filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    Hoje, dia 20 de Novembro, comemora-se o Dia Mundial da Filosofia. 
    Ainda que comemore a Filosofia todos os dias, gosto de pensar nesta efeméride como uma boa desculpa para convidar as pessoas à minha volta para filosofar.
    Muitas vezes esse meu convite assume o formato de um livro, pois recomendo livros que podem ser trampolins para parar, pensar, escutar e dialogar.
    Citando um amigo filósofo, Vitor Lima (INÉF), Filosofia é um verbo. Para nos ajudar a conjugar esse verbo podemos ler obras de pessoas que fazem parte das Histórias da Filosofia, outras que não têm lugar nesses compêndios. Podemos conjugar o verbo a partir de um livro no qual não encontramos sequer a palavra Filosofia.
    A conjugação desse verbo pode ser intergeracional: entre avós e netos, entre pais e filhos. Pessoas de diferentes idades juntam-se para ler e pensar a partir dessa leitura partilhada.
    O pensamento pode acontecer em forma de perguntas que são convites para investigar, para explorar possibilidades, para esclarecer, para aprofundar.

    Para quem pretende aprender sobre a História da Filosofia
    A novela gráfica criada a partir do texto de Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia (Elsinore), é uma boa porta de entrada para as ideias que habitam as Histórias da Filosofia. O romance foi publicado há muitos anos pela Presença e marcou-me bastante, pois acompanhou os meus primeiros passos como estudante de Filosofia no ensino secundário. 
    Olá, Consciência!, de Mendo Henriques e Nazaré Barros (Objectiva) desenham-nos linhas de pensamento que ganharam relevância ao longo dos tempos. 
    Grandes Ideias para Mentes Curiosas (The School of Life, Minotauro), O que é a filosofia? (António de Castro Caeiro, Tinta-da-China) e o livroGrande História Visual da Filosofia de Masato Tanaka e Tetsuya Saito (Marcador) são outras sugestões a ter em conta. 
    Gostaria apenas de deixar uma nota: regra geral, as Histórias da Filosofia são pobres na presença de mulheres filósofas. Por isso, para equilibrar a balança, recomendo a leitura da obra Filósofas, de Fabiana Lessa e Natasha Hennemann (foi publicado no Brasil e está disponível através da Livraria Travessa, em Lisboa). Também poderá ler The Philosopher Queens, de Rebecca Buxton e Lisa Whiting (eds.). ou fazer o download gratuito desta obra organizada por Juliana Pacheco.

    Para quem pretende filosofar na companhia das crianças

    A Contradição Humana, de Afonso Cruz (Caminho), continua a ser um dos meus livros preferidos de sempre para pensar a humanidade. Vamos conhecendo várias pessoas com as quais temos muito em comum: fazem coisas contraditórias. Ou coisas ao contrário, como dizia uma criança numa oficina do 1.º ciclo. 
    A proposta de Victor D. O Santos, com ilustração de Anna Forlati, O que nos torna humanos (Fábula) é um convite para pensar a humanidade, tal como acontece com o livro anterior.
    Laura Luz Silva e Ana Luísa Oliveira criaram O Labirinto dos Sentidos que alia a filosofia à neurociência. No site da editora, Fábula,  é possível encontrar sugestões e guiões de experiências e de conversas para as famílias ou para a escola. 
     
    Para quem pretende filosofar com humor
    O humor tem o seu quê de filosófico por nos convidar a (re)pensar a noção do óbvio. A filosofia convida ao espanto em torno das coisas que nos parecem óbvias e isso é algo que faz sorrir e até mesmo rir. Rir das outras pessoas e também de nós.
    A Pequena Filósofa, de Quino (Iguana), é um compêndio de tiras filosóficas protagonizadas por uma criança. Pode ler-se no site da editora: “Com apenas seis anos, a Mafalda questiona o mundo com uma lucidez que desarma adultos e crianças. Entre perguntas desconcertantes e reflexões bem-humoradas, ela denuncia injustiças, desafia o statu quo e exige respostas — sempre com um laço no cabelo e uma dose saudável de sarcasmo.” 
    David Erlich publicou um livro cujo título já dá vontade de rir, A Bebedeira de Kant (Planeta de Livros). 

    Boas leituras e bons diálogos!

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    Sou uma consumidora ávida de podcasts e de outros recursos que me inspiram na minha prática da filosofia para/com crianças e jovens e que me permitem ampliar o pensamento.

    Procuro ler artigos ou livros, escutar podcasts ou ver documentários que me levem para fora de pé da minha área de trabalho e de especialização.

    Não sei se faço um verdadeiro esforço ou se é simplesmente a curiosidade e a disponibilidade a guiar-me. Talvez seja a minha forma de me encontrar com a serendipidade ou de deixar que o meu cérebro faça associações inesperadas e brinque com as ideias.

    Hoje partilho consigo alguns recursos que podem ser úteis para as aulas de história, de ciências, de literatura e de filosofia, e também de português.

    Bom, o melhor é ler as sugestões e ver o que se adequa aos conteúdos da sua cadeira ou módulo, bem como ao grupo de crianças e jovens com o qual vai trabalhar.

    Fricção Científica: um podcast da Antena 3 que divulga muitos estudos sobre os mais variados temas. Vale a pena acompanhar a Isilda Sanches neste conteúdo de divulgação científica.

    Vamos todos morrer: Hugo van der Ding celebra o aniversário da morte de uma figura mais ou menos pública. Em cada um dos episódios não só ficamos a conhecer as pessoas falecidas, mas também curiosidades sobre a sua vida, a sociedade e a cultura na qual estavam inseridas.

    A Conspiração:  um documentário sobre os movimentos, as ideias, as vontades, os receios, a coragem e o medo do processo que resultou no 25 de Abril de 1974. Realização de António-Pedro Vasconcelos, disponível na RTP Play.

    Deus Cérebro:  quatro episódios para descobrir como funciona o nosso cérebro. O 1.º episódio desmistifica a ideia da razão e da emoção como tendo lugares distintos no nosso corpo. Spoiler Alert: acontece TUDO no cérebro. Disponível na RTP Play.

    RTP Ensina: aqui encontra inúmeros recursos agrupados por temas (cidadania, português, história, filosofia… entre outros).

    Tanto Mundo: um podcast sobre lugares, com José Luís Peixoto e Noémia Gonçalves. Um excelente recurso para viajar através da escuta.

    Isto Não É Filosofia: Vitor e Evelyn Lima partilham neste canal YouTube inúmeras aulas sobre história da filosofia, bem como sobre os problemas dos quais a filosofia se ocupa.

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    “Então, mas demorámos estas aulas todas para chegar a esta conclusão? Não podias ter dito logo, Joana?”, disse-me o Leandro, no final da terceira aula sobre a investigação “o que é uma pergunta?”. Sim, três aulas, isto é, três semanas às voltas com aquilo que faz com que uma frase seja uma pergunta.

    Parece um trabalho inútil, no sentido de salientar o óbvio – afinal, todos nós sabemos o que é uma pergunta, certo? Basta ter um ponto de interrogação? Ou há outros critérios que fazem parte da pergunta e que, por serem óbvios, nem sempre são tidos em conta?

    Estas são as questões que motivam o meu trabalho, a minha preparação para aulas ou oficinas como esta. É importante alinhavar o tipo de interrogações e caminhos que se podem traçar em aula, a partir do jogo, livro ou outro trampolim que seja o motivo do diálogo. Todavia, o grupo é quem mais ordena e navegamos pelo mar que for escolhido pelas pessoas que fazem parte do grupo, como aquele que lhes parece mais curioso ou mais relevante num dado momento.

    Assim sendo, é muito natural que aconteçam caminhos diferentes, nos diferentes grupos, a partir de um mesmo trampolim. E isso é muito rico, pois faz-me descobrir coisas que não tinha (pre)visto quando desenhei o meu mapa orientador de trabalho e, além disso permite-me levar as ideias de um grupo para outro no sentido de enriquecer mutuamente as investigações.

     

    O trabalho do pensar, do investigar, exige tempo e dedicação. Temos procurar manter o foco, a atenção.  Há crianças que têm pressa em saber – não pelo facto de terem já a resposta “na ponta da língua”, mas por que têm pressa. Não têm paciência para caminhar lado a lado com as outras pessoas do grupo que precisam de mais tempo para saborear a investigação. É o caso do Leandro, que gostou muito de chegar a uma conclusão, mas que estranhou o facto de eu, a “professora”, não lhes ter oferecido, logo, uma conclusão possível. Sim, uma conclusão possível, pois isto de ter UMA resposta certa e definitiva nem sempre acontece na filosofia e noutros campos do saber.

     

    Como escrevia um amigo e companheiro destas lides: “as estrelas são as crianças, e não nós”. E há estrelas mais apressadas do que outras; também há as que dormem e as que precisam de acelerar. Afinal, somos todos diferentes. A vantagem de trabalhar em grupo é que podemos encontrar o equilíbrio dos tempos de cada um, em comunidade. Pensar em conjunto torna-nos muito mais ricos.

    Concorda?

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    Inspirado no Parque de Leitura de Morgex (Itália) e criado no âmbito do projeto europeu REEPLAI.eu, o parque já conta com jogos interativos, minibibliotecas da rede Little Free Library e várias áreas para ler, brincar e partilhar. A cada 6 meses, um novo livro será explorado, para que escolas e famílias possam sempre voltar e viver novas aventuras literárias. Porque ler também pode ser brincar e em Óbidos a imaginação não tem limites! (via Óbidos TV)

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    O espetáculo convida o público a umareflexão sobre o tempo e a memória. Ele ntegra-se igualmente numciclo de quatro criações interligadas, sequenciais e complementares, a desenvolver entre 2025 e 2026.

    Os criadores pensaram cada peça para ocupar espaços únicos e construíram-na em torno do conceito de tempo, fazendocoexistir o ontem, o hoje e o amanhã no mesmo palco. Destinado a maiores de 6 anos, o espetáculo tem a duração de 75 minutos. (via SAPO – Diário do Distrito)

     

    A DançArte apresenta ATEMPO, Ciclo de 4 criações interligadas, sequenciais e complementares, a desenvolver em dois anos, pensadas para espaços únicos a partir dos conceitos Memória e Tempo.

    Propõe um processo de pesquisa continuado, centrado num trabalho coletivo, defende um percurso entre a reflexão e a criação e impõem questionar o óbvio, para impulsionar o pensamento em movimento.

    Define a dança como arte unificadora e determina que é fundamental parar para pensar e pensar para dançar.

    Sugere criar e partilhar um tempo em que o ontem, o hoje e o amanhã habitam o mesmo palco.

    Equipa

    Conceito e Direção – António Machado e Sofia Belchior
    Coreografia – Sofia Belchior e intérpretes
    Composição e interpretação musical – António Machado
    Figurinos – Zé Nova
    Cenografia – Ângela Penedo Miranda
    Desenho de luz e Direção Técnica – António Machado e Sofia Belchior
    Design – Phorm
    Design web – João Belchior
    Gestão redes sociais – Rita Carromeu
    Interpretação: DançArte, Companhia residente no Cine Teatro S. João, Palmela: Fernando Queiroz, Inês Afonso, Ivanoel Tavares, José Lobo, Sofia Santos
    Consultoria em Filosofia: Joana Rita Sousa
    Registo fotográfico – Carlos Teixeira
    Registo Vídeo – João Bordeira
    Produção executiva – Tiago Moreno
    Direção de Produção – Sofia Belchior

    Apoios

    Câmara Municipal de Palmela
    República de Portugal – Cultura, Juventude e Desporto
    DGArtes – Direção-Geral das Artes

     

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    Should we use debates as a method of grappling with facts and ideas to come to understanding and developing a worldview? Hell no. Because debates favor the disingenuous and the dishonest. But is there a place for debate in our society? There has to be, because we are often faced with binary choices and the outcomes are more serious than serious. Who we vote for, whether to support a ballot initiative, who gets denied tenure, who gets convicted, who gets supplied with weapons to commit genocide, should the buses be free, and so on. We know all too well in the public sphere that intellectually honest rhetorical tactics often lose to dishonesty and deception. So yeah, debates are here to stay. But when we’re in the realm of the university and when we’re among scholars who are genuinely in pursuit of knowledge and understanding, let’s stop debating and let’s start discussing. Let’s stop being in it to win it, and let’s help one another learn and grow. And let’s stop elevating the men who pretend that debate is honorable. (Terry McGlynn)

     

    Foto de 愚木混株 Yumu na Unsplash

     

     

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    festival de filosofia de abrantes

     

    O Festival de Filosofia de Abrantes conhece este ano a sua 8.ª edição. Por Abrantes já passaram nomes da Filosofia e de outras área do conhecimento como Lara Sayão, Jean-Louis Schlegel, António de Castro Caeiro, Viriato Soromenho-Marques, Dulce Maria Cardoso, Cláudia Lucas Chéu, Steven S. Gouveia, Adriana Veríssimo Serrão, Margarida Amaral, Manuel Cândido Pimentel, Teresa Calçada, entre outros.

     

    A iniciativa acontece na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes, de 20 a 22 de Novembro.

     

    O programa será disponibilizado em breve.

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    Vai precisar de material de escrita: um caderno ou um conjunto de folhas, lápis, canetas ou marcadores. De acordo com o espaço disponível, pode colocar uma folha de papel de cenário no chão para registos. 

    Escolha um livro. Recomendo a escolha de um livro ilustrado, seja qual for a idade das pessoas envolvidas. O processo de escolha do livro também pode ser um outro exercício, mas disso falaremos noutra publicação.

    Faça uma leitura do livro sem pressa, página por página. Permita que as crianças leiam consigo (mesmo que não saibam ler – entenda-se, ler as palavras).

    Depois desse momento de leitura, fechem o livro  e conversem um pouco sobre o que leram.

    Regressem ao livro, com a intenção de fazer perguntas

    Há várias formas de praticar o perguntar; aqui ficam duas:

    1) tomar nota de uma pergunta por página, escrevendo a pergunta;

    2) fazer a leitura do livro e pensar nos temas que o livro apresenta e depois fazer perguntas a partir desses temas.

    Depois de registarem algumas perguntas, conversem sobre as perguntas. 

     

    Boas leituras e boas perguntas!

     

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    A Ana Filipa Gaspar leu o livro que escrevi e que foi publicado pela Manuscrito. Partilhou as suas notas de leitura no blog, tendo concluído o seguinte:

     

    (…) vejo no pensamento crítico um antídoto para as redes sociais e até para os riscos da utilização da inteligência artificial. Na verdade, podemos usar estas plataformas para, precisamente, treinar o nosso pensamento crítico. Se conseguirmos usar esta ferramenta no nosso dia a dia, nos diálogos com miúdos e graúdos, talvez seja possível contrariar algumas das tendências negativas que vemos surgir na sociedade e até na esfera geopolítica. (Ana Filipa Gaspar

     

    Poderá adquirir o livro nas mais diversas livrarias, de Norte a Sul do país e ilhas; o livro também disponível online na Presença, na Bertrand, na Wook, na FNAC e na Note

    Boas leituras!

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    perguntas das oficinas vitais sobre assuntos fatais

     

    Sim, perguntam.

    As pessoas adultas escutam as crianças quando perguntam pela morte? Nem sempre. Muitas vezes ignoram, mudam de assunto ou desvalorizam a pergunta. “Não tens idade para falar desses assuntos.”

    Porém, se estivermos à escuta, podemos surpreender-nos com as perguntas das crianças sobre a morte (e também sobre outros assuntos, na verdade).  

    Caitlin Doughty é uma agente funerária e escreveu o livro Will my cat eat my eyeballs? composto por perguntas de crianças. Podemos ler nas páginas iniciais do seu livro:

    “All death questions are good death questions, but the most direct and most provocative questions come from kids.”

     

    Em tempos, dinamizei uma oficina com uma turma do 4.º ano do 1.º ciclo cujo tema era o futuro. Logo no início, quando explorámos a ideia de sermos ou não pessoas curiosas com o futuro, sugiram perguntas sobre a morte: “Quando é que vou morrer?” ou “Será que a humanidade vai extinguir-se?”. Fomos partilhando perguntas e num dado momento uma das crianças diz: “temos muitas perguntas sobre a morte, vamos juntá-las”. Assim foi, juntámos as perguntas e explorámos o que tinham de interessante.

    No final a professora veio ter comigo e fez a seguinte observação: “Não sabia que eles tinham tanto interesse na morte!”

    Será que o tema nunca surgiu em sala? Será que a professora não se deu conta? Será que o ignorou por considerar que não seria um assunto adequado para as crianças? Confesso que não explorei estas questões. Simplesmente disse: nos diálogos que dinamizo a morte é um tema comum, há curiosidade sobre o tema, assim como há sobre outros temas.

     

    Da próxima vez que uma criança perguntar pela morte:

    …evite dizer: “não tens idade para falar disso”! Diga antes: “porque é que essa pergunta te interessa?”

    …evite inventar uma resposta. Se não sabe que resposta dar, assuma perante a criança. Lembre-se que dizer “não sei” é uma óptima resposta.

    …caso se sinta desconfortável em abordar o assunto, assuma o desconforto perante a pergunta. Opte pela transparência e pela honestidade.

     

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    Se Algum Dia Vieres à Terra é uma ode à diversidade, mas também um apelo a todos nós para que cuidemos não só da Terra, mas também uns dos outros.

    Percorremos as páginas deste livro como se estivéssemos a acompanhar uma visita guiada de como se vive neste planeta do sistema solar, caso algum visitante do espaço sideral deseje fazer-nos uma visita.  Conseguiremos imaginar que perguntas nos colocaria?  

    Aqui, na Terra, há diferentes tipos de casas e de famílias, há pessoas surdas e há cegos que leem com os dedos.  Os “adultos fazem coisas diferentes para pôr o mundo a funcionar”, enquanto as crianças brincam ou vão à escola onde aprendem “o que fazer quando crescerem”.  

    Há pistas para pensar, questionar e conversar sobre geografia, clima, alimentação, vestuário, diversidade no reino animal, entre muitas outros temas. As relações humanas marcam presença neste fabuloso livro, assim como a forma que nos relacionamos e nos tornamos humanos.

    Ficamos a saber que ainda há muito por descobrir e compreender, mas que o “importante é que, neste preciso momento estamos juntos neste planeta maravilhoso”, múltiplo e díspar.

     

    Curiosidade acerca deste livro:

    As ilustrações de Sophie Blackall baseiam-se maioritariamente em pessoas que conheceu no seu percurso ou outras com quem se cruzou, assim como nas experiências vividas. O leitor é convidado a demorar algum tempo a observar os detalhes das ilustrações.

    No final, a autora esclarece que a ideia deste livro surgiu no cume de uma montanha dos Himalaias, no Butão, enquanto trabalhava com a ONG Save the Children e tinha escalado um caminho em ziguezague para visitar uma pequena escola com apenas duas salas e dez alunos.  

     

    Júlia Martins, para a newsletter #LivrosPerguntadores

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    O tema da morte surge espontaneamente nos diálogos com as crianças. Há quem diga que as perguntas mais interessantes sobre a morte surgem da boca de crianças. O que fazer com essas perguntas? Como lidar com a curiosidade das crianças sobre algo tão natural e, simultaneamente, tão misterioso? Nesta oficina vamos pensar em voz alta nas dificuldades e nas maravilhas de parar, pensar escutar e dialogar sobre a morte, com as crianças.

     

    Aconteceu ontem o webinar (*) O que acontece depois de morrermos?, organizado pela Associação Compassio.

    Durante 1,5h falei sobre a atitude comum das pessoas adultas face às curiosidades das crianças e dos jovens sobre a morte.

    💀 Recomendei alguns livros, a saber: A História Mais Pequena do Mundo, de Lia Ferreira, O que é que estou aqui a fazer?, de João Francisco Gomes, ¿Así es la muerte?, de Ellen Duthie y Anna Juan Cantavella, e Will my cat eat my eye balls?, de Caitlin Doughty.


    💀 Agradeço o acolhimento por parte da Compassio, na pessoa da Mariana Abranches Pinto.

     

    💀 Para quem quer aprofundar esta temática, partilho que nos dias 21 e 28 de Novembro irei dinamizar uma ACD online sobre o tema, acolhida pelo CFAMM. Saiba mais AQUI.

     

    (*) era suposto ser uma oficina, mas dado o número de pessoas presente em sala, optei pelo formato webinar, com momentos de perguntas e comentários no fim.

     

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    No prefácio do livro podemos ler as palavras de Joana Gonçalves de Sá:

    (…) parece que as escolas existem para nos ensinar que respostas dar nos testes e o que escrever nos relatório, mas a vida de cientista é estar sempre a tentar perceber “o que” e “como” perguntar (…)

     

    Perguntas. Este livro sobre ciência anuncia três grandes perguntas. E respostas, há? Sim, também há respostas. Aliás, há sempre uma resposta, se considerarmos “não sei” como uma resposta.

     

    Philip Ball escreveu o livro Três Grandes Perguntas editado pela Planeta Tangerina e que conta com a revisão científica de Joana Gonçalves de Sá, Bruno Almeida, Paulo Caty e Maria M. M. Santos. A tradução é de Isabel Minhós Martins e as ilustrações estão a cargo de Bernardo P. Carvalho. O processo de criação deste livro é também ele científico: há uma equipa a ler e a voltar a ler, a rever e a voltar a rever o que aqui é dito, tal como acontece na ciência.

     

    O trabalho da pessoa cientista move-se por perguntas. Perguntar é essencial nesse processo, bem como a atitude de curiosidade e a imaginação. Na página 31, Ball cita Einstein – e eu passo a citar também:

     

    O valor da educação escolar, não é a aprendizagem de muitos factos, mas sim treinar a mente para pensar.

     

    Quando a escola se foca nos exames e nas respostas, fica difícil focar no treino da mente para pensar, por ser mais prioritário o treino da mente para “carregar um monte de factos na cabeça”.

     

    O livro é um diálogo constante entre as figuras que nos aparecem desenhadas nas páginas e as pessoas leitoras. A forma como o texto flui entre as ilustrações (e vice-versa) torna a leitura de um livro com 200 e poucas páginas, sobre ciência, bastante leve e agradável.

     

    O livro divide-se em seis capítulos e cinco desses capítulos são perguntas; O que é a ciência? é a proposta do capítulo 2 que nos convida a pensar no modo como entendemos a ciência e nalguns episódios que fazem parte da história da ciência, tal como aquele que envolve William Perkin e o desafio do seu professor de química para fabricar quinina.

     

    No último capítulo surge a temática da confiança. Afinal, que razões existem para confiarmos na ciência e nas pessoas cientistas? A pergunta importa, pois vivemos tempos de grande desconfiança para com a ciência que é deixada para segundo plano dando lugar a algumas teorias da conspiração bem mirabolantes.  

    *

    A propósito de ciência, infância e juventude, convido-a/o a conhecer o projecto Cartas com Ciência que visa aproximar a ciência e as pessoas cientistas de crianças e jovens através da troca de correspondência.

     

    O livro “Três Grandes Perguntas” foi seleccionado para o Catálogo White Ravens 2025.

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    Para Parar, Pensar e Escutar  – saiba mais AQUI.

     

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    “Prepare a criança para a estrada, não a estrada para a criança.”

    (A Infantilização da Mente Moderna, p. 344)

     

    A Geração Ansiosa e A Infantilização da Mente Moderna são dois livros que habitam a minha estante há algum tempo. Resolvi mergulhar em ambos durante o tempo de pausa do trabalho.

    Confesso que não li os livros de fio a pavio; explorei o índice e fui anotando as ideias presentes nos resumos, no final de cada capítulo. Ignorei algumas partes mais descritivas relacionadas com estudos e saltei para as conclusões.

    A Infantilização da Mente Moderna é um livro pensado e redigido por Jonathan Haidt e Greg Kukianoff. No meu entender, a ideia principal do livro consiste em sublinhar um excesso de protecção levado a cabo pelas famílias perante as crianças que teve como consequência a denominada infantilização.

    apressar o tempo da infância vs infantilizar

    É curioso como, por vezes, exigimos as crianças que sejam muito adultas, ocupando-lhes os tempos livros com inúmeras actividades que lhe roubam o tempo para brincar. Porém, também as protegemos ao ponto de serem jovens adultos incapazes de ir à faculdade tratar da sua entrevista ou deslocar-se sozinhos a uma entrevista de emprego.

    Há uma ideia que o psicólogo Eduardo de Sá repete muitas vezes e que se trago para esta partilha: os pais e as mães tomam as decisões com as melhores intenções. Ainda assim, isso não significa que estejam a fazer o melhor pelos seus filhos e pelas suas filhas.

    Alison Gopnik, psicóloga do desenvolvimento e autora do livro O Bebé Filósofo, revela-se bastante crítica das ideias de parentalidade no livro The Gardener and the Carpenter.

    Passo a partilhar a forma como entendo estas duas ideias, a da jardinagem e a da carpintaria, relativamente à educação.

    lançar a semente à terra e cuidar

    Uma mãe (ou um pai) pode ter uma atitude de carpinteira, olhando para a criança como um pedaço de madeira a ser esculpido para chegar a um determinado resultado. Uma mãe (ou um pai) pode ter uma atitude de jardineira, encarando a criança como uma semente que se deita ao chão, do qual se pode cuidar para proporcionar boas condições ambientais.

    No caso da carpintaria há um certo resultado final que se persegue; no caso da jardinagem há a consciência de que não controlamos tudo no ambiente ao ponto de estarmos disponíveis para ver no que é que a semente se vai tornar.

    A ideia da jardinagem e da semente é-me bastante familiar, pois uso-a quando abordo o meu trabalho e em particular as oficinas de filosofia que dinamizo.

    A minha atitude alinha-se com a jardinagem: considero que, ao convidar as crianças e os jovens para dialogar e e pensar em voz alta, estamos a lançar sementes de pensamento crítico e criativo. Porém, não controlamos o ambiente e tudo aquilo a que uma semente pode estar exposta, uma vez lançada à terra.

    O que posso fazer é ajudar o grupo a pensar com clareza, a aprofundar as perguntas e os comentários (entre outras coisas), à maneira do que faz alguém que se dedica à jardinagem.

    vou continuar a consultar e a ler os livros

    Vale muito a pena ler com tempo e atenção estes livros. Além da questão do uso dos écrans por parte das crianças e dos jovens, há outros temas bastante relevantes, como a polarização do discurso, a presença dos enviesamentos e a tendência humana para o tribalismo. 

    Também vale a pena ler este artigo de Jon Severs que questiona algumas das afirmações de Haidt.

    Foto de Annie Spratt na Unsplash