
Entre 13 e 28 de Junho, Cascais voltou a ser lugar de encontro para perguntas, ideias e conversas com a segunda edição do ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia. Mas, para contar esta história, é preciso começar antes dos dias 25, 26, 27 e 28 de Junho.
O festival não começou quando se abriram as portas dos grandes espaços culturais. Começou mais cedo, nos bairros, nas ruas e nos lugares onde a filosofia encontra pessoas de todas as idades.
Antes dos grandes nomes, chegaram as perguntas
Nos dias 13 e 14 de Junho, o ESPANTO levou a filosofia a diferentes comunidades de Cascais, numa programação descentralizada que passou pelo Bairro Novo do Pinhal/Galiza, Cabeço de Mouro e Alcoitão.
Foram dias em que a filosofia aconteceu perto das pessoas: através de conversas, oficinas, momentos de partilha e actividades pensadas para diferentes públicos. Houve espaço para pensar o tema desta edição — o Desejo — a partir de diferentes perspectivas: o que desejamos? De onde vêm os nossos desejos? Será possível viver sem desejar? Um desejo é mais interessante do que um sapato?
A filosofia deixou de ser apenas uma actividade associada aos livros, às universidades ou às salas de conferências e tornou-se uma prática de encontro.
Levar a filosofia onde estão as pessoas
Um dos aspectos mais marcantes do ESPANTO é precisamente este movimento: em vez de esperar que as pessoas procurem a filosofia, a filosofia vai ao encontro das pessoas.
A programação nos bairros mostrou que pensar não é um exercício reservado a especialistas. Uma pergunta pode nascer numa conversa entre vizinhos, numa oficina com crianças ou num momento de partilha entre gerações.
Através das oficinas filosóficas, as crianças foram convidadas a observar, perguntar e construir ideias em conjunto sobre o tema do desejo.

Do bairro para a cidade
Depois dos primeiros encontros, o ESPANTO ganhou outra dimensão nos dias 25 a 28 de Junho, ocupando vários espaços culturais de Cascais com conferências, conversas, performances e encontros com pensadores nacionais e internacionais.
O festival espalhou-se pela cidade, criando diferentes lugares de pensamento. Houve vários pontos de encontro onde o público pôde aproximar-se da filosofia através de diferentes linguagens.
Esta é uma das forças do ESPANTO: juntar a reflexão mais aprofundada com uma dimensão pública e acessível, criando pontes entre diferentes experiências e formas de conhecimento.

Um tema, muitas perguntas
O Desejo foi o fio condutor desta edição e mostrou-se um tema inesgotável.
Falou-se do desejo como impulso, como falta, como motor de transformação, mas também como algo que levanta dilemas: desejamos aquilo que escolhemos? Ou aquilo que nos ensinaram a desejar? O desejo aproxima-nos dos outros ou torna-nos mais centrados em nós próprios?
Ao longo do festival, estas questões apareceram em diferentes formatos e para diferentes públicos. Das conversas mais conceptuais às propostas para crianças, o ESPANTO mostrou que uma mesma pergunta abre diversos caminhos.
Pensar também é reconhecer quem pensa connosco
Nesta edição, o ESPANTO prestou homenagem a Viriato Soromenho-Marques, reconhecendo o contributo de uma das vozes mais relevantes do pensamento contemporâneo em Portugal.
Filósofo, professor e ensaísta, Viriato Soromenho-Marques tem desenvolvido um trabalho marcado pela reflexão sobre ética, cidadania, ambiente e os desafios das sociedades contemporâneas. A sua intervenção pública tem cruzado a filosofia com as grandes questões do presente, lembrando que pensar é também assumir responsabilidade perante o mundo.
A homenagem integrou uma das dimensões centrais do festival: a valorização do pensamento como prática viva, feita de diálogo, de participação e de compromisso com a realidade.
Um festival feito de encontros
Na sua segunda edição, o ESPANTO afirmou-se como um convite a pensar em conjunto.
Entre 13 e 28 de Junho, a filosofia ocupou bairros, espaços culturais e lugares de encontro. Houve conferências e oficinas, especialistas e pessoas curiosas, entre adultos e crianças. Houve, sobretudo, tempo para aquilo que muitas vezes falta no quotidiano: parar, pensar, escutar e dialogar.
O ESPANTO mostrou que a filosofia pode acontecer em muitos lugares e com muitas pessoas. Ao longo de duas semanas, Cascais transformou-se num espaço onde as perguntas ganharam lugar público — e onde pensar em conjunto foi a principal forma de encontro.
Ah! O ESPANTO continua por aí a espantar, em formato podcast e também em formato de cursos livres.
joana rita
📷 festival ESPANTO

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