Tenho lido, pensado e escrito bastante sobre a escuta e o papel do silêncio no âmbito dos diálogos filosóficos. Nesse processo dou por mim a pensar nos momentos nos quais o silêncio fez falta por haver demasiado barulho.
O barulho não é sempre responsabilidade das crianças ou dos jovens que temos em sala (ou noutro espaço); nem sempre é responsabilidade do professor ou da educadora. Pode ser fruto de um conjunto de factores; por exemplo, há espaços cuja acústica é tudo menos favorável à escuta das intervenções de cada pessoa. O Manuel Faria abordou essa questão na sua tedx talk, chamando a atenção para as condições acústicas das salas de aula que obrigam tantas vezes a elevar o tom da voz e a gritar, nalguns casos.
Recordo os meus diálogos mais barulhentos, ou melhor, os diálogos que por motivos vários foram interrompidos por barulho e na forma como lidei com essa questão.
Não há uma fórmula mágica que resulte com todos os grupos. Por vezes, fico eu em silêncio à espera que o grupo reconheça essa postura e se foque no que estamos a fazer colaborativamente. Já aconteceu usar sinais que são colocados no quadro para ir dando conta do nível de barulho depois de conversar com o grupo que nível de barulho é OK para dialogar e que nível de barulho não é OK. Nesses casos havia uma criança que “tomava conta” deste nível de ruído e ia apresentado os sinais às pessoas que estavam na sala.
Estes são alguns exemplos de como agir com o barulho que incomoda e não permite o diálogo. Há também aquele barulho bom, quando nos juntamos em pequenos grupos para pensar em voz alta e brincar com o pensamento. Aquelas conversas com os colegas que permitem pensar algo que ainda não tinham pensado. Ou o burburinho inicial quando nos damos conta que temos uma pergunta ou um problema para resolver.
A este propósito recomendo a leitura do seguinte artigo Edutopia:
____________________
subscreva a newsletter #filocriatividade
____________________
compre os seus livros na wook e colabore com a filocriatividade, usando este link afiliados


Deixe um comentário