filocriatividade

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🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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Falar Piano e Tocar Francês é um livro da autoria de Martim Sousa Tavares publicado na Zigurate. O subtítulo não engana: neste livro fala-se de arte, de cultura e de humanismo. Ao longo de 17 capítulos, o maestro Martim leva-nos pela mão para nos contar histórias sobre o encontro entre o ser humano e a arte. 

Martim é o mediador deste encontro; é a interposta pessoa que procura gerar sentido a partir daquilo que é desconhecido para o público (pp. 24-25). Mediar ou “o verbo-chave nesta história” (p. 13) é a acção que o autor leva a cabo nas páginas de Falar Piano e Tocar Francês. 

A minha leitura do livro assumiu o ponto de vista de alguém que é uma pessoa mediadora (de diálogos, de leitura e de cultura). Há alguma tendência para que as pessoas mediadoras se limitem a relatar os factos ou a fazer as descrições de forma isenta ou neutra. Porém, a pessoa mediadora está envolvida nesse processo e por isso é tão importante pensar qual é o nosso papel e como o podemos desempenhar. Nas palavras de Martim, é importante pensar como é que podemos “criar um lugar-comum, um plano onde tudo se cruza e onde todos se encontram, numa experiência da qual cada pessoa pode retirar um sentido e sair recompensada.” (p. 13).

A pessoa mediadora age como guia e está consciente de que aquilo que se observa, que se escuta, que se experiencia pode ser observado, escutado e experienciado de modos distintos. Essa diversidade é apontada pelo autor como uma riqueza, assumindo que a pessoa mediadora assume um ponto de vista pessoal e subjectivo. Sim, vamos condicionar a experiência das pessoas mediadas e esse é um risco que temos de aceitar, ainda que possa ser considerado um “acto subversivo, contraproducente ou inconsequente” (p. 72).

 

Se, por um lado, a mediação sempre existiu – basta pensar que uma simples legenda com título, autor e data é já uma forma rudimentar de mediação -, por outro, este é um campo onde o mínimo indispensável costuma ser a medida de tabela, transformando-se numa fórmula de mediação no limiar do inexistente e que oferece apenas informação básica sobre as obras apresentadas, transmitida de forma asséptica e impessoal. (p. 70)

 

Martim reflecte sobre o papel da pessoa mediadora, mas tembém sobre o papel da arte. Afinal qual é a função da arte? O autor arrisca uma ideia: “a função primordial da arte é a melhoria do homem em sentido individual e colectivo. Para além de poder ser agradável, o seu efeito desencadeia mecanismos de raciocínio, reflexão, curiosidade e sensibilidade (…)” (p. 82). Um pouco mais adiante, o autor aponta o carácter paradoxal do fenómeno da arte; carácter esse que também faz parte da natureza humana. A página 83 de Falar Piano e Tocar Francês levou-me a reler um artigo sobre Schopenhauer e o paradoxo que é a nossa vida, bem como a pensar no paradoxo do tempo (Aristóteles) e tantos outros que fazem parte dos livros de filosofia (e da nossa vida!). 

 

Ler este livro levou-me a reflectir sobre o papel da verdade e da forma estética e ética como a podemos investigar, seja na arte, seja na filosofia. Na p. 83 Sousa Tavares assume que “Nada por estar inteiramente certo ou errado”, apontando aqui uma atitude de humildade e de honestidade intelectuais que importa cultivar. Descarta-se o dogmatismo, um tudo ou nada,  e assume-se uma atitude de busca contínua pela resposta mais razoável ou pela melhor resposta às perguntas que a arte nos coloca de modo perpétuo. 

 

A haver uma função para a arte diria que se trata de  perpetuar as perguntas. É nesta linha que assumo o meu papel de mediadora entre a arte e a infância, tal como me aconteceu nos trabalhos desenvolvidos junto do MIAA , da exposição de fotografias de Alfredo Cunha ou na Bienal de Aveiro

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