filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância
🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica. Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades. Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc). Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools. Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025).
Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C. Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»
Oficinas online, para crianças e jovens dos 8 aos 12 anos
As Oficinas do Platão estão de volta numa edição especial de Carnaval; três encontros online para crianças e jovens dos 8 aos 12 anos que gostam de pensar, questionar e descobrir o mundo através do diálogo filosófico.
Num ambiente seguro, divertido e participativo, cada oficina convida as crianças a explorar grandes perguntas a partir de histórias, dilemas e/ou situações inesperadas. Mais do que encontrar respostas prontas, o objectivo passa por desenvolver o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de escutar e argumentar com respeito.
Porquê participar?
Convite para treinar o pensamento crítico e criativo
Desenvolve a capacidade de fazer perguntas significativas
Promove a expressão de ideias com confiança e respeito pelos outros
Exercita a escuta activa e o diálogo colaborativo
Ajuda a reflectir sobre temas essenciais como identidade, liberdade, memória e ética
Proporciona um espaço diferente de aprendizagem, onde pensar é uma aventura partilhada
As oficinas acontecem em pequenos grupos, através propostas dinâmicas e diálogos orientados por joana rita sousa.
O Martim vive numa aldeia onde toda a gente se conhece. Quando sai à rua para passear o cão Oddy, chega a ficar cansado de tanto acenar e dizer “olá!” às pessoas com quem se cruza.
Vive na aldeia desde que nasceu, e às vezes põe-se a imaginar como seria viver num sítio maior, por exemplo, numa cidade:
“Quantas pessoas há numa cidade? Como é que seria quando fosse passear o Oddy? Ia ver pessoas que nunca vi antes na vida! Como é que eu ia saber o nome dessas pessoas? E como é que elas iam aprender o meu nome?”
Enquanto pensava nestas coisas em voz alta, à janela do seu quarto, o Oddy olhava para ele com ar de quem já queria passear.
Do outro lado da rua, a vizinha acenou-lhe do quintal e disse “Bom dia, Martim!”. O Martim não a conseguiu ouvir, pois a vizinha estava longe, mas adivinhou o cumprimento e respondeu, acenando de volta: ー Bom dia!.
De repente, o Martim franziu o sobrolho e disse surpreendido:
ー Oddy, eu digo olá a esta vizinha todos os dias, mas não sei como se chama!
Isto deixou o Martim a pensar:
Preciso de saber o nome das outras pessoas para dizer que são minhas conhecidas?
Se souber o nome de uma pessoa famosa, por exemplo, de um cantor, posso dizer que essa pessoa é minha conhecida?
Quando é que uma pessoa passa de desconhecida a conhecida?
Vamos ajudar o Martim a pensar?
Em casa ou na escola, leiam a história com calma.
Escrevam num papel as respostas às perguntas do Martim.
Perguntem a um amigo, ao colega do lado ou a alguém da família o que pensa sobre as perguntas do Martim. Vejam se há opiniões iguais ou diferentes.
Tomem nota se alguém mudar de ideias – e se acontecer, tentem descobrir porque é que mudaram de ideias.
Partilhem as vossas ideias nos comentários.
Desafio publicado no website da Revista Dois Pontos, em Julho de 2020.
Inquiry is not a project. Inquiry is how we show up in the classroom. Inquiry is a stance from which we teach. (Trevor Mackenzie, Inquiry Mindset, p.13)
Quais os benefícios do acolhimento e do incentivo das perguntas em sala de aula?
Criar e desenvolver rotinas de perguntas em sala de aula permite às crianças e aos jovens treinar a competência do perguntar. Sem as perguntas dos alunos e das alunas, é o/a professor/a quem tem o monopólio do questionamento em sala. Perdem-se oportunidades de desenvolver a autonomia e a confiança junto dos alunos e das alunas.
Perguntar permite-nos treinar o pensamento colaborativo, bem como a curiosidade e o pensamento crítico e criativo. A atitude a cultivar é a de investigar a pergunta e a resposta possível. Ou respostas. Esta atitude é essencial num mundo em constante mudança, para estas crianças e jovens que estão a ser preparadas para assumirem profissões que ainda hão-de ser criadas.
Citando Trevor Mackenzie: “(…) curriculum is not something we cover, curriculum is something we explore and discover.” Em vez de olhar para os conteúdos ou para as aprendizagens essenciais como “coisas que tenho de dar”, considere olhar para esses conteúdos como algo a explorar e a descobrir. As perguntas podem ser a ferramenta essencial nessa exploração, nessa descoberta, pois convidam-nos a investigar, a indagar, a aprender.
Quando abrimos espaço para as perguntas das crianças e dos jovens estamos a convidá-los a participar naquilo que acontece na sala de aula. As crianças têm o direito de serem escutadas (ver Convenção sobre os Direitos da Criança, artigo 12.º) e nós, pessoas adultas, temos o dever de as escutar e de considerar o que dizem, com seriedade e autenticidade.
Ao contrário do que se possa pensar, as perguntas não constituem uma perda de tempo:
No longer a distraction from the curriculum, questions become the source for inquiry, an invitation to personal relevance, an acess to prior knowledge, and a bright indicator of next steps. (Trevor Mackenzie, p. 19)
As pessoas adultas tendem a subvalorizar as perguntas das crianças e dos jovens, por considerarem que não são pertinentes para aquilo que têm de tratar em sala de aula. Há uma certa falta de confiança perante as perguntas das crianças e dos jovens. Para que essa confiança se instale, é necessário treinar a arte de perguntar e modelar aquilo que são perguntas relevantes.
As inquiry educators, we must encourage and equip students to create questions – open and closed questions – and then to grapple with them, interrogate them, and push them around a bit. We want students to think critically and debate whether a question is open or closed when sharing their opinion or stance. We want students to reflect, rethink, revise, and rewrite questions and in doing so, reimagine their role in the inquiry classroom. (Trevor Mackenzie, Inquiry Mindset, p. 25).
A sala de aula deve promover as perguntas abertas e as perguntas fechadas. Há alguma tendência para considerar que a pergunta deve ser aberta, pois não condiciona a resposta. Ora, uma pergunta é algo que amplia e que limita, ao mesmo tempo. Assim, podemos convidar as crianças e os jovens a pensar e a perguntar ambos os tipos de perguntas.
“E depois como é que respondo a essas perguntas?” – esta é uma pergunta que oiço de vez em quando nas formações. Ora, não temos de responder a todas as perguntas. O processo de pensar em perguntas, de as registar, de avaliar a sua pertinência permite-nos pensar nas possíveis respostas. Além disso, as crianças podem pensar nas respostas por si só; nem tudo tem de passar sempre, a todo o tempo, pelo crivo da professora ou do professor.
Nem sempre é fácil para as crianças e para os jovens avançarem com perguntas. Podem ter tido experiências passadas nas quais as suas perguntas foram ignoradas. Por vezes as pessoas adultas reagem às perguntas com “isso não é adequado para ti”. É preciso (re)construir a confiança das crianças e dos jovens nas suas perguntas, dando-lhes tempo e espaço para praticar o perguntar. É importante acolher as suas perguntas e modelar outras que podem ser pertinentes para o trabalho do pensamento crítico.
Passamos os dias num coro de lamento: “Ninguém é empático”, “Os líderes são hipócritas”.
Essa queixa, porém, esconde um paradoxo perigoso, profundamente enraizado no funcionamento do nosso cérebro.
O apelo moral vazio à “empatia” não só falha em gerar a mudança desejada, como ativa um mecanismo de defesa neural conhecido como “Efeito Backfire”, perpetuando a própria hipocrisia que se critica.
A Neurociência da Rejeição Comportamental
Quando exigimos que alguém seja mais “empático” ou “vulnerável” sem fornecer o mapa neural de como o fazer, estamos a emitir uma ordem de alto risco para o cérebro.
A Ordem Sem Roteiro: O cérebro não entende a moralidade, entende a sobrevivência.
“Seja empático” é apenas uma instrução sem o programa subjacente (como ativar as áreas de cognição social e, crucialmente, inibir a amígdala cerebral, um núcleo que constitui o centro de ameaça).
O Cérebro Entende Ameaça: Sem esse “como fazer”, a exigência é percebida como uma ameaça. Ameaça de falha, de exposição social, de perda de estatuto social, porque não consegue perpetuar o hábito e a consistência, sem treinar o córtex pré-frontal (a área de controlo de impulsos, regulação emocional e tomada de decisão)
Mecanismo de Defesa Ativado: O cérebro entra em modo de defesa, bloqueando a nova informação, solidificando o viés do ponto cego (ficar cego às próprias falhas, vieses e desconhecimentos), retornando à zona de conforto.
O resultado é o Efeito Backfire: a tentativa de mudar o comportamento através do apelo moral reforça a crença original e a inação, tornando o indivíduo ainda mais resistente à verdadeira mudança.
A Queixa é o Refúgio: As pessoas esgotam-se a reclamar do comportamento alheio. No entanto, a queixa e o julgamento tornam-se, ironicamente, a zona de conforto cerebral. É a via de menor resistência, gasta menos energia do que a ação real.
A Inação Sabota: Apontar o dedo é mais fácil do que enfrentar o desafio de reescrever o código neural. A verdadeira mudança (aprender a ligar os circuitos da empatia e da resolução de conflitos) exige tempo, esforço, treino, hábito e, por vezes, investimento financeiro em conhecimento especializado.
É mais fácil e “económico” (a curto prazo) sustentar a reclamação do que pagar o preço do verdadeiro desenvolvimento pessoal.
Ignora-se o custo real e a ineficácia da comunicação, a longo prazo.
O que se manifesta como “hipocrisia social” é, muitas vezes, a simples vitória da economia de energia neuronal sobre a vontade racional de mudança. A continuidade da queixa é preferível ao esforço da verdadeira aprendizagem e transformação.
Não há mérito na reclamação.
O mérito reside na escolha para desativar o “Efeito Backfire”, substituindo o “apelo moral” pelo treino e pela instrução precisa, nomeadamente com o conhecimento do funcionamento do cérebro, provendo o roteiro para a mudança que o apelo moral jamais conseguirá.
A Resolução: Aquele que investe no conhecimento profundo, no auto-conhecimento, pode compreender o mapa que o cérebro anseia.
É muito mais perspicaz transformar a queixa em insight e a inércia em ação neuro-cientificamente ativa.
O compromisso tem que partir de cada um de nós, com procura ativa do conhecimento e da compreensão deste mecanismos, antes de julgar os outros, gerando, desta forma, já alguma forma de empatia e compaixão, por perceber que estamos todos sujeitos à força evolutiva deste programa cerebral.
A Ponte Essencial: Filosofia e Neurociência
Este debate sobre empatia, hipocrisia e ação remete-nos à crucial ponte entre a Filosofia e a Neurociência.
A Filosofia, durante milénios, aprofundou questões sobre ética, moral, consciência e o viver bem, o ethos e o daimon (o caráter e o destino humano). Ela treina a nossa capacidade de raciocínio, de autoreflexão e de questionamento dos nossos pressupostos.
A Neurociência, por sua vez, oferece os dados concretos: as atividades neurais, os mecanismos de defesa, os vieses inconscientes. Ela revela o substrato biológico que limita ou impulsiona as nossas escolhas éticas.
Para pensar melhor e agir com mais eficácia, precisamos de ambos: A Filosofia formula as grandes questões e aprofunda o porquê da empatia e da moral.
A Neurociência fornece o “como”, o manual de instruções do nosso cérebro, para que possamos, de facto, reescrever o nosso comportamento, criar novos hábitos, mais eficazes na reengenharia social, e superar os nossos vieses.
Será mais fácil mover da hipocrisia da queixa para a ação informada e ativa, quando integrarmos a sabedoria da introspecção filosófica com a precisão dos dados neurocientíficos. A verdadeira evolução do comportamento humano reside nessa união, transformando os nossos insights mais profundos nas nossas ações mais eficazes.
A transformação da educação reside em substituir a ordem moral abstrata (“Seja empático”) pelo treino ativo e informado, integrando a Filosofia para estabelecer o propósito ético (o porquê do autodomínio) e a Neurociência para fornecer o “manual de instruções” (o como desativar o Efeito Backfire e construir novos circuitos), capacitando, assim, estudantes a transformar a queixa em insight e o custo da inação em ação neuro-cientificamente eficaz através da regulação do córtex pré-frontal e da amígdala.
Ana Guerreiro
Especialista em Neurociência Cognitiva e Neuropsicologia / Instagram: @ana_neurociencia
Quando é que a Hadda volta? oferece-nos uma pergunta no título.
Trata-se de um magnifico livro onde as memórias e a saudade habitam em todas as palavras e imagens, ou melhor, em todos os recantos da casa: nas janelas abertas, no esvoaçar dos cortinados, nos vasos com plantas que habitam na varanda, no estendal da roupa e em todos os pequenos objetos e espaços que fazem da casa a nossa casa, onde o silêncio impera, mas onde a doce voz de Hadda se demora. A casa de alguém que partiu, mas que continua a habitá-la, onde os espaços e objetos transformam o passado em presente.
Quando é que a Hadda volta?
É uma pergunta teimosa. Dolorosa. Angustiada. Inconformada.
Uma pergunta que recusa o silêncio e a ausência.
Uma pergunta que procura um afago. O carinho de todos os dias.
Uma pergunta que busca incessantemente uma resposta.
Júlia Martins, para a newsletter #LivrosPerguntadores
Vou responder a esta pergunta do ponto de vista daquilo que desejo para a(s) escola(s) deste país. A #filocriatividade é um projecto itinerante e por isso tenho a oportunidade e o privilégio de poder visitar muitas escolas e de conhecer muitas turmas.
Foi com base na observação que faço das escolas de diferentes pontos do país que pensei e escrevi esta lista de desejos.
#1 desejo que a Língua Gestual Portuguesa seja uma realidade em muitas escolas, e não só nas Escolas de referência para a Educação Bilingue.
#2 desejo que ochiuuuabandone as salas de aula das escolas portuguesas e seja substituído por formas menos ruidosas de solicitar que o silêncio aconteça.
#3 desejo que a noção de participação em sala não seja reduzida ao gesto de “pôr o dedo no ar para falar”. desejo que se comece a falar emenvolvimento, em vez de participação.
#4 desejo queos recreiossejam espaços apelativos para a brincadeira, que convidem à experiência e à gestão do risco e do perigo.
#5 desejo que as crianças e os jovens possam ser escutados com seriedade por parte das pessoas adultas e que estas respeitem o direito das crianças à participação, tal como está previsto na Convenção dos Direitos da Criança.
#6 desejo que as pessoas sejam hábeis na distinção entre “perguntar” e “dizer uma coisa” (comentar).
#7 desejo que a formação contínua de professores tenha uma oferta de qualidade nas áreas do pensamento crítico e criativo.
#8 desejo que haja mais espaços de diálogo onde as crianças, os jovens e as pessoas adultas possam estar lado a lado, praticando a humildade e a honestidade intelectual.
#9 desejo que as bibliotecas escolares sejam espaços de leitura, de brincadeira, de diversão – e não de castigo.
#10 desejo que as pessoas deixem de escolher asmelhoresturmas para as oficinas #filocriatividade: escolham aspiores,pois talvez sejam essas as turmas que mais precisam de treinar as competências de #PararPensarEscutarDialogar (por melhores entendam as turmas com boas notas).
#11 desejo que as crianças e os jovens não deixem de sair da escola e de ir a uma actividade na biblioteca (ou noutro espaço) só porque está a chover. dito de outra forma, desejo galochas e impermeáveis para todas as crianças e os jovens.
#12 desejo que o conceito de sala de aula se amplie para lá das quatro paredes da sala de aula.
Nota: os meus desejos para 2026 são os mesmos desejos que tinha para 2025.
O Espanto tem como propósito contribuir para que todos tomemos consciência da importância do pensamento e das suas múltiplas possibilidades.
A Filosofia tem uma importante dimensão teórica onde o pensamento se explica e outra que nos convoca a olhar para ela como um modo de vida e nos serve para pôr em prática, para vivermos bem. Neste Festival, não abdicamos de nenhuma delas porque ler, ouvir, falar, explicar, escrever, vivenciar, experimentar e interagir são detonadores, luzes fortes que nos vão espantar.
No passado dia 1 de Novembro, Ellen Duthie esteve na Livraria Verney para participar na Noite do Limbo, um evento organizado pelo Município de Oeiras.
Coube-me a moderação da conversa durante a qual tivemos a oportunidade de saber curiosidades sobre o livro ¿Asi es la muerte?, bem como sobre o trabalho que a Ellen desenvolve junto de crianças e jovens.
Depois da conversa foi possível conhecer os livros da autoria da Ellen Duthie, da sua fantástica editora Wonder Ponder, na Livraria Gatafunho.
Para quem não esteve presente, aqui ficam as perguntas e as respostas do guião que eu e a Ellen preparámos para a nossa conversa – e que, na verdade, não seguimos.
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[Joana] ¿Asi es la muerte? is a book that is filled with questions, with children’s questions. What made you think of writing a book about death having children’s questions as a thread?
[Ellen] The book grew out of years of philosophical workshops with children where death often surfaced not as something morbid, but as something deeply curious. We wanted to create a book that could spark the same kind of open, free, thoughtful conversations we witnessed in those sessions.
From the start, we knew we wanted to build it from real children’s questions, and not adult reconstructions. Many books about difficult topics decide what questions children need answers to and then proceed to answer them, rather than listening to children’s questions and the reasons, points of interest, and concerns behind their questions.
So instead of writing for children about death, we wrote with them, placing their wonder, confusion, humour and honesty at the centre.
I think basing books on children’s questions is also a natural way of engaging adults more genuinely too. Here are some real questions by real children, inviting both adults and children to face the same mystery together.
[Joana] The book is the result of a call for questions that received worldwide coverage. Was there a thematic pattern or thread of curiosity common to various countries or cultures? And was there a country or culture with a distinct perspective on death?
[Ellen] We received hundreds of questions from twelve countries: Spain, Italy, Finland, Portugal, Germany, the UK, the US, Colombia, Mexico, Argentina, Ecuador, Brazil and Turkey.
Across cultures, the same themes kept appearing: – curiosity about the physical process (“How does the skin go away?”), – existential awareness (“Will I die?”), – ethical concern (“Who takes care of the children when parents die?”), – and metaphysical wonder (“What is there after death?”).
Obviously, what we did was not a social science study into the attitudes embedded in children’s questions about death across the world. The sample is not representative in that sense, and we can’t really draw any real conclusions from it.
But if I had to point to one aspect I intuitively sense from reading all the questions together, it would be that those from kids in Mexico somehow represent a much more tangible and physical idea of death. In many of the Mexican questions, death seems to be a place, with a ground to it, that you can walk through and stamp on. In Mexican death you stand; in many other views of death you float. It’s as if Mexican death is more of a solid state, compared with the gas state implied in many other views of death.
But as I say, overall, the variety inside each country was greater than the differences between countries.
It would seem that curiosity about death is a human constant and the way our curiosity is expressed has many universal aspects to it.
[Joana] Do children need to talk about death? Why do you think that happens?
[Ellen] Children already think about death; they simply lack permission and sometimes language. Talking about it doesn’t plant the idea; it reveals it. Once the topic opens up, most children feel relief and excitement. They discover that others wonder and fear the same things.
By talking, they weave together curiosity, imagination and emotion, instead of keeping them isolated. Silence, on the other hand, tends to magnify fear. Dialogue helps us integrate death into their picture of life; it becomes something speakable, shareable, even interesting.
[Joana] How does children’s literature deal with topics like war, death and grief?
[Ellen] Children’s literature tends to oscillate between overprotection and overmoralising. In recent years, there’s also been a tendency towards grave subjects, especially for teens and young adults. I sometimes wonder whether we might not want to give teens a bit of lightness in this age of darkness too, sprinkled in with all that dystopia!
But back to the question, when it comes to death, some classics -like E.B. White’s wonderful Charlotte’s Web or the fabulous Duck, Death and the Tulip by Wolf Erlbruch- manage to approach it with poetic honesty and emotional nuance. Others hide it under euphemism or replace it with lessons about bravery, heaven or easy answers.
The best books don’t instruct; they invite reflection. Dying to Ask follows that line but adds a philosophical dimension: it’s not “Here’s what happens,” but “What do you think? What can we do with that question of yours?”.
In that sense, the book doesn’t seek a quick fix to comfort; it opens doors to thought, imagination and dialogue -all of which, in the end, do also end up providing comfort.
[Joana] Death and grief are among the top topics banned from schools in America (according to The Economist). From your experience as an author and a translator of children’s literature, would you like to comment on this?
[Ellen] The avoidance of death in schools mirrors a wider social tendency to treat mortality as a private or pathological matter.
When death is banned, we lose a vital opportunity for existential education and for learning how to live with limits, loss and empathy.
Philosophical and literary approaches offer a safe, creative way to explore the subject without turning it into therapy or doctrine. By working through stories, art and questions, we can talk about death as naturally as we talk about birth, friendship or justice.
Children’s books, classrooms and libraries could be laboratories of meaning instead of spaces of censorship.
[Joana] You wrote the book with Anna Juan Cantavella, an anthropologist, and it was also reviewed by Xaviera Torres (a biologist) and Montse Colilles Codina (a psychologist). Why did you surround yourself with experts in these fields?
[Ellen] Because children’s questions cross every boundary: scientific, cultural, emotional, spiritual. We wanted each answer to honour that complexity.
Anthropology helped us understand the diversity of human rituals and beliefs about death. Biology helped us remain truthful about the physical processes of dying and decomposition. Psychology helped us respect children’s emotional timing and the way grief is experienced at different ages.
The mix kept the book rigorous but still playful: serious about truth, but also open to imagination.
[Joana] How do adults usually react to children’s questions about death?
[Ellen] Adults’ first reaction is often avoidance or deflection: “Don’t think about that,” or “You’re too young”, or a quick solution for instant comfort. “Your grandfather is watching from the stars”. This comes from fear, of upsetting the child, or of confronting their own mortality.
Yet when adults allow the question to breathe, they often discover relief themselves. Children don’t demand definitive answers; they ask for a conversation, for companionship in wondering.
The adult’s calm curiosity is more valuable than any explanation.
[Joana] Do you think adults fear children’s curiosity about death because it challenges their own relationship with mortality?
[Ellen] Yes.
Children’s blunt honesty can pierce adult denial. When a six-year-old asks, “Will you die too?”, it confronts adults with the very thought they avoid daily. But that confrontation can be transformative.
In daring to look at death through a child’s eyes, adults recover a sense of humility and wonder. It’s not just the child who learns—the adult does too.
[Joana] What advice would you give to adults — parents, teachers, mediators — who feel uncomfortable when children ask them about death?
[Ellen] First, acknowledge the question instead of running from it: “That’s a great question. What made you think of it?”. I think this is particularly important because questions often come from somewhere very different than you might have imagined initially. Sometimes a seemingly dark question has a light-hearted thought behind it; or vice-versa, a light-handed formulation might hide a darker concern.
Second, remember: you don’t have to have the answer (especially if you don’t know the answer!). Curiosity shared is already meaningful.
Third, invite the child to imagine, draw, or tell a story. Different languages help process the same mystery in interestingly different yet interconnected ways.
And perhaps most importantly, accept your own discomfort.
Children learn from our attitude more than from our words. If we can stay present and open, we teach that uncertainty is explorable, and can even become bearable.
[Joana] Humour and death: there’s a well-known Portuguese comedian who says that humour and laughter relieve the tension and pain of death. Do you think dialogue has the same effect, of relieving the tension and pain of death?
Yes, I think dialogue and humor share that power. I think both allow a shift of distance without denial.
They let us look at what frightens us sideways, through laughter or conversation. They let us approach and stand back, as we feel comfortable, in a kind of dance with the pain and tension, that makes it all more bearable, I think.
Humour softens fear; dialogue, perhaps, transforms it.
I also think humour is a very powerful mechanism for thought. The kind of humour where your laughter is followed by a conversation or dialogue allows you to unpack your laughter and see what’s behind it. Very often, we find questions or hidden feelings that are well worth exploring.
At Wonder Ponder, we see questioning as a playful and sometimes humorous act, one that disarms solemnity and makes death approachable without trivialising it.
[Joana] If children could teach adults one thing about death, what do you think it would be?
[Ellen] Probably to stay open, to stay curious. Children remind us that asking about death is not morbid; it’s human.
They accept mystery more naturally than we do; they can hold fear and fascination together. And this helps us not only develop a healthier relationship with death, but also, in more general terms, with uncertainty.
In the end, thinking about death and asking questions about death has a great deal to do with learning to live.
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Os livros Wonder Ponder estão à venda na Livraria Gatafunho (Oeiras).
Obrigados a partir – Seis testemunhos de jovens migrantes é um livro que todos deveríamos ler! Comovente. Doloroso. Emotivo. Forte. Revoltante. Dialogante. Reflexivo. E …. Perguntador.
As vozes de SOLY que veio do Senegal, da HELENA que deixou a Bolívia, do SAID que teve de fugir da Síria, da RUTH que nasceu em El Salvador, da MERIEM que se foi embora de Marrocos, tal como o OSSAMA, ecoam em mim, mesmo após a leitura. Não é fácil esquecer os testemunhos destas três mulheres e três homens que tiveram de emigrar. São histórias de vida duras. Duríssimas. Verdadeiros relatos de superação.
Partiram escoltados pela dor e pela solidão. O itinerário é longo, incerto e tortuoso. Chegaram, onde não conheciam ninguém, onde nem sempre o acolhimento e a integração foram fáceis.
Múltiplos desafios a vencer: uma nova cultura, uma língua diferente. Formas de estar e de ser muito distintas das suas origens.
Nestes árduos trilhos a palavra fracassar não existe, ou melhor, não deverá existir. Só a breve frase – seguir em frente – faz sentido. Recuar é um vocábulo a evitar.
Partilham as suas experiências: como viviam antes, porquê e como se foram embora, que caminhos percorreram e como é atualmente a vida nesta nova geografia.
São testemunhos vivos de quão duro é recomeçar. O que entrelaça as seis histórias é que todos os protagonistas se viram obrigados a partir.
Júlia Martins, para a newsletter #LivrosPerguntadores
“We do a disservice to our youth by thinking that children cannot engage in philosophical questioning. We do a disservice to ourselves by doing only big P philosophy in the stiff, isolated walls of the confined private classroom or the well-scheduled conference hall. When big P philosophers are open to new ways of doing philosophy, even if those new ways are designed for children, it can have a remarkable effect on how one approaches and thinks about philosophical problems.” (artigo Daily Nous)
A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) será palco, no próximo dia 17 de dezembro de 2025, do colóquio “Falemos da Morte”.
O evento, a decorrer no Anfiteatro III da FLUC, das 9h00 às 18h00, reunirá especialistas de áreas como a Filosofia, Medicina, Teologia, Enfermagem e Cuidados Paliativos para um dia de reflexão profunda e diversificada sobre a morte e o morrer.
Promovido pelo Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos (Projecto Complementar Racionalidade e Hermenêutica) e pelo seu Laboratório de Racionalidade e Ética Aplicada, o colóquio visa abrir um espaço de diálogo sobre o tema, abordando-o sob múltiplas perspetivas científicas e humanas.
“O melhor lugar para se começar a exploração da beleza do dia-a-dia é o jardim, onde o lazer,
a aprendizagem e a beleza confluem numa experiência do lar que é libertadora.”
Beleza: Uma Muito Breve Introdução, do professor Roger Scruton, é um livro que, ao longo de nove capítulos, convida o leitor a compreender o conceito de beleza a partir de objetos concretos, de ideias, de obras de arte, obras criadas pela natureza, e/ou pelos seres humanos. Este é o ponto de partida, mas, pouco a pouco, há um fundamento, um argumento que recorre ao pensamento e às obras de diferentes filósofos, de épocas distintas.
Platão viu a beleza como o objeto do desejo e uma porta de entrada no transcendental. S. Tomás de Aquino viu-a como uma dádiva de Deus. Proust encontrou beleza na palavra escrita. Kant refletiu sobre os juízos de gosto. Schiller envolveu a arte e o divertimento e alertou-nos que nem sempre o resultado é belo. Manet encontrou beleza no corpo desinibido. Em Tchaikovsky a beleza vive na música, como por exemplo, na Sexta Sinfonia. Bergman captou o belo através da lente e na arte de filmar. Collingwood alertou-nos que a beleza existe nas formas, na harmonia das linhas e cores. Marcel Duchamp abalou o meio artístico com a sua “A Fonte” e obrigou-nos a questionar, de novo, o que é a arte?
A arte poderá ser emoção, comunicação, sensualidade, arrebatadora, perigosa, perturbante, sagrada, mas também profana e imoral.
Não estamos perante uma obra para especialistas, com uma linguagem hermética, própria dos filósofos, pelo contrário. Este é um livro para os apaixonados pelas questões estéticas, pelo exercício do questionar e da reflexão. Para todos os apreciam aprofundar perspetivas, partilhar ideias e dialogar, mas também para os que encontram beleza no cruzamento de diferentes tipos de arte e manifestações culturais. Experienciar o belo é uma vivência humana ímpar. Uma emoção singular.
As interrogações são fortes, presentes, muito presentes ao longo do livro. As respostas vagas, imprecisas e ausentes. No último capítulo o autor esclarece:” (…) terá notado que eu não disse o que a beleza é.”
Roger Scruton reforça a ideia de que a beleza está na nossa vida. Todos desejamos coisas belas. A beleza é uma dimensão do ser, «a beleza está nos olhos daquele que contempla».
O filósofo e ensaísta, por fim, esclarece: “A minha resposta é simplesmente esta: tudo o que disse sobre a experiência de beleza implica que ela tem uma fundação racional. Desafia-nos a encontrar significado no seu objeto, a fazer comparações críticas e a examinar as nossas próprias vidas e emoções à luz do que encontramos.”
Uma das questões que encontramos ao longo desta leitura é:
Afinal, o que acontece, em nós, quando somos confrontados pela beleza?