filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    hoje partilho sugestões de livros para quem trabalha na área da filosofia para / com crianças ou procura introduzir momentos de diálogo filosófico na sua prática de sala de aula. 

    – a máquina dos ses, de peter worley (edições 70)

    – brincar a pensar, de dina mendonça e maria joão lourenço (plátano editora)

    – livro do professor e histórias para pensar, de maria josé de figueiroa-rego (piaget) 

    – colecção pequenos filósofos, de oscar brenifier (edicare)

    – o livro dos grande opostos filosóficos e o amor e a amizade, ambos de oscar brenifier (edicare) 

     

    boas compras, boas leituras e… bons diálogos! 

     

    a feira do livro de lisboa e do porto têm as portas abertas até 12 de setembro.

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    Desde que a pandemia COVID-19 começou temos tido a preocupação de criar novas soluções, ferramentas e recursos de apoio às escolas neste processo de rápida adaptação.

    Embora todos tenhamos dado o nosso melhor, sabemos que este momento teve muitos impactos nas escolas, professores e alunos e que é preciso refletir-se sobre quais as oportunidades e soluções que podem ser agora colocadas em práticas.

    “Educação Pós Pandemia: Um guia para desafiar as escolas” é o resultado do trabalho colaborativo realizado com diferentes especialistas, personalidades e intervenientes no processo educativo que com o seu testemunho contribuem para uma reflexão informada e esclarecida.

    Brevemente, o livro estará disponível com o ambição de poder ser um contributo para a reflexão.

    Sérgio Ferreira Félix, Adelino Calado, Mafalda Almeida Ribeiro (EDThink)

     

     

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    se procura desenvolver o pensamento crítico e/ou iniciar as suas leituras de textos filosóficos, deixo 5 sugestões para a sua lista de compras na feira do livro.

    – pensar de A a Z, de nigel warburton

    – a arte de pensar com clareza, de rolf dobelli

    – meditações, de marco aurélio

    – a condição humana, de hannah arendt

    – para que serve a filosofia, de mary midgley

     

    a feira do livro de lisboa e a feira do livro do porto  acontecem de 26 de agosto a 12 de setembro, no parque eduardo vii, em lisboa e nos jardins do palácio de cristal, no porto. 

     

    boas compras e boas leituras!

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    corria o ano 2020 quando conheci o projecto @istonaoefilosofia, o Vitor e a Evelyn, no seu canal YouTube.

    acompanhei as aulas 👩🏽‍💻 do curso de história da filosofia e inscrevi-me quando abriu a turma #1 do curso Pensando Bem.

    quem me conhece sabe que sou praticante do pensamento crítico e considero que para poder moderar as minhas oficinas de filosofia [filocriatividade] é importante que EU seja assídua no ginásio do pensamento.

    no INÉF encontrei uma comunidade de pessoas que se dedicam a esta prática, comprometidas com virtudes intelectuais e com quem tenho criado formas de trabalho do pensamento e do diálogo filosófico.

    📌 o curso Pensando Bem vai abrir a 4.ª turma e a informação já se encontra disponível aqui: https://bit.ly/inef_pensandobem  

    encontramo-nos por lá? 

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    esta é uma afirmação que se repete com alguma frequência entre as pessoas que trabalham no âmbito do diálogo filosófico. eu própria já a terei proferido e tenho a noção que é uma frase apelativa e que convida todas as pessoas a arriscar respostas. porém, há problemas nesta afirmação – sobretudo se não houver um enquadramento para a mesma. 

     

    da utilidade da filosofia

    é comum reconhecer-se inutilidade à filosofia e por isso pensar que com ou sem ela tudo vai dar ao mesmo. o Alves Jana escreveu em tempos um artigo sobre a questão da utilidade da filosofia: 

    Um dia, não há muito tempo, li a afirmação por um pseudo-filósofo (digo eu) de que “Não é possível ensinar a pensar, porque todos nós já pensamos”. Parece brilhante, parece uma verdade evidente, mas não é verdade.

    É verdade que todos nós respiramos, andamos, falamos… mas precisamos de aprender a respirar, a andar, a falar… se formos para o teatro, se quisermos desfilar na passerelle, se precisarmos de falar em público. E todos nós temos emoções, naturalmente, mas a inteligência emocional permite-nos viver as emoções de um modo melhor – melhor para si e melhor para os outros.

    Todos nós pensamos, mas também todos nós precisamos de melhorar a forma de pensar. E alguns precisam de melhorar muito, porque, bem vistas as coisas, não pensam, apenas dizem coisas que andam por aí pensadas por outros. E, na maioria das vezes, quando falam começam por dizer “Na minha opinião muito pessoal…” e depois mostram que não pensam, apenas reproduzem falas normalmente indigentes.

    A filosofia é, entre outras disciplinas, um caminho para melhorar o modo de pensar. 

     

    ao reler este texto do Jana recordo também os pais que não inscreveram os filhos na actividade de filosofia que se chamava “Aprender a Pensar”, pois segundo eles os filhos já pensavam. porém, tal como diz o Jana – e neste caso, a Joana Rita – o pensamento é algo que pode ser melhorado.

    neste ponto eu sou fã do walk the talk e procuro constantemente essa melhoria do meu pensamento. como? treinando com outras pessoas engajadas no filosofar, fazendo formação na àrea, criando espaços de diálogo, lendo e fazendo exercícios.

    não só defendo que o pensamento pode ser melhorado, como essa melhoria que se consegue tem de ser treinada para evitar que se caia em vícios de pensamento, falácias ou alguma ferrugem no pensar. 

    foi precisamente durante uma formação que surgiu a questão das respostas certas e erradas e resolvi pensar e escrever sobre o tema. para o efeito, recuperei o texto do Jana e fiz algumas perguntas a dois filósofos com quem tenho trabalhado (Vitor Lima e Jose Barrientos Rastrojo) e também numa daquelas sondagens do instagram – isto só para perceber qual é o entendimento do público em geral, através de uma amostra pequena dos seguidores da filocriatividade

     

    das respostas certas e das respostas erradas 

     

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    a maioria das pessoas concordou com a afirmação. poucas apresentaram a sua justificação na story seguinte:

    • “há perspectivas teóricas divergentes” 

    • “quando o diálogo está se construindo existem respostas coerentes e não coerentes”

    • “as respostas devem ser avaliadas e há mecanismos da filosofia para o fazer”

    • “independente da resposta, ela deve sempre gerar uma reflexão, novas descobertas e pontos de vista”

    • “os nossos pontos de vista não são certos nem errados” 

    (sobre esta última justificação, saltou uma pergunta na minha cabeça: e se o ponto de vista for “a terra é plana?” podemos dizer que não está certo nem errado, é só um ponto de vista?)

     

    quando iniciamos um diálogo filosófico e partimos de uma pergunta ou de um recurso a partir do qual iremos fazer perguntas, não podemos dizer quais são, à partida, as respostas certas e as respostas erradas. eu não sei como é que vamos trabalhar o conteúdo da pergunta, nem quais são os argumentos que vão ser utilizados.

    sim, posso preparar-me para o diálogo e desenhar possibilidades, porém não sei à partida se a pessoa X ou Y vai dar uma resposta certa ou errada.

    o que tenho são ferramentas que me permitem avaliar as respostas que vão surgindo – incluindo as minhas próprias respostas. 

     

    o diálogo filosófico e os tipos de acordo entre os participantes

    passo a palavra ao Vitor Lima (INÉF) para esclarecer o tipo de acordo que surge no âmbito de um diálogo filosófico:

    Não devemos defender que num diálogo filosófico não há respostas certas, nem erradas, por dois motivos: há acordo consensual e não substancial sobre respostas certas; há acordo consensual e não substancial sobre respostas erradas. É preciso explicar o que é consensual e substancial. Consensual é algo adotado pela maioria dos filósofos. Substancial é uma ideia propositiva e construtiva — pode ser um argumento para provar uma tese, um conceito para descrever um fenômeno, uma formulação de um problema para resolver uma questão. Não ser substancial é ser uma ideia negativa ou transversal. Negativa é uma ideia que critica outra. Transversal é uma ideia não principal dentro de um problema, de um argumento ou de um conceito.

    nesse sentido, Vitor, como encaramos as respostas erradas? 

    Ser uma ideia negativa é ser uma que defende que um argumento é falho, um conceito tem furos, a formulação de um problema é não satisfatória. Um ideia negativa ataca outras ideias. Por exemplo, a teoria verificacionista do significado, segundo a qual uma proposição só tem significado se pode ser verificada empiricamente é consensualmente considerada falsa pelos filósofos. Algo pode ter significado, ainda que não seja verificável empiricamente. Aliás, a própria ideia verificacionista não é verificável empiricamente e, nem por isso, deixa de ter significado. Esse é um acordo consensual sobre uma ideia errada. Portanto, há acordo consensual e não substancial sobre respostas erradas.

     

    e as respostas certas, Vitor?

    Ser uma ideia transversal é ser uma ideia que estabelece distinções meramente instrumentais. Por exemplo, no problema do mal (isto é, como conciliar a existência de um Deus onipotente, onisciente, onipresente e todo benevolente com o mal no mundo?), a distinção entre mal moral (causado pelo homem) e mal natural (um ato não intencional da natureza) é amplamente aceita. É uma ideia consensual, mas não substancial. Portanto, há acordo consensual e não substancial sobre respostas certas.

     

    Vitor, se não há um grande número de respostas consensuais entre os filósofos, isso significa que não há de todo respostas consensuais? 

    Do fato de não haver um grande número de respostas consensuais, não significa que não há respostas consensuais em absoluto em Filosofia. Vimos que há consenso, embora não substancial. Isso, porém, também não significa que a investigação filosófica seja um questionamento perpétuo cujo intuito seja a discussão pela discussão. Quando nos perguntamos pelo conceito de Justiça, é porque queremos encontrar a resposta certa para guiar nossas decisões coletivas, não porque queremos brincar de discutir. Quanto defendemos um argumento ontológico materialista, a intenção é descobrir a estrutura fundamental da realidade e não apenas brincar de discutir. Quando formulamos o problema do livre arbítrio, é porque queremos estabelecer a melhor maneira de compreender as variáveis envolvidas na questão, e não apenas brincar de discutir.

    Haver respostas certas e erradas no diálogo filosófico é o que faz dele algo realmente filosófico e não meramente um jogo verbal. O ato de filosofar não almeja simplesmente o questionamento pelo questionamento, mas sim encontrar as respostas para os problemas mais fundamentais da realidade. Respostas certas, não erradas.

     

    assinalei a negrito um dos pontos chave da resposta do Vitor e que defendo na minha prática. o meu papel enquanto facilitadora ou guia do diálogo é ajudar o grupo a encontrar a resposta mais razoável – tal como nos diz o título do livro de Reznitskaya e Wilkinson: The Most Reasonable Answer

    e como encontrar essa razoabilidade nas respostas?

    passo a palavra a Peter Worley e ao seu mais recente livro Corrupting Youth (vol 1, p. 12):

    (…) in philosophy, the best answers in respect of candidacy to being true, acceptable, possible or morally right are the best in virtue of the quality of the reasoning behind them and how the reasoning accords with or challenges our intuitions. That notion of towards [the most reasonable answer] does not mean that the most reasonable answer is always or automatically correct or true (etc.), and it is this sensitivity that makes all answers in philosophy therefore provisional: they remain – however good – open to revision or rejection

    This provisionality is, in the best examples, what most people mean when they say “there are no right or wrong answers in philosophy”. But however well-intentioned, it remains an inaccurate and misleading phrase.

     

    a minha sugestão é que se abandone esta formulação, pois ainda que possa ser bem intencionada, pode ser mal interpretada e é pouco precisa, tal como nos diz Peter Worley. 

    na conferência Philosophizing Together, Peter Worley sublinhou ainda que: 

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    *

    quando pedi a colaboração do Vitor Lima e do Jose Barrientos Rastrojo para este artigo, a minha pergunta foi: “porque é que não devemos dizer que num diálogo filosófico não há respostas certas nem erradas?”  a minha pergunta já tinha como pressuposto que esta ideia deve ser evitada, a de que não há respostas certas nem erradas. 

    passemos a palavra ao Pepe Barrientos, autor do livro Hambre de Filosofia, que parte de um exemplo actual: 

    La vida práctica exige respuestas justificadas por y fundadas en razones porque tenemos que tomar decisiones. Por ejemplo, si a un hospital llega una persona de ochenta años y otra de veinte con cuadros muy graves de COVID-19 y sólo hay un respirador, el médico ha de tomar una decisión rápida; en caso contrario, la vida responderá por él de la forma más fatídica para los dos pacientes. Ahora bien, la Filosofía (Aplicada) se dedica a entrenar a ese médico y a otras personas, para poder elegir de la mejor forma de actuar en este y otros casos graves.

    Esta ejercitación filosófica entrena en , primero, ser hábil para analizar cada una de las dos posibilidades del médico; segundo, crear terceras vías que puedan integrar las anteriores; tercero, introducir una razón crítica (más allá de la instrumental) que permita analizar los fines de la acción concreta; cuarto, estudiar si existen modos no racionalistas o lógico-argumentales de pensar, que puedan forjar una respuesta alternativa a la mediada por la razón occidental; quinto, estudiar las dimensiones estructurales y biopolíticas de nuestras determinaciones; sexto, determinar no sólo la decisión sino los criterios (metacognitivos) que determinan nuestra acción e incluso, séptimo, conocer las determinaciones sensológicas de nuestra decisión.

    Todo esto exige un entrenamiento donde no se buscan respuestas válidas o incorrectas sino el proceso para generarlas y la ejercitación para conseguirlas. Este entrenamiento es próximo de una Filosofía Experiencial, de una Filosofía Aplicada o de una Filosofía para/con Niñ@s. Como señalaba Foucault en la “Microfísica del poder”: ““El intelectual no puede seguir desempeñando el papel de dar consejos. (…) Lo que el intelectual puede hacer es dar instrumentos de análisis (…). Ahí está el papel del intelectual. Y ciertamente no en decir: esto es lo que debéis hacer”

     

    o Jana sublinha a importância de não defender que “vale tudo”: 

    É imprescindível afirmar que nem todos os pensamentos se equivalem. (…) Vivemos um pensamento mole, incapaz de distinguir o que é distinto. No entanto, já Aristóteles nos tentou ensinar, há muito tempo, que nem todos os pensamentos se equivalem, tanto do ponto de vista lógico como do ponto de vista ético e político.

     

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    as ferramentas que a filosofia nos dá para procurar a resposta mais razoável

    no seguimento do que defende Pepe Barrientos, a filosofia exige um treino para encontrar as respostas válidas ou incorrectas, bem como para levar a cabo os exercícios que decorrem dessa busca. 

    as ferramentas que a filosofia coloca à nossa disposição são a lógica, a clareza, a argumentação, bem como as virtudes intelectuais (humildade, curiosidade, autonomia, tenacidade, coragem, integridade).

    estas ferramentas permitem-me trabalhar sobre o pensamento dos outros – e também sobre o meu próprio pensamento. este trabalho inclui identificar argumentos, problematizar, conceptualizar, resumir / sintetizar, interpretar e também avaliar as ideias que surgem. sim, avaliar quais são as respostas mais razoáveis e com as quais podemos seguir e aquelas que temos de colocar de parte, por não serem adequadas ou válidas. 

    avaliar as respostas é um trabalho que implica honestidade e clareza nos critérios que são considerados.

    trata-se de um trabalho sério, ainda que seja apresentado de forma lúdica ou ainda que possa partir do jogo. a ideia de Brincar a Pensar é colocada pela Dina Mendonça e pela Maria João Lourenço no título do seu livro e por Angélica Sátiro na sua proposta Jugar a Pensar.  a filosofia é uma brincadeira muito séria

     

    O objectivo filosófico, neste campo, é cada um de nós, a começar por “mim”, sejamos capazes de viver segundo o mantra: ser capaz de pensar hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje. E, tanto quanto possível, numa procura partilhada.
    Como numa roda da filosofia. (Alves Jana

     

    os diálogos filosóficos, as oficinas de filosofia, são difíceis, pois

    1) exigem um trabalho que não é natural: parar para escutar e para pensar e

    2) convidam os participantes a falar sobre o seu posicionamento. 

     

    este trabalho de pensar, de escutar, de falar, pensando as ideias, tomando respostas como válidas ou como inválidas – é este trabalho que distancia o diálogo filosófico de uma conversa de café, entre amigos que só estão focados em conviver e não em analisar com profundidade os temas.

    em suma e correndo o risco de me repetir: a filosofia dá-nos ferramentas para analisar, criar, recriar pensamento, a partir das minhas ideias e das ideias dos outros – mesmo daquelas pessoas com as quais não concordo ou que se posicionam num quadrante que não é o meu. 

     

    artigo publicado a 26.08.2021 e actualizado a 24.06.2022

     

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    comunidade as pensadoras

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    A Escola As Pensadoras é estruturada virtualmente e tem como objetivo oferecer formação feminista e estudo do pensamento de mulheres guiados por mulheres intelectuais, através de cursos de formação complementar e com certificação própria. Realizamos também parcerias com Instituições Públicas e Privadas. Trabalhamos com uma proposta de pedagogia feminista, cuja prática estabelece o diálogo interdisciplinar comunitário e promove a formação de pensamento emancipatório. Apresentamos uma agenda democrática com cursos de curta, média e longa duração, oferecendo um currículo, cuja concepção, é emancipadora, feminista e plural. Mais de sete mil alunas já passaram pela Escola em 2020, que acolheu cursistas de 14 países.

     

    visite o website e acompanhe a escola e os cursos, bem como a comunidade e os lançamentos de livros. 

     

    uma filósofa por mês

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    sou fã do projecto uma filósofa por mês e foi amor à primeira vista. visito regularmente o blog e oiço os podcast. o trabalho da equipa é incrível: estudo e recolha de bibliografia de mulheres filósofas, partilha do seu pensamento. este colectivo está a desafiar o modo de fazer filosofia e também aquilo que entendemos como filosofia, o que está ou não no cânone e o que significa ser filósofo/a. 

    pode acompanhar o projecto no instagram e no spotify. aposto que vai descobrir imensos nomes desconhecidos de mulheres filósofas! 

     

    duas filósofas 

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    Laura e Bárbara são duas filósofas que se juntaram para criar um curso sobre uma introdução às mulheres na história da filosofia.  conheci o projecto no instagram e estou muito curiosa com o curso. pode saber mais AQUI

     

    rede brasileira de mulheres filósofas 

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    uma rede brasileira de mulheres filósofas que impulsiona a partilha dos trabalhos das mulheres que investigam na área da filosofia.  recomendo a leitura atenta do separador “notícias” no site, onde é partilhado conteúdo diversificado sobre mulheres filósofas e o seu trabalho de pesquisa, publicações, entre outros.  foi através da Rede que descobri que o livro Filósofas estava quase, quase a ser publicado. também recomendo uma visita ao seu canal youtube

     

     

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    joana rita #filocriatividade

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    tinha um vizinho surdo e cresci com o desafio de comunicar com ele. era algo bastante natural: usar os gestos que ele ensinava, falar mais devagar (para que pudesse ler os lábios), escrever algo no papel, apontar… enfim, foram várias as tácticas que usámos e o facto de ele ser surdo e de eu ser ouvinte não foi um obstáculo à comunicação.

    há uns anos decidi aprender língua gestual portuguesa (lgp). fiz dois níveis na Associação Portuguesa de Surdos, o que me permitiu conhecer a Susana, o João, o Tiago e a Sarah. a partir daí, nas minhas oficinas de filosofia comecei a acompanhar algumas palavras com os gestos. o que é curioso é que algumas pessoas reparam, pois estão sensibilizadas para a lgp e perguntam-me: “a Joana trabalha com crianças surdas?”

    não trabalho com crianças surdas, ainda que já tenha tido oportunidade para o fazer. porém considero que é uma mais valia para as crianças aprenderem lgp. não sendo a minha intenção ensinar-lhes, introduzo alguns gestos de forma muito consciente, por exemplo, o gesto da palavra silêncio, ou do verbo ouvir, da palavra filosofia. em junho participei num evento da Imaginar do Gigante onde havia intérprete de lgp e fiquei muito contente, pois não é comum.

    por vezes encontro escolas onde o alfabeto é apresentado na companhia do gesto em lgp, tal como propõe a metodologia EKUI.  permitir que as crianças sejam familiarizadas com a lgp desde cedo amplia a sua capacidade comunicativa e sensibiliza para a existência de crianças que não ouvem e que comunicam de outra forma.  

    se aí por casa considera aprender uma língua nova fica a sugestão: aprenda lgp!

     

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    joana rita #filocriatividade

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    “O objetivo do II Colóquio Internacional de Pesquisa em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é promover a visibilidade de pesquisas de filósofas de diferentes áreas, países e regiões do Brasil.” 

     

    inscrições AQUI / submissão de propostas de comunicações até ao dia 3 de Setembro de 2021.

    *

    está inagurada uma nova rubrica/tag aqui no blog dedicada às mulheres filósofas. desde há um ano para cá que assumi o compromisso de dar visibilidade às mulheres filósofas: àquelas que são minhas contemporâneas e àquelas que ficaram de fora dos manuais da história da filosofia. 

     

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    (Ari) Pode ser que tudo desarrumado seja a arrumação certa. Já me vi no meio de situações muito desarrumadas e percebi serem melhores do que outras que eu julgava arrumadas… Um poste de electricidade, por exemplo, parece uma coisa mais arrumada do que uma árvore, com aquela confusão de folhas e, no entanto, a barafunda das folhas é a mais bonita. acho que também está arrumada, mas de uma maneira que nós não percebemos muito bem.

    Barafunda, de Afonso Cruz, Isabel Bernardes e José Cardoso (editorial Caminho)

     

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    “O ideal de comunidade é que todos os membros estejam envolvidos de uma forma ou de outra, mas não da mesma forma.”

     

    Laurance Splitter e Ann Margaret Sharp, Uma nova educação, p. 55

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    visitei recentemente o museu do ar, em pêro pinheiro e aproveitei para colocar em prática o #perguntarolugar.

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    aqui ficam as perguntas perguntadas durante a visita: 

    – o cérebro humano tem asas?

    – as ideias podem voar para parte incerta?

    – voar é uma obsessão dos humanos?

    – voar é uma forma de dominar?

    – o ceú conhecerá um fim?

    – a obsessão humana é infinita?

    – andar é uma forma de voar?

    – será que o ser humano é um ser eternamente insatisfeito?

    – a guerra seria diferente sem aviões? 

    – viajar é um desejo antigo? 

    – o que é novo quando viajamos várias vezes para o mesmo sítio?

    – as viagens mais marcantes são as mais longas?

    – é possível viajar para longe sem sair do mesmo sítio?

    – é possível ficar no mesmo sítio e viajar?

    – o tempo da viagem e o tempo do dia-a-dia é diferente? 

    – o que permanece quando regressamos de uma viagem?

    – viajamos para regressar?

     

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    há dias vi esta publicação do José Luís Peixoto sobre uma nova rubrica no seu instagram e blog: #escreverolugar:

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    diz JLP :

    “(…) a ideia que aqui partilhei há dias sobre poemas escritos no lugar a que se referem. Apesar de ainda só ter dois pequenos poemas, esta ideia parece ter potencial para se tornar num projeto importante para mim. Criei o hashtag #escreverolugar e convido-vos a partilhar os vossos próprios textos com este hashtag, desde que respeitem o princípio essencial de terem sido escritos no lugar e tempo a que se referem. Podem publicar o poema diretamente ou, como eu faço, a indicação acerca de onde pode ser lido. Estou curioso por ver se alguém dará continuidade a esta ideia. Para os meus textos pessoais, usarei também #jlpinsitu (No caso de o link já não estar ativo, procurem diretamente no site http://www.joseluispeixotoemviagem.net ) Muito obrigado pela leitura.” 

     

    esta ideia de #escreverolugar fez-me pensar noutra ideia: #perguntarolugar. o princípio é o mesmo do JLP e passa por parar no lugar onde estamos, que escolhemos, para fazer perguntas e registá-las num caderno ou nas notas do telemóvel.

    que perguntas nos fazem o lugar onde estamos?

    que perguntas fazemos ao lugar onde estamos?

    será que há perguntas que se repetem em lugares diferentes?

    que perguntas fazemos pela 1.ª vez num dado lugar? 

    há perguntas que nos perseguem de lugar em lugar? 

     

    o desafio está lançado: aproveite as férias ou o facto de não estar de férias e aproveite para criar o seu diário de perguntas e para praticar o #perguntarolugar. eu já comecei a praticar e vou partilhar em breve as perguntas que a minha visita ao museu do ar me provocou. 

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    partilhe as suas perguntas comigo (encontra o meu e-mail neste blog) ou nas redes sociais, usando #perguntarolugar nas suas partilhas e (uma vez no instagram) fazendo tag à filocriatividade para que eu possa partilhar com a minha comunidade. vamos a isso? 

     

    *

     

    #perguntarolugar foi o desafio lançado no mês de Agosto aos membros do #ClubeDePerguntas. se quiser fazer parte deste Clube e receber desafios perguntadeiros no seu e-mail, a partir de Setembro, informe-se aqui. nota: os desafios são diferentes, de mês para mês.

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    há uns anos, num trabalho de continuidade de filosofia no 1.º ciclo, falávamos sobre a temática dos sonhos, se são reais ou não.

     

    houve pensamentos diversos sobre o tema e recordo-me que fiz um ponto de situação deste género:

     

    – então vamos ver que ideias temos aqui no grupo: há um conjunto de pessoas que acham que os sonhos são reais e…

     

    [um dedo no ar surgiu na sala, acompanhado de olhos arregalados]

     

    terminei o meu raciocínio e passei a palavra à pessoa do dedo no ar e olhos arregalados.

     

    – joana, não é “acham que”. nós pensámos mesmo nisso, não estamos só a achar.

     

    recentemente conheci o trabalho de Marilena Chauí e o seu livro “Convite à Filosofia”.

     

    ao ler esta passagem viajei até àquele momento em sala, do qual nunca mais me esqueci e que muito me fez e faz pensar.

     

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    joana rita #filocriatividade

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    “Dizem que os adolescente não sabem nada sobre a vida.

    Por isso, nos casos raros em que sei alguma coisa, faço questão de não dizer a ninguém.”

    coisas que acontecem, de Inês Barata Raposo e Susa Monteiro (bruáa editora) – recomendado pelo PNL2027

     

    [um excelente livro para pensar a amizade, a perda, a saudade e a saúde mental. recomendo em particular para o público adolescente.]

     

     

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    em agosto, mais exactamente na manhã do dia 28 (sábado) estoud e volta à oficina L.O.C.A.L para uma oficina para avariar e consertar as palavras.

    Conseguimos comunicar sem palavras? Como é possível que a mesma palavra tenha significados diferentes? Será que podemos reutilizar as palavras? Haverá palavras com significados avariados? Já que estamos numa oficina, vamos aproveitar para rodar as perguntas, avariar e consertar as palavras.

    informações e inscrições através da oficina L.O.C.A.L 

     

    * oficina presencial, ao ar livre, em Carnide, com inscrições limitadas