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🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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Fascina-me isto do pensar. Fascina-me este orgão incrível que habita cada um de nós: o cérebro. Quando mais leio sobre o cérebro, mais fascinada fico. Há uns anos vi o documentário Deus Cérebro (disponível da RTP Play) e foi tão intenso que voltei a ver uma e outra vez. 

O 1.º episódio desse documentário chama-se “A maquinaria das emoções” e desde que o vi considero seriamente substituir o emoji ❤️ por 🧠 quando quero dizer que gosto ou que amo algo ou alguém. 

 

Quem mora cá dentro?

“Podes não te aperceber, mas, dentro da nossa cabeça, está escondido um extraordinário tesouro.”

O livro Quem mora cá dentro? permite-nos descobrir esse orgão maravilhoso, o cérebro, que “é responsável por tudo, mas mesmo tudo, o que nós fazemos.” A viagem é acompanhada por explicações acessíveis e que tratam as coisas pelos nomes: fala-se de neurónios, de células epiteliais, de neutroplasticidade, do tálamo e da amígdala (entre outros). No final do livro há um glossário onde podemos encontar as palavras chave associadas ao cérebro.

Imagino que este livro possa ser lido em família ou na escola, a propósito de investigações ou a simples curiosidade de saber: “hey, mas eu penso e sinto. como é que isso acontece?”. 

De onde aparecem os pensamentos?

Como é que sabemos que estamos a pensar?

Pensar dói?

Sentir é pensar? 

 

O cérebro é um orgão misterioso: sabe-se muito sobre o cérebro, mas ainda há tanto por descobrir. A proposta do autor passa por “imaginar que o cérebro é uma pequena cidade que vamos visitar e na qual iremos conhecer a sua estrutura, os seus habitantes e o seu funcionamento.” 

As ilustrações ajudam-nos a imaginar essa viagem, sendo capazes de nos transmitir a ideia da complexidade do cérebro de modo simples. 

Partindo daquilo que fazemos no quotidiano (acordar, correr para apanhar o autocarro, aprender, dormir) Quem mora cá dentro? é uma proposta feliz para compreender que o cérebro é um orgão I-N-C-R-Í-V-E-L. 

 

O cérebro: maquinaria das emoções

Uma das mais valias deste livro prende-se com o facto de não perpetuar a divisão entre razão ou pensamento  e emoção: “O cérebro humano cria emoções, diz a investigadora Lisa Feldamn Barrett, “da mesma maneira que cria pensamentos e ações e todos os eventos mentais que compõem, momento a momento, o tecido da nossa vida.” (Deus Cérebro. p. 41).

Tanto Lisa como António Damásio defendem ainda que temos de abandonar a ideia da batalha eterna entre emoção e razão. Esse mito que nos chega da Grécia Antiga “é uma bela história, mas não é uma história que na realidade descreva particularmente bem como o cérebro está estruturado e como funciona.” (Deus Cérebro, p. 42).

 

“Os sentimentos e a razão estão comprometidos num abraço inseparável, refletivo e circular.” (António Damásio in Deus Cérebro, p. 42)

 

Defendo que é importante abandonarmos essa ideia da batalha eterna entre razão e coração, pois quando seguimos o coração estamos de facto a seguir algo que teve lugar no cérebro. Deixemos o coração a fazer o seu trabalho imenso e fundamental e sejamos rigorosos:

“Hoje sabe-se que é no cérebro que se localiza uma poderosa maquinaria que, em diálogo com o corpo, graças a moléculas químicas e sistemas nervosos, produz sentimentos e emoções, numa espécie de substrato da nossa existência que ao longo da evolução foi dando sinais de qual o caminho a seguir ou a evitar.” (Deus Cérebro, p. 41)

*

 

Livros (e não só) que dialogam (com este tema)

Tenho dedicado algum tempo a ler e a ouvir quem sabe de neurociência, de emoções e de psicologia cognitiva e comportamental. 

Já referi o documentário Deus Cérebro, que também está disponível em livro. Gostaria ainda de sugerir outros livros e podcasts para pessoas curiosas com esta temática, tal como eu:

_How emotions are made – The secret life of the brain, de Lisa Feldman Barrett (Mariner Books)

_Pensar, depressa e devagar, de Daniel Kahneman (Temas e Debates)

_Pensar Melhor, de Adam Grant (Vogais) 

_Podcast Pergunta Simples com Nuno Sousa

_Mente, Cérebro e Educação, de Joana Rato (FFMS)

_Podcast 45 Graus com Joana Rato 

 

 

[se pretende comprar este livro considere fazê-lo na wook, entrando na livraria online através do meu link afiliados. desta forma está a apoiar a filocriatividade e os conteúdos que aqui partilho. obrigada.]

 

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16 respostas a “Quem mora cá dentro?”

  1. Avatar de s o s
    s o s

    ok, mas afinal em que patamar estamos ?Significa que se conhecer o funcionamento do carro posso ser eu a fazer a reparaçao ?

  2. Avatar de s o s
    s o s

    agora o mais provavel é que ao explicar a pergunta me va despistar.Essa coisa de trabalhar (ao nivel dos cientistas) o cerebro decorre, e, tambem é dito no post, nao se afigura fim (luz ao fundo do tunel).Em que se traduz, de que forma é visivel os avanços cientificos na vida rotineira dos individuos ?

  3. Avatar de joana rita sousa / filocriatividade

    traduz-se na noção de que emoção e razão não habitam lugares diferentes, vão juntas. isso pode trazer clareza na tomada de decisão – e digo “pode”, pois também pode não fazer diferença alguma. depende daquilo que os indivíduos querem / podem ou não fazer com essa informação científica. no meu caso, ajuda-me a pensar melhor, com mais clareza.

  4. Avatar de infantario
    infantario

    nao ligue ao que o trolha escreve. Mas ” pensar melhor ” significa exatamente o que ? Que voa (nascem asas asas) , que acerta na lotaria …

  5. Avatar de infantario
    infantario

    e mais o seguinte sobre essa coisa evidente de razao e emoçao caminharem juntas :será que o ideal do individuo, o que lhe falta, é justamente a ferramenta para uma abafar a outra ? Mesmo que se classifique a emoçao como o sol da vida, ao menos quando atrapalha, devia ser facil silencia-la.

  6. Avatar de joana rita sousa / filocriatividade

    significa pensar com mais clareza; ter consciência dos enviesamentos, falácias, heurísticas; articular as ideias de forma inteligível; parar para pensar; evitar a precipitação; voltar a pensar o que já pensámos; analisar cuidadosamente a informação que recebemos; imaginar cenários possíveis; considerar alternativas… a lista é grande.

  7. Avatar de joana rita sousa / filocriatividade

    não creio que o caminho passe por uma abafar a outra, mas por procurar um equilíbrio, a todo o momento.

  8. Avatar de
    Anónimo

    Regressemos uns séculos para abraçar os indícios que o monismo de Espinosa apresentava. Seria uma boa introdução filosófica para abraçar as actuais reflexões científicas. Entretanto, faríamos uma passagem pela lei moral em Kant e engrossávamos a importância da razão nos desígnios das circunstâncias. O local de chegada desta viagem é compreender que a razão impõem o real na sua leitura linear mas também nos limita o sentir do movimento cíclico que esse real nos abraça. Afinal, “… todo o conhecimento começa com a experiência, mas nem todo deriva dela.”

  9. Avatar de infantario
    infantario

    tudo bem, pois …mas do ponto de vista do cidadao comum, é muito pensar e menos viver.

  10. Avatar de infantario
    infantario

    sabe , profissionalmente, muitissimo melhor que eu que o equilibrio é uma doença, uma fragilidade incapaz perante qualquer tormenta.

  11. Avatar de João Antunes
    João Antunes

    No meio desta controvérsia, vale salientar as reflexões sobre o conceito de liberdade em Daniel D.Porque esclarecer o que é a consciência enquanto nó da ciência, é fundamento para cimentar a ideia de monismo. Saber que não somos responsáveis pelas nossas decisões e que estas quando aparecem na consciência, anteriormente já tinham sido tomadas uns milissegundos antes, é de facto muito constrangedor. Afinal, quem decidiu? A pergunta do livro cabe aqui. Afinal , quem mora cá dentro? Desculpe o anonimato. Sou o do comentário que refere Espinosa. É uso identificar me. Alguém se esqueceu. 😉

  12. Avatar de joana rita sousa / filocriatividade

    não escrevi que o tínhamos de fazer a todo e qualquer momento. há decisões que exigem mais aprofundamento do que outras. o contexto assim o ditará.

  13. Avatar de joana rita sousa / filocriatividade

    olá, João.não estudei Espinosa de forma aprofundada e não me sinto apta a corresponder aos seus comentários. mas estou a escutar (ler) com toda a atenção.

  14. Avatar de João Antunes
    João Antunes

    Obrigado por escutar (ler). O propósito será apenas lançar conceitos, pistas de reflexão sobre a riqueza do tema que abordou. Depois de muitos anos a estudar debaixo dos paradigmas da filosofia grega, eis que larguei tudo e hoje encontro me no Brasil onde vivo no meio do mato para absorver a sabedoria da cultura indígena. É que este monismo há a muito pre-sentido na consciência humana, é, em coragem, alargado à relação de consciência e natureza pela cultura dos índios. Se se foi pensando o homem nesse dualismo que resultou na arrogância duma razão que tem subjugado a natureza, determinando caminhos, linhas, observações lineares do movimento enquanto se extraía conhecimento sempre provisório, a cultura indígena e as suas fábulas que não se devem confundir com metáforas e muito menos mitos, apresentam nos que tudo tem a haver com tudo, tal como um espirro num hemisfério provoca uma tempestade no outro. Se abandonarmos a ganância, a avareza e a prepotência de existir, de seguida se desvela o movimento cíclico da existência e o mundo abre se como um todo em que tudo é um. As diferenças, os dualismos e as clivagens deixam de existir. Felizmente a neuro ciência tem evoluído bastante. Resta percebermos que conhecimento não é doutrina absoluta e que ciência é apenas uma ferramenta. Desculpe mas já me estava a alongar. Como dizia Barata-Moura na cadeira de filosofia do conhecimento no primeiro ano do curso, filosofia é pior que um cesto de cerejas. É que este tem fundo, a filosofia não. Bem haja Joana.

  15. Avatar de IsabelAmaro

    Parabéns pelo blogue.No meu blogue também falo sobre o coração e a mente

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