filocriatividade

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🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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[a água em vez da cicuta]

Em entrevista ao podcast Pergunta Simples falei da pergunta que me apoquenta: a finitude. De vez em quando lembro-me da (filosófica) ideia de que filosofar é um treino para morrer, à boa maneira do Sócrates que bebeu a cicuta com a leveza com que eu acabei de beber uma caneca de água. A cicuta de Sócrates aproximou-o da morte; a água que bebo procura afastar-me dela, manter-me viva e hidratada. 

Enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal é um livro sobre a morte, assinado por Nelson Nunes para quem a morte se apresenta como um grande ponto de interrogação. Nelson pergunta pela morte, conversa com outras pessoas sobre a morte, pensa sobre a morte, escreve sobre a morte. A morte. Essa palavra que só parece bonita quando se fala em “morrer de amor”. 

 

[a morte e a filosofia]

Assim que li que o Nelson Nunes tinha conversado com o professor António de Castro Caeiro, corri para encontrar esse capítulo. É um dos muitos capítulos onde encontramos diferentes conversas e pontos de vista  sobre “aquela cujo nome não podemos pronunciar.”  

Partilho um excerto: 

Em grego, “filósofo” significa “o que é obcecado pela transparência”. Ou seja, por defeito, estamos numa situação de opacidade, de falta de transparência, de ignorância. Ao reconhecer isso, a pessoa que filosofa procura obter esclarecimento e entender a sua própria situação. A morte corresponde a essa opacidade, a esse encobrimento. (p. 227)

Um pouco mais à frente, Caeiro fala-nos da filosofia como um encontro entre quem está a viver o mesmo que nós. Entre conversas e perguntas, faz-se filosofia para que a opacidade possa ser menos opaca e mais transparente.

 

[perguntar e conversar sobre a morte]

O livro de Nelson Nunes é necessário para que possamos abrir o diálogo sobre a finitude. Diria que este livro pode ser precioso para quem pretende ganhar confiança e falar sobre a morte junto de crianças e jovens. 

 

Em Junho 2023 foi publicado o estudo Living in heaven and buried in the earth? Teaching young children about death  de Tünde Puskás, Anita Andersson, Fredrik Jeppsson & Virginia Slaughter que nos diz o seguinte: 

 

Our findings are in line with previous research, according to which adults often find talking about death and dying to be a challenging endeavor and choose to avoid the topic altogether or use euphemisms such as resting (…) or being in heaven (…).However, the adults’ confusing messages about death may lead to unintended conse-quences. For young children, for whom biological death is a phenomenon to be explored and understood, cultural narratives that adults consider reassuring or emollient can be mis-leading and worrying. Euphemism such as “he has gone to heaven’, ‘left us’,‘ laid to rest’, and‘ what are they doing up there?’ may for a child imply that the dead can return. Previous research on how children understand death suggests that discussing death and dying in biological terms is the best way to alleviate fear of death in young children’ (Slaughter and Griffiths 2007, 525). Our examples show that children neither avoid talking/asking about death norfind death a sensitive topic. Thus, child centered pedagogy and dialogic teaching could be used as a way of teaching about biologic death.One of the prerequisites for purposeful teaching about death is a didactic awareness in designing the content. Early childhood education would benefit from the findings within cognitive research on young children’s understanding of biologic death and the implications of trying to protect children from the realities of life.

 

Conversar sobre a morte é arriscar um espaço de perguntas para as quais nos faltam respostas. Importa que as pessoas adultas ganhem confiança para abordar este tópico quando surge pela boca de uma criança. 

 

Há livros que ajudam: Enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal é um desses livros. Outros livros podem ser: 

 
_ The Skull, de Jon Klassen

_ El libro de las muertes extraordinarias, de Cecilia Ruiz
_ e o livro ainda por publicar ¿Así es la muerte? de Ellen Duthie , Anna Juan Cantavella e Andrea Antinori.

 

 

Boas leituras – e não se esqueça de beber água. 

 

 

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3 respostas a “Enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal”

  1. Avatar de Francisco Laranjeira

    falar de livros é abrir caminho para o diálogo sobre a criação de hábitos de leitura. ……………………………………………………………………..ler é um bom remédio para lubrificar os neurónios https://lereumbomremedio.blogs.sapo.pt……………………………………………………………………..

  2. Avatar de
    Anónimo

    Muito bom. Sempre fui da opinião, ao contrário de muitas pessoas que tenho encontrado, que as crianças devem ir aos funerais, cemitérios, etc. Mesmo no sentido de as expor aos rituais que se praticam na nossa cultura. Mas nunca é com neutralidade que se faz está exposição. Acabamos por partilhar a nossa ideia quando a criança nos questiona. A minha questão é: será desconcertante para a criança (demasiada responsabilidade), depois de ouvir várias visões do mundo, dos familiares, dos pais, ser incentivada a procurar a resposta que sente fazer mais sentido?

  3. Avatar de joana rita sousa / filocriatividade

    pedimos tantas coisas às crianças que são desconcertantes e que demandam responsabilidade. pedimos que digam a verdade (e o que é a verdade, sabemos?). modelamos o amor e a amizade – sabemos dizer o que é o amor? a amizade? é só no caso da morte que somos convocados/as a procurar a resposta que tem mais sentido?

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