filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

🟧 subscreva a newsletter

 

Screenshot 2024-06-13 at 14.46.50.png

 

Children and young people consistently reported frustration that their views were not being listened to and taken seriously. 

(ENABLING THE MEANINGFUL PARTICIPATION OF CHILDREN AND YOUNG PEOPLE GLOBALLY: THE LUNDY MODEL)

 

Artigo 12.º: A criança tem o direito de ser escutada com seriedade.

O modelo Lundy foi desenvolvido pela investigadora Laura Lundy (Professora dos Direitos da Criança na Escola de Educação Queen’s University of Belfast). O enquadramento deste modelo encontra-se no Artigo 12.º da Convenção dos Direitos da Criança (Organização das Nações Unidas):

 

1. Os Estados Partes garantem à criança com capacidade de discernimento o direito de exprimir livremente a sua opinião sobre as questões que lhe respeitem, sendo devidamente tomadas em consideração as opiniões da criança, de acordo com a sua idade e maturidade.

2. Para este fim, é assegurada à criança a oportunidade de ser ouvida nos processos judiciais e administrativos que lhe respeitem, seja directamente, seja através de representante ou de organismo adequado, segundo as modalidades previstas pelas regras de processo da legislação nacional.

 

Espaço, voz, audiência e influência

A proposta de Lundy contempla quatro elementos: o espaço, a voz, a audiência e a influência. 

Screenshot 2024-06-13 at 14.07.55.pngos 4 elementos do modelo Lundy 

 

De forma a assegurar que as crianças têm um espaço seguro e inclusivo para dizer o que pensam, que a sua voz tem lugar e que há quem as escute e que os seus pontos de vista importam, Lundy propõe que consideremos algumas perguntas: 

[espaço]

– Os pontos de vista das crianças são procurados de modo activo?

– Há um espaço seguro no qual as crianças podem expressar-se de forma livre?

– De que forma estamos a assegurar a participação de todas as crianças (e de cada uma)?

 

[voz]

– As crianças têm as informações necessárias para formular a sua opinião?

– As crianças sabem que não são obrigada a participar?

– As crianças tiveram acesso e puderam escolher entre diferentes opções no momento de expressar o que pensam?

 

[audiência]

– Como são comunicadas as ideias das crianças? 

– As crianças sabem que os seus pontos de vista estão a ser comunicados a alguém?

– A pessoa/a entidade a quem as ideias são comunicadas tem o poder de tomar decisões?

 

[influência]

– As ideias das crianças foram tidas em conta pelas pessoas que têm o poder para aplicar a mudança?

– Há procedimentos desenvolvidos no sentido de ter em consideração os pontos de vista das crianças?

– Conseguimos garantir feedback às crianças e jovens sobre as razões para levar a cabo as decisões?

 

*

 

Cabe às pessoas adultas garantirem que o espaço é seguro e inclusivo para que as crianças possam expressar as suas opiniões e que estas são escutadas por alguém que tem um papel na tomada de decisão. Também é importante esclarecer as crianças e os jovens sobre as matérias sobre as quais as suas opiniões devem versar, bem como sobre os modelos de participação em curso. O feedback sobre as decisões tomadas e os contributos das crianças e dos jovens nessas decisões é fundamental para garantir transparência nos processos, bem como para gerir as expectativas de cada uma das crianças ou jovens intervenientes. 

 

Num artigo publicado no blog Primeiros Anos, a investigadora Nadine Correia elenca um conjunto de  perguntas que nos permitem pensar sobre a forma como consideramos a participação das crianças e dos jovens:

Na sua instituição e/ou na sua sala, existe um espaço participativo que encoraje a expressão das vozes das crianças? As crianças têm a oportunidade de se expressarem de múltiplas formas, de acordo com as suas características, necessidades e preferências?

 

Na sua instituição/sala, existe uma audiência das ideias e perspetivas das crianças, por parte dos/as adultos/as responsáveis por tomar decisões? As crianças são consideradas nas decisões que estão a ser planeadas e discutidas? Podem, efetivamente, exercer influência nos assuntos que lhes dizem respeito?

 

Os/as vários/as profissionais articulam e cooperam, entre si, para promoverem a participação das crianças (e.g., refletem em conjunto, partilham estratégias)? Existe, também, articulação com as famílias das crianças ou com a comunidade local, para que a participação possa ser promovida de uma forma transversal, nos diversos contextos? (Nadine Correia

 

*

 

Ainda sobre a participação em sala de aula:

Making Classroom Participation More Equitable With Hand Gestures (Kathy Collier);

4 Ways to Make Classroom Participation More Inclusive (Edutopia);

How to Open Class Participation to Everyone (Hoa P. Nguyen);

8 Strategies to Improve Participation in Your Virtual Classroom (Emelina Minero);

How to Increase Participation by Asking Better Questions (Laura Lee);

O direito de participação em salas de jardim de infância (Nadine Correia).

 

Fonte: Lundy Model of Participation (Comissão Europeia) 

Agradeço à Ana Santos por me ter dado a conhecer o modelo Lundy.

Posted in

Deixe um comentário