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🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica. Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades. Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc). Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools. Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025).
Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C. Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»
O Carlos foi um dos meus companheiros de viagem no 1º ano do mestrado de Filosofia para Crianças e Jovens, na Universidade dos Açores (na altura Pós-Graduação, ainda).
É licenciado em Filosofia, Ramo Educacional, Mestre em Psicologia (Contextos Educativos), e pós-graduado em Filosofia para Crianças, pela Universidade dos Açores.
Possui vasta experiência no ensino, quer profissional, quer regular, desde a leccionação e coordenação, passando, igualmente, pela Direcção Técnico-Pedagógica, enquanto Director Pedagógico, em 2005-2006, na Escola Profissional Monsenhor João Maurício de Amaral Ferreira. Tem também experiência acumulada em diversos Programas de Ensino, tendo como público-alvo adolescentes e adultos, tais como Profij (II e IV) e Reativar, incluindo leccionação no Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, e coordenação do Programa Erasmus +.
O Carlos vive rodeado de azul e verde, de ilha em ilha, no magnífico arquipélago dos Açores. Foi precisamente neste contexto, da Pós-Graduação, que o Carlos teve a sua primeira experiência enquanto facilitador.
Lembras-te da primeira vez que ouviste falar de filosofia para crianças?
Não exactamente. Provavelmente, com consciência, há volta de 10 anos…. 2007, 2008.
Como é que começaste a trabalhar nesta àrea?
A primeira sessão conduzida por mim foi no âmbito da Pós-Graduação que fiz, na Universidade dos Açores, em “Filosofia para Crianças”.
Consideras que a fpc é necessária para as crianças? Porquê?
Sim, muito importante. Provavelmente a minha resposta não traz nada de novo perante o que as autoridades na matéria dizem, mas defendo que é importante porque é necessário haver um espaço no qual a criança aprenda a refletir. As tecnologias trouxeram fontes infinitas de informação, em quantidades que eram inimagináveis nos meus tempos de criança. No entanto, essa informação não é tratada, mas sim tratada de uma forma descartável: “play”, “vejo”, “termino”, carrego imediatamente “num próximo play”. Aliás, esta é uma sequência comportamental que é já um padrão da educação das nossas crianças, sem qualquer momento de análise.
Hoje em dia as crianças, em Portugal, têm muitas actividades na escolar e depois da escola. Por que havemos de levar a filosofia para as escolas?
Devemos levar a Filosofia para as escolas pela razão que acima apresentei. Mas é uma questão que, em termos práticos, não é fácil de materializar. De facto, as crianças têm muitas atividades, na escola, e depois da escola. Parece que é um mal socialmente reconhecido, assente, não havendo tempo para o chamado “tempo para ser criança”. Por outro, quando ouvimos os professores de cada área correspondente a essas atividades, parece que faz todo o sentido incluir essas atividades…… O mesmo se passará com a Filosofia.
O que faz com que uma pergunta seja uma questão filosófica – do ponto de vista da fpc?
Em relação à Filosofia para Crianças, não creio que haja, ou não creio que deva haver, diferença ou cedência de requisitos para que uma questão seja Filosófica. Tal como na “Filosofia Adulta”, as questões filosóficas na “FPC” também deverão ser “existenciais e valorativas”; “não podem ter solução científica ou técnica”; “não podem ser questões de facto” e “devem ultrapassar o domínio da legalidade”.
Quais são os maiores desasfios que a Fpc enfrenta, nos nossos dias?
Enfrenta o preconceito generalizado que as pessoas e o sistema de educação têm em relação à Filosofia: a Filosofia não serve para nada.
Podes dar alguns conselhos aos professores e aos pais para os ajudar a lidar com as perguntas das crianças?
1º) Nunca ignorar as questões das crianças;
2º) Dar valor a cada questão formulada.
Alguma vez foste surpreendido com uma pergunta de uma criança? Podes partilhar connosco que pergunta foi essa?
Provavelmente sim, mas, depois de pensar muito nessa questão, não há nenhuma em particular que me ocorra.
a SPF – Sociedade Portuguesa de Filosofia organiza o 3º Congresso Internacional de Filosofia, nos dias 6 e 7 de Setembro. o evento é acolhido na UBI (Universidade da Beira Interior), na Covilhã.
irei marcar presença na companhia do Jose Barrientos-Rastrojo, da Magda Costa Carvalho e da Dina Mendonça, para partilharmos experiências e perspectivas sobre a filosofia para crianças.
Conheci o Pepe Barrientos-Rastrojo em 2007, num congresso da APAEF (Associação Portuguesa de Aconselhamento Filosófico, onde também conheci a Celeste Machado, com quem comecei a trabalhar, uns anos depois, na área da filosofia para crianças.
O Pepe foi o orientador da minha tese de mestrado, na área dos recursos humanos e filosofia aplicada. Trabalha na Universidade de Sevilha, onde é professor e investigador. A sua tese de doutoramento versava sobre Maria Zambrano.
Os nossos encontros têm sempre como motivação a partilha na área da filosofia aplicada, seja na consultoria filosófica ou na filosofia para crianças. Julgo que a última vez que estivemos juntos foi em Angra do Heroísmo, em Junho de 2014, durante o Encontro Internacional Filosofia para Crianças e Adolescentes: Aprender a Pensar em Comunidade, promovido pela Universidade dos Açores.
Contactei o Pepe via twitter e perguntei se estaria disponível para responder a algumas questões. O “SIM” foi imediato. Por saber que o Pepe lê bem em português, escrevo esta introdução na minha língua natal.
¿Te acuerdas cuando fue la primera vez que oíste hablar de filosofía para niño?
Empecé en Filosofía Aplicada individual hace un par de décadas. En aquela época, escuché referencias a Matthew Lipman y a su programa.
Mi dedicación a las consultas individuales y mi interés en autores de la orientación filosófica individual me separó, inicialmente, del interés por este campo hermano. Sin embargo, siempre pensé que ambas bebían de un mismo espíritu analítico-discursivo. Esto se ponía de manifiesto en las metodologías de trabajos: el análisis de argumentos, la creación de conceptos, el interés por las falacias, la erradicación de las opiniones, etc… Por ello, siempre regresaba a la lectura de algunos de sus textos de forma recurrente.
¿Como has empezado a trabajar en este area?
Mi dedicación definitiva a este área de conocimiento surge cuando mi Departamento de la Facultad de Filosofía me encarga la impartición de la asignatura en 2010. Un profesor del Departamento, José Agüera, se había jubilado y había trabajado mucho en la materia. De hecho, desarrolló un grupo de investigación oficial e implantó la asignatura en la Facultad de Ciencias de la Educación. Lamentablemente, nunca nos conocimos personalmente. El hecho de que nadie se sintiese en disposición de impartir la materia y la circunstancia de que yo era el último en elegir asignatura derivaron en que se me asignase. Hoy, no estoy dispuesto a abandonarla puesto que no existe ningún profesor que posea conocimientos téoricos y prácticos en la misma. De hecho, sólo una becaria se ha interesado en el tema. El programa básico de la materia puede consultarse en este link http://www.us.es/estudios/grados/plan_194/asignatura_1940025/proyecto_960055
El primer año la asignatura contó con cuatro alumnas, pero hemos llegado a contar con más de cincuenta. He procurado no superar una máxima de treinta alumnos para poder realizar talleres todas las semanas.
La asignatura consta con una parte teórica, una parte práctica y una aplicada. La teórica enseña los contenidos básicos y realiza prácticas de pensamiento crítico y lógica informal; la práctica realiza quince talleres reales durante el semestre y la aplicada exige que los alumnos realicen grupalmente una sesión con niños reales y lo graben en video.
Asimismo, generé un proyecto con estudiantes hace un lustro en una escuela de Sevilla. La actividad quedó reflejada en un capítulo del libro Filosofía para Niños y capacitación democrática freiriana, elaborado por Sara Mariscal Vega.
¿Consideras que la FpN es necesaria para los niños? Por qué?
Considero que es necesario el desarrollo de las habilidades de pensamiento que incentiva la Filosofía para/con niños por razones aducidas por sus teóricos: mejora de las capacidades democráticas, incremento de capacidades cognitivas y creativas, promoción de las habilidades reflexivas, lucha contra la ideología social que reduce la autonomía de los ciudadanos, quienes ni siquiera son conscientes del engaño,…
Sin embargo, pienso que el modelo de racionalidad de la disciplina es restringido. Al basarse en la tradición discursiva y analítica, la metodología de trabajo olvida otros tipos de pensamiento. En este sentido, autores como Kohan o Sátiro son modelos para la extensión de los modos de trabajo en las sesiones.
Mi propuesta pretende avanzar en este sendero y incentivar la dimensión “filosófica” de la disciplina de un sentido profundo y amplio. Esto supone el avance en el trabajo de metodologías fenomenológicas, hermenéuticas, pragmatistas, etc… Este avance supone una aplicación profunda de las metodologías de Husserl, Gadamer, Romano, Rorty, Vattimo (entre otras) de una forma seria y rigurosa. A tal fin, se precisa de un conocimiento profundo de cada uno de estos autores, de sus conceptos fundamentales, el modo en que entienden la filosofía y sus objetivos. Asimismo, se exige una cabal comprensión de cómo aplicar cada fase y conceptos de esos autores en las sesiones. Por último, se precisa creatividad y agudeza para realizar dinámicas que respeten la dimensión filosófica de esas metodologías y se mantenga el interés de los niños. Un ejemplo de ellos será la ponencia que impartiré en el próximo congreso de la Sociedad Portuguesa de Filosofía en la Universidade de Beira Interior en Covilha en septiembre de este año.
Este planteamiento usa un conjunto de metodologías que exceden la racionalidad del proyecto lipmaniano, que, considero, ha sido y es esencial hoy día, como he señalado. Un primer intento de jugar con otras racionalidades procede del taller de creación de cuento, inspirado por Jorge Sánchez-Manjavacas, y que he aplicado en varias partes del mundo. Su teoría aparecerá en las actas del último congreso de la NAACi realizado en Puebla (México) por María Teresa de la Garza y María Outón. Otro es la aplicación de las nociones maestras del pensamiento de Richard Rorty en talleres de Filosofía Aplicada para Niños y Adolescentes.
¿Hoy en día los niños en Portugal tienen muchísimas actividades en la escuela y fuera de ella. ¿Por qué debemos tener filosofía en las escuelas?
Creo que es importante también tener otras materias vinculadas con las humanidades. Todas ayudan al sujeto a desarrollar su propia identidad. La filosofía ayuda al pensamiento crítico y a la optimización de otras capacidades como el gobierno de las emociones (estoicos), la sutileza (Dusn Scoto) y la visión profunda de la realidad (María Zambrano), la comprensión del otro (Buber), de las culturas ajenas (Levinas) y de las bases de lo real (Gadamer), la recuperación de la experiencia en tanto en cuanto se está dando o el mundo de la vida (Husserl), el fomento de la solidaridad y la lucha contra la crueldad (Rorty), la comprensión de la realidad no sólo intelectivamente sino desde percepciones corporales (Merleau Ponty), el enriquecimiento de las de virtudes noéticas y la lucha contra los vicios epistemológicos (Aristóteles, Descartes) y morales o éticos (Kant) o la generación y crítica de nuevos valores como la ética ambiental y animal (Peter Singer), entre otros. El desafío está en cómo implementar esto no sólo intelectivamente sino mediante una acción que produzca cambios profundos (experienciales) en el sujeto. Precisamente, los últimos años he trabajado sobre esa Filosofía Aplicada Experiencial en adultos y niños (puede verse algo en https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5756036.pdf).
¿Qué hace que una pregunta sea una pregunta filosófica – desde el punto de vista de la FpN?
¡Buena pregunta!
Considero que no sólo hay que crear preguntas filosóficas. A pesar de que el trabajo con preguntas es importante en las sesiones hay que contemplar, sobre todo, cómo se implementan filosóficamente el resto de las condiciones: por ejemplo, el tiempo y el espacio, el tipo de palabras que se usan, la relación que se crea en los talleres, los modos en que se percibe la realidad, el tipo de racionalidad sobre el que se basan el diálogo, el tipo de diálogo generado. Cada uno de estos aspectos ha de dotarse de esa notación filosófica, que como digo, no sólo atañe a las preguntas. De hecho, habría que preguntarse (también) qué hace una respuesta filosófica para validar el trabajo en las sesiones.
La respuesta a la condición filosófica de preguntas, tiempos, espacios, palabras, relaciones, racionalidades o modos de diálogos, por citar sólo algunos elementos, exigiría un capítulo o libro completo. Sin embargo, detengámonos en un ejemplo para clarificarlo: Gadamer ha distinguido entre palabras instrumentales y palabras dicientes. Las primeras sirven para transmitir contenidos y corresponden a la de un manual de matemáticas que explica un problema; las segundas son transformadoras de la realidad y surgen en la poesía, pero también en el derecho cuando una ley crea una nueva realidad social. El conocimiento de esta distinción es propio del filósofo que trabaja y debería integrar el trabajo con ambos en el caso de una sesión. La distinción entre una palabra balbuciente (Zambrano), ideologizada por la sociedad (Mannheim), desfundamentadora (Deleuze) o incentivadora de la tolerancia (Rorty) deberían ser elementos conocidos por el filósofo e integrados en dinámicas particulares que permitieran al niño a agudizar su percepción.
Regresando a la pregunta filosófica, las respuestas que he leído en ocasiones sobre esto no me satisfacen (son abiertas, incentivan el pensamiento crítico) puesto que son propias de dinámicas pedagógicas y psicológicas. Quizás, me satisfaga la idea de que una pregunta filosófica es aquella que con potencia para incentivar su propia destrucción y la de sus presupuestos…
¿Cuáles son los mayores desafíos que se enfrenta hoy en día la FpN?
Como indicaba arriba, creo que el principal desafío es incentivar su dimensión filosófica mediante el desarrollo de metodologías y evitar caer en un esquema analítico en que nació. Esta afirmación no se opone a esa estructura sino que la considera limitada, reducida y reductora (cuando señala cómo únicamente válida a esta racionalidad). Nótese que habría que diferenciar entre una Lógica para Niños y una Filosofía (Aplicada) con Niños. La segunda integra la primera; la primera es sólo una modalidad de la segunda.
¿Puedes dar algunos consejos a maestros y padres para ayudarles a lidiar con las preguntas de los niños?
Estar abierto al asombro, a sus lógicas, no imponerles respuestas (error de quien empieza), asumir que nosotros mismos dependemos de ideologías de las que no somos conscientes y dejar que ellos se conviertan, a veces, en adultos de los que hemos de aprender conocimientos tan olvidados en nuestra infancia como necesarios en nuestra madurez.
¿Alguna vez has sido sorprendido con una pregunta de un niño? ¿Puedes compartir con nosotros la pregunta?
No recuerdo muchas: soy de recuerdo limitado. En fin, ¡nadie es perfecto!
Desde 2016 que tenho vindo a contactar e a convidar investigadores e facilitadores, de várias partes do mundo, para partilhar algumas perspectivas acerca da filosofia para/com crianças.
Since 2016 I have been contacting and inviting researchers and facilitators from all over the world to share some insights about philosophy for/with children.
Desde 2016 que hemos venido ponerse en contacto y invitar a investigadores y facilitadores de varias partes del mundo a compartir algunas perspectivas acerca de la filosofía para/con los niños y niñas.
foi um ano lectivo cheio de filosofices: oficinas regulares em dois jardins de infância, com três grupos (entre os 3 e os 5 anos) e com várias turmas do 1º ciclo. acresce a colaboração com a rádio miúdos e a oficina do platão, em telheiras.
o balanço é positivo, pois o trabalho de continuidade, o tempo, as relações que o facilitador cria com o grupo e aquelas que o grupo cria entre si.
houve muitas histórias curiosas que partilhei por aqui, no twitter ou no facebook. outras guardo só para mim, pois não há tempo para colocar tudo por escrito e há momentos que são só nossos, que ficam entre quem os viveu.
agora há uma tese para acabar e por isso os próximos tempos serão mais de investigação do que de prática.
estes foram os últimos reforços “contratados” para a equipa da biblioteca cá de casa. livros que já andava “a namorar” há algum tempo, confesso. o Museu do Pensamento e o Cá Dentro são livros que nos permitem praticar o pensar sobre o pensamento. já a Barafunda é um daqueles livros que certamente me vai permitir criar jogos para levar para as oficinas com a criançada.
e por aí? quais vão ser as vossas leituras de verão?
durante a semana passada a filosofia bateu à porta de sete turmas do 1º ciclo, a propósito da “semana dos afectos”.
a convite da Verbos Inúmeros, tive a oportunidade de filosofar sobre a amizade, com crianças dos 7 aos 10 anos.
parece fácil dizer quem é nosso amigo – mais fácil ainda é afirmar o “temos” em vez do “podemos” ser amigos de todos. parece que há aqui uma obrigação… ou será que aquilo que fazemos com os nossos amigos também se aplica aos desconhecidos? por exemplo, ajudar alguém a levantar-se, depois de cair?
houve muitos aspectos interessantes nestes diálogos: o fazer uma pausa na amizade, podemos fazer de conta que somos inimigos e, na verdade, sermos amigos. podemos escolher os amigos e arranjar outros.
a amizade é um dos temas que tomamos por adquirido: toda a gente sabe o que é. e explicar? e compreender o que pensamos e sentimos face aos nossos amigos? e partilhar essas ideias com os outros? – foi talvez aquilo que mais agradou à pequenada, poder parar para pensar sobre a amizade. sem julgamentos pessoais, só a partilhar e a trabalhar sobre as nossas ideias.
depois da minha passagem pela turma da MC (a convite da mãe G.) o professor da turma do 2º ano deu continuidade ao trabalho que tivemos durante a oficina: fazer perguntas.
durante a nossa oficina estivemos a trabalhar com três ferramentas:
– perguntar
– dizer uma coisa
– responder
acresce o famoso PORQUÊ, tão necessário para justificarmos as nossas posições, as nossas escollhas.
a mãe G. partilhou estas perguntas que a MC fez, desafiada pelo professor titular.
há 10 anos que ando pelo país a largar a semente da filosofia, da curiosidade, do perguntar. estas são as bases do trabalho da filosofia para crianças (para jovens, para adultos e por aí fora). a partir daqui treinamos o pensamento crítico, criativo, cuidativo e colaborativo.
na filosofia para crianças a pergunta é o ponto de encontro, entre a curiosidade e a vontade de querer saber.
a oficina do Platão reune de quinze em quinze dias. há filosófos residentes, que já fazem parte do grupo desde o início (em outubro do ano passado) e, de vez em quando, aparece alguém novo.
na última oficina sentei-me com a C., a L., e o G.
“hoje somos só três?”
“sim”, respondeu alguém.
perguntei: “então e eu? tornei-me invisível?”
e eis que a pergunta surge e salta “para cima da mesa”: o que farias se fosses invisível?”
Platão (o próprio) conta-nos a história de Giges, rei da Lídia. Giges ascendeu ao poder depois de ter assassinado o monarca anterior. é Platão que narra esta história do anel, no livro II d’ A República, para trabalhar o tema da justiça. na oficina do Platão foi colocada esta hipótese: haver um anel que, quando usado de uma certa forma, nos tornaria invisíveis. e o que faríamos, nesta condição de invisibilidade?
entre fazer partidas e assustar pessoas, surgiu a possibilidade de roubar sem ser visto. roubar é sempre mau, mas quando podemos ser vistos e apanhados é pior, pois vamos presos e vamos ter más condições de vida.
foi uma oficina divertida pois surgiram ideias engraçadas sobre a invisibilidade. a I. (que se juntou a nós a meio do diálogo) acabou por partilhar que a maioria das coisas que fazemos quando somos invisíveis não teriam muita graça, pois ninguém nos ia ver.
vamos voltar a esta questão, das coisas que podemos fazer quando somos invisíveis – e daquelas que devemos ou não fazer.
5 de maio, às 11h, na Livraria Bertrand (Chiado – Lisboa)
Habituamo-nos a procurar respostas em livros: o desafio desta oficina é o de fazer perguntas aos livros. Brincar com o livro, com o que o livro nos diz – e brincar com o nosso pensamento. No mês em que se comemora o Dia Internacional do Brincar vamos descobrir: há lá coisa mais séria do que o brincar?
“Costumo dizer que estas oficinas equivalem a um treino de ginásio: em vez dos músculos do corpo, trabalhamos os músculos do pensamento“
Joana Rita Sousa, Filósofa, facilitadora e formadora na área de filosofia para crianças e criatividade, desde 2008.
Duração: 45 a 60 minutos | Para crianças dos 6 aos 10 anos
“Aqui nós aprendemos o que as coisas são, o que são as palavras. andamos a ver o que existe, o que é real, explicamos as palavras e as perguntas!” – dizia o Marco, ao avaliar uma das oficinas de filosofia. Estas pretendem ser um espaço e um tempo para parar para pensar, “treinar” o olhar crítico, explorar possibilidades e investigar – em conjunto.
O que é que se aprende?
Costumo dizer que estas oficinas equivalem a um treino de ginásio: em vez dos músculos do corpo, trabalhamos os músculos do pensamento. Fazemos exercícios de resistência – verificamos se a nossa ideia é forte, se há boas razões para a aceitar e se resistem aos argumentos contra – treinamos a flexibilidade – será que eu sou capaz de defender o ponto de vista do outro? E se eu mudar de ideias? – e, sobretudo, trabalhamos com as ideias uns dos outros. Podemos “adoptar” perguntas e ideias dos amigos, oferecer perguntas, explorar hipóteses de respostas, descobrir outros pontos de vista e, sobretudo, construir um espaço de liberdade onde posso dizer aquilo que penso, sem que seja julgada por isso. Podemos testar ideias, avançar, voltar atrás – tudo isso faz parte do processo que nos encaminhará para o aprofundamento filosófico. (Joana Rita Sousa)
a pergunta foi colocada por uma mãe que gostaria de proporcionar à sua filha, e aos colegas da turma, uma oficina de filosofia. eu respondi: “não, mas posso vir a ter”.
a mãe G. ficou muito contente pois há algum tempo que estava atenta às minhas oficinas de filosofia, para que a filhota pudesse participar. a ideia de ter a turma inteira a usufruir de uma oficina agradava-lhe e daí me ter lançado a pergunta.
e assim nasceram os vouchers #FiloCri que podem ser adquiridos por quem quiser oferecer uma oficina de filosofia a uma turma da escola ou do jardim de infância ou a um grupo de crianças que se pode juntar num espaço para filosofarmos. as possibilidades são imensas e, sim, faço domícilios e desloco-me pelo país.
“joana, como posso adquirir um voucher?”
basta enviar um e-mail para info@joanarita.eu para podermos falar sobre o grupo, o local onde a oficina vai acontecer, as possibilidades de datas e as temáticas que podemos abordar.
hoje a provocação filosófica foi uma das imagens do jogo “whatever you want” – Wonder Ponder
este jogo apresenta boas propostas para pensar à volta das questões da liberdade – esta imagem, em particular, permite-nos aprofundar perguntas como “quem está dentro? e “quem está fora?”
imaginando que alguém está preso, nesta imagem, também nos faz pensar sobre as semelhanças entre uma prisão e, por exemplo, uma escola: há muros, há grades, há rotinas, há “guardas” – e liberdade, há?
no final da oficina, o D. partilhou que tinha gostado do exercício: “começámos a pensar numa coisa e depois fomos parar a outra. às vezes mete medo, porque de repente uma coisa transforma-se noutra”
foi a primeira vez que estive a filosofar com este grupo de crianças do 2º ano, do 1º ciclo e surgiu a pergunta: “o que é a filosofia?”