filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

🟧 subscreva a newsletter

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    um desafio: diário de perguntas

    um dos exercícios que proponho várias vezes aos meus alunos, mais miúdos ou mais graúdos, é ter um diário de perguntas.

    pode ser um caderno ou um bloco de folhas. não é importante o formato, o importante é o hábito de perguntar e de as escrevermos, para não nos esquecermos delas. 

    aceitam o desafio?

    a ideia é que o nosso diário de perguntas vá crescendo, pergunta a pergunta.

    depois, uma vez por semana, escolhemos uma pergunta para investigar, em conjunto com a família. podem investigar perguntando a outras pessoas, perguntando ao senhor google, consultando livros que tenham aí em casa. 

    se quiserem partilhar ideias e investigações podem usar o e-mail joana@filosofiaparacriancas.pt e posso pensar convosco! 

     

    uma pergunta por dia

    a partir de hoje vou partilhar aqui, no instagram e no twitter uma pergunta para vos provocar o parar para pensar. o ritmo de partilha será semanal, mas o desafio aí para casa passa mesmo por fazer uma pergunta por dia.

    as perguntas que vou partilhar fazem parte do meu diário de perguntas. é comum levar essas perguntas comigo para as oficinas de filosofia, para crianças e jovens e para os cafés filosóficos.

    podemos conversar sobre estas perguntas ali em baixo na caixa dos comentários. vamos a isso?

     

    1.png

     

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    filosofia ao vivo.jpg

     

    #FilosofiaAoVivo – Hipácia de Alexandria

     

    24 de Abril – às 12h30

    no twitter e no instagram

     

    media partner: Rádio Miúdos

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    94203406_3215501598484118_7254668146307497984_o.jp

    Construir aforismos é a arte de expressar pensamentos profundos com o mínimo de palavras possível.

    O desafio é pensar em quarentena a partir das palavras que propomos, para que você possa contar ao mundo suas idéias, sentimentos e desejos.”

     

    podem aceder a este desafio filosófico em Português e em Espanhol.

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    a partir de hoje é possível aceder na RTP Memória ou na RTP Play aos conteúdos da telescola. os horários podem ser consultados AQUI.

    EWCLqnhX0AAG7it.jpg

     

    na rtp2, às terças e sextas, pelas 9h15, podem ver A Grande Descoberta.

     

    segundo apurei no twitter, através de um tweet do Rodrigo Guimarães, na rtp madeira estão disponíveis conteúdos para o secundário: 

    EWCgcwIXQAEUvNw.jpg

     

    Para quem não sabe, a RTP MADEIRA terá aulas em telescola para o SECUNDÁRIO(!!!!), ao contrário do que acontece na RTP Memória. Se os vossos professores são uma merda, aproveitem! Está aí o horário! Canal 203 (MEO), 188 (NOS), 184 (Vodafone) e 27 (NOWO)

     

     

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    2.png

     

    Aristocles aka Platão

    Aristocles, mais conhecido por Platão, foi um filósofo grego nascido em 428 a.C. 

    tinha 29 quando viu o seu mestre, Sócrates, julgado e condenado a beber cicuta por “corrupção da juventude”. é através dos diálogos platónicos que conhecemos a figura de Sócrates, o ateniense que dizia “só sei que nada sei”. 

    o primeiro texto que li, de Platão, foi o Fédon. o contexto? a cadeira de Filosofia do 12.º ano. todavia, já antes tinha lido a Alegoria da Caverna, que faz parte do texto A República, nas aulas do 10.º ano. 

    a Alegoria da Caverna é um texto clássico na iniciação à Filosofia, abordado nos programas de 10.º ano e que faz parte da obra A República, de Platão. ou de Aristocles, se preferirem!

     

     

    a Academia e uma vida em permanente diálogo

    a vida de Platão foi uma vida passada em diálogo: não são apenas os seus textos que o dizem . Platão fundou a Academia, uma escola filosófica. 

    “não entres aqui se não és geometra”, podia ler-se na entrada da escola. esta destinava-se não só aos discípulos, mas também a todos aqueles que a procuravam. a Academia de Platão não era tanto uma escola de saber enciclipédico, mas mais uma escola de vida filosófica. o método de ensino passava pelo diálogo e talvez por isso na carta VII refere e sublinha a importância dos ensinamentos que ficaram somente pelo diálogo e que não foram escritos.

    sabemos que Platão terá pretendido dedicar-se à política, todavia, perante a acusação e condenação do seu mestre, Sócrates, Platão terá recuado nesse intento:

    “Vi que o género humano não mais seria libertado do mal se antes não fossem ligados ao poder os verdadeiros filósofos, ou os governantes do estado não fossem tornados, por divina sorte, verdadeiramente filósofos.” (Carta VII, 325 c).

    diz-nos Abbagnano que:

    “o diálogo era pois (…) o único meio de exprimir e comunicar aos outros a vida da investigação filosófica. Ele reproduz o próprio andamento da pesquisa, que avança lenta e dificilmente de etapa em etapa; e, sobretudo, reproduz o seu carácter de sociabilidade e de comunhão, pelo qual torna solidários os esforços dos indíviduos que a cultivam.”

    o texto construído em diálogo é a melhor forma de se aproximar do discurso falado. trata-se de uma forma de envolver o leitor no tema do qual estamos a falar, na pergunta e na resposta, no vai e vem do discurso. 

     

    o filósofo e o amor pelo conhecimento

    parte do livro A República trata daquela que é a tarefa do filósofo. 

    o filósofo ou a filósofa ama o conhecimento, no seu todo. o que entendemos por conhecimento?

    “Aquilo que é absolutamente , é absolutamente cognoscível, aquilo que de nenhum modo é, de nenhum modo é cognoscível.” (A República, 477 a).

    a ciência corresponde ao ser. a ciência é o conhecimento verdadeiro.

    a ignorância conhece correspondência no não ser.

    entre um e o outro, ou seja, entre o conhecimento e a doxa, encontra-se o devir, onde encontramos a doxa (opinião). tanto a opinião como a ciência constituem o conhecimento humano; sendo que a doxa se refere ao conhecimento sensível e a ciência ao conhecimento racional. 

    quais são os graus do conhecimento, para Platão? Abbagnano apresenta-nos a seguinte leitura d’A República (livro VI, 510-11):

    primeiro nível: eikasía [suposição ou conjectura], cujo objecto são as sombras e as imagens.

    segundo nível: pistis [opinião acreditada, mas não verificada], cujo objecto são as coisas naturais, os seres vivos ou os objectos da arte.

    terceiro nível: diànoia [razão científica], “que procede por meio de hipóteses partindo do mundo sensível” (Abbagnano) e cujo objecto são os entes matemáticos.

    quarto nível: nòesis [inteligência filosófica], cujo objecto é o mundo do ser e que procede dialecticamente. 

     

    no nosso quotidiano encontramos muitas pessoas que, ainda que se encontrem no plano da eikasía, assumem que estão no plano da nòesis. são, na verdade, aqueles prisioneiros da caverna que se convencem que o que estão a ver é a realidade e não as sombras projectadas numa parede. não é fácil o papel de quem se liberta e enfrenta a luz do sol, fora da caverna, para caminhar no sentido do quarto nível de conhecimento.

    este processo é doloroso, pois a luz provoca desconforto e faz-nos desejar a obscuridade de novo.

    ao regressar à caverna, o prisioneiro que se libertou, é vítima de descrença por parte dos companheiros que permaneceram em “contemplação” das sombras. 

     

    Alegoria da Caverna 

    ao reler a Alegoria da Caverna e a situação do prisioneiro que se solta não consigo deixar de encontrar paralelismos com a situação actual: a desinformação são as sombras projectadas na parede da caverna e os prisioneiros são aqueles nossos amigos e conhecidos que partilham “notícias”, audios do whatsapp ou publicações sem verificar a fonte. esta verificação da fonte implica virar a cabeça, demorar-se um pouco mais na análise daquilo que nos rodeia e parar para pensar. 

     

    cada um de nós pode assumir este papel do prisioneiro que se solta, que se questiona pela origem das sombras e que lida com o desconforto da luz intensa. nos dias que correm e tendo em conta a infodemia que vivemos, eis os passos que podemos dar quando somos confrontados com uma “notícia” de origem duvidosa:

    – verificar a fonte: é de um website? qual? o que é habitual ser partilhado por lá? é credível?

    – verificar aquilo que é público no perfil de quem partilha: esta pessoa tem credibilidade perante a comunidade? que tipo de conteúdos costuma partilhar? 

    – pensar: esta informação é útil? vai ajudar alguém? quem?

    e se não tenho tempo para fazer este processo, então é melhor não partilhar. 

     

    o audio deste episódio está disponível no twitter, basta clicar AQUI. e não é preciso ter conta no twitter para ouvir! 

     

    sugestões de leitura:

    – Diané Collinson e Kathryn Plant, “Fifty Major Philosophers” – Routledge

    – Platão, “A República” – FCG

    – Platão, “Fédon” –  Lisboa Editora

    – Carlos H. do C. Silva, “Platão” – enciclopédia Logos

    – Thomas Cathcart e Daniel Klein, “Platão e um Ornitorrinco entram num bar” – Dom Quixote

    – Jostein Gaader, “O Mundo de Sofia” – Presença

    para trabalhar com crianças curiosas: “A Aventura de Pensar”, publicado na Edicare

     

    #FilosofiaAoVivo conta com o apoio da Rádio Miúdos

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    maddalena.png

    “Cette épidémie va changer notre regard sur les enseignants. On se rend compte maintenant du travail qu’ils font”

    Simon, 13 ans

     

    para ler, na íntegra, AQUI

     

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    EVRsMOCXQAA0cpb.jpg

     

    a filosofia, quando nasce, é para todos. 

    irei partilhar, no twitter e no instagram, um pouco de filosofia, em doses curtas (entre os 15 e os 25 minutos) e leves, mas suficientes para provocar o “parar para pensar”. 

     

    chama-se #FilosofiaAoVivo e é um primo afastado das crónicas que tive na revista Papel e na Rua de Baixo, intituladas [Joana] Mora na Filosofia. 

     

    podem acompanhar os directos no Twitter (@joanarssousa) e no Instagram (@filocriatividade).

     

    17 de Abril, sexta, às 12h30 – Platão 

    24 de Abril, sexta, às 12h30 – Hipácia de Alexandria 

    30 de Abril, quinta, às 12h30 – Immanuel Kant 

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    tumblr_a50737c1a4ce67e3d896762a7d58e7bd_87fc72b9_5

    “conta-me como foi”

    o projecto #filocri nasce com uma componente itinerante: foi em 2008 que comecei a viajar pelo país como formadora e como facilitadora de oficinas de filosofia para criançase e jovens.

    se já tinha feito algumas oficinas em 2007? sim, já tinha. mas 2008 é o ano que sublinho como o da fundação deste projecto. na altura, com outro nome, outro logotipo, mas a mesma casa de hoje: este blog.

     

    viajar até Portalegre

    em 2009 a Ana Cila contactou-me via e-mail com um propósito muito claro: levar-me a Portalegre, para que os seus filhos pudessem experimentar uma oficina de filosofia. a Ana conseguiu mobilizar a Animamus, em Portalegre, para organizarmos um sábado com oficinas de filosofia para a pequenada. e assim foi. a Ana fez acontecer.

    foi em Setembro e recordo-me bem da viagem: na altura tinha um fiat seicento, o meu primeiro carro, no qual fiz muitas viagens filosóficas, devo confessar. o meu irmão estava em franca recuperação de uma operação ao joelho e decidiu acompanhar-me. o objectivo dele era testar o joelho numa condução mais longa. durante as oficinas, enquanto eu trabalhava, ele andou pela cidade, tirando fotografias e acabou por comprar cabo de aço para o seu estendal. entre nós costumamos dizer que cabo de aço do bom compra-se em Portalegre.

     

    as oficinas 

    ontem estive a arrumar o meu escritório de trabalho cujas paredes estão forradas por estantes com livros e dossiers. as coisas mais antigas estão muito bem arrumadas, mas as mais recentes ou aquelas que estão sempre “a uso”: nem por isso.

    tinha 3 ou 4 pastas com materiais de apoio às oficinas de filosofia e tinha certeza que já tinha coisas repetidas e coisas perdidas nestas pastas. 

    resolvi investir algumas horas no trabalho de abrir pastas e avaliar o que queria guardar ou não. nesse processo encontrei folhetos das oficinas de Portalegre e até relatos escritos das crianças e jovens com quem pude trabalhar nessas oficinas. irei partilhar essas memórias por aqui e também pelo instagram

    além do cabo de aço de Portalegre, que durou muitos e muitos anos, as memórias dessas oficinas também persistem. 

    obrigada, Ana, pelo convite que me fizeste em 2009 para visitar Portalegre. desde então já tive oportunidade de voltar, a teu convite e tenho a certeza que outras oportunidades irão surgir para nos encontrarmos!

     

     

     

     

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    a convite da Joana, escrevi sobre livros infantis:

     

    Cinco razões para que os adultos leiam livros infantis

     

    podem ler o artigo na íntegra AQUI

     

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    pensamento_critico.jpg

    fonte: Plano Nacional de Leitura 

     

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    Na última aula do curso Em Defesa da Sociedade, no Collège de France, no dia 17 de março de 1976, exatamente uma semana antes de mais terrível Golpe de Estado na Argentina que semana passada fez 44 anos, Michel Foucault descrevia o trânsito do poder da soberania ao biopoder como um trânsito do “fazer morrer e deixar viver” a um “fazer viver e deixar morrer” (FOUCAULT, 2006, p. 285ss.). O trânsito supõe, por um lado, uma espécie de privatização da morte; por outro, uma intervenção cada vez mais forte nas maneiras de viver, no como se vive, da população europeia. Com a expansão do capitalismo a escala planetária, essa tecnologia de poder sobre a vida da população se expande e torna mais precisa: ela é, ao mesmo tempo, uma forma de vida e uma forma de intervenção sobre a vida, uma espécie de dispositivo de capitalização da vida em praticamente todos os rincões do planeta. Em certo sentido, também intervém sobre a morte, como fica evidente na atual pandemia de COVID-19 na Itália do norte: é preferível salvar os que tem mais vida capitalizável e deixar morrer os mais velhinhos, improdutivos, apenas um “custo” para os sistemas. Nessa lógica, a pandemia é uma oportunidade de limpar o sistema de vidas improdutivas e onerosas e, assim, otimizá-lo. De fazer viver ao produtivo e deixar morrer ao improdutivo, mais do que nunca. Talvez isso esteja na cabeça da política genocida de Bolsonaro e sua trupe contra o isolamento social e a favor de que a economia não pare: uma “limpeza” social.

    Nessa mesma Itália desenvolvida, nas condições atuais de confinamento, o que prima, diz Agamben, é a morte e a vida nuas. A morte reduzida a si mesma: a dos seres queridos sem sequer um funeral ou um enterro, a pura morte, o corpo largado no corredor do hospital ou no féretro nos caminhões do exército à busca do fogo que o faça ocupar o menor lugar possível. A vida também fica reduzida a sua forma mais nua: trata-se de preservar a vida antes de mais nada, sobreviver a qualquer preço, sacrificando tudo a não ser a própria vida: as relações sociais, a amizade, os afetos, a vida pública e comum. Tudo pode se perder, menos a vida. Mas a vida que se salva é uma vida sem nada, confinada, dobrada até ela mesma e nada mais. Enquanto o medo não deixa pensar senão na própria sobrevivência, a vida fica nua do que lhe outorga sentido. Salvam-se, em primeiro lugar, as vidas que poderão voltar a ser produtivas, capitalizadas, aproveitadas pelo sistema despojadas já do que as torna esta e não outra vida. São apenas vidas nuas, a-nudadas ao sistema de produção.

    É verdade, o atual momento é assustador. A epidemia do covid-19 deixa mortes e mais mortes. Mas o que assusta não é só o vírus quanto os modos de vida que estão sendo, ainda mais, afetados e confinados, mesmo aqueles não afetados pelo vírus. O que mais assusta é a perspectiva de que tudo no combate ao vírus é feito em nome do retorno ao normal e que o separador de águas entre a forma que os governos respondem à pandemia é justamente o caminho para voltar ao normal, seja mantendo ele a qualquer preço – como nos casos mais irresponsáveis e criminais, como Trump e Bolsonaro, mas também mais sofisticados como Suécia – ou extremando o confinamento para um enfrentamento mais eficaz ao vírus que permita uma volta menos traumática ao normal. O Brasil é um caso especial pela idiotice e irresponsabilidade do seu presidente e do grupo em torno dele que fará que o normal se leve consigo muitas vidas desprotegidas e descuidadas. A questão não é nova, é verdade, mas a brutalidade e sarcasmo da cena atual é exageradamente patética.

    O caso é que a pandemia suspendeu o normal. O capital já não circula tão comodamente. O sistema está parado, pelo menos parcialmente. E se bem é verdade que mesmo com essa parada as condições de vida continuam igual o pior para uma enorme parcela da população mundial – e brasileira em particular -, não é menos verdade que o caminho da destruição do planeta está em parte em suspenso. Com o vírus atingindo os humanos e seu sistema de exploração planetária, o planeta está ganhando um pouco de ar. Se isto continuar por algumas semanas até a Bahia de Guanabara vai poder respirar. Mas não só o planeta: nós mesmos podemos respirar outros ares. E eis que a pandemia se torna uma oportunidade para outra vida e para outro mundo, para outras formas de vida no mundo, para respirar um outro ar.

    Eis o desafio maior: essas outras formas de vida precisam ser inventadas, pensadas e experimentadas em comum. As instituições educativas poderiam ser um espaço propício e elas estão no meio da pandemia. Nos países em que o capitalismo está mais solidamente inscrito nas instituições, o sistema não pára e a vida educacional continua on-line em todas suas formas: aulas, bancas, formaturas, reuniões, comunidades de investigação filosófica. Nada pode parar. É preciso seguir o normal. As condições pioraram para os que nelas trabalham. As pessoas têm até menos tempo livre que o habitual. Já entre nós, que trabalhamos na educação pública, diferentemente, o vírus tem nos entregado a oportunidade de um tempo para pensar na vida que estamos vivendo em nome da educação, dentro e fora dessas instituições. Em que pese a idiotice e irresponsabilidade antiéticas do presidente, estamos em casa, como suspendidos no tempo. Estávamos habituados a “não ter tempo”, ao ter tanto para fazer “em pouco tempo”, em ter que correr daqui para lá, em “perder horas” no trânsito, em ocupar o tempo em exigências administrativas e burocráticas e, de repente, temos tempo para ordenar a casa, assistir filmes, dedicar atenção ao esquecido e, sobretudo, tempo para pensar na vida que queremos viver depois que a pandemia passar. É verdade, ainda não podemos pensar com o cuidado e a atenção requeridas; estamos desabituados, sentimo-nos engatinhando… não desistimos… encontramo-nos de outras formas… seguimos tentando… entre todes conseguiremos… aproveitar a oportunidade que o vírus com seu efeito de suspensão nos oferece… uma oportunidade impensada, única, ímpar… vamos continuar tentando?

    walter kohan, 29/03/2020

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    89925063_1121950514827107_5595403094520233984_n.jpde segunda a sexta, às 16h, há emissões em direto com o João Pedro no estúdio e todos os miúdos do mundo que quiserem participar via telefone ou Skype ou WhatsApp, etc.

    queres participar?

    escreve para geral@radiomiudos.pt ou envia sms para o 965 191 518

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    durante a semana passada partilhei algumas perguntas com investigadores, pensadores e filósofos sobre os tempos pandémicos que vivemos. algumas dessas perguntas referiam-se especificamente à filosofia para crianças. 

    Walter Omar Kohan, Tomás Magalhães Carneiro, Jose Barrientos Rastrojo e Gabriela Castro partilharam as suas respostas através de um google form: em tempos de distanciamento físico, são os inúmeros recursos digitais que nos aproximam. 

     

    tumblr_f2f9676de680e728e246c2fe5b8b4afd_81cab38b_5

     

    Nestas alturas, a filosofia pode servir de consolo? Porquê?

    “Não gosto da palavra consolo. A filosofia pode ajudar em muitas outras coisas, por exemplo, a dar sentido ao momento.”, diz-nos Walter Kohan. 

    Na mesma linha, Tomás Magalhães Carneiro, professor de filosofia com crianças, defende que 

    “se a filosofia tiver de chegar a servir de consolo, de alívio, já chegou tarde demais e aí não poderá servir de consolo. A filosofia deve preparar-nos para sermos capazes de evitar a necessidade de consolo. Não havia ninguém a consolar Sócrates quando este bebeu a cicuta. Ele é que consolou quem estava à sua volta.”

     

    “A pergunta é se a filosofia devia servir como consolo. Se o consolo é efectivo, poderia ocultar a crise e fazer com que voltemos para a vida anterior; mas não seria bom não consolar, deixar que a crise continue aberta e nos leve para o questionamento de partes do sistema. Provavelmente, algumas filosofias podem servir para consolar, mas repito: isso seria bom em todos os casos?” – eis a interrogação que nos deixa Barrientos Rastrojo. 

     

    Por sua vez, Gabriela Castro não hesita: “A resposta é indubitavelmente SIM. Porque o ser humano é holisticamente pensante e pensador e o pensar sempre ajudou a humanidade a colocar a realidade em perspectiva e a propor soluções reais.” E acrescenta, com algum humor qual seria a  resposta de alguém que não estuda filosofia:  “se a filosofia não serve para mais nada talvez sirva para pensar a pandemia”.  

     

    Têm alguma sugestão de temas ou de exercícios para permitir às crianças pensar sobre o que está a acontecer?

    “De momento não trabalho com crianças, mas criámos um projecto com presos (Boecio epistolar) que poderia ser trabalhado com crianças. Eles podem escrever cartas para serem enviadas para crianças de México (onde vai o começar a crise) com os seus conselhos para superar a situação.” (Jose Barrientos Rastrojo)

    Gabriela Castro pede cautela nestas sugestões: “porque fazer isso sozinhas será desvirtuar a própria FpC. Vamos a ter calma e a sabermos o que estamos a fazer sob pena de ser maior o estrago do que o proveito.”

    Walter Kohan remete para o livro Alice no País das Maravilhas como provocação para o pensar, em família. 

    Por último, Tomás Magalhães Carneiro defende que:

    “Temos aqui uma boa oportunidade de espalhar um pouco mais o “vírus da filosofia”. Acho que os exercícios e temas que costumamos utilizar nas nossas aulas [de filosofia para/com crianças] são adequados. Apenas ressalvo a importância de os adequarmos aos pais e às famílias dando-lhes directrizes de como os aplicar, como deverão dar espaço às crianças para pensarem em vez de encher esse espaço com as suas próprias ideias. O nosso papel, agora que estamos longe dos nossos alunos, deverá ser o de orientar os pais a serem também eles moderadores socráticos. São eles que estão “forçados” a estar com os seus filhos mais tempo do que é costume e muitos quererão aproveitar esses momentos para aprofundar ideias e conversas. a Filosofia aí pode ajudar, ou não fosse isso que andamos a fazer há mais de 2000 anos, a conversar uns com os outros.”

     

    thought-catalog-o0Qqw21-0NI-unsplash.jpg

     

    O que estão a ler os nossos entrevistados? E o que recomendam como leitura “pandémica”?

    O Tomás está  a ler e recomenda “How to be a Stoic: Ancient Wisdom for Modern Times” do Massimo Pigliucci. A Gabriela lê Paul Ricoeur para preparar as suas aulas que acontecem via zoom.

    Jose Barientos Rastrojo recomenda os textos de Séneca e de Marco Aurélio, advertindo que nem sempre têm um efeito tranquilizante. O professor da Universidade de Sevilha encontra-se a ler Han (O aroma do tempo), Grimes (Philosophical Midwifery) e Carlson (O sentido do asombro), livros que  ajudam a aprofundar  sobre a realidade profunda.

    Walter Kohan recomenda o clássico Alice no País das Maravilhas. 

     

    *

    No blog Joana Rita ponto EU podem ler o artigo “Is living a pandemic quite different from thinking about the pandemic?”, com o contributo de outros pensadores e investigadores. Boas leituras! 

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    o projecto ouVER-te crescer nasceu há uns anos, quando a Susana e o João, pais do Tiago, um menino surdo, decidiram aprender língua gestual portuguesa para comunicar com o filho. 

    conheci a Susana e o João nos cursos de LGP que fiz. depois, acabei por dar aulas numa AEC de filosofia na escola da Sarah, a irmã do Tiago. fui acompanhando este projecto que, agora, por motivos de isolamento social e distanciamento físico, conquistou o foco e o tempo da família.

    há um canal de youtube e uma página de facebook, que podem acompanhar para aprender língua gestual portuguesa.

    mãos à obra? 

     

  • 🟦 subscreva a newsletter no substack | 🟣 contacte-me através deste formulário

    joana rita #filocriatividade

    ___

    frank-mckenna-5sMtjoDwfH8-unsplash.jpg

    através de um google form e das plataformas do ICPIC e da Sophia Network, pedi respostas a perguntas que me “assaltam” a propósito deste período pandémico, que envolve distanciamento físico e muitas restrições na nossa vida. 

     

    estou neste momento a ler as respostas que me chegaram e a criar artigos para este blog e também para o blog da minha outra casa digital, o Joana Rita ponto EU