
🌰 Há uns anos, num trabalho de continuidade no 1.º ciclo fui abordada pela V. no corredor da escola:
“Joana, hoje vamos falar do magusto?”
Eu franzi 🤨 o sobrolho e disse: “Do magusto? Não tinha pensado nisso, temos perguntas penduradas da semana passada…”
Fui interrompida: “Mas todos os professores estão a falar-nos do magusto. Temos de falar também na filosofia.”
Olhei para a V. e disse:
“Ok, podemos falar do magusto. Mas como eu não preparei nada e não tenho ideias, que tal tu apresentares uma ideia para trabalharmos o magusto, na filosofia?”
A V. aceitou o desafio, de sorriso rasgado.
Quando tocou, fomos para a sala e eu passei a palavra para a V.: “Amigos, vamos falar do magusto e a V. tem uma ideia para pensarmos o magusto aqui na filosofia.”
Meio envergonhada, meio confiante, V. avançou para o 👩🏫 quadro, pegou no giz e escreveu: “Por que é que as castanhas são castanhas?”
E essa foi a nossa pergunta 🔍 de investigação naquele dia. Posso dizer-vos que implicou ir perguntar a um especialista (recorremos à biblioteca), sem antes lançarmos hipóteses ou possibilidades, em grupo.
Não terá sido a aula (sessão ou oficina) com mais profundidade que tive com aquele grupo. Foi, sim, um momento importante de prática da autonomia e da responsabilidade partilhada, entre o adulto na sala (eu) e as crianças.
Praticámos o pensamento 🎨 criativo (lançámos hipóteses de resposta) e o pensamento 💪crítico (tivemos de escolher fontes e especialistas para nos ajudar com a resposta). Trabalhámos em grupo, investigámos em conjunto (pensamento 📌 colaborativo).
Tudo por causa do magusto. E da V.

Deixe um comentário