
“Em pleno inverno, descobri que havia, dentro de mim, um verão invencível.” (Albert Camus)
O leitor de Neblina é surpreendido com este pensamento de Albert Camus nas guardas iniciais deste magnifico livro. Parei. Pensei e sussurrei a mim própria… este livro promete!
Neblina é uma narrativa simples, mas não simplista, dirigida a leitores jovens e todos nós. É um livro por camadas de significado que se prestam a um trabalho de reflexão mais profundo.
Tomé, que vive algo que descreve como uma “neblina densa a crescer dentro de si” — um sentimento vago, difícil de nomear, que o confunde, inquieta e obriga a olhar para dentro de si mesmo. O simbolismo de neblina é o ponto chave deste precioso livro l – como nas nuvens baixas que encobrem paisagens, certos estados emocionais podem turvar a nossa perceção do mundo e de nós próprios.
A neblina torna-se uma forma de perguntar: o que é estar confuso? O que é sentir algo sem conseguir dar um nome claro?
E aqui começam a surgir perguntas, muitas perguntas:
– Sabemos o que sentimos?
– O que significa sentir?
– O que são os sentimentos?
– Como nos relacionamos com aquilo que ainda não conseguimos compreender?
– É possível compreender plenamente aquilo que vai na nossa mente e no nosso coração?
– A linguagem limita ou liberta a nossa capacidade de pensar?
– Deveremos acolher o que é desagradável?
A leitura deste livro, da autoria de Carolina Branco e Marta Oliveira Silva, poderá conduzir o leitor a uma epistemologia afetiva – a investigação sobre como conhecemos as nossas emoções e como este conhecimento influencia as nossas decisões e relações sociais.
Se a Neblina pode ser acolhida e ouvida, então há uma abordagem filosófica fundamental: a de que compreender as emoções não é apenas um ato psicológico, mas um ato ético e existencial, que molda a forma como nos relacionamos com os outros e com nós mesmos.
Júlia Martins
[subscreva AQUI a newsletter filocriatividade]
[adquira o livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças]

Deixe um comentário