Um dos trabalhos que tenho desenvolvido nos últimos anos prende-se com a dinamização de diálogos a partir de espaços culturais. Assim aconteceu no Festival de Filosofia de Abrantes com diálogos filosóficos a terem como trampolim as peças presentes no MIAA.
Mais recentemente, em Janeiro de 2024, tive oportunidade de rumar até Aveiro para participar na XVI Bienal Internacional de Cerâmica Artística e dinamizar um diálogo a partir da exposição de Cecília de Sousa.
Contemplar a arte, contemplar a pergunta
A pergunta é uma ferramenta diária para qualquer pessoa. Que perguntas fez hoje? Ontem? Na semana passada? Quantas perguntas? Alguma dessas perguntas provocou espanto? Perturbou o seu pensamento? Protegeu alguma coisa ou alguém? Acolheu alguma ideia? Que papel têm as perguntas? Paramos para pensar nas perguntas que fazemos? E naquelas que nos fazem?
Que papel tem a pergunta num diálogo? Onde nos leva a pergunta? A que lugar queremos que a pergunta nos leve? O que acontece quando a pergunta provoca algo inesperado? Porque é que fazemos aquela pergunta e não outra?
E a arte? Sabemos reconhecer o que é arte quando nos encontramos num local identificado como “exposição de arte”? Precisamos de um aviso para (re)conhecer o que é arte? E se esse aviso não existir?
O convite da Bienal consistiu em criar um momento de diálogo para fechar a programação da XVI edição e para abrir a pergunta para lá do tempo da programação.
Actividades como esta permitem #perguntarolugar e criar uma relação de questionamento com o espaço que nos rodeia.
Perguntas que registei após visita à exposição de Cecília de Sousa
Gostaria de partilhar consigo (algumas d)as perguntas que registei após uma visita lenta e demorada à exposição de Cecília de Sousa, na Bienal.
– O projecto de uma obra de arte é artístico?
– Um projecto é arte?
– Quem dá sentido à arte?
– O artista trabalha?
– O trabalho é uma forma de arte?
– Há artes maiores?
– Há artes menores?
– Fazer perguntas é uma forma de arte?
– O público dá sentido à arte?
– Toda a forma de arte precisa das palavras?
– Dizer o que é a obra de arte é matar a arte que nela reside?
– Dizer a arte anula-a?
– A erosão torna a arte mais artísitica?
– A arte desaparece com o tempo?
– A arte é universal?
– A arte é bela?
– Há feio naquilo que é belo?
– A arte torna-nos livres?
– Apreciar a arte implica compreendê-la?


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