é uma rubrica #filocri que pretende divulgar leituras, leitores, reflexões e perguntas. pretende-se também ampliar o entendimento de leitura: podemos ler e pensar com livros (literatura,  filosofia, ciência, álbuns ilustrados…), com documentários, com imagens ou com jogos e até com séries. procura-se aquilo que nos faz pensar, pratica-se o voltar a pensar e termina-se (se bem que o fim é um começo) com uma pergunta. 

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    Era uma vez um campeonato de crueldade é a última das quatro oficinas de filosofia visual do mês de julho.

    gostaria de poder contar CONSIGO (recordo que as oficinas são intergeracionais, para pessoas a partir dos 8 anos) e por isso vou oferecer a participação a quem se quiser juntar ao grupo. para o efeito só tem de me enviar o seu endereço de e-mail para receber o link zoom (escreva-me para joana @ filosofiaparacriancas ponto pt).

    a oficina começa às 11h e termina pelas 12h30.

    junta-se a nós? 

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    A exploração lúdica está no ponto de encontro entre o brincar e o fazer. Da mesma forma que muitas pessoas não veem o valor das brincadeiras (é só uma brincadeira), várias não veem o valor das explorações (é só uma exploração sem metas definidas). As escolas tendem a focar no valor do planejamento em detrimento das explorações pois parece mais organizado, direto, eficiente. Os planejadores têm uma abordagem de cima para baixo: analisam uma situação, identificam necessidades, desenvolvem um plano claro e o executam. Fazem só de uma vez e fazem certo. O que poderia ser melhor que isso?

    O processo de exploração lúdica é mais bagunçado. Os exploradores têm uma abordagem de baixo para cima: começam com algo pequeno, testam ideias simples, reagem ao que acontece, fazem ajustes e revisam os planos, normalmente seguindo um caminho sinuoso e indireto até a solução. Mas o que perdem em eficiência ganham em criatividade e agilidade. Quando coisas inesperadas acontecem e novas oportunidades surgem, os exploradores estão mais bem preparados e conseguem se beneficiar disso.


    Mitchel Resnick, Jardim de Infância para a Vida Toda (Brasil, 2020)

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    [a partir da leitura do livro Lugar de Fala, de Djamila Ribeiro e da reflexão de Evelyn Lima (INÉF)]

     

    O que é o lugar de fala?

    No capítulo “O que é lugar de fala?” Djamila Ribeiro aborda o sentido dado pela Comunicação que “serviria para analisar que o lugar de fala da imprensa popular seria diferente do lugar de fala do que eles chamam de jornais de referência (…)” (p. 56) 

    Ribeiro alerta para a necessidade de entendermos a palavra discurso de forma ampla: não se trata somente de a emissão de um posicionamento, usando palavras, mas sim de um “sistema que estrutura determinado imaginário social, pois estaremos falando de poder e de controle”. (p. 55) O entendimento de discurso deriva da noção de Foucault: 

    Suponho que em toda a sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que tem por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar a sua pesada e temível materialidade. (A ordem do discurso, pp. 8-9)

    Na sua análise, Evelyn Lima sublinha a ideia da autoridade de quem emite uma informação, remetendo para o texto de Ribeiro onde a pensadora parte precisamente da ideia de lugar de fala no meio da Comunicação. A filósofa co-fundadora da escola Isto Não É Filosofia apresenta o lugar de fala como “a visão de que cada discurso emitido parte de uma localização social”. 

    o que é que isso significa? 

    Partir de uma localização social implica ter em conta que “nenhuma visão ou afirmação é neutra, nenhuma visão ou afirmação é universal e que nenhuma visão ou afirmação é descolada de uma posição social, da classe, raça ou género”. 

    Quando eu falo, parto de um ponto de vista que ocupa um certo tempo na história, um certo tempo na sociedade. Através do reconhecimento de que certos grupos foram desumanizados e desconsiderados, compreendemos que os seus pontos de vista na história não colheram legitimidade. 

     

    o que não é lugar de fala?

    Para este ponto recorro à partilha que a escola Isto Não É Filosofia fez na sua conta de instagram, assinada pela professora Evelyn Lima. 

    Lima diz-nos que lugar de fala:

    “não é um conceito sobre liberdade de expressão; não é um conceito que defende que apenas quem “viveu algo na pele” pode falar sobre o assunto; não é um conceito que restringe a autoridade sobre um assunto à experiência vivida (exemplo comum: só negros sabem e podem falar sobre racismo); não é um conceito que defende que quem não vive uma determinada realidade (exemplo: homens) não pode falar ou ir contra algum assunto dentro dessa realidade (exemplo: homens falarem sobre desigualdade de género). 

     

    porque importa saber o que é lugar de fala? 

    Do meu ponto de vista, saber o que é luga de fala é fundamental para a prática da honestidade intelectual. Tenho consciência de que não falo de modo neutro, a minha fala é parcial e parte de um local específico da sociedade, que não é universal. Daí decorre, segundo Evelyn Lima, que “cada fala desconsidera outras posições sociais. Você pode falar sobre qualquer assunto desde que saiba que você fala dentro do escopo que está inserido”. 

    Ao promover uma multiplicidade de vozes o que se quer, acima de tudo, é quebrar com o discurso autorizado e único, que se pretende universal. Busca-se aqui, sobretudo, lutar para romper com o regime da autorização discursiva. (p. 69)

    Atender ao conceito de lugar de fala é uma postura simultaneamente epistemológica e ética: passa pelo reconhecimento de que não há neutralidade na minha fala sobre o mundo, por alargar a roda de pensamento para outros saberes que, tal como os meus, são localizados; e por romper com o silêncio que um discurso dominante calou ao longo dos tempos. 

     

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    📷 Jon Tyson / Unsplash

     

    quem tem lugar de fala?

    O último capítulo do livro é bastante claro: “Todo mundo tem lugar de fala”. 

    *

    (*) o livro Lugar de Fala está publicado na colecção Feminismos Plurais, coordenada por Djamila Ribeiro – editora Jandaíra (2020).

    (**) a análise da Evelyn Lima está disponível num dos destaques do perfil instagram da escola Isto Não É Filosofia.  

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    sugestão do Luís Cristóvão, comentador, de Torres Vedras

    o livro:

    Febre no Estádio, de Nick Hornby (editorial Teorema)

     

    a citação:

    “O meu pai e eu estávamos prestes a encontrar o equivalente inglês perfeito. As tarde de sábado no norte de Londres deram-nos um contexto em que podíamos estar juntos. Podíamos conversar quando queríamos, o futebol fornecia-nos assunto de conversa (em todo o caso, os silêncios não eram opressivos), e os dias tinham uma estrutura, uma rotina. O Estádio do Arsenal viria a ser o nosso relvado (e, sendo um relvado inglês, olhávamos geralmente para ele com ar pesaroso através de uma chuva vigorosa); o Gunner’s Fish Bar em Blackstock Road era a nossa cozinha; e o West Stand a nossa casa. Era um cenário maravilhoso, e mudou as nossas vidas precisamente na altura em que elas precisavam mais de mudar”.

     

    a reflexão:

    O futebol enquanto elo de ligação sempre foi algo que me fez imenso sentido. Na profunda ligação que criei com o meu pai através das experiências de ir ao futebol ou de estar em casa a ver futebol. De como isso acabou por se transformar numa estrutura à volta da qual organizei, quase sempre a minha vida. Numa linguagem que se transformou numa língua franca para falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar (o meu avô materno não gostava de futebol e, de alguma forma, assustava-me chegar a velho e não ter uma coisa sobre a qual falar quando entrasse num café cheio de caras estranhas). No livro do Nick Hornby, ao qual regresso por estes tempos, está lá tudo isso e muito mais. Como uma coisa que não temos bem a certeza de ter escolhido, mas precisamente o contrário, uma coisa que nos escolheu a nós, para se oferecer como ponte para sairmos de um mundo pessoal que nos parece demasiado fechado para sobrevivermos.

     

    a pergunta: 

    Se não fosse através do futebol, como é que eu teria chegado a viver algo semelhante a isto?

     

    👉 #LERePENSARcom é uma rubrica #filocri que pretende divulgar leituras, leitores, reflexões e perguntas. pretende-se também ampliar o entendimento de leitura: podemos ler e pensar com livros (literatura,  filosofia, ciência, álbuns ilustrados…), com documentários, com imagens ou com jogos e até com séries. procura-se aquilo que nos faz pensar, pratica-se o voltar a pensar e termina-se (se bem que o fim é um começo) com uma pergunta.  

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    informações detalhadas neste link

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    o plano 

    no passado dia 15 de junho aconteceu o café filosófico [online] com o tema inteligência e pensamento. 

    este era o plano de trabalhos que tinha delineado para este café filosófico que tem a duração de 1h30 e que começou ao som da música THINK, da Aretha Franklin:

    (I) gerar perguntas sobre inteligência e pensamento e/ou que coloquem inteligência e pensamento em relação;

    (II) seleccionar uma pergunta para o diálogo;

    (III) dialogar.

     

    o momento (I) aconteceu  dividindo o grupo em duas salas de trabalho. quando regressámos à sala “grande”, começámos por anotar as perguntas de cada grupo. seguia-se uma tarefa difícil: escolher a pergunta para o diálogo.

    o café filosófico não passou deste momento (II) e foi muito enriquecedor por isso. passo a explicar porquê.

     

    o diálogo sobre a maneira como vamos dialogar 

    foram colocadas algumas hipóteses para resolver esta etapa da escolha: votar (por ser democrático e rápido), eliminar perguntas com certas características (perguntas que pediam definições), escolher a pergunta mais atractiva ou ainda a pergunta que escolhemos “sem pensar muito”.

    demorámos algum tempo a dialogar sobre como iria acontecer este processo de escolha e acabámos por realizar um excelente exercício de metacognição. como? pensando sobre o caminho que iríamos percorrer no diálogo se escolhessemos de uma ou outra forma:

    “É interessante pensarmos qual a melhor forma de diálogo: do concreto para o abstrato ou vice-versa?”

    acabámos por encontrar um procedimento que acolhia as várias sugestões sobre como escolher a pergunta para o diálogo.

    ainda que não tenhamos aprofundado o tema do café com o trabalho sobre UMA pergunta, acabámos por dialogar sobre o tema ao esclarecer as perguntas, ao perguntar o que é que cada pergunta estava a perguntar. 

     

    o que dizem as pessoas participantes? 

    uma das pessoas participantes confessou que o aspecto mais positivo deste café filosófico foi precisamento o facto de termos ficado pelo momento (II). eis alguns olhares sobre o café filosófico: 

    “o tema adorei e o facto de não termos começado o diálogo.” 

     “nem todos participaram no diálogo o que não significa que não tenham escutado.”

    “a abordagem crítica e diferencial de cada participante adotou sobre o tema da inteligência e pensamento e como o desenvolver.”

     

    🧩 [para continuar a ler e aprender sobre]

    seleccionei alguns links que podem ser úteis para quem quer pensar a inteligência e o pensamento:

    – podcast Carne Esperta

    – documentário Deus Cérebro

    – inteligência artificial senciente? (artigo de Lemoine, artigo do Público e ponto de vista do professor Mário Sérgio Cortella)

     

    o que ambiciona um café filosófico?

    – promover um espaço de diálogo e de prática do pensar – escutar – falar (Peter Worley);

    – criar um ambiente seguro para a manifestação da ignorância;

    – cultivar a honestidade intelectual;

    – praticar a autonomia de pensamento;

    – promover um espaço de acolhimento para o desacordo;

    – reconciliar a pessoa humana com a sua falibilidade. 

     

    *

    poderá consultar a agenda de eventos da Bertrand Livreiros e considerar a participação num dos cafés filosóficos online.

    a minha agenda completa está disponível AQUI e inclui outros eventos além dos cafés filosóficos – em julho e agosto a agenda estará a passo de caracol 🐌

    subscrever a newsletter filocriatividade irá garantir que recebe as novidades de agenda no seu e-mail. 

     

     

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    MAPwC

    the Mediterranean Association for Philosophy with Children was recently founded by Soufiane Margoube (Morocco) and Arie Kizel (Israel).

    The Mediterranean Association for Philosophy with Children (MAPwC) will provide a framework for those who research and practice philosophy for/with children in the Mediterranean countries and the surrounding area.

    congratulations on the initiative! 

     

     

     

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    Os ODS e a Agenda 2030, adotados pela quase totalidade dos países do mundo, no contexto das Nações Unidas, definem as prioridades e aspirações do desenvolvimento sustentável global para 2030 e procuram mobilizar esforços globais à volta de um conjunto de objetivos e metas comuns. São 17 ODS, em áreas que afetam a qualidade de vida de todos os cidadãos do mundo e daqueles que ainda estão para vir.

     

    após leitura atenta da informação disponível no website Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o BCSD Portugal gostaríamos de expressar o nosso compromisso com alguns dos ODS da agenda 2030.

    mas o que é isso, o que é a agenda 2030? 

    A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas é constituída por 17 ODS e foi aprovada em setembro de 2015 por 193 membros, resultando do trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o mundo para criar um novo modelo global para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas.

    de acordo com o PNL2027,

    A Agenda 2030 é constituída por dezassete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que devem ser entendidos numa perspetiva holística, como se tratasse de “uma lista das coisas a fazer em nome dos povos e do planeta”. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável têm como base os progressos e as aprendizagens resultantes dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, estabelecidos entre 2000 e 2015. 

    Copy of Green and White  LinkedIn Header (Twitter

    a educação de qualidade (#4)é um dos pilares da filocriatividade e é um dos motivos pelos quais invisto na minha formação, para poder proporcionar às crianças e jovens a melhor experiência possível no âmbito da filosofia para / com crianças e da criatividade.

    além disso, procuro parcerias com entidades cuja actuação ressoa com o objectivo da educação de qualidade.

    para conhecer melhor as entidades parceiras da filocriatividade, convido-a/o a visitar o website da filocriatividade

     

    no sentido de contribuir para o objectivo reduzir as desigualdades (#10) tenho levado a cabo acções de voluntariado, desde o início do projecto. o projecto philoTKD (de 2008 a 2017) aconteceu em regime de voluntariado, bem como a colaboração com a #sala5, da educadora Ana Dominguez (em 2009, 2010 e 2011).

    mais recentemente, proporcionei formação das docentes da Escola Internacional de São Tomé e Princípe (ano lectivo 2020/2021) e colaborei com o Laboratório de (re)escrita de textos, da Escola Secundária da Trindade realizando oficinas (à distância) com apoio do Centro Cultural Brasil-São Tomé e Príncipe. 

     

    muito obrigada a quem acompanha este projecto e permite que eu possa prosseguir caminho no sentido de fazer acontecer estes objectivos! 

     

     

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    sugestão do Paulo Borges, professor/poeta, de Gaia 

     

    o livro:

    Coração das Trevas – Joseph Conrad (editora Compasso dos Ventos) 

    imagem via wook 

     

    a citação:

    “Sabem como odeio, detesto, não tolero mentiras: não por ser melhor do que os outros mas simplesmente porque me assustam. Têm um ar fúnebre, sabem a morte – exatamente aquilo que mais odeio e detesto no mundo – o que mais quero esquecer. Deixam-me infeliz e doente, como se tivesse trincado qualquer coisa podre.”

     

    a reflexão:

    Esta obra é uma das obras da minha vida. O narrador é pouco credível, mas ainda assim acaba por fazer uma descrição detalhada da exploração humana no antigo Congo Belga. Esta citação não fala tanto de «quem conta um conto acrescenta um ponto», mas mais da falsidade deliberada, de que muita gente se alimenta. Isto perturba-me muito.

     

    a pergunta: 

    Como é que podemos viver uma experiência extraordinária e ainda assim, (ou por isso mesmo) não conseguimos colocá-la organizadamente em palavras? Auto-sabotagem ou auto-defesa?

     

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    tropecei num artigo de Terry Heick intitulado 50 crazy ideas to change education e dei por mim a pensar: WOW. aqui estão algumas ideias bastante provocadoras, que abalam as nossas ideias de sala de aula, de relação entre professores e alunos, de escola. 

     

    (…) most of these are about education as a system rather than learning itself, but that’s okay. It’s often the infrastructure of learning that obscures anyway. Few of them may work; even fewer would work together, and that’s okay too. As long as we’re dreaming anyway, let’s get a little crazy.

    o que aconteceria à educação (e à instituição escola) se algumas destas ideias fossem implementadas?

    vejamos algumas das ideias loucas (?) que o autor sugere: 

    📌 pedir aos alunos que estabeleçam os seus próprios critérios de qualidade;

    📌 permitir que os alunos usem os smartphones em sala;

    📌 a presença dos alunos deixaria de ser obrigatória e teríamos de fazer das salas de aula os lugares onde os alunos querem estar; 

    📌  praticar a  honestidade e admitir quando as coisas não funcionam, são aborrecidas ou são uma perda de tempo;

    📌 promover a literacia, a criatividade e a brincadeira no ensino básico;

    📌 permitir que os professores desenhem o seu próprio desenvolvimento profissional;

    📌 optar por canais do YouTube ou listas de reprodução digitais/vídeos actualizadas e seleccionadas, em vez de livros didáticos;

    📌  abandonar a avaliação de 1 a 20  ou de 1 a 5; no máximo, mude para 0, 1, 2 – não concluiu o trabalho, concluído sem atender aos critérios de qualidade, concluído atendendo aos critérios de qualidade.

    📌 permitir que os alunos decidam o que querem e o que não querem aprender; insistir apenas para que aprendam alguma coisa.

     

    eis as minhas sugestões loucas (?):

    📌 eliminar as mesas e cadeiras das salas de aula e adoptar cadeiras com rodinhas e mesa para permitir o movimento em sala;

    📌  eliminar o ruído nos corredores e nas salas de aula, investindo em soluções de melhoria da acústica (o Manuel Faria fez uma ted talk sobre o tema);

    📌 abandonar os manuais escolares, permitindo que cada turma crie o seu próprio manual (ou diário gráfico) colectivo e individual, ao longo do ano;

    📌 eliminar os testes e introduzir outras formas de avaliação, de autoavaliação e de heteroavaliação;

    📌 envolver as famílias sempre que possível;

    📌 abandonar as festas de finalistas e de final de ano lectivo que servem de montra e não de encontro entre famílias e escola;

    *

    será que conseguimos transformar estas ideias loucas em realidade? será que podemos adaptar alguma destas ideias loucas e aplicar? 

    que ideias escolheria?

    que outras sugestões teria?

    partilhe nos comentários! 

     

     

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    a partir do perguntário ¿hay alguien aí? (Ellen Duthie – Wonder Ponder) navegamos entre perguntas e respostas sobre… a humanidade.

    não são só os seres bíbopes que têm curiosidade sobre a humanidade, a humanidade também tem curiosidade sobre si mesma ✌

     

    como surgiu esta oficina de filosofia, pensada para famílias com crianças entre os 7 e os 11 anos de idade?

     

    o contexto do livro ¿hay alguien aí? 

    o livro de Ellen Duthie é todo ele comporto por perguntas. estas foram lançadas pelos seres bíbopes que, tal como os seres humanos, são muito curiosos e querem muito fazer perguntas.

    ora, como criar uma oficina de filosofia a partir de um livro cheio de perguntas?

    antes de mais, li o livro atentamente para servir de guia à possibilidades de perguntas que se podem fazer sobre a humanidade. neste livro, surgem áreas temáticas também elas identificadas em termos de perguntas, por exemplo: como é a vossa relação com outros seres terrícolas? / os seres humanos são boas pessoas? / como é ser um ser humano? / como sabem aquil que sabem?

    esta leitura atenta fez-me perceber que seriam muitas as áreas filosóficas que poderiam surgir neste diálogo caso o grupo decidisse ler algumas perguntas do livro para responder. ora, como me posso preparar para tudo?

    não posso. como sou já uma facilitadora experiente e tenho formação na área da filosofia, não fiquei demasiado preocupada com esta questão. porém, recomendo que uma pessoa facilitadora  que esteja a dar os primeiros passos invista tempo na  preparação da oficina passe por uma preparação também ela filosófica, no sentido de nos dar uma noção dos conceitos, dos pensamentos que cada área apresenta. 

    recordo que o conteúdo filosófico, ou seja, o pensamento que outras pessoas filósofas já pensaram, não é o foco da oficina de filosofia. pretendemos que se pratique o filosofar durante a oficina. cabe à pessoa facilitadora estar preparada para reconhecer elementos filosóficos no diálogo. 

     

    pensei: hum, será que esta oficina de perguntas poderá transformar-se numa oficina de respostas? será que tem de acontecer assim?

     

     

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    pensar a oficina e a proposta de pensamento 

    talvez a oficina possa ser um perguntário e um respondário, no mesmo espaço e tempo. por esse motivo, fiz uns cartões com P (de pergunta) e R (de resposta) para que as pessoas participantes pudessem escolher o que queriam fazer. decidi não impor nem uma coisa nem a outra e deixar que as pessoas decidissem o que fazer, em conjunto. 

    o meu plano passava por começar a oficina com uma breve partilha do livro, contando que os seres bíbopes nos tinham visitado numa nave em forma de donut e que tinham deixado este perguntário dirigido aos seres humanos. 

     

    perguntário ou  as perguntas que os seres humanos presentes numa certa oficina de filosofia para famílias fizeram sobre a humanidade

    “o que podemos fazer? vamos ler as perguntas do perguntário sobre os seres humanos e dar respostas? ou vamos fazer o nosso perguntário sobre os seres humanos?” – perguntei.

    uma das crianças disse: “penso que podemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo, é o que costuma acontecer na filosofia.” esta participante tem sido uma presença assídua nas minhas oficinas online e já tem alguma experiência em diálogos filosóficos. as outras pessoas na sala estavam a participar pela primeira vez num diálogo deste género.

    as outras pessoas participantes concordaram com a ideia e foi aí que distribuí os cartões com P ou R para que pudessemos usar ao levantar o braço para falar. 

    a dinâmica aconteceu da seguinte forma: podíamos escollher P ou R, podíamos responder às perguntas uns dos outros, podíamos perguntar a partir das perguntas uns dos outros.

    acabou por ser bastante orgânica a forma como lançámos perguntas, algumas sem relação entre si, movidos pela curiosidade. nalguns momentos, voltámos atrás nas perguntas para avançar com respostas ou dialogar sobre as mesmas. 

     

    eis algumas das perguntas do nosso perguntário, partilhadas pelas crianças e pelas pessoas adultas na sala: 

    porque é que não há máquinas para substituir o cérebro?

    como é que a pele foi criada?

    porque é que temos sentimentos e como?

    de que é feita a água?

    como é que o ser humano apareceu?

    há algo de especial no ser humano? 

    quando pensamos em animais, pensamos no ser humano ou nos leões? 

    será que o leão sabe que é um leão?

    será que nós sabemos que somos nós? 

    como é que o mundo apareceu?

    quem foram os primeiros pais de tudo? 

    como é que o buraco negro apareceu se havia nada?

    se não houver ninguém para ouvir um barulho, esse barulho existe? 

    dizer pessoa é o mesmo que dizer ser humano?

    os Homens das cavernas eram pessoas?

    qual foi o primeiro planeta de todos?

    como é que os filhos podem ser pais?

    há cães que têm uma profissão?

    porque é que o livro tem um cão na capa?

    há piadas que só nos fazem rir a nós e a mais ninguém?

     

    curiosamente, estas perguntas variam entre questões sobre o mundo (na expressão de uma das crianças, do mundo planeta terra e do mundo universo) e sobre a origem das coisas. passámos algum tempo a tentar imaginar quem teria sido o primeiro ser de todos, no planeta terra. 

    se havia nada como é que começou a haver alguma coisa? 

     

    *

    esta é uma das possibilidades de trabalho em oficina filosófica pontual (isto é, com um grupo com o qual não terei trabalho de continuidade) a partir do livro de Ellen Duthie. 

     

    se pretende mentoria para criar um projecto de filosofia para / com crianças a partir de recursos como este, contacte-me.

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    participação do Ricardo Dente Lopes

    o livro:

    as vinhas da ira, de john steinbeck 

    (imagem do livro via bertrand) 

     

    a citação:

    Aí é que reside o perigo, pois que dois homens nunca se sentem tão sozinhos e tão abatidos como um só. E desse primeiro <<nós>> nasce algo muito mais perigoso: <<eu tenho algum pão>> mais << eu, não tenho nenhum.>> E o resultado desta soma é: <<nós temos alguma coisa>>.

    a reflexão:

    Neste pequeno monólogo, entre dois lavradores que perdem as suas terras ao terem sido apreendidas pelo Banco, Steinbeck estabelece — a meu ver — a origem e a destruição da nossa relação em sociedade.

    Se por um lado a dependência de uma rede maior de confiança, seja ela traduzida em relação económica e a subsistência, trouxe este desfortúnio aos dois lavradores, por outro é a empatia e compaixão que os leva a construir uma relação entre ambos naturalmente em torno da partilha e da confiança.

    À margem de teorias económicas e políticas este é um problema fundamental nos dias de hoje. Embora o progresso em sociedade tenha arrancado das mãos dos demais a capacidade de trabalhar em prol da própria subsistência, ou seja, a terra; embora as organizações tenham construído melhores aparelhos de segurança social e garantia de subsistência; embora tudo isto, a humanidade vive — em pleno paraíso tecnológico e económico — o maior período de desigualdade de sempre. Se antes o problema era de subsistência, talvez hoje o problema seja de natureza de oportunidades do indivíduos e de auto-realização e propósito. Se antes os mais pobres se viam desprovidos de alimento, hoje, talvez, se vejam desprovidos dos meios para alcançar o seu potencial e realização. Talvez a desigualdade assente precisamente nisto, talvez a miséria em tempos modernos não seja de natureza material, alimentar ou palpável por alguma métrica económica que não: estamos a construir uma sociedade justa onde cada indivíduo está munido das melhores oportunidades para alcançar o seu potencial e propósito?

    a pergunta: 

    Pode um indivíduo deixado à margem dos seus pares ainda confiar na ideia de “sociedade” quando é tratado de forma desigual nos proveitos e nas relações que estão na base da criação deste mesmo conceito?

     

    *

    #LERePENSARcom é uma rubrica #filocri que pretende divulgar leituras, leitores, reflexões e perguntas. pretende-se também ampliar o entendimento de leitura: podemos ler e pensar com livros (literatura,  filosofia, ciência, álbuns ilustrados…), com documentários, com imagens ou com jogos e até com séries. procura-se aquilo que nos faz pensar, pratica-se o voltar a pensar e termina-se (se bem que o fim é um começo) com uma pergunta. 

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    já se encontra disponível o programa À luz da razão, da jornalista Ana Paula Ferreira, sobre filosofia para/com crianças (antena 2).

    para ouvir basta clicar AQUI