A filósofa Djamila Ribeiro deu publicidade significativa à expressão conceitual “lugar de fala”, uma categoria analítica tanto na linguística quanto na área das humanidades. Lugar de fala engloba fatores de gênero, étnico-racial, social, histórico, geracional, territorial, entre outros. Ora o lugar de fala não impede que alguém trate de um assunto. Pelo contrário, o seu reconhecimento contribui para que o diálogo seja ainda mais potente. Não é preciso neutralidade ou uma espécie de imparcialidade. Afinal, os discursos que se declaram neutros e imparciais escondem algo. Portanto, ninguém precisa pedir autorização para discorrer sobre um assunto – desde que reconheça o seu lugar de fala. (…) É importante frisar que o fazer filosófico não parte de um sujeito neutro. O pensamento filosófico é , antes de tudo, um posicionamento, isto é, o estabelecimento de um lugar (ou ainda, muitos lugares) no mundo. (p. 9)
livro Filósofas: o legado das mulheres na história do pensamento mundial – da autoria de Fabiana Lessa e Natasha Hennemann (editado no Brasil, disponível através de encomenda na Livraria da Travessa, em Lisboa)

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