filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    joana rita #filocriatividade

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    o vai e vem da filosofia

    o #filopenpal surgiu há uns anos. um pai que me segue no twitter tinha horários um pouco complicados e não conseguia arranjar maneira de levar o seu filho a uma das minhas oficinas de filosofia. “e se a filosofia fosse até aí a casa?” 

    e assim aconteceu: a filosofia viajou até casa do J., através de carta. nesta carta o J. encontrou um primeiro desafio filosófico que se foi construindo e desenrolando à medida das suas perguntas e respostas. 

    houve mais pessoas a juntar-se a este “vai e vem” da filosofia: a Sara Rodi chegou mesmo a partilhar no seu blog como foi receber a filosofia lá em casa, na caixa do correio. 

    desde então, o #filopenpal já desafiou crianças, jovens e adultos – e também famílias inteiras a parar para pensar. 

     

    da carta para a google drive: filosofar em família

    algures em abril fui contactada por uma mãe para saber mais informações sobre o #filopenpal. foi nesse momento que surgiu a ideia de ter esta troca a acontecer na google drive, onde temos documentos colaborativos e oportunidade de ir acrescentando ficheiros ou fotografias.

    a mãe C. não queria que os seus filhos fossem os únicos a filosofar: queria mesmo filosofar em família. confesso: até então só tinha trocado desafios com uma pessoa (criança, jovem ou adulto). acedi ao pedido com uma condição: que o desafio enviado por mim fosse trabalhado em família, que dialogassem, que trocassem pontos de vista e depois partilhassem comigo o resultado desse trabalho em grupo. 

    além do resultado importa sublinhar o processo: 

    Estamos todos entusiasmadíssimos! O desafio tem-nos feito pensar, tem aberto caminhos para grandes conversas e tem-nos ajudado a conhecermo-nos melhor uns aos outros!

    Divertimo-nos muito!

     

     

    pai e filha a filosofar em plena pandemia 

     

    conheci o P. há alguns anos, num contexto pouco ou nada filosófico. mantivemos o contacto e o P. foi conhecendo o meu projecto filocriatividade e, de vez em quando, interagia com as minhas publicações. havia um interesse na filosofia e em filosofar. lembro-me bem que era um espectador assíduo da #FilosofiaAoVivo numa altura em que o confinamento não lhe permitia trabalhar. 

    um dia o P. perguntou pelo #filopenpal. expliquei como funcionava, que podíamos trabalhar através da google drive, definir um tempo de resposta. por norma, trocamos desafios de semana a semana, mas temos ajustado ao tempo do P. e da R. afinal, estes desafios devem ser saboreados e não vividos à pressa. 

    passo a palavra ao P. para falar da experiência: 

    Conheci a Joana fora do ambiente da filosofia, mas sempre fui um fã da sua abordagem da Filosofia descontraída e dirigida a todos.

     

    Sempre gostei da filosofia que aprendemos na escola, mas também me fui apercebendo que o que tirei destas aulas não foi mais que cultura geral sobre história da filosofia.

     

    Contudo, quando lia os posts da Joana nas redes sociais, via uma abordagem completamente diferente e muito mais interessante, ainda mais porque era dirigida maioritariamente às crianças. Era sobre estimular “´ssoas humanas” (nas suas palavras) a pensarem, refletirem, imaginarem, questionarem-se, debaterem ideias e opiniões.

     

    Adorava e queria isso também para a minha filha (e para mim também).

     

    Assim durante a pandemia decidi o que vinha a arrastar há imenso tempo. Começámos a trocar desafios através do #filopenpal e estamos a adorar. 

     

    No início para a R. foi estranho, porque ninguém é habituado a pensar com liberdade e sobre coisas que vão aparecendo.

    Nunca sabemos qual é o desafio!

    Enquanto adulto, no início, tentava que ela fosse estruturando mais o pensamento, sobre uma determinada temática (à semelhança do que para mim era a “Filosofia”), mas aos poucos fui-me apercebendo que o divertido era mesmo ir descobrindo novos caminhos a partir das questões que a Joana nos faz. Pensar sobre eles, questionarmo-nos, debatermos ideias, pôr diversas questões em cima da mesa, falarmos. 

     

    Hoje em dia quando digo “a Joana já respondeu ao mail” vamos logo os 2 ver qual é o próximo desafio e vamos pensando sobre ele. No dia que nos sentamos para responder é sempre um bom momento a dois. A R. às vezes hesita com algumas respostas, mas eu tenho tentado que ela ganhe confiança nelas mais do que tentar pôr-lhe uma resposta minha. Na verdade sei que do outro lado a Joana encontra sempre uma maneira de tornar os desafios super interessantes com o material que lhe damos.

     

    Acredito sinceramente que esta troca de correspondência tem sido e vai ser muito útil.

     

    Olho à minha volta e vejo muitas pessoas que têm medo de pensar, de ter uma opinião própria que por vezes contradiz a do outro. O inverso também acontece e também nos agarramos demasiado a opiniões e pensamentos que tantas vezes nos limitam em vez de estarmos abertos a outras perspectivas.

    Tem sido o meu contributo para que a R. e eu, eventualmente, possamos ser mais e melhores ’ssoas humanas.

     

    desafios filosóficos

    à distância, com a confiança na mediação do adulto ou de forma one to one com a criança e o jovem, procuro criar um tempo e um espaço para praticarmos o parar para pensar.

    trabalhamos o pensamento crítico e também o criativo. o trabalho é, por si mesmo, colaborativo. só o primeiro momento é definido por mim: o desafio inicial. a partir daí a forma como desenrolamos os novelos do pensamento vai depender do que pai & filha, do que a criança ou o jovem, do que a família me der em troca. 

    neste desenho, o P. e a R. desenharam as “ideias a conversar”. este momento aconteceu pois a R. mudou de ideias relativamente a um tema que estávamos a aprofundar.

    humm como é que acontece isto de mudar de ideias?

    será que as ideias conversam entre si? 

     

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    Filosofia para não filósofos – é como quem diz”,  filosofia para todos. Acredite, até as filósofas e os filósofos precisam praticar estes (e outros exercícios) diariamente. Caso contrário, o pensamento pode enferrujar ou tornar-se rígido, com demasiada areia na engrenagem. 

     

    1- Desafio: ler um livro de uma pessoa filósofa

    Uma das práticas diárias de alguém que se dedica à filosofia ou que a estuda, passa pela leitura. Ler um livro de uma pessoa filósofa permite-nos dialogar com o seu pensamento e ampliar o nosso. 

    Vai ler coisas com as quais concorda, outras das quais duvida e ainda outras com as quais discorda. Podem acontecer muitas coisas quando nos colocamos no lugar de uma pessoa filósofa e tentamos ver o mundo pelos seus olhos. Pode vir a gostar ou não do que escreveu essa pessoa – ou melhor, daquilo que lhe chega do seu pensamento, nos textos.

     

    E como escolher o livro? Sugiro que comeces por um filósofo que te suscita alguma curiosidade. Experimente a leitura de um dos diálogos de Platão, por exemplo. A Apologia de Sócrates. Se preferir um olhar mais contemporâneo, avance para Mary Midgley e o livro “Para que serve a filosofia?” 

     

    A regra deste desafio é simples: se o livro se mostrar difícil, assume que o vais tentar ler, pelo menos durante um mês. Intercala uma leitura filosófica com uma leitura não filosófica, para que o teu pensamento ganhe distância face à filosofia e depois possa mergulhar nela com dedicação.

    2 – Anunciar o que vamos dizer

    Esta é uma regra de diálogo que aprendi com o professor Oscar Brenifier.  Trata-se de uma regra simples e que pode ser levada para qualquer tipo de diálogo, não necessariamente filosófico. Pode ser útil, por exemplo, em reuniões de trabalho. Antes de falar, anuncie o que vai fazer: vou acrescentar uma ideia, vou contradizer, vou fazer uma pergunta, vou contar uma anedota, vou reforçar o que a pessoa X disse, entre outros.

     

    Isto exige que pensemos no que vamos dizer e na sua relação com o diálogo em curso. Além disso, tem como efeito a clarificação do discurso. Permite aos outros que analisem as tuas palavras com base no teu anúncio prévio.

     

    O exercício, que é bastante simples, abre espaço para que se identifiquem momentos de mudança de ideias; algo que praticamos amiúde, mas do qual nem sempre temos consciência de quando ou como aconteceu.

     

    Sim, pensar exige tempo e este exercício combate a pressa que temos para dizer muitas coisas e ajuda-nos a ficar mais confortáveis com o silêncio.

     

    3 – Fazer perguntas à pergunta

    Compre um caderno com o qual possa andar, para todo o lado. O desafio passa por registar uma pergunta por dia. Pode fazer esse exercício a qualquer hora do dia: o importante é que registe uma pergunta, todos os dias, durante um mês. No mês seguinte, pegue na pergunta do dia 1 do mês passado e faça pelo menos três perguntas a essa pergunta: e por aí fora. 

     

    Desta maneira amplia o exercício do perguntar, a partir de uma interrogação. No final desse mês terá as 30 perguntas iniciais e ainda 90 que surgiram a partir dessas. No mês seguinte o desafio passa por responder a uma pergunta por dia.

     

     “Mas respondo a qual delas, Joana?” Sugiro que abra o caderno de forma aleatória e comece a responder. Por escrito, sim. Tenho para mim que ler e escrever, usando o suporte papel e a caneta para o efeito, nos permite um diálogo mais próximo com o nosso pensamento. E isto é baseado numa história verídica – a minha. 

    Anualmente, na terceira quinta-feira do mês de Novembro comemora-se o Dia Mundial da Filosofia (iniciativa da UNESCO). 

     

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    este artigo é pensado para pessoas que querem aprender filosofia.

    quando nos propomos a aprender uma coisa nova, a grande questão é “por onde começar?” e espero poder ajudá-lo/a nesse sentido. 

    espreite esta lista com 5 recomendações de conteúdos “ensopados” em filosofia, que pode encontrar no youtube ou no spotify (ou outro agreagador de conteúdo). 

     

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    INÉF – Isto Não É Filosofia

    – o Vitor e a Evelyn têm vindo a proporcionar um curso de história da filosofia, gratuito, com aulas em directo no youtube, às sextas. aos sábados há live no instagram para tirar dúvidas ou para pensar a partir das ideias do filósofo apresentado em aula. vale tanto a pena acompanhar este projecto!

     

    Filósofos do ENEM

    – conheci este podcast por recomendação do Vitor (INÉF). vale a pena ouvir uma outra forma, também ela muito didáctica, de falar sobre os filósofos e a história da filosofia. estou a acompanhar ali mesmo no spotify. 

     

    A Tua Filosofia

    – o David Erlich é professor de filosofia no secundário e criou o canal A Tua Filosofia para aproximar os seus alunos (e não só) da filosofia. vale a pena espreitar, nem que seja para ver como a kizomba e a filosofia são praticamente almas gémeas. 

     

    Filosofia Góias

    – confesso que estou a recomendar este podcast devido à série dedicada à filosofia para crianças. foi assim que conheci este podcast que nos chega da UFG Regional Goiás, no Brasil. 

     

    Filosofia Pop

    –  Murilo Ferraz e Marcos Carvalho Lopes conversam sobre conceitos como a Felicidade, convidando outras pessoas para pensar connosco. Filosofia Pop também é filosofia em diálogo. 

     

     

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    Tutoria Filosofia 10.º e 11.º ano - com Joana Ri

     

     

    O que é a tutoria?

    📌 Trabalho de aprofundamento dos conteúdos dos programas do 10.º e 11.º com base nos diálogos filosóficos. 

     

    O trabalho é individual?

    📌 A tutoria funciona num regime one-to-one (aluno e professora), em horário a acordar.

     

    Estas tutorias relacionam-se com a filosofia para crianças e jovens?

    📌 Sim, a base da tutoria colhe da metodologia e da estrutura da filosofia para crianças e jovens. Não haverá lugar a infantilização de procedimentos de diálogo. O trabalho é ajustado e pensado “à medida” de cada aluno.

     

    Como faço para inscrever o/a meu/minha filho/a?

    📌 Contacte-me via e-mail: joana@filosofiaparacriancas.pt

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    gosto destas conversas informais, sem rede, de momento e que ficam gravadas para sempre nesse enorme buraco negro da internet. 

    a conversa com o BIS foi mais longa do que os 38 minutos seleccionados e acreditem que o tempo foi muito bem passado.

    visite o canal YouTube Carne Esperta para ouvir esta e outras conversas com pessoas humanas que têm muito a dizer sobre a questão da inteligência humana (e artificial).

     

     

     

     

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    para aceder a este recurso gratuito Wonder Ponder basta clicar na imagem ou mesmo AQUI.

    depois é parar para pensar e perguntar – sobre a morte e a vida. 

     

     

     

     

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    a oficina do Platão convida crianças dos 7 aos 12 anos para filosofar! sim, filosofar! 

    a partir de uma pergunta, de um jogo ou de uma imagem, vamos explorar perguntas e respostas, em grupo. 

    a opção pelo formato online permite-nos filosofar a partir de casa, em segurança. 

     

    as inscrições estão abertas através deste formulário.

     

     

     

     

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    podcasts e filosofia

    “há muito, muito tempo” fui convidada pelo Rui Branco (Falar Criativo) para participar num podcast. não sei de cor há quantos anos foi, tenho a ideia de que, na altura, o podcast não era um conteúdo tão divulgado como é hoje.

    desde então tenho tido a possibilidade de participar e de conversar com podcasters que querem saber mais sobre filosofia e também sobre filosofia para crianças.

    os ambientes para os quais sou convidada são bastante diversos: desde o futebol, à educação, à inteligência artificial ou ao mundo das redes sociais (onde desenvolvo trabalho). também já participei em podcasts onde o mote da conversa era o meu trabalho como voluntária. 

    para me organizar, criei uma playlist no spotify com os episódios dos podcasts onde já participei. não estão lá todos, é certo. já tenho uma sugestão para organizar esta informação de outra forma e coloquei na minha to do list.

    para já, aqui fica o link para a playlist #joanaritacast 

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    “A crise que conhecemos hoje é sintoma de uma grave patologia. A anamnese revela-nos que esta crise não veio ontem de um mercado longínquo, mas tem causas ecológicas, sociais e políticas mais profundas. O diagnóstico: não estamos a ser atingidos, hoje, de forma igual. O prognóstico: se amanhã fizermos como fizemos ontem, novas pandemias ou outros riscos globais continuarão a surpreender-nos. O remédio é uma mudança radical do nosso modo de vida. Mas como?

    Questões muito antigas são agora refeitas e as respostas não podem ser as mesmas de antes: quem sou eu e o que quero ser?  qual o meu lugar, na minha comunidade, na  minha cidade, no  meu país, no mundo, no universo? em que sociedade vivo e para onde esta caminha ? do quanto da minha liberdade posso abdicar, por respeito? do quanto, daquilo de que usufruo, posso privar-me, por solidariedade? quantos dos meus direitos podem ser restringidos, por segurança? quem está protegido, “imunizado”, mas quem está vulnerável, invisível, abandonado? que valores são promovidos e que valores são desprezados? o que é o bem-comum, a felicidade, o medo, a vida e a morte? como vivo, qual o sentido da vida e como quero viver

    São estas as questões a que iremos dedicar 8 diálogos com grandes intelectuais dos nossos tempos que, no contexto de um reflexão crítica sobre a crise pandémica, nos convocam, a cada um de nós, a refletir sobre como podemos assumir um papel decisivo na construção de um novo mundo, um mundo diferente do que era antes – para não voltar ao “normal”. Esses diálogos serão acompanhados por uma ampla participação do público.

    A pandemia, crise sanitária, emerge de uma constelação multidimensional de outras crises, todas interligadas entre si, que serão o tema dos diálogos: crise ecológica, crise do Estado Social e da saúde pública, crise político-jurídica, crise económica, crise laboral, crise social  e crise de solidariedade.”

     

    Para saber mais sobre este projecto, Filo-Lisboa 2020, visite o website.

    Nos dias 14 e 15 de Novembro de 2020, há diálogos online das 15h às 19h30.

     

     

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    fotografia tirada ao chão, onde se vê os pés da pessoa que tira a fotografia e as imagens usadas numa oficina de filosofia

     

    no passado dia 10 de Outubro estive no centro cultural malaposta para filosofar com famílias. foi o meu regresso oficial às oficinas de filosofia presenciais. desde a primeira semana de março que não estava a filosofar com crianças sem a mediação de um écran. isto também significa que a pandemia teve um impacto no meu trabalho, que foi suspenso. o que por sua vez tem um impacto na minha vida pessoal, pois sou freelancer e parte do meu trabalho consiste em andar pelas escolas, jardins de infância ou bibliotecas a filosofar com miúdos e graúdos. 

     

    faltaram os sorrisos? sim. mas com os números assustadores da #covid19pt é bom saber que há uma forma de estarmos perto, ainda que distantes, de estarmos juntos, ainda que sem abraços. 

    e os olhos brilhantes e aqueles gestos de quem está a pensar e a amadurecer uma pergunta? isso a máscara não nos tira!

     

    levei comigo um jogo que me deixa muito segura. confesso que não fui capaz de inventar uma coisa nova. o motivo? tive algum receio que a emoção de estar a trabalhar fora de casa pela primeira vez em 7 meses me toldasse o discernimento e as “habilidades” necessárias para o diálogo filosófico. note-se: não desprezo as emoções, simplesmente queria dar o meu melhor àquelas famílias que não sabem o quão especial foi aquela tarde para mim.

     

    o acolhimento da Malaposta não poderia ter sido melhor e senti-me verdadeiramente segura no espaço que me foi contemplado para trabalhar.

     

    aproveito para o/a convidar a visitar a programação da Malaposta, onde conto voltar em 2021.

     

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    recomendo esta formação. conheço de perto o trabalho da Topsy e da Jane. 

    + info AQUI. 

     

     

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    30 de Outubro, sexta

    19h30 (hora do Brasil) 23h30 (hora de Lisboa, Portugal)

    informações e inscrições através da Roda do Aprendizado

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    Most encyclopedias are arranged according to philosopher such as Aquinas, Kant, Marx, or by division of philosophy such as aesthetics, or logic. Others are arranged by school of philosophy such as Epicureanism, or Zen. Some are arranged by concepts, ideas and theories such as justice, number or rationalism. But NONE offer a comprehensive list of entries about the ideas women philosophers have developed. The Encyclopedia of Concise Concepts by Women Philosophers  is unique.

     

     

     

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    No Outono, enquanto recomeçava a dinamizar sessões de filosofia com crianças no Zoom, passei parte do tempo a considerar de forma mais profunda a minha presença nessas sessões. Parte do meu trabalho enquanto educadora passa por ajudar crianças a aprender a articular e a examinar as suas questões e crenças de forma mais lúcida. Além disso, eu sou responsável por ajudar a criar um ambiente que cuide da compreensão, confiança e valores em cada uma das vozes da criança. Abordo as minhas sessões, de modo consciente, através do desenvolvimento de espaços para que as crianças possam explorar as perguntas que são importantes para elas, sem impor as minhas visões sobre quais as perguntas ou momentos de conversa são particularmente significantes ou interessantes.

     

    Tenho vindo a pensar sobre a relação entre a responsabilidade do facilitador em construir uma moldura de trabalho que permite a emergência de conversas de elevada qualidade filosófica (introduzindo sugestões filosóficas sugestivas, fazendo boas perguntas, ajudando a garantir que todas as vozes são ouvidas, intervindo em discussões paralisadas) e a importância da conversa ser uma verdadeira investigação das crianças, de forma a que as minhas perguntas e os meus comentários não empurrem a discussão numa direcção que tem origem em mim e não nas crianças. É fácil dizer que o que importa é que as crianças devem controlar o sentido da investigação, mas a experiência pode ser bastante desafiadora no sentido de determinar quando deixar a investigação seguir sem qualquer interferência e, quando é necessária alguma intervenção, em dizer algo que seja útil para o processo, mas que não influencie o conteúdo.

     

    Queremos assegurar-nos que estamos a dar às crianças o espaço de que precisam para pensar e exprimir os seus pensamentos sem a intrusão supérflua do facilitador. Há uma linha ténue entre responder de uma forma que ajuda os outros a construir as suas próprias ideias e alterar o que pretendem expressar. Pelo facto dos adultos exercerem algum poder perante as crianças e especialmente numa situação e sala de aula (seja ela virtual ou não) na qual eu sou vista como a especialista na sala, torna-se demasiado fácil para mim, ainda que sem querer, desviar o foco da conversa.

     

    Por exemplo, parafraseando o que uma criança diz. Por vezes tentamos ajudar as crianças a traduzir o seu pensamento de forma mais clara ou mesmo sugerindo uma forma diferente para dizer algo. “Querias dizer que…?” Ainda que esta abordagem seja útil para ajudar uma criança a comunicar um pensamento, também pode resultar num colocar de palavras na boca das crianças, pensando que nós já entendemos o que querem dizer e que elas apenas precisam da nossa assistência para articular os seus pensamentos de forma mais precisa. Esta prática arrisca-se a distorcer ou silenciar o que a criança tem a dizer.

     

    Além disso, quando interpretamos erradamente ou reformulamos o que pensamos que as crianças pretende exprimir, as crianças podem hesitar em dizer-nos que não estamos correctos. Nestas situações, uma criança pode assumir naturalmente que o adulto sabe mais e por isso concorda de forma instintiva, ainda que o comentário de reformulação não represente verdadeiramente o pensamento da criança.

     

    Por vezes, tenho consciência que, depois de uma criança falar, me precipitei numa pergunta de clarificação ou numa descrição daquilo que eu pensava que a criança queria dizer; para me aperceber mais tarde que deixei as minhas ideias ou interesses atropelar o que a criança realmente queria dizer. Se eu quero mesmo compreender o ponto de vista da criança, esse ponto de vista tem de ser prioritário. Ouvir e fazer perguntas a partir de um local de curiosidade e de respeito, e abandonar a nossa própria agenda, pode cultivar um espaço no qual as crianças podem pensar os seus próprios pensamentos e exprimir as suas próprias ideias, à sua maneira.

     

    Mas os desafios da prática permanecem. Se me dou conta que a observação de um aluno envolve uma linha filosófica que não é explicitamente declarada, devo fazer uma pergunta no sentido de investigar o significado mais profundo das palavras da criança? Há uma maneira para fazer isso sem que direcione a conversa naquilo que me interessa, mas sim naquilo que se encontra na mente das crianças? O meu trabalho não consiste em reconhecer os temas filosóficos subjacentes às perguntas e comentários das crianças e ajudá-las a vê-los, ou essa atitude corre o risco de distorcer aquilo que desejam explorar? Ou será que estarei a sobrevalorizar a minha potencial influência na investigação?

     

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    Digo com frequência que as sessões de maior sucesso que tive com crianças envolveram discussões filosóficas que teriam continuado se eu tivesse saído da sala. Quanto mais silenciosa estou e quanto mais as crianças estão focadas na sua conversa e no que os outros elementos do grupo têm a dizer, mais acontece uma investigação que é autenticamente das crianças. Contudo, isto exige tempo e prática. O desafio do facilitador passa por equilibrar a assistência que proporciona às crianças no sentido de aprender a ter uma conversa filosófica vibrante e fundamentada com a garantia de que o espaço filosófico pertence às crianças. Talvez ser uma “facilitadora silenciosa” deva ser um dos objectivos de uma aula de filosofia, de modo a que, com o passar do tempo, as crianças se tornem cada vez mais hábeis e autónomas na gestão da investigação, e a facilitadora se torne cada vez mais silenciosa.  

     

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    Texto originalmente publicado no blog de Jana Mohr Lone, Wondering Aloud: philosophy with young people

    Nota de tradução: o título do texto é The quiet facilitator. Tomei a decisão de traduzir por A facilitadora silenciosa, dado que é assinado por uma autora do género feminino. Em termos de sentido geral, o título poderia ser O facilitador silencioso.

    Fotografias via unsplash.