
A rubrica chama-se Perguntar não mata: os cemitérios como ponto de partida para o diálogo — sugestões para o diálogo em família e nas comunidades escolares e poderá ser lida no Boletim Cultural dos Cemitérios de Lisboa, bem como na newsletter especial Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais. Trata-se de pequenos guias que convidam à observação, à pergunta e ao diálogo durante uma visita ao cemitério.
Como surgiu a ideia?
A ideia surgiu ao navegar no instagram para investigar que tipo de actividades acontecem nos cemitérios, destinadas a crianças. Consegui encontrar registos de visitas no Crematório e Cemitério da Penitência, em Caju, Brasil, através da página Necrotour. Haverá outros projectos, mas as Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais apresentam uma marca distintiva: a mediação cultural e filosófica a partir de um lugar onde a morte está presente — o cemitério.
Reconheço o potencial filosófico do cemitério para provocar o diálogo:
Atravessar os cemitérios de Lisboa torna-se, pois, nessa viagem mágica e fabulosa sobre o que pensamos e sentimos sobre esse momento tão íntimo, natural e inevitável e, simultaneamente, descobrir que “olhando” a morte, escrita nos epitáfios, construída na monumentalidade dos jazigos, estamos a “olhar” para a vida, para aquilo que fomos, para aquilo que somos (…).
Francisco Moita Flores, A Arte e a Vida nos Cemitérios de Lisboa — o Passado e a Memória, in Os Cemitérios de Lisboa: entre o Real e o Imaginário, p. 157
Nesta linha surge a rubrica Perguntar não mata: os cemitérios como ponto de partida para o diálogo — sugestões para o diálogo em família e nas comunidades escolares, para convidar famílias e comunidades escolares a visitar o Cemitério do Alto de São João com uma atitude perguntadora e exploradora.
Como agir no cemitério
Antes de iniciar o percurso, vale a pena lembrar que um cemitério continua a ser, antes de tudo, um lugar de despedida, de memória e de recolhimento. Por isso, este convite ao diálogo caminha lado a lado com uma atitude de respeito.
Algumas sugestões simples:
- caminhar com tranquilidade e falar num tom de voz adequado ao espaço;
- respeitar quem ali se encontra em visita, a cuidar das campas ou jazigos ou mesmo em cerimónias fúnebres;
- não subir para os jazigos, monumentos ou esculturas;
- não tocar em elementos que possam estar fragilizados;
- não mexer nas flores, nos objectos ou noutros elementos memoriais que possamos encontrar;
- observar atentamente, fotografando apenas quando tal não interfira com as regras do cemitério, bem como com a privacidade ou o recolhimento de outras pessoas;
- recordar que estamos num espaço vivo de memória, património e afectos.
Considero que é possível habitar estes lugares com curiosidade e delicadeza. Fazer perguntas não diminui o respeito pelo cemitério; pelo contrário, pode ajudar-nos a olhar com mais atenção, compreender melhor o seu património e reconhecer as muitas histórias que guarda.
Em breve, espero poder criar guias como este para outros cemitérios, noutros pontos do país.
Se trabalha num município ou numa entidade responsável pela gestão e valorização do património cemiterial e considera que este projecto poderá fazer sentido na sua comunidade, convido-o(a) a entrar em contacto através deste formulário.
joana rita

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