
O ano lectivo 2026/2027 está à porta e a proposta da #filocriatividade é simples: parar para pensar, pensar em parar.
Escrito assim, quase parece um trava-línguas.
O olhar abranda. Voltamos atrás. Confirmamos se lemos bem a frase. A frase obriga-nos a fazer precisamente aquilo de que fala: parar.
Parar é um grande desafio para a educação; não propriamente o fazer mais em menos tempo, nem tão pouco o fazer mais depressa. O grande desafio passa por criar as condições para pensar.
O pensamento não gosta de pressa
Vivemos rodeados de estímulos e a todo o momento somos convidados a responder antes de compreender o assunto em causa; opinamos antes de escutar; procuramos soluções antes de formular boas perguntas; atalhamos a fala das outras pessoas só para ouvir a nossa voz.
A velocidade tornou-se um valor; já a pausa, parece uma perda de tempo.
Hannah Arendt escreveu que pensar é uma actividade que interrompe o curso habitual da vida. Quando pensamos verdadeiramente, suspendemos por instantes a urgência do fazer para nos interrogarmos sobre o sentido daquilo que fazemos.
É essa interrupção que importa recuperar.
Aprender exige tempo
Em Liberdade para Aprender, Peter Gray defende que a curiosidade é um dos motores mais poderosos da aprendizagem. A curiosidade não se programa ao minuto, nem floresce por decreto. Precisa de tempo para explorar, experimentar, errar e voltar a tentar.
Nem todas as aprendizagens importantes são rápidas, algumas precisam que nos demoremos.
Uma educação que liberta
bell hooks lembra-nos que ensinar pode ser uma prática de liberdade. A liberdade também se aprende.
Aprende-se quando existe espaço para formular perguntas próprias, quando diferentes perspectivas podem ser escutadas, quando mudar de opinião não é sinal de fraqueza, mas de crescimento.
É difícil que isso aconteça quando tudo pede rapidez.
O tempo das perguntas
Acredito que filosofar é, antes de mais, criar tempo.
Tempo para escutar.
Tempo para perguntar.
Tempo para pensar em conjunto.
Como escreve Marilena Chaui, a filosofia começa quando recusamos aceitar o mundo como algo evidente e começamos a interrogá-lo. É nesse instante — quando suspendemos o automatismo e perguntamos “porquê?” ou “será mesmo assim?” — que o pensamento ganha espaço para acontecer.
É esse espaço que procuro criar em cada uma das oficinas que dinamizo.
Um convite para 2026/2027
Gostaria de fazer um convite a escolas, bibliotecas, museus, empresas e outras instituições: reservem tempo para pensar. Protejam momentos em que as perguntas sejam tão importantes como as respostas. Criem espaços onde crianças, jovens e adultos possam demorar uma ideia antes de passarem à seguinte.
Há que praticar o parar para pensar.
Se acredita que também vale a pena criar tempo para pensar na sua escola, biblioteca, museu, empresa ou organização, convido-o(a) a conhecer as propostas #filocriatividade para 2026/2027.
Preencha o formulário de contacto para que possamos conversar sobre a melhor forma de desenhar uma oficina, formação ou projecto à medida do seu contexto.
joana rita

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