filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    Na página 449 do livro Fábrica de Criadas, de Afonso Cruz, pode ler-se:

    – Sempre fui peripatético – disse o falecido professor à Alexandra -, gostava de dar aulas a caminhar, dava voltas e voltas e voltas e voltas dentro da sala de aula enquanto enchia a tripa dos alunos com a carne moída do ensino. (…) O ensino peripatético, que eu sempre defendi, o de Aristóteles e o dos epicuristas, é fundamental para mudar a educação, reduzindo os malefícios da absorção de informação passiva e sentada, cujos estudos, não sei se está a par deles, dizem reduzir a massa cinzenta. O ensino, irmã, sempre foi feito num só sentido, do professor para estudantes sentados, posição que não é nada natural para um jovem, isso deixa-os irrequietos, desobedecem, vão contra o sim, senhor professor, sim, senhora professora, abram os vossos manuais, abram os ouvidos, tomem atenção, estejam calados, as minhas de volfrâmio, os rios, as linhas férreas e respectivas estações, os nomes dos monarcas, a métrica dos Lusíadas; o problema não são os professores, o problema é o ensino, há tanta falta de alegria. Ora, um estudante sentado não é um estudante, é um par de orelhas e pouco mais, falta-lhe viagem e horizonte, não pode ser só cadeiras e cátedras. A escola dos sentados é uma escola com bolor e sem futuro. Mas, enfim, há esperança isto vai mudando devagarinho, que eu tenho reparado.

     

    Ao ler este diálogo entre um falecido professor e a Alexandra pensei em muitas coisas que tenho lido sobre educação e pedagogia, nas formações que tenho vindo a fazer, nos diálogos que tenho tido com pessoas ligadas à educação.

    Continuamos a ter uma escola muito sentada e confinada às quatro paredes da sala de aula. Caminha-se pouco, mesmo quando temos várias coisas a 15 minutos a pé, seja a Biblioteca na qual podemos usufruir de uma actividade, seja um outro espaço da comunidade que pode ser uma extensão da sala de aula.

    Porquê? Por vezes, a razão é a falta de recursos humanos para acompanhar o grupo; depois há ainda a chuva ou o sol, ou aquilo que os encarregados de educação apreciam ou não. Por vezes, não há desculpas: há hábitos, ou falta de hábito.

    Algures em 2024, viajava de autocarro para o local onde ia fazer oficinas de filosofia. Numa das paragens entrou um grupo de crianças, com t-shirts a identificar a escola, cada uma com a sua lancheira e acompanhadas por pessoas adultas com coletes reflectores. Reparei na forma despachada como entraram no autocarro, procurando um lugar para se sentar, como se fizessem aquilo há anos. Sentadas, as crianças iam olhando pela janela e comentavam o que viam.

    Curiosamente esta era uma das turmas com a qual eu iria trabalhar nesse dia.

    Comentei com a educadora que acompanhava o grupo que tinha reparado nas crianças  ainda no autocarro. Acontece que nesta escola, desde cedo, as crianças fazem uso do transporte público para passear – e aprender. Começam por sair a pé, para a comunidade em volta da escola, e depois começam a andar de transportes públicos. O passe é gratuito, portanto é uma questão de tirar partido deste recurso.

    Uma criança que assume esta prática desde cedo não vai estranhar o andar a pé ou de transporte público no momento de usufruir de uma actividade. E as famílias também não vão estranhar esta forma peripatética de escola.

    Qualquer momento é bom para integrar o passeio, o caminhar na nossa prática de sala de aula. Isso implica ampliar a nossa ideia de sala de aula, criar algumas rotinas e regras de segurança, envolvendo as crianças e os jovens nesse processo.

     

    Não é o acto de caminhar que faz aprender, é aprendendo caminhando: essa era a minha escola, um jardim, um passeio.”

    “ – A cadeira – disse a Alexandra – foi uma grande invenção, sentar faz muita falta. Talvez se possa pensar num melhor equilíbrio entre caminhar e repousar. É que parar é um acto espiritual. (Afonso Cruz, Fábrica das Criadas, p. 450)

     

    Fica o desafio: em 2025/2026 vamos ampliar a sala de aula?

     

    foto de Leo Okuyama na Unsplash

     

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    O 6.º Congresso Internacional de Filosofia arrancou no dia 1 de Setembro. Pela manhã, o anfiteatro 1 da FLUL foi brindado com a intervenção do Professor Viriato Soromenho-Marques (Universidade de Lisboa) que nos provocou com uma pergunta: Poderá a época do Antropocénico tornar-se numa nova Idade Axial (Achsenzeit)?

    Até quarta, dia 3, serão muitas as perguntas que serão abordadas nas diversas sessões paralelas, bem como nas conferências de Genia Schönbaumsfeld (Universidade de Southampton), João Carlos Salles (Universidade Federal da Bahia) e Olga Pombo (Universidade de Lisboa).

    Um dos exercícios que gosto de praticar nestes eventos passa por visitar sessões cujas temáticas me são desconhecidas. Chamo a isto o exercício activo da ignorância: é bom escutar quem estuda áreas novas para mim, ganhando consciência do muito que ainda não sei. Por vezes apanho pistas de leitura e de aprofundamento; noutras vezes anoto apenas algumas ideias no caderno que me ajudam a acompanhar o pensamento da pessoa comunicadora, sem a pretensão de vir a ler mais sobre o assunto. 

    Também me interessa escutar as perguntas ou os comentários das pessoas que intervêm, pois isso também me ajuda a pensar sobre o que acabei de escutar.

    É impressionante a variedade de temas neste Congresso; creio que isso é sinal de que a investigação da Filosofia segue muitas vias, atalhando com outras áreas. 

    Tive oportunidade de realizar uma comunicação, a única do Congresso na área da Filosofia para/com Crianças e Jovens, que convida a pensar em polarização, neutralidade e no papel da pessoa facilitadora dos diálogos. 

    A apresentação decorre de um trabalho de pensamento colaborativo partilhado com Pieter Mostert (The Philosophy Foundation, Reino Unido) e desenvolvido com o apoio de duas comunidades de investigação filosófica: SOPHIA Network e P4C Thursday. Tivemos oportunidade, eu e o Pieter, de apresentar e recolher algumas reflexões na reunião anual da SOPHIA, em Junho de 2023 (Polónia).

    O painel no qual fui incluída denominava-se Filosofia Prática e foi com muito gosto que vi temáticas como a Filosofia do Desporto e a Filosofia Africana lado a lado com a Filosofia para/com Crianças. São áreas que podemos denominar como emergentes e que são, certamente, novas para muitas pessoas.

    Paulo Antunes (U. Minho) partilhou connosco o estudo Philosophy of Sport: Entre a Perspetiva “Internalista” e a Influência Social – Uma Análise Crítica. Por sua vez, Fidel Jaime Jorge (Universidade da Beira Interior) partilhou um estudo sobre Identidade Africana Contemporânea e Cosmopolitismo em Appiah.

    Tendo em conta o programa intenso, o número de sessões paralelas, não me foi possível assistir a todas as mesas que gostaria. Tive o gosto de escutar Viriato Soromenho-Marques na abertura dos trabalhos e Olga Pombo no encerramento.

    Foi um gosto participar no Congresso, depois de ter participado no 3.º Congresso, em Setembro de 2018, na Universidade da Beira Interior, na companhia de : José Barrientos-Rastrojo (Universidade de Sevilha), Dina Mendonça (Universidade Nova de Lisboa) e Magda Costa-Carvalho (Universidade dos Açores), numa mesa dedicada à Filosofia para Crianças. Já em 2021, no 4.º Congresso que aconteceu em formato online, partilhei uma mesa com Maria Teresa Santos (Universidade de Évora e Tomás Magalhães Carneiro (Investigador Independente).

    O Congresso acontece de dois em dois anos. Aguardemos por 2027. 

     

    [última actualização: 4 de Setembro]

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    O ano lectivo 2025/2026 está à porta. Por esse motivo, gostaria de partilhar algumas ideias (mais ou menos) novas que poderá levar consigo para a sala de aula e partilhar com as crianças e os jovens. 

     

    ideia #1: matar o “mas”

    ideia #2: eliminar o chiuuu da sala de aula

    ideia #3: considerar diferentes formas de participação em sala de aula

    ideia #4: confiar – nas crianças, nos jovens e em nós mesmas/os

    ideia #5: afinar e modelar a escuta

     

    Vamos a isso? 

    Feliz ano novo!

     

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    Foto de Jess Bailey na Unsplash

     

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    Os Estados Partes garantem à criança com capacidade de discernimento o direito de exprimir livremente a sua opinião sobre as questões que lhe respeitem, sendo devidamente tomadas em consideração as opiniões da criança, de acordo com a sua idade e maturidade. (Artigo 12.º da Convenção sobre os Direitos da Criança assinada por Portugal em 1990)

    Tenho vindo a abordar o tema da participação das crianças nas escolas e noutros contextos, bem como da necessidade de escuta e de consideração dessa participação. A este propósito, abordei aqui no blog o modelo Lundy, bem como a recomendação do Conselho Nacional de Educação sobre a voz das crianças na participação escolar. 

    Num artigo publicado no linkedin, Laura Lundy partilha 12 mitos comuns em torno dos direitos das crianças à participação.

    Que mitos são esses? 

    1) as pessoas adultas é que sabem:

    frequentemente, as pessoas adultas sabem muitas coisas, mas não conseguem saber o que as crianças sabem e sentem, não sabem como são as suas experiências, a não ser que perguntem às próprias crianças.

    2) as crianças são AS especialistas da sua própria vida:

    as crianças têm conhecimento e experiência, mas muitas vezes não são as únicas com conhecimento sobre os assuntos que lhes dizem respeito.

    3) as crianças são demasiado novas:

    o direito à participação é reconhecido a todas as crianças com capacidade para formar uma opinião.

    Todas as crianças podem expressar-se sobre os assuntos que lhes dizem respeito — mesmo as mais pequenas.

    4) ter em conta a participação das crianças demora muito tempo e/ou torna-se caro:

    estamos a falar de um direito, não de algo opcional. Existem muitas formas de envolver rapidamente as crianças, com custos muito baixos ou nulos; aliás, o envolvimento das crianças pode ajudar a identificar desperdícios e a poupar tempo e dinheiro.

    5) seria apenas simbólico:

    trata-se de um direito humano — por isso, não pode haver desculpa para não fazer nada. A participação nunca é perfeita; devemos fazer o melhor que pudermos com os recursos disponíveis, aprendendo e melhorando.

    6) as crianças não são representativas:

    poucos grupos o são (incluindo as pessoas adultas que fazem este tipo de afirmações). No entanto, cada criança tem direito a ser escutada. A tarefa passa por garantir que o grupo de crianças envolvido represente uma diversidade de experiências.

    7) ou participam ou são protegidas:

    é uma dicotomia falsa: não se pode proteger verdadeiramente as crianças sem as escutar — e as crianças não irão falar se não se sentirem seguras.

    8) o assunto é demasiado sensível:

    se o assunto afecta as crianças, têm o direito de ser escutadas — especialmente em temas “sensíveis”. A melhor forma de saber como abordar esses temas de forma segura e respeitadora passa por… fazer perguntas às crianças.

    9) as crianças não vão compreender:

    este argumento é usado de uma forma geral, mas especialmente no caso de crianças com deficiência, sobretudo deficiências cognitivas. O Art.º 7 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD/UNCRPD) afirma que todas as crianças têm o direito de ser escutadas em igualdade de condições, devendo ser-lhes prestado o apoio adequado à idade e à deficiência.

    10) as crianças são demasiado vulneráveis:

    quanto mais vulnerável for a criança, mais importante é escutá-la. Excluí-la torna-a ainda mais vulnerável. Aquilo que importa, como sempre, é garantir segurança e oferecer apoio.

    11) as crianças são o futuro: 

    sim, as crianças são o futuro, mas não é essa a principal razão para as escutar. As crianças têm o direito de ser escutadas no presente  — sobre o seu passado, o presente e o futuro.

    12) temos de dar uma voz às crianças:

    não temos de dar, nem de amplificar a voz das crianças – as crianças já têm voz. O papel das pessoas adultas é levar a sério aquilo que as crianças dizem.

    P.S.: as crianças não deviam precisar de um megafone para serem escutadas. um sussurro – ou mesmo silêncios significativos – também precisam de ser escutados.

    Para saber como é que Lundy apresenta e desmitifica estas ideias, pode aceder ao artigo original através deste link .

    A UNICEF disponibiliza um documento intitulado Manual para as Escolas pelos Direitos da Criança da UNICEF — Participação Infantil, cuja leitura recomendo. Espero que o documento inspire a comunidade educativa adulta a rever os seus procedimentos no que respeita à escuta e à participação das crianças.

    Aproveito para destacar um excerto desse documento: 

    As crianças têm o direito de serem ouvidas em todos os assuntos que as afetem, para além dos direitos e liberdades de se apropriarem de informação, pensamento, expressão, associação e reunião pacífica. As crianças podem exercer o direito à participação de várias maneiras, individualmente ou em grupo, incluindo a participação na tomada de decisões em casa, na escola ou na comunidade, e isto aplica-se a todas as crianças capazes de formar uma opinião. Esta obrigação reflete-se também a nível local, e exige que as escolas, as comunidades e as cidades promovam e possibilitem práticas e estruturas de participação de crianças, assegurando que as crianças possam ser ouvidas com segurança e eficácia. Não só é um direito autónomo, mas também um princípio geral da CDC. Isto significa que o exercício do direito à participação é um instrumento essencial para a realização de todos os direitos da criança. O Artigo 12.º tem uma correlação direta a outros direitos, incluindo os direitos à liberdade de expressão (Artigo 13.º), à liberdade de pensamento, de consciência e de religião (Artigo 14.º), à liberdade de associação e de reunião pacífica (Artigo 15.º), à privacidade (Artigo 16.º) e à informação (Artigo 17.º). O Estado, como principal responsável, tem a obrigação de criar um ambiente favorável para permitir que as opiniões das crianças sobre as práticas e políticas que as afetem, direta ou indiretamente, sejam ouvidas. Portanto, as escolas públicas têm a responsabilidade de ouvir as crianças e ter em conta as suas opiniões. 

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    PDF do texto “desconstruir os mitos relacionados com o direito das crianças à participação” disponível AQUI.

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    era uma voz sousel casa branca

    em Setembro, na associação Era Uma Voz (Casa Branca, Sousel)

    informações e programa AQUI

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    A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em colaboração com o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, organiza o seu 6º Congresso Internacional, que decorrerá na Faculdade de Letras da mesma universidade, de 1 a 3 de setembro de 2025.

    ORADORES CONVIDADOS

    Genia Schönbaumsfeld (Universidade de Southampton)
    João Carlos Salles (Universidade Federal da Bahia)
    Olga Pombo (Universidade de Lisboa)
    Viriato Soromenho-Marques (Universidade de Lisboa)

     

    Programa disponível AQUI.

     

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    feira do livro do porto cartaz

    Os Jardins do Palácio de Cristal recebem a Feira do Livro do Porto, de 22 de Agosto a 7 de Setembro.

    Sérgio Godinho, homem da palavra dita, cantada e escrita, é a pessoa homenageada nesta edição da Feira.  O seu último livro, Como se não houvesse amanhã, faz parte da minha wish list desde que foi publicado. Sem ter lido, não posso recomendar. Ou será que posso? Afinal, o autor é o Sérgio Godinho!

    Seguem-se outras recomendações de leitura que poderá acrescentar à sua lista de compras.

    Boa Feira! 

     

    sugestões de livros sobre filosofia e filosofia para/com crianças e jovens

    🟩 Como desenvolver o pensamento crítico das crianças, de joana rita sousa, Manuscrito 

    🟩  O que é a Filosofia?, de António de Castro Caeiro, Tinta-da-China

    🟩  O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder (Elsinore)

    🟩  Brincar a Pensar, de Dina Mendonça e Maria João Lourenço (Plátano Editora)

    🟩  Toma um café com Sócrates, de Elke Wiss (Planeta de Livros)

     

    sugestões de livros perguntadores

    🟪 O Labirinto dos Sentidos, de Laura Luz Silva e Ana Luísa Oliveira (Fábula)

    🟪 O que a chama iluminou, de Afonso Cruz (Companhia das Letras)

    🟪 Quando as coisas desacontecem, de Alessandra Roscoe e Odilon Moraes (Alfarroba)

    🟪 Gato Comum, de Joana Estrela (Planeta Tangerina)

    🟪  mais sugestões de #LivrosPerguntadores através deste link

     

     

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    Congresso Internacional, de 27 a 29 agosto de 2025,  na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Brasil) – consulte o programa e outras informações AQUI

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    O vazio é avassalador.

    A perda é triste

    A morte é assustadora e provadora de um turbilhão de sentimentos.

    Há perguntas para as quais dificilmente encontramos respostas.

    Há perdas irreparáveis.

     

    O Rapaz e o Gorila é a história de uma criança que perde a sua mãe e sente-se completamente só e sem rumo.  

     

    Revisitar os lugares preferidos da mãe, assim como as conversas e perguntas colocadas ao amigo imaginário – o Gorila – ajudam a superar a descomunal ausência. O amigo vai respondendo às questões, de forma simples e honesta, e num diálogo tranquilo e afetuoso o pequeno rapaz vai-se reconciliando com a perda e aproxima-se do pai, nem sempre presente. O alheamento dá lugar à partilha e ao aconchego. Juntos, pai e filho, fazendo o luto, recordam bons momentos vividos em família e esboçam um futuro mais esperançoso.

     

    Ao longo da narrativa encontramos algumas perguntas, como por exemplo:

     

    Para onde é que foi a Mamã?

    A minha mamã não pode voltar para casa?  

    Acabamos todos por morrer?  

    Como é que sabemos que uma pessoa morreu?  

    Porque é que ela teve de morrer?  

    Quando é que vou sentir-me melhor?

     

    Júlia Martins, para a newsletter #LivrosPerguntadores

     

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    sofia miguens

     

    Este é um livro sobre inteligência, consciência e senciência. É também sobre mentes humanas, animais e artificiais e sobre as semelhanças e diferenças entre elas. Tomando como referência a obra do filósofo americano Daniel Dennett, são convocados filósofos e cientistas que marcaram as discussões sobre mente e linguagem nas últimas décadas. Em pano de fundo, um desafio: se a linguagem é a marca da nossa humanidade, ela acaba também de ser apoderada pela Inteligência Artificial, no que poderá ser apenas mais uma ferida narcísica ou, desta vez, uma transformação civilizacional. (fonte: Almedina)

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    “não é que está toda a gente a falar disto?”

     

    Chega ao café ou à sua rede social preferida e percebe que há um tema “quente” do qual todos falam. Esforça-se por ler ou ouvir para perceber do que ou de quem se fala. Neste processo é comum perceber que há  diferentes lados da barricada: uns são contra, outros são a favor. Pelo meio vão apelando a que a pessoa leitora também seja contra ou a favor.

    O que fazer? É fácil ceder à vontade de começar a disparar, pois até nem gosta muito da pessoa X ou “ah pois, aquele ali? nunca me enganou!” e de repente já está a repetir frases feitas sobre a pessoa ou o acontecimento, sem saber a fundo o que motivou a “guerra”.

    E se alguém lhe perguntar o que motivou a sua fala, nem sabe explicar bem. “Ouvi dizer” ou “li o que fulano e sicrano disse”.

     

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    aprenda a ser como a Jurema. ou como o Bill.

    A Jurema e o Bill são os protagonistas de memes muito famosos na internet. A ideia principal é “a Jurema viu uma publicação na internet da qual não gostou e passou à frente, sem puxar o saco de ninguém.” O mesmo texto pode ser encontrado na internet com o Bill como personagem.

    Ver uma publicação da qual não se gosta, na internet, é comum. Ver uma publicação de alguém que não estimamos, também é comum. O mesmo vale para as pessoas que admiramos.

    A pergunta que faço é: temos de nos posicionar sobre tudo aquilo que vemos?

    A minha resposta é: não. Passo a justificar o porquê desta minha resposta.

     

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    a Jurema sabe que comentar com propriedade exige tempo

    Defendo que se é para comentar e para nos envolvermos na indignação do dia, que seja com propriedade. Se passar na timeline um vídeo ou um excerto de um texto que indicia que há um vídeo ou um texto maiores do que aquele pedaço, convém que não fique só por aquele excerto.

    Isso vai consumir algum tempo, é certo. Deverá ir ver a fonte do vídeo ou texto, averiguar o contexto, verificar também onde está publicado (um blog? um órgão de comunicação social? quem assina?).

    Depois de ver o todo do qual recebeu uma parte, verifique se não há ali nenhum termo ou expressão específicos que mereçam alguma atenção e estudo de sentido.

    Até aqui está a viver aquilo a que os gregos chamam epoché, a suspensão do juízo. Ou seja, ainda não está a pronunciar-se sobre aquilo que o autor diz.

    Há que identificar qual é a ideia do autor, o que está a defender, bem como os argumentos para defender essa ideia. Nem sempre encontramos um “eu defendo isto e isto”, temos mesmo de ler e fazer essa identificação com clareza.

     

    a Jurema pergunta: o que tenho eu a dizer sobre isto?

    Como é que se posiciona perante o autor?

    Tem noção dos seus argumentos?

    São argumentos válidos?

    E a sua posição sobre o assunto é igual ou diferente daquela que é defendida pelo autor?

    Poderá ter verdadeiras surpresas: descobrir que afinal o autor não está a dizer o que todos os outros estão a dizer que diz ou que o autor está rotulado como sendo “X” e afinal defende posições que associas a “Y”.

    Também a pessoa leitora deste texto poderá descobrir que, ainda que não seja fã daquele autor (ou autora), naquele ponto em particular até concorda com o que diz ou com o que escreve.

     

    a Jurema resume os passos a dar: 

    – pesquisar contexto;

    – suspender o juízo;

    – investigar termos e ideias;

    – identificar claramente as ideias e os argumentos;

    – apreciar esses argumentos;

    – posicionar-se perante a ideia do autor, esclarecendo as razões para o fazer.

     

    Uma canseira, não é? Nem que seja só por isto, pelo consumo de tempo e de energia, seja como a Jurema. Escolha sabiamente as “batalhas” e os temas pelos quais quer ir à luta, ao invés de ir atrás da “manada”. Jurema é uma pensadora independente e sabe que isso é uma prática diária.

     

    [Uma nota: Juremar tornou-se um verbo desde que comecei a frequentar um curso de pensamento crítico orientado pelo colectivo Isto Não É Filosofia – Vitor e Evelyn Lima, cujo trabalho recomendo e convido a conhecer no youtube]

     

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    blog rbe livro como desenvolver pensamento crítico

    A acontecer uma mudança no pensar, será o fruto de um processo que exige esforço por parte da pessoa que quer pensar filosoficamente. Não basta ler livros de filosofia e deixar que façam efeito, tal como acontece com um comprimido. O caminho passa por praticar o que se aprende. O Professor António de Castro Caeiro fala disso no seu livro, O que é a Filosofia?. Passo a citar: “Aprender é pôr em prática. É isto mesmo que se encontra expresso na sabedoria popular grega “saber é fazer”. Quem não faz não sabe.”

     

    Artigo para leitura no blog da RBE.

     

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    festa do futuro 2025

    É com muito gosto que participo, ainda que à distância, na Festa do Futuro 2025. Quem andar pelo Souto nos dias 2 e 3 de Agosto vai encontrar a #filocriatividade pela Festa. 

    O que é a Festa do Futuro? Trata-se de uma iniciativa da Associação Além Mundus, que se realiza perto de Abrantes, na aldeia do Souto:

     

    A ideia de fazer a Festa do Futuro surgiu nos encontros ‘Inventar a Aldeia’ onde falámos sobre o passado, presente e futuro cultural da aldeia do Souto.” É desta forma que a associação cultural “Além Mundus”, sediada no Souto, aldeia do norte do concelho de Abrantes, apresenta a iniciativa que vai acontecer no próximo fim de semana. É uma festa, mas diferente das festas de verão que por estes meses mais quentes se realizam em todas as freguesias em todas as aldeias. É mais que um concerto, um baile ou um restaurante com frango assado. A Festa do Futuro pretende ter artes performativas, concertos, teatro, conversas, exposições e, acima de tudo, levar as pessoas a criar envolvimento e a participar, em vez de serem apenas público espetador. (Jornal de Abrantes, 2024)

     

    Visite o instagram da Festa para acompanhar o programa.

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    🟣 2.ª edição: A perguntar é que a gente se entende! – O papel da pergunta em contexto de sala de aula / online (25h) – início em Setembro de 2025 (inscrições em breve) CCPFC/ACC-133064/24 

    🟧 2.ª edição: O papel da pergunta no desenvolvimento do pensamento crítico / online (25h) – início a 9 de Outubro de 2025 (inscrições junto da Casa do Professor) CCPFC/ACC-129323/24

    🔴 2.ª edição: Pensar DENTRO da caixa – como desenvolver pensamento criativo em sala de aula / online (25h) – início em Janeiro de 2026 (inscrições em breve) CCPFC/ACC-127516/24

    🟠 3.ª edição: Como criar um espaço e um tempo de escuta em sala de aula / online (25h) – início em Abril de 2026 (inscrições em breve) CCPFC/ACC-123042/24 

     

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    joana rita #filocriatividade

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    A APF – Associação de Professores de Filosofia e a SPF – Sociedade Portuguesa de Filosofia organizam o Encontro Nacional de Professores de Filosofia, edição 2025, subordinado ao tema Espaço público em crise. Filosofia e pensamento crítico. A decorrer no dia 18 de outubro, o Encontro terá um formato híbrido, com localização presencial na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

     

    18 de Outubro, formato híbrido

    informações completas no website da APF