filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    SOPHIA2025Program-1448x2048.jpg

     

    This year we are looking at the implications of technology and AI on philosophy for children.

    Are we more or less connected because of technology? What is it to be connected? How connected are we? Should P4C embrace or reject technology? How can we use it successfully, what dangers does it pose or can it be utilised for everyone’s benefit? What environmental issues does it raise? To connect or disconnect, is that the question?

    The meeting will be hybrid again and the theme is deliberately open to invite a range of approaches. This is because SOPHIA workshops deal with P4C pedagogy, theory and practice; as well as philosophical experiences, games and activities for practitioners to take away.

     

    23rd, 24th and 25th of May, in Malta 

    Informations about the programme HERE

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    …o Jorge Andrade preparou uma mão cheia de perguntas para eu responder. Pode ler tudo AQUI.

    A minha prática filosófica assenta no diálogo e o foco desse diálogo passa por criar pensamento que nos ajude a encontrar clareza. Clareza nas perguntas e nas respostas. O diálogo é um jogo que me permite encontrar um pensamento mais claro, que me convida a contemplar outros pontos de vista, a rever as minhas ideias, a voltar a pensar e a lidar com a confusão e a incerteza. Perseguimos a clareza.  Numa oficina de filosofia com o 1.º ciclo houve uma criança que disse que a experiência do diálogo permitiu ter a certeza de que temos dúvidas. (entrevista ao SAPO)

     

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    série: Adolescence (Netflix)

    Este urgente fenómeno de audiências é um retrato marcante de como a falta de comunicação e compreensão entre pais e filhos pode levar a consequências trágicas. Nestes nossos tempos é cada vez mais complicado ser-se pai, mas não é mais fácil ser-se criança.” (João Estróia Vieira, Comunidade Cultura e Arte)

     

     

    podcast: Simon Sinek conversa com uma Death Doula

    “Death is a word we like to avoid. We dance around the subject or use vague euphemisms to not hurt anybody. But what if being open about our deaths meant we could live happier lives?”

     

     

    iniciativa: Pinóquio na Escola, literacia contra a desinformação

    “O Polígrafo, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, através do European Media and Information Fund, lança a iniciativa de literacia mediática ‘Pinóquio na Escola’ para sensibilizar e envolver alunos do ensino secundário na luta contra a desinformação.” 

     

     

    artigo: Cultivating Speaking and Listening Skills in the Primary Grades

    O website Edutopia é muito rico em sugestões para a prática educativa. Este artigo  assinado por Rachel Scheer trata de estratégias para promover a oralidade e a escuta. 

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    Logo Espanto - Festival Internacional de Filosofia

     

    Entre os dias 19 e 22 de junho, Cascais será palco do primeiro Festival Internacional de Filosofia em Portugal – “Espanto”. Através de palestras, debates, apresentações artísticas e outras atividades, este evento pretende ser um espaço de reflexão e descoberta, onde a Filosofia se cruza com a vida real e se torna uma experiência coletiva.

     

    Filósofos, pensadores e especialistas de várias nacionalidades reunir-se-ão para explorar o tema desta primeira edição: o medo, uma força invisível que pode paralisar, mas também transformar. O “Espanto” pretende questionar de que forma o medo influencia a sociedade e a vida individual, promovendo o pensamento crítico e a reflexão sobre os desafios do mundo contemporâneo. Com um programa diversificado, visa tornar a Filosofia acessível a um público amplo, dos oito aos 80 anos. Não vai faltar espaço para a Filosofia para crianças e jovens.

     

    Entre os oradores já confirmados, encontram-se nomes como Peter Sloterdijk, Donatella Di Cesare, Bernat Castany Prado, Daniel Innerarity, Gilles Lipovetsky, Michel Eltchaninoff, Samantha Rose Hill, Sebastian Sunday Grève. A nível nacional serão chamados a palco António de Castro Caeiro, Manuel Curado, Marta Faustino, Arlindo Oliveira, Joana Bértholo, Artur Ribeiro, Beatriz Batarda, Carlos Fiolhais, Edson Athayde, Joana Rita Sousa, Luísa Lopes e David Erlich.

     

    As atividades decorrerão em seis espaços distintos em Cascais, escolhidos criteriosamente para garantir uma abordagem inclusiva e interdisciplinar, cruzando várias áreas do saber e proporcionando uma experiência imersiva aos participantes.

     

    Nos dias 19 e 20 de junho, em três bairros sociais diferentes, selecionados pela Câmara Municipal de Cascais, realizar-se-ão sessões com dois filósofos em cada um dos bairros, que terão a oportunidade de expor a sua perspetiva sobre o tema da edição e conversar com o público presente. Cada sessão terá a duração de cerca de duas horas e contará com um moderador, culminando na apresentação de um artista local.

     

    Ainda no dia 20, às 19h30, terá lugar no Restaurante Conversas da Gandarinha o jantar “In Vino Veritas”, que irá reunir, num evento exclusivo e intimista, os principais parceiros do evento, filósofos, curadores, oradores, pensadores e todos os que possuírem o bilhete premium para marcar a abertura oficial do festival.

     

    Inspirado na obra do filósofo dinamarquês Kierkeggaard, este momento pretende colocar em prática um dos grandes desafios da Filosofia – a procura pela verdade. Durante o jantar, haverá uma intervenção especial de um filósofo convidado e a possibilidade de participação dos presentes. O ambiente será enriquecido por performances artísticas, promovendo um espaço de convívio e troca de ideias.

     

    No dia seguinte, o auditório da Casa das Histórias Paula Rego será o cenário de várias palestras, debates, conferências, diálogos que permitirão uma abordagem profunda, num formato mais acessível e não exclusivamente académico, do tema “o medo”.

     

    Já os jardins do museu, das 10h00 às 17h00, transformar-se-ão em Ágoras, isto é, pequenos palcos circulares rodeados por cadeiras, onde o público poderá interagir diretamente com os oradores. Algumas dessas Ágoras serão dedicadas a um público mais jovem e infantil, promovendo o diálogo intergeracional.

     

    Será numa destas ágoras que os vencedores do concurso para apresentação de um discurso sobre o medo, poderão apresentar o seu pensamento. Será também aqui que o público pode interagir com os filósofos que passarão por uma ágora onde conversarão e responderão a perguntas. Estão previstas cinco ágoras com atividades de acesso gratuito ao longo do dia 21.

     

    O festival encerrará com dois momentos de grande impacto: as Aulas Magnas, que terão lugar no Anfiteatro do Parque Marechal Carmona, no dia 21, das 21h30 às 23h00, e no dia 22, das 11h00 às 13h00. Dois oradores apresentarão as suas reflexões sobre o tema central do evento, seguindo-se uma entrevista conduzida por uma figura pública de relevo.

     

    A última Aula Magna assinalará o encerramento do festival, com uma homenagem a uma personalidade que seja uma referência no universo do pensamento.

     

    Os bilhetes para o festival já estão disponíveis, com preços especiais early bird até dia 30 de abril. Existem duas modalidades: Geral (38 €), que inclui o acesso às iniciativas que acontecerão no Parque Marechal Carmona e na Casa das Histórias Paula Rego, e Premium (166 €), que permite a participação em todas as atividades, com lugar reservado, incluindo o jantar “In Vino Veritas”. Algumas atividades, como as Aulas Magnas e as sessões noturnas, serão gratuitas, mas requerem inscrição prévia. A partir do dia 1 de maio, os estudantes poderão adquirir bilhetes com 15% de desconto.

     

    Com o Festival “Espanto”, Cascais reforça o seu compromisso com a promoção da cultura e do pensamento crítico, organizando um evento que desafia as convenções e convida o público a questionar e compreender melhor o mundo que o rodeia.

     

    Mais informações sobre o programa e aquisição de bilhetes aqui.

     

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    No livro O Jogo Infinito, Simon Sinek propõe-nos a ideia de Causa Justa.

    O que é a Causa Justa? “É sobre o futuro. Define para onde vamos. Descreve o mundo em que esperamos viver e em relação ao qual assumiremos o compromisso de o ajudar a construir.” (p. 53)

    A Causa Justa é algo que está em construção, o resultado dessa construção é desconhecido. Estas características permitem-nos realizar ajustes e melhorias no sentido de alcançarmos esse horizonte. Sinek dá como exemplo para Causa Justa o Cofre Global de Sementes de Svalbard (Noruega), uma ideia que radica na visão de Nikolai Vavilov, um homem que dedicou a sua vida à recolha e salvaguarda de um banco de sementes

    (…) em 2008, foi lançada a “Arca de Noé” das plantas. Uma instalação localizada em Svalbard, na Noruega, em pleno permafrost ártico, foi apelidada de “Doomsday Seed Bank” (“Banco de Sementes do Juízo Final”, traduzindo à letra). 

    “(…) uma Causa Justa é uma visão específica de um estado futuro que ainda não existe. E para que uma Causa Justa dê um rumo ao nosso trabalho, para que nos motive ao sacrifíceio, e para que perdure, não só no presente, mas em tempos para lá do nosso, deve satisfazer cinco padrões”, diz Sinek na p. 57. Ao ler estas palavras surgiu-me a ideia de olhar para a filosofia para/com crianças como uma Causa Justa. Será que cumpre com os critérios indicados pelo autor do livro O Jogo Infinito?

    Vejamos que critérios são esses. Uma Causa Justa deve ser a favor de alguma coisa, deve ser inclusiva, deve ser orientada para servir, deve ser resiliente e idealista. 

    A filosofia para/com crianças é a favor de alguma coisa? Sim. Há um sentido afirmativo e optimista no programa que foi inicialmente proposto por Lipman e Sharp, ao defender que as crianças são capazes de pensar e agir filosoficamente no mundo e que o exercício de pensar com outras pessoas, em comunidade, permite um pensamento mais claro sobre o mundo que nos rodeia. 

    A filosofia para/com crianças é inclusiva? Sim. A filosofia para/com crianças inclui (diria, integra) as crianças no acto de filosofar. Até ser proposto um programa para crianças a partir dos 3 anos, estamos a abrir as portas da filosofia para as pessoas que até então não tinham acesso a elas: as crianças.

    A filosofia para/com crianças é orientada para servir? Sim. Este movimento visa proporcionar às crianças um tempo e um espaço para dialogar e pensar em conjunto. Enquanto pessoa que se dedica ao trabalho de facilitar oficinas de filosofia, assumo a postura de quem pretende que as crianças possam beneficiar o melhor possível desse tempo e espaço em diálogo. Claro que eu também beneficio desse processo, pois tenho a oportunidade de exercitar o meu pensamento, de rever as minhas ideias, de pensar noutros pontos de vista e de escutar as crianças. 

    A filosofia para/com crianças é resiliente? Sim. O movimento tem cerca de 60 anos e tem resistido às mudanças e às crises. Ann Margaret Sharp relata que alguns dos projectos que encabeçava chegaram a ser perseguidos em escolas de índole mais conservadora. 

    A filosofia para/com crianças é idealista? Sim. A visão de Lipman e Sharp de estender a ideia de comunidade de investigação filosófica às salas de aula é, nas palavras de Sinek, grande, ousada e inantigível. Sabemos que a tarefa é gigantesca e que dificilmente a vamos alcançar. 

    Tenho de continuar a pensar nesta ideia da filosofia para/com crianças e jovens como uma Causa Justa, segundo o entendimento de Sinek. Irei voltar a esta reflexão. 

     

    O Jogo Infinito, de Simon Sinek, tradução de João Carlos Silva, Editora Lua de Papel

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    sentir pensamentos pensar sentidos

    O que são os encontros Sentir Pensamentos | Pensar Sentidos? 

    “Sentimos que em Portugal há lugar para estes encontros em torno da filosofia para crianças e da criatividade. Há várias pessoas ligadas à educação que desenvolvem trabalho nestas áreas e tem todo o sentido criar um tempo e espaço para nos conhecermos e para partilharmos experiências.” (joana rita sousa, VI Encontro, 2021)

     

    Joana Rita Sousa e Celeste Machado organizam, desde 2011, os encontros Sentir Pensamentos | Pensar Sentidos – filosofia para/com crianças e criatividade.

    Em 2013 aconteceu o II encontro que foi acolhido pela Área Científica de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa). O evento teve lugar por altura das comemorações do Dia Mundial da Filosofia e recebeu o reconhecimento da Comissão Nacional da UNESCO (Portugal).

    O III encontro aconteceu em julho de 2014 e teve um carácter itinerante e com múltiplas actividades: cafés filosóficos, sessões de esclarecimento para pais, educadores e professores, bem como oficinas de pensamento para crianças e jovens.

    Ainda em 2014 o encontro rumou até à Universidade do Minho para dois dias de trabalhos nos quais participaram, entre outros, Oscar Brenifier, Dina Mendonça, Tomás Magalhães Carneiro, Gabriela Castro, Magda Costa Carvalho, Rita Pedro, Teresa Santos, Ana Ayres Breysse, Nuno Paulos Tavares, Patrícia Simões, Zaza Carneiro de Moura e Maria José Barbosa. Contámos com o apoio da Sociedade Portuguesa de Filosofia.

    Em 2016 Lisboa voltou a acolher o encontro, num formato de roda de conversa, na qual participou a Associação de Professores de Filosofia.

    VI Sentir Pensamentos | Pensar Sentidos teve como proposta o tema: filosofia e comunidades online – que desafios? No dia 3 de Julho de 2021 contamos com as presenças de Vitor Lima, Lara Sayão, Elisa Oliveira, Tomás Magalhães Carneiro, comunidade filo…quÊ?, Ricardo Frias e José Maria Taramona Trigoso.

    O VI Sentir Pensamentos | Pensar Sentidos contou com o apoio da Área Científica de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) e da Escola de Pós-Graduação e Formação Avançada.

    Contámos ainda com o apoio à divulgação do Centro de Filosofia para Crianças e Jovens da Sociedade Portuguesa de Filosofia, do PNL2027, da Newmanity School, da Revista Dois Pontos, da Companhia dos Brinquedos e da Best Care Agency.  De Espanha recebemos o apoio do Centro de Filosofia para Niños.

     

    Quando acontece o próximo encontro? E onde?

    O VII Sentir Pensamentos | Pensar Sentidos está agendado para os dias 17 e 24 Maio 2025, na Biblioteca Municipal da Venda do Pinheiro, em Mafra (encontro presencial). 

     

    Horários:

    17 de Maio, das 10h30 às 17h30 – informações AQUI

    24 de Maio, das 15h às 17h – informações AQUI

    O encontro destina-se a pessoas que trabalham ou desenvolvem actividades na área da educação (escolas, bibliotecas, entre outros contextos).

    Pode participar apenas numa das datas ou em ambas.

    As inscrições são gratuitas, carecem de inscrição prévia junto da Biblioteca, através do contacto 219 668 991

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    como desenvolver pensamento crítico

    já à venda nas livrarias.

    livro e/ou ebook disponível online na Presença, Wook,  Bertrand e FNAC.

     

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    argumentos e argumentação

     

    “joana, tens algum curso sobre argumentação?” 

    Não, não tenho. No curso de Como desenvolver o pensamento crítico em sala de aula abordo o tema do argumento, mas não aprofundo.

    Porém, o meu amigo Vitor Lima (INÉF)  tem várias aulas disponíveis online e gratuitamente (obrigada, Vitor!) sobre a temática da argumentação.

    Aqui ficam as minhas sugestões para quem quer estudar argumentos e argumentação: 

    🟥 playlist com aulas do INÉF sobre pensamento crítico

    🟪 playlist com aulas do INÉF sobre problemas filosóficos 

     

     

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    🟣 consulte a agenda de formações 

    🟪 subscreva a newsletter filocriatividade

    livro à venda:  Como desenvolver o pensamento crítico das crianças – Parar, Pensar, Escutar, Dialogar

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    _ Wakelet Header (1).png

    As Histórias da Filosofia destacam poucas mulheres, ainda que a Filosofia se tenha feito de vozes de homens e de mulheres.
    No sentido de fazer um esforço para ler, conhecer e estudar Mulheres Filósofas, tenho vindo a agregar links e conteúdos sobre Mulheres Filósofas:

    • No youtube – AQUI.
    • No spotify – AQUI.
    • Curadoria de conteúdos via wakelet – AQUI.

     

    O livro Filósofas, da autoria de Fabiana Lessa e Natasha Hennemann é um excelente recurso. Foi publicado no Brasil e está disponível em ebook na Wook (e talvez noutras livrarias) e também através da Livraria Travessa (em Lisboa).

    Outra alternativa é o livro The Philosopher Queens, de Rebecca Buxton e Lisa Whiting (eds.).

    O blog Uma Filósofa por Mês é também uma referência a considerar. 

     

    Reconheço que não é um caminho fácil, este o do trazer as mulheres filósofas para as bibliografias de referência para os livros que tratam da história da filosofia. Não é fácil, é um caminho necessário. Caminhemos.

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    espreita pela janela na faz de contofoto: Livraria Faz de Conto

     

    Espreita pela Janela é um livro que convida a olhar para dentro das casas, procurando adivinhar o que lá se passa. Nem tudo o que parece, é. Nem tudo o que aparece à janela, é. Será que a velhinha amorosa é mesmo amorosa? Para saber, basta espreitar pela janela e virar a página.

     

    Katerina Gorelik, a autora do livro, presenteia-nos com momentos de humor. Nas suas ilustrações convivem dragões, lobos, capuchinhos e muitos animais. Cada dupla página cria um cenário diferente, um novo mundo que se abre aos olhos da pessoa leitora. Trata-se de um livro interactivo, na medida em que podemos mesmo espreitar pelas janelas. O movimento de virar a página equivale ao acto de entrar pela janela para pode ver, sentir, cheirar, experienciar o que se passa.

     

    Este livro materializa a ideia de que tirar conclusões precipitadas pode ser MESMO uma atitude precipitada. Sublinha também que o nosso ponto de vista é só um ponto de vista e nem sempre temos toda a informação para poder dizer o que está a acontecer.

     

    A elaboração do juízo: “E que velhinha tão amorosa se vê da janela!” está apoiada apenas naquilo que a janela nos permite ver. Ao virar a página, a velhinha deixa de ser assim tão amorosa e, de repente, já se fala de uma bruxa asssustadora.

     

    O livro de Katerina Gorelik revela-se uma excelente ferramenta para pensar e trabalhar os enviesamentos. Espreita pela Janela demonstra que o viés de confirmação está bastante presente na forma como lemos o mundo. Se eu acreditar que os lobos são maus, quando vejo um lobo pela janela, então vou pensar que estará lá dentro a fazer algo mau (por exemplo, a comer a avózinha ou o Capuchinho Vermelho). O mesmo acontece com as velhinhas: se eu tiver como crença a ideia de que as velhinhas são umas queridas, nunca vou pensar que do lado de lá da janela está uma bruxa assustadora.

     

    Outro viés que podemos trabalhar é o viés da expectativa, que diz respeito, não às minhas crenças, mas sim à antecipação que faço perante certas informações. As janelas presentes nas páginas do lado direito trazem à superfície as nosas suposições iniciais: ao ver uma parte da cena, as pessoas leitoras criam expectativas sobre o que vão encontrar se espreitarem um pouco mais. Estamos perante o viés de expectativa, onde as antecipações baseadas em pistas visuais influenciam aquilo que imaginamos.

     

    Ao abrir a janela, as pessoas leitoras podem procurar os pormenores detalhes confirmam suas suposições, ignorando os elementos contraditórios – aqui entra o viés de confirmação. Por exemplo, ao ver um lobo aparentemente feroz, podem esperar agressividade e interpretar os seus actos como ameaçadores, mesmo que o lobo esteja apenas a ajudar alguém.

     

    Além de ser um livro cuja leitura se revela divertida por nos convidar a adivinhar o que vamos encontrar do lado de lá da janela, a premiada obra de Gorelik revela-se uma excelente ferramenta para trabalhar os enviesamentos e, por conseguinte, o pensamento crítico.

     

    Ao ler Espreita pela Janela, veio-me à memória o livro Zoom, de István Bányai, que também nos desafia a pensar e a (a)largar o nosso ponto de vista.

     

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    Economia linguística?

    Preguiça?

    Pressa?

    Esperteza?

    Problema?

     

    “Mãe, posso pão?”

    Não me tenho apercebido deste tipo de perguntas nos diálogos com as crianças; mas temos de nos lembrar que as minhas oficinas convidam a pensar em voz alta e é um processo que convida à lentidão. Imagino que este tipo de perguntas que “comem o verbo” sejam mais comuns em momentos de pequenas interacções entre a criança e a pessoa adulta (ou entre crianças). 

    O facto de não ter escutado estes tipos de perguntas não me permite ignorar o fenómeno ou dizer que é irrelevante. Considero que é importante escutar as pessoas especialistas na área. 

    A jornalista Manuela Micael escreveu uma peça sobre o assunto para a CNN (16 de Fevereiro). Sem espanto algum, dou conta que as pessoas especialistas consultadas pela jornalista apresentam pontos de vista diferentes sobre a temática. 

     

    Uma oportunidade

    Sugestão: aproveitar esses momentos em que a criança diz “mãe, posso pão?” para conversar com a criança.

    Podemos perguntar: não há outra maneira de dizer isso? Ou então dizer: não falta aí qualquer coisa nisso que disseste? E não é um “faz favor” ou “por favor”.

    Conversar com as crianças, usar os momentos de conversa para apresentar novas palavras é uma excelente forma de lidar com este fenómeno. Em vez de entrarmos em pânico, vamos dedicar mais algum tempo à conversa, ao diálogo, à leitura em voz alta. Sem interrupções, sem smartphones por perto. Vamos a isso? 

     

    De fato, um grande conjunto de evidências mostra que não é a audição passiva — ou mesmo a quantidade de palavras a que uma criança é exposta — o que mais importa. É a qualidade da conversa que é importante. Ou seja, a natureza de troca, que requer ouvir e responder. É o que Hirsh-Pasek e Roberta Golinkoff chamam de “dueto de conversação”, porque “você não pode cantar sozinho”. Outro estudo aponta que, se uma conversa é interrompida por uma ligação de telefone, por exemplo, a criança não aprende uma palavra recém-apresentada a ela, mas aprenderá se a conversa não for interrompida. (via BBC, 2019)

     

    A este propósito sugiro o livro de Dina Mendonça, Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Onde é que nós íamos? Se não o encontrar na sua Biblioteca Municipal, deixe a sugestão para que possam adquirir. 

    Outra sugestão que proporciona boas conversas, é o baralho #EuPensoEuEscolho, editado pela The Happy Gang e para o qual contribui com consultoria na área da filosofia para/com crianças e jovens.

     

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    a inundação, fábula

     

    A editora fábula dedica-se a livros infantojuvenis e pretende satisfazer um público exigente e atento que procura qualidade literária e gráfica. Habituamo-nos à qualidade do catálogo da fábula. Nele descobrimos A Inundação, da ilustradora espanhola Mariajo Ilustrajo, um livro repleto de pequenos detalhes. Cada página evidencia a graciosa harmonia entre texto e a ilustração oferecendo ao leitor um livro belíssimo.

    Imaginem que a cidade habitada por animais está lentamente a ser inundada. Uma inundação? Porque terá acontecido? Choveu assim tanto? A cidade estava um pouco molhada. Ninguém deu muita importância.  Alguns animais divertiam-se com a situação … chapinhavam nos pequenos charcos de água, outros encontravam a oportunidade de usar as galochas e até a escola parecia mais divertida. Gostas de caminhar chapinhando nas poças de água? Afinal, de onde viria aquela água? Seria possível escoar toda aquela água? 

    As vidas dos habitantes continuavam “ao seu ritmo natural, para cima e para baixo”, sem ninguém dar grande relevância ao que estava a acontecer. Pouco a pouco a diversão deu lugar à preocupação.  Havia um problema por resolver. Quando é que poderemos afirmar que estamos perante um problema? O problema será entendido da mesma forma por todos? 

    O que alguns temiam, aconteceu! A água atinge uma altura desmesurada e todos concordam que é necessário reunir sinergias para encontrar uma solução. Conseguirão? 

    Os livros perguntadores podem não apresentar perguntas na capa ou mesmo no interior, durante a leitura de A Inundação, encontramos duas perguntas explícitas – por perguntas entendemos uma frase que termina com um ponto de interrogação -, mas nele habitam muitas perguntas. 

    Os livros perguntadores são livros que nos convocam a curiosidade, ampliam o pensamento e proporcionam uma certa tensão na leitura. É um livro que nos inquieta, que chama por nós, que incomoda, que nos induz no exercício da incerteza e imaginação, que amplia a nossa curiosidade e que faz perguntas. Um livro perguntador resulta num trampolim no sentido da construção de sentidos e da exploração de significados, seja do texto escrito, da ilustração, do formato do livro ou das guardas. Em A Inundação encontramos a peculiaridade do elemento cor, esta marca o ritmo, mas também nos suscita perguntas: A água tem cor? Que quantidade de água existe no mundo? Onde poderemos guardar a água? Quem pode viver dentro de água?

     

    (Júlia Martins)  

     

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    Assisti recentemente a um webinar intitulado Educating Ethically During Polarized Times, disponibilizado pela Harvard Business Publishing Education. 

    Meira Levinson foi a oradora deste webinar que abordou questões pertinentes sobre a impossibilidade de sermos neutros. Eis algumas perguntas que foram levantadas durante o webinar: 

    Como lidar com visões polarizadas em sala?

    Como tomar consciência dessa polarização?

    Que assuntos encaramos como “abertos” e que assuntos encaramos como “fechados”?

    Qual o papel das nossas crenças e convicções nessas apreciações? 

     

    A propósito destas temáticas, foram partilhados dois artigos cuja leitura recomendo. A saber:

    The World Is Politically Charged. Bring Those Conversations into the Classroom;

    How to Encourage Respectful Discord in Your Classroom

     

    Boas leituras!

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    A propósito do projecto NHNAI, irá realizar-se uma oficina para crianças dos 7 aos 11 anos que convida a pensar o que faz de um ser humano um ser humano?

    A oficina tem tem lugar no dia 8 de março, pelas 9h30, no Hotel NH Campo Grande. As inscrições são limitadas e por isso é necessária inscrição prévia.

     

    Durante o dia haverá outros momentos para pensar e dialogar sobre o ser humano. Consulte o programa completo AQUI.

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    Em 1979 Italo Calvino, considerado um dos maiores escritores do século XX escreve “Se numa noite de Inverno um viajante” um romance com uma arquitetura original. Ao longo de doze capítulos, numa estrutura não linear e numa cartografia de cruzamentos e desencontros, de histórias dentro de histórias, de surpresas deliciosas e desprezíveis temos o prazer de conhecer a personagem principal, o leitor. 

    A voz do personagem leitor é uma voz exigente, curiosa e conselheira: Estás a começar a ler o novo romance Se numa noite de Inverno um viajante de Italo Calvino. Descontrai-te. Recolhe-te. Afasta de ti todos os outros pensamentos. Deixa esfumar-se no indistinto o mundo que te rodeia. A porta é melhor fechá-la; lá dentro a televisão está sempre acesa. Diz aos outros: “Estou a ler! Não quero que me incomodem!”. 

    Ao longo das várias páginas acompanhamos um jogo entre o “leitor(a)” e o livro. O leitor faz parte da obra: “apareceste pela primeira vez ao Leitor numa livraria, ganhaste forma destacando-te de uma parede de estantes, como se a quantidade dos livros tornasse necessária a presença de um Leitor”. 

    Ler “Se um viajante numa noite de inverno” é um verdadeiro desafio para o leitor, o qual é desafiado a pensar a literatura partindo da própria literatura.

     

    Se numa noite de Inverno um viajante, de Italo Calvino (Edições Dom Quixote)