
Adversity is the best teacher in the world. (Simon Sinek)
Na p. 21 do livro O Obsctáculo é o Caminho, Holyday diz-nos que “ultrapassar obstáculos é uma disciplina composta por três passos críticos.” Neste livro, Holiday convida-nos a entender a aplicação dos princípios estoicos no sentido de transformar desafios em oportunidades.
O autor usa exemplos históricos para ilustrar como figuras conhecidas da esfera pública superaram obstáculos. Ryan Holyday tem a habilidade de fazer a ponte entre a filosofia estóica e as vidas de pessoas que conhecemos da esfera pública, como Steve Jobs ou Margaret Thatcher.
O processo é simples, diz o autor, e nada fácil. Os três passos são a percepção (a forma como encaramos os problemas), a acção (aquilo que fazemos ecomo fazemos para descontruir os problemas e considerá-los como oportunidades) e a vontade (essencial para que possamos lidar e dominar as dificuldades).
O Obstáculo é o Caminho foi o seu primeiro livro publicado em 2014, ao qual se seguiu Ego is the enemy, The Daily Stoic (Estóico todos os dias) e Stillness is the key, entre outros títulos.
Filosofia estóica e autoajuda
Uma das perguntas comuns sobre o estoicismo relaciona-se com a autoajuda.
Para responder a esta pergunto, convido o Professor Vitor Lima (INÉF – Isto Não é Filosofia) a juntar-se a nós:
Ryan Holyday está em linha com o início do vídeo de Vitor Lima: o estoicismo tem vindo a ser amplamente divulgado por pessoas empreendedoras e que estão de alguma forma ligadas ao mundo do marketing, das vendas e por aí fora.
O estoicismo não advoga a autoajuda. “Se fizeres a tua parte, o mundo vai conspirar a teu favor” – esta ideia bastante comum nos discursos de autoajuda, defende que a pessoa principal responsável pela minha vida sou eu. Porém, eu não controlo todas as variáveis que contribuem para o meu sucesso ou para a minha felicidade. O estoicismo não defende isto, mas sim que a pessoa principal responsável pela minha vida não sou eu. O que eu tenho de fazer é encontrar o meu lugar no mundo e aceitar esse lugar.
Outra ideia comum da autoajuda é a do sucesso: a vida bem sucedida é fundamental. O estoicismo alerta-nos para a possibilidade dos propósitos que definirmos para nós mesmos não se realizarem necessariamente. Ter esta ideia clara na nossa mente ajuda-nos a evitar frustração.
A noção actual de felicidade centra-se na ideia de prazer, alegria ou contentamento. Os estóicos desconfiavam dessa linha de pensamento que tende para confundir a felicidade com a alegria.
Recomendo muito a leitura dos textos dos estóicos, porém reconheço que há outras portas de entrada para as filosofias da antiguidade. O trabalho de Ryan Holyday é uma dessas portas de entrada.
O estoicismo pode ajudar-nos a viver melhor?
Sim, pode. O estoicismo é uma filosofia que poderá ajudar as mais diversas pessoas a lidar com a adversidade e a viver melhor hoje do que ontem.
Um exemplo desse entendimento do estoicismo é o projecto BOÉCIO, orientado por José Barrientos Rastrojo e um conjunto de pessoas espalhadas em vários países do mundo (Espanha, México, Brasil e Colombia).
A filosofia pode ajudar-nos a viver melhor?
Sim, pode. Defendo que a filosofia pode ajudar-nos a viver melhor, sendo que na ideia “viver melhor” implico o pensar com mais clareza no sentido de percepcionar o mundo que nos surge de forma opaca com mais clareza (*).
E as mulheres estóicas?
As histórias da Filosofia, bem como as introduções à Filosofia, pecam pela ausência das vozes das mulheres filósofas. Assim, resolvi perguntar: houve mulheres estóicas? Procurei resposta junto do projecto Uma Filósofa por Mês (Germina) e do livro Filósofas (de Fabiana Lessa e Natasha…).
No blog Germina há referência a mulheres pitagóricas, mas não a mulheres estóicas.
Fiquei pensando então se não seria importante, além de darmos voz às pitagóricas, também falarmos sobre os silêncios que se criam em torno das mulheres, do silenciamento que resultou na sua exclusão da história da Filosofia. (Maurício Rasia Cossio, Mulheres Silenciadas, In Germina).
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Estóico todos os dias (tradução de João Carlos Silva) e O Obstáculo é o Caminho (tradução de Maria Saraiva) são duas obras publicadas na editora Lua de Papel (Leya).
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Aula sobre estoicismo e epicurismo (INÉF).
Manual do Estoicismo (INÉF).
(*) A ideia de filosofia como uma obsessão pela transparência está presente na obra O que é a filosofia?, de António de Castro Caeiro.

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