filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    joana rita #filocriatividade

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    fotografia do filósofo Michael Sandel 📷 BBVA

     

    sobre a meritocracia

    Michael Sandel esteve recentemente em Lisboa para participar num evento. Vitor Goncalves entrevistou o filósofo e autor do livro A Tirania do Mérito (editorial Presença) na Grande Entrevista. 

    quando confrontado com o exemplo de Ronaldo e a pergunta se é justo que um jogador talentoso e único como ele ganhe 800 vezes mais do que uma educadora ou um enfermeiro, Sandel sublinha questões que habitualmente nos passam ao lado: a sorte e o contexto. Ronaldo não teria hipótese de vingar há 300 anos, pois o futebol não era valorizado como agora. não basta trabalhar e esforçar-me muito para ser como o Ronaldo, pois esta pessoa nasceu com um potencial atlético que desenvolveu. 

    convido-o/a a ver a entrevista integralmente, disponível na rtp play.

     

    uma reflexão e uma pergunta

    a ideia de que basta o esforço e o trabalho para ter sucesso é falaciosa e conduz a inúmeras frustrações quando o resultado não é o sucesso. esta ideia está presente no discurso de muitas pessoas que defendem que devemos seguir os nossos sonhos, acreditar e trabalhar muito. devemos fazer isso porque nos garante sucesso? ou devemos fazer isso porque nos realiza? 

     

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    pensamento crítico no digital?

     

    de 30 de Abril a 6 de Maio assinala-se a #semanadobemestardigital.

     

    🔎 considero que é possível ser uma pessoa pensadora crítica no ambiente digital.

     

    🔎 em várias oficinas e clubes de leitura surge o tema da desinformação e das fake news e a minha premissa é: cada um de nós ainda pode fazer algo para não ser atropelado pelo digital.

     

    🔎 como? praticando a humildade intelectual e o cepticismo saudável. por um lado, tendo a noção de que não sabemos tudo e que dificilmente seremos especialistas em vários assuntos. por outro lado, evitando a precipitação e a vertigem da partilha, sendo cauteloso/a com a informação que nos chega pelos vários canais. 

     

     

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    topar a desinformação online

     

    no livro Critical Thinking, Tom Chatfield sumariza algumas dicas que nos permitem topar a desinformação, a saber:

     

    💬 seja céptico/a perante os títulos (headlines)

    💬 preste atenção ao link do conteúdo

    💬 investigue a fonte

    💬 preste atenção a formatações estranhas, no texto ou nos formatos

    💬 preste atenção às imagens que acompanham o conteúdo

    💬 verifique as datas de publicação e/ou actualização

    💬 verifique as fontes citadas

    💬 pesquise por outras fontes sobre o mesmo assunto

     

    em caso de dúvidas, não partilhe e não emita uma opinião sobre o tema. evite a pressa e tenha consciência de que talvez a sua opinião não seja relevante para os outros. aproveite para praticar um dos conselhos de Rolf Dobelli no livro A Arte da Boa Vida e não se valorize em excesso:

     

    “O excesso de valorização de cada um transformou-se numa verdadeira doença civilizacional. Atiramo-nos ao nosso ego como um cão a um osso. Porém, livre-se do osso. Não tem valor nutricional e não tardará a ficar feito em papas.” (Rolf Dobelli, p. 319)

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    joana rita #filocriatividade

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    As oficinas de filosofia para / com crianças e jovens apresentam-se como uma prática da vida em democracia.

     

    O convite é para parar, pensar, escutar e dialogar. Praticamos exercícios que nos permitem escutar outros pontos de vista e praticar o diálogo com quem não concorda connosco.

     

    A estrutura democrática está implícita no funcionamento das oficinas; por exemplo, quando definimos regras para dialogar ou para participar.

     

    De Abril de 2023 a Abril 2024 incluo nas propostas de oficinas temáticas relacionadas com o 25 de Abril. Proponho diálogos sobre a liberdade, a revolução, a autoridade, as regras e as escolhas.

     

     

    se pretende saber mais sobre estas oficinas, contacte-me através deste formulário
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    🌏 21 de Abril, dia da terra / 📚 22 de abril, dia mundial do livro

    #filocriRECOMENDA para leitura: O Livro do Clima, org. de Greta Thunberg.

    📚 um livro que explica como chegámos até aqui, que apresenta dados para compreendermos a situação no presente e que apresenta soluções, em tom de esperança.

    🍃 as alterações climáticas estão a afectar-nos AQUI e AGORA. “o que urge fazer? o modo mais eficaz de sairmos desta confusão é educarmo-nos.”

    🍃 hoje assumo o compromisso da #filocriatividade com o ODS2030 #13 [acção climática]. as alterações climáticas passam a fazer parte das temáticas das oficinas.

    🍃 além disso, já há muitos anos que assumo os três R no meu projecto: reduzir, reciclar e reutilizar materiais.

    🍃 as questões da sustentabilidade são sensíveis para mim e por isso farei um esforço para que este projecto seja o reflexo destas preocupações.

    🍃 sei que é um trabalho diário e que nem sempre irei ser 100% sustentável. é um caminho imperfeito, mas estou aqui para fazer o melhor que conseguir.

     

    se pretende saber mais sobre os ODS2030, consulte AQUI.

     

    [se pretende comprar este livro considere fazê-lo na wook, entrando na livraria online através do meu link afiliados. desta forma está a apoiar a filocriatividade e os conteúdos que aqui partilho. obrigada.]

     

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    exercício sobre a liberdade - para provocar um diálogo

    a proposta presente na imagem faz parte do #kitdedialogoFILOCRI que esteve disponível de janeiro a março 2023. 

    além deste exercício que parte de uma imagem, já aqui partilhei uma proposta para pensar a liberdade e as regras e outra para pensar a liberdade e a escola

    Abril é o mês de celebração da liberdade, em Portugal; espero que estas propostas possam provocar bons diálogos em torno deste tema. 

     

     

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    ☀️ a convite da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica 2/3 João de Barros (Figueira da Foz), passei quatro dias na companhia das alunas e dos alunos do 5.º ano. 

     

    ☀️ em cada oficina #filocriatividade é lançado um convite muito explícito para parar, pensar, escutar e dialogar. a filosofia faz-se sem pressa e com algum desconforto (há quem não goste de estar sentado no chão). procuramos evitar a precipitação e o impulso de dizer a primeira coisa que nos surge. assumimos o compromisso de pensar a partir do pensamento dos outros. “é simples, mas também é um bocado difícil”, disse uma das crianças participantes. 

     

    ☀️ seguindo o fio do diálogo que cada grupo vai criando, procuro introduzir ferramentas que permitam colocar em prática os pensamentos crítico e criativo. de acordo com a curiosidade das crianças partilho alguns elementos relacionados com a metacognição, que nos ajudam a pensar sobre o pensamento (o nosso, o dos outros e aquele que criamos enquanto grupo). 

     

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    ☀️ “qual é a diferença entre falar e dialogar?” – perguntou alguém. uma das crianças avançou com a ideia de que dialogar era uma palavra mais chique para falar. discordei da pequena-grande-filósofa e procurei dar um exemplo: “no final vemos se o diálogo é mesmo diferente do falar ou não.”

     

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    ☀️ nestas oficinas trabalhámos com propostas da Wonder Ponder (filosofia visual) e do The Happy Gang. os temas abordados variaram entre “podemos fazer aquilo que queremos?”, “os meus superpoderes”, “conhece-te a ti mesmo” e “o que significa ficar de castigo?”.

     

    ☀️ os materiais Wonder Ponder são sumarentos e provocadores, pelo que constituem um dos meus recursos preferidos para estas oficinas de carácter pontual. uma das crianças participantes referiu-se às imagens Wonder Ponder que observámos como “bastante peculiares, que dão mais para fazer perguntas do que comentários”.

     

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    ☀️ muito obrigada à APEE pelo convite para filosofar na biblioteca escolar com as 12 turmas do 5.º ano, num total de 265 crianças curiosas, com vontade de perguntar e de responder. 

     

    APEE EB 23 João de Barros

     

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    [para agendar uma visita da filocriatividade à sua escola em 2023/2024, contacte-me através deste formulário]

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    310445461_3287813491490842_3566914513172067161_n.j📷 festival FOLIO 2022

     

    “The task of the facilitator in a Community of Inquiry is a complex, yet vital, one. We need to be monitoring behaviour, keeping an eye on the time, looking for potentially valuable routes the discussion may take, thinking about whether an exercise or a breakout might be fruitful, wondering whether to ask another question, checking whether some students are missing out … and the rest. But in amongst all this, actually listening very carefully to what the students are saying to each other and to us is central. Many of those other tasks depend on getting this one right.”

     

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    💬 as oficinas de filosofia para / com crianças e jovens apresentam-se como uma prática da vida em democracia. o convite é para parar, pensar, escutar e dialogar. 

    💬 são raras as oficinas onde há lugar à explicação detalhada dos fundamentos democráticos destas oficinas.

    💬 ainda que a palavra democracia não seja referida, a estrutura democrática está implícita no funcionamento das oficinas; por exemplo, quando definimos regras para dialogar ou para participar. 

    💬 para que não se tome a democracia como um dado adquirido é importante conhecê-la. a democracia é frágil (como diz Philip Bunting).

    💬 há livros que podem ensinar-nos o que é a democracia, como surgiu e se desenvolveu e o que cada pessoa pode fazer para cuidar e praticar a democracia. eis meia dúzia de livros que podem ser o trampolim para bons diálogos democráticos sobre a democracia.

     

    *

     

    📚 Democracia!, de Philip Bunting (Booksmile, Penguin Livros)

    📚 Avó, onde é que estavas no 25 de Abril?, de Ana Markl (Lilliput, Penguin Livros)

    📚 Reconstituição Portuguesa, de Viton Araújo e Diego Tórgo (org.) (Companhia das Letras) 

    📚 É assim a ditadura, de Mikel Casal (Orfeu Negro) 

    📚 Eleição dos Bichos, de Pedro Markum (Nuvem de Letras) 

    📚 A Cruzada das Crianças, de Afonso Cruz (Companhia das Letras) 

     

    gostaria de sugerir outro livro para pensar e dialogar sobre a democracia? partilhe nos comentários!

     

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    [sabendo que não há receitas que resultem com todas as pessoas e que o todo é maior do que a soma das partes] aqui ficam alguns indicadores de que o pensamento crítico está a acontecer em sala de aula.

    📍 a aprendizagem orienta-se mais pelo diálogo do que pelo currículo;

    📍 os estudantes fazem perguntas e trabalham nas suas próprias perguntas, melhorando-as;

    📍 aprende-se a identificar falácias e enviesamentos cognitivos;

    📍 as perguntas – e as respostas – são revisitadas, actualizadas e revistas (pratica-se o voltar a pensar);

    📍 acolhe-se o “não sei”, o “não tenho a certeza” ou o “tenho dúvidas” (humildade intelectual).

     

    fonte: 16 Characteristics Of A Critical Thinking Classroom (Terry Heick)

     

    🟣 consulte a agenda de formações 

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    🟣 livro à venda:  Como desenvolver o pensamento crítico das crianças – Parar, Pensar, Escutar, Dialogar

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    tome nota na sua agenda: no final de Abril haverá perguntas (e respostas) mil na Malaposta:

     

    🧠 conhece-te a ti mesmo! oficina de filosofia para famílias (presencial) – em Odivelas
    🗓 29 de Abril, 15h/16h – inscrições junto da Malaposta 

    ☕️ café filosófico (presencial, a partir dos 16 anos) –  O navio de Teseu – uma experiência de pensamento em Odivelas 
    🗓 30 de Abril, 17h30/19h – inscrições junto da Malaposta 

     

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    recomendações de leitura, reflexões e exercícios de pensamento crítico e criativo.

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    um país a preto e branco: a ditadura 

    💬 no pássado sábado tive oportunidade de assistir à peça “era uma vez um país a preto e branco: estórias de Abril”, pela dupla Estórias com Asas, na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes

    💬 nesta peça é contada a história do José e da sua família durante o tempo da ditadura e de como o 25 de Abril mudou as suas vidas e a vida de todo um país. 

    💬 à tarde coube-me a dinamização de uma oficina de filosofia para famílias denominada “liberdade para discordar”. nessa oficina os participantes são convidados a posicionar-se sobre uma determinada ideia e a justificar a sua posição. 

    💬 iniciámos a oficina com algumas ideias que foram partilhadas na peça: no tempo do Sr. Salazar não se podia conversar à vontade, não se podia beber coca cola, não se podiam reunir três pessoas na rua, entre outras coisas.

     

    liberdade para discordar: a filosofia para / com crianças e a democracia

    I have tried to develop a new, reflective paradigm of education, whose regulative ideas are reasonableness (in personal character) and democracy (in social character). This paradigm emphasizes the importantce not just of critical thinking, but of creative and caring thinkig as well. (…) The pedagogy of such practice is what we call the “community of inquiry.” (M. Lipman, The Institute for the Advancement of Philosophy for Children (IAPC) program, p. 6)

     

    💬 a filosofia para / com crianças e jovens assenta numa estrutura democrática, promove o diálogo e convida à participação de cada pessoa presente. cada pessoa pode contribuir ou não, sendo responsável por aquilo que acontece num espaço e no tempo do diálogo. 

     

    (…) communities are democratic if they respond to significant troubles and opportunities with a practice of collaboration inquiry and we are willing to reconstruct their habits and their environments in order to realize the most important kinds of value and growth available to them. So democracy is a much about shared intelligence as about shared power, and education for democracy should give us practice in both. Philosophy for Children certainly does that, as Lipman and Sharp were eager to point out. It facilitates dialogue and open-ended inquiry, cognitive and social skills, and shared authority. (M. Gregory, Where are we now?, p. 217) 

     

    💬 não podemos assumir que uma oficina de filosofia para / com crianças e jovens é democrática só pelo facto de ser uma oficina de filosofia. além disso, a pessoa adulta que assume o papel de facilitadora do diálogo terá de levar muito a sério essa experiência democrática de responsabilidade e poder partilhados entre todas e cada uma das pessoas que embarca num diálogo filosófico.

    💬 as crianças nem sempre são vistas como seres razoáveis; as pessoas adultas têm tendência para as acusar de falta de experiência para poder pensar sobre certos assuntos ou até de incapacidade para compreender determinados temas, ainda antes de as escutar. 

     

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    🙋🏽‍♀️ termino com um convite à reflexão e à partilha.

    💥 em sala de aula, em família, em casa, sozinho/a ou acompanhado/a… pense sobre aquilo que não era possível no tempo da ditadura e partilhe com a hashtag #NãoPodias e #50anos25Abril nas suas redes sociais. 

    💥  esta é uma iniciativa que comissão comemorativa dos 50 anos da revolução lançou aos jovens e que eu vou assumir de hoje em diante nas redes sociais filocriatividade (ainda que eu já não seja jovem). 

     

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    continuam as oficinas que convidam os jovens a pensar um #MuseuDasPerguntas. tive a oportunidade de fazer a mesma oficina com grupos diferentes; ainda que a proposta seja a mesma o processo e o resultado de cada oficina são distintos. 

    hoje partilho o ponto de partida desenhado pela turma para justificar a existência de um Museu deste tipo e para identificar perguntas que possam fazer parte da exposição.

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    razões que justificam a existência de um Museu das Perguntas

    ✅ para reflectir

    ✅ para nos questionarmos

    ✅ para encontrar respostas

    ✅ há perguntas que não fazemos e que podemos conhecer através do Museu

     

    que tipo de perguntas vão constar da exposição?

    ✅ perguntas sobre problemas quotidianos

    ✅ perguntas sobre problemas polémicos

    ✅ perguntas que questionam o ser

    ✅ perguntas sobre o passado e que permitam avançar 

     

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    que pergunta sugeria para integrar uma exposição no Museu das Perguntas? partilhe através deste formulário

     

     

     

     

     

     

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    📍 o André Boaventura é professor do 1.º CEB e dedica-se à escrita e narração oral para o público infantil e adulto. É ainda guionista e tradutor.

    📍 a Sofia Pereira é professora do 1.º CEB. Mestre em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º CEB.

    🙋🏽‍♀️ conheci o André no twitter e já tinha partilhado o papel de formanda num curso da Academia do Diálogo. mais recentemente estive com o André e com a Sofia numa formação organizada pela Casa do Professor, onde tive o privilégio de ser formadora de ambos [a propósito, se quiser inscrever-se nas próximas edições desta formação, consulte AQUI]

    🙋🏽‍♀️  resolvi convidar ambos para uma troca de ideias sobre a  importância da filosofia para / com crianças na sua prática pedagógica. o André e a Sofia trabalham na Escola Jasmim e nesta escola a filosofia para / com crianças é uma aposta forte. 

    🙋🏽‍♀️  o ponto de encontro para esta conversa foi um google doc e aqui ficam as nossas perguntas e respostas. 

    fotografia de um trabalho da escola, vê-se uma cabeça em papel e vários pensamentos escritos à volta.

     

    [joana]   André e Sofia, sei que já têm experiência de trabalho na área da filosofia para / com crianças. Como é que se deu o vosso encontro com esta área? 

    A: A filosofia para/com crianças é um dos pilares da Escola Jasmim, onde a Sofia e eu somos professores. Cada sala, desde o Pré-Escolar ao 4.º Ano, reserva um momento semanal para essa prática. Há cerca de um ano, a equipa pedagógica concluiu uma formação (alinhada com a matriz Lipman/Sharp) com a fabulosa Maria José Figueiroa-Rego. Desde essa altura, tenho vindo a ficar cada vez mais encantado com o leque alargado de competências que esta aposta possibilita junto dos miúdos, das quais destaco o pensamento crítico e a abertura ao outro. Sofia, o que é que mais te tem cativado nesta área?

    S: Conheci a Filosofia com Crianças quando comecei a trabalhar na Escola Jasmim. Inicialmente, observei as sessões dinamizadas por uma colega e concluí a formação que o André mencionou. Desde então, o entusiasmo foi crescendo e senti que podia aprofundar mais esta área a nível profissional, buscando a melhoria das práticas, a inovação e a diversificação de estratégias, mas também a nível pessoal. As competências que potencia nas crianças são, sem dúvida, o que mais me cativa nesta área, como o pensamento crítico e criativo, assim como competências de diálogo, transversais a qualquer outra área.

     

    [joana]  Tendo em conta que acumulam o facto de serem professores titulares da turma com a qual desenvolvem as oficinas de filosofia, qual é o vosso maior desafio?

    A: Pensando só nessa dupla condição, seria garantir que a quantidade – tantas vezes avassaladora – de solicitações não nos impeça de dedicarmos tempo e energia à preparação das sessões com as doses necessárias de fulgor, carinho e loucura. O meu maior desafio, para já, é a própria dinamização de sessões que mantenham a turma envolvida. Isto é um bocado como os surfistas… A implicação dos miúdos está terrivelmente dependente do conjunto de decisões que, como facilitador, tens de ir tomando consoante os rumos inesperados por onde o diálogo envereda e que te podem levar até paragens inóspitas, apanharem-te na curva ou, o pior de tudo, conduzirem a becos sem saída. Felizmente, a minha experiência em narração oral e “stand-up comedy” já me ensinou em abraçar essa vertigem e curtir a incerteza. Sinto que o imprevisto me deixa mais desperto para o mistério e assombro.  

    S: Concordo com o André, a preparação da sessão é sempre algo que me preocupa e me faz perguntar se lhe dediquei o devido tempo e entrega. Já estive na posição de observadora, em que não era eu, enquanto professora titular, a dinamizar as oficinas. Quando assim era, conseguia distanciar-me um pouco mais do diálogo e observar o grupo com clareza. Tinha uma outra perceção, por exemplo, dos diferentes estilos de participação que até me surpreendiam, face ao que já conhecia das crianças. Não significa que não consiga observar o grupo com esta dualidade de funções, mas somam-se outros papéis e funções durante as oficinas que me direcionam a atenção. 

     

    [joana]  Facilitar um diálogo implica gerir uma série de coisas ao mesmo tempo: o pensamento que se desenrola no grupo, o pensamento de cada pessoas, o pensamento de quem facilita, o registo das notas no quadro, escolher a pergunta que se vai fazer, gerir as intervenções. Qual é a grande diferença entre a tarefa de ser professor/a e a tarefa de ser facilitador/a? 

    S: Penso que as duas tarefas se coadunam, porque um professor é um facilitador de aprendizagens. Revejo, no meu dia a dia, essa azáfama de gerir diferentes coisas ao mesmo tempo. Muitas vezes, essa gestão vai muito mais além de facilitar um diálogo, porque outros fatores e situações acrescem e complexificam o nosso papel. É, provavelmente, um dos meus maiores desafios enquanto professora. Já me senti no meio de um turbilhão não sei bem de quê, de solicitações? Talvez. Por vezes, é necessário abrandar o ritmo e respirar fundo para conseguir dar resposta e gerir o que realmente importa naquele momento, principalmente durante a oficina de filosofia. 

    A: Entre o professor e o facilitador, é mais o que une do que o que separa. Ambos estimulam a curiosidade e a criatividade, por exemplo. Contudo, há uma grande separação que está na gratuitidade versus dar e receber. Ao dar uma aula, já tenho uma expectativa bem definida do que quero receber e de como vou cobrar. Tanto o professor como o facilitador começam a sessão com uma meta definida. Só que eu, no papel de professor, no final de uma aula sobre tipos de triângulos, preciso de saber quem sabe distinguir os equiláteros, isósceles e escalenos. Essa prestação de contas leva a uma maior necessidade de recolha de evidências. Não é que as sessões de Filosofia sejam inócuas ou uma gracinha para descontrair. Nada disso. Porém, não há tanta pressão para que os alunos atinjam um nível de desempenho X ou Y até junho. Assim, as sessões de filosofia, mesmo com esse ritmo frenético e desconcertante, são mais leves. Será que, como facilitador, respeito mais os alunos do que como professor?  

     

    quadro de ardósia com uma pergunta: o que é uma pergunta filosófica?

     

    [joana]  O que é que a formação de 25h, Como criar condições para o diálogo, acrescentou à vossa prática em sala de aula? 

    S: A formação já acrescentou e vai continuar a contribuir para inovar a minha prática em sala de aula. Não me refiro à inovação tecnológica, mas pedagógica na medida em que vai, cada vez mais, ao encontro das necessidades e interesses do grupo. Acrescentou, desde logo, pela alternância de diferentes tipos de propostas e desafios à turma, diversificando os trampolins para o diálogo. No diálogo em si, são várias as estratégias que estou a apresentar ao grupo de forma faseada, para ir introduzindo elementos surpresa/novos, cativando o entusiasmo do grupo e de acordo com a minha intencionalidade. Estratégias como definir papéis no diálogo, mapear o pensamento, por mim ou pelas crianças, avaliar a forma e o conteúdo da sessão com o grupo, recorrendo aos dados ou objetos, são algumas das que já apresentei à turma. Na verdade, penso que com a formação consegui reunir um conjunto de ferramentas fundamentais a implementar, mas que me abriram horizontes para pensar em tantos outros e acrescentar robustez às nossas oficinas de filosofia. E tu, André? Sei que já estás a pôr em prática algumas das aprendizagens retiradas da formação, como tem sido essa experiência e qual o feedback do grupo?

    A: Subscrevo tudo o que disseste e, respondendo à tua pergunta, comecei a aplicar estratégias ou partilhar algumas das tarefas que a Joana nos atribuía junto dos miúdos, com um grau de adesão e envolvimento significativos. Além do que falaste, a integração de momentos de pré-diálogo está a ser uma prática interessante. Essas dinâmicas de “aquecimento” ou motivação (lançar um breve questionário, projetar uma citação…) têm predisposto a turma para a prática do diálogo filosófico, o que enriquece a sessão. Em seguida, quero experimentar essa atribuição de papéis e também a inclusão de cartões coloridos que anunciem a intenção do falante (perguntar, dar exemplo, comentar…). Quanto à turma, o entusiasmo e adesão saíram visivelmente reforçados em virtude desse alargamento das propostas, técnicas e recursos provocadores de diálogo filosófico. Tal como tu, não me aflige que as estratégias que a Joana partilhou percam o efeito surpresa/novidade ou que as esteja a gastar depressa de mais, porque o mais importante é esta experiência ter estimulado a nossa própria capacidade geradora. Estou confiante de que o conhecimento da turma, aliado a este conjunto de formações, a mais e variadas leituras e, claro, à experiência acumulada e partilhada, vão levar à conceção de propostas, estratégias e recursos adicionais. Depois, será necessário fazer um ou mais “test-drives” no terreno e partilhá-los entre nós e o resto da equipa, para que fiquem ainda mais afinados e refinados. 

     

    [joana]   A filosofia para / com crianças mudou a vossa prática pedagógica? Se sim, em que sentido?

    A: Passei a fazer muitas mais perguntas, não só na prática pedagógica, mas durante o meu dia-a-dia. Pode parecer um pormenor ou um ato descontextualizado, mas é indicador de uma mudança de fundo, que é o de olhar para a turma como uma comunidade de investigação, pela qual sou responsável e parte integrante. Não será uma mudança radical, porque já a perspetivava como uma comunidade de aprendizagem que vive da comunicação e colaboração para resolver problemas ou superar desafios em conjunto e de forma criativa. Porém, dou por mim, por exemplo, a dar-me a mim e aos miúdos mais liberdade para experimentar coisas novas. Aqui pode entrar a tal gratuitidade que associei ao facilitador, porque prevejo mais momentos em que dou carta branca a diferentes grupos de alunos para fazerem uma dada tarefa da forma que preferirem e combinarem. No final, trocamos ideias sobre esse momento e refletimos sobre essa experiência de aprendizagem. Talvez tenha ficado mais humilde.

    S: Tal como tu, André, pergunto muito mais. Perguntar é, agora, uma prática mais comum na minha vida pessoal e profissional e começo a divertir-me a fazê-lo, confesso. Revejo-me nas tuas palavras, sinto que valorizo cada vez mais o processo de escuta da criança. Não significa que não acontecesse antes, mas agora sinto que estou mais atenta às provocações, àquelas ideias que uma criança traz e que facilmente podiam ser abandonadas e desvalorizadas, mas que têm grande potencial para a construção da sua aprendizagem se me permitir sintonizar. Estarei eu a valorizar mais o processo? A verdade é que aprendi a respeitá-lo, sem o comprometer em função da pressa para chegar a algum lado. Como num diálogo, que requer uma certa lentidão e repetição sem saber muito bem onde e como será o fim. Muitas vezes, dou o pontapé de saída e o percurso depende do traçar do grupo, procurando conduzi-lo até ao destino, sempre consciente da meta definida, como refere o André. No fundo, permito-me ser mais flexível desfrutando do processo.

     

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    [joana]  E as crianças com quem trabalham: o que pensam elas sobre a filosofia? 

    André: O consenso geral da turma é que é um momento positivo (“giro, divertido e engraçado”) que “parece fácil, mas é difícil”. Sendo mais concretos, dizem gostar de “resolver problemas” e “ficar muito tempo a pensar na mesma coisa”. Acham “desafiante”, pois é necessário “refletir para fazer boas perguntas e dar boas respostas” e porque algumas perguntas os deixam sem resposta. Falam muito na importância de passarem a conhecer o que os outros pensam, já que essas ideias diferentes “levam a pensar em várias coisas”, “ajudam a ver de uma perspetiva diferente da que terias pensado”, a “mudar de opinião” e a “arranjar mais respostas”. Os problemas que alguns alunos levantam é que algumas perguntas são “demasiado óbvias” e que se torna maçador e frustrante andar às voltas do mesmo assunto sem chegar a uma conclusão única. Os alunos que não têm uma participação tão ativa nos momentos de diálogo filosófico dizem que “não sabem bem o que dizer”.

    Sofia: “A Filosofia faz-nos pensar”, começaram por dizer. Concordam que as “provocações”, um texto, uma imagem, uma frase, ou uma pergunta, fazem com que perguntem sobre “diversos assuntos”, porque “algumas coisas parecem não fazer sentido ou parecem estranhas” e querem pensar sobre elas. Valorizaram a procura de respostas com o contributo de todos onde “surgem opiniões diferentes” que têm de respeitar, “mas podem discordar”. “Fazemos muitos diálogos, uma espécie de conversa para procurar respostas”. Alguns sentem-se motivados pela imprevisibilidade do diálogo, com o não saber muito bem o fim, outros nem tanto, gostam de saber onde vamos chegar. “Fazemos perguntas, procuramos respostas, essas respostas levam-nos a outras perguntas, outras respostas e parece que isto nunca mais acaba”. 

     

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    ℹ️ a formação na qual tive oportunidade de ter a Sofia e o André como formandos terá uma 4.ª edição em Maio 2023, junto da Casa do Professor. saiba mais aqui.

     

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    joana rita #filocriatividade

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    o MIAA (Museu Ibérico de Arqueologia e Arte) e a Biblioteca Municipal António Botto voltaram a abrir as suas portas às oficinas de filosofia. desta vez o convite foi lançado aos jovens do 3.º ciclo e ensino secundário.

     

    voltar ao museu para #PararPensarEscutarDialogar

    o Museu das Perguntas foi uma proposta que surgiu a partir do livro de Joana Bértholo, O Museu do Pensamento (ilustrações de Pedro Semeano e Susana Diniz). este livro já me acompanhou na preparação de algumas oficinas de diálogo e já é um “velho conhecido”. mais recentemente conheci A Casa das Perguntas, de Nuno Carmaneiro (ilustrado por Hélder Teixeira Peleja) que também me deu o que pensar. 

    na primeira oficina Museu do Pensamento lancei a proposta aos jovens: e se houvesse um Museu das Perguntas? que perguntas iríamos escolher para deixar em exposição? 

    esta proposta levou-nos a reflectir sobre o papel da pergunta e também sobre os tipos de pergunta: perguntas profundas? perguntas que fazem pensar? perguntas sobre certos temas? 

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    oficina sobre escolhas e tomadas de decisão

    outra das oficinas pensadas para os jovens do secundário é #EuPensoEuEscolho. a inspiração surge do baralho publicado pela The Happy Gang. tenho tido a oportunidade de dinamizar esta oficina com grupos bastante distintos e há sempre algo que surpreende, seja na forma como se analisam as escolhas, seja na temática que surge durante o diálogo. 

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    curiosamente, tanto numa oficina como na outra, houve tempo para pensar sobre a verdade e a mentira, bem como sobre a diferença entre mentir e omitir.

    sem querer, as temáticas dos diálogos acabam por transbordar de uma oficina para a outra. 

     

    *

     

    se é professor/a no ensino secundário e gostaria de proporcionar aos seus alunos uma destas oficinas,

    contacte-me via formulário. tenho a agenda aberta para o próximo ano lectivo 2023/2024.

     

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    joana rita #filocriatividade

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    a partir dos 12 anos

    👂 ouve esta música do Fernando Daniel e do Carlão.

    pergunta para pensar a partir da música? (nota: cada pessoa pode sugerir outras perguntas a partir da música)

    Quem não tem nada a perder é mais livre do que as outras pessoas? Porquê?

     

    🏋️‍♀️ actividade

    👩‍💻 procura outras músicas sobre o tema da liberdade.

    🧠 Consegues encontrar diferentes tipos de liberdade nessas músicas? Podes explicar que tipos de liberdades são?

    💥 És livre? Porquê?

     

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