
Vamos pensar sobre a humanidade? — este foi o desafio lançado a um grupo de famílias numa Biblioteca Municipal. Escolhemos uma pergunta para investigar em conjunto.
Embora a pergunta inicial estivesse pensada para abordar a temática dos direitos humanos, uma criança trouxe uma interpretação diferente da palavra “direitos”. Em vez de pensar em direitos universais ou leis, começou a falar “daquilo a que cada pessoa tem direito” em função da sua idade e das suas necessidades.
“Um bebé tem direito a um berço”, dizia. “Tem direito a que lhe mudem a fralda.” Mas uma criança de nove anos já não teria esses mesmos direitos, porque precisaria de outras coisas.
Do direito às necessidades: um desvio que mantém o horizonte filosófico
O diálogo movimentou-se então para uma reflexão sobre cuidado, dependência e adequação. Os direitos deixaram de aparecer como algo fixo e igual em todas as situações e passaram a ser pensados em relação às necessidades concretas de cada pessoa, ao longo da sua vida.
Esta mudança abriu um caminho filosófico inesperado: será que ter direitos significa receber exatamente as mesmas coisas? Ou significa ter acesso ao que precisamos em cada momento da vida?
A infância, a velhice e o retorno das necessidades
Fomos avançando na idade, de bebé a idoso, para ver de que modo as necessidades se alteravam ou se mantinham. Quando já somos velhos, voltamos a ter direito a algumas coisas que associamos aos bebés: por vezes precisamos que nos mudem a fralda, voltamos a ter algo parecido com um berço (uma cama com grades). No fim da vida há ainda o direito a ter um caixão.
A partir das ideias da criança, o grupo começou a distinguir igualdade de uniformidade, aflorando a ideia de que tratar todos de forma justa nem sempre implica tratar todos da mesma maneira.
joana rita

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