filocriatividade

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🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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If we are constantly astonished at the child’s perceptiveness, it means that we do not take them seriously. Janusz Korczak (Joseph, 1999)

A frase de Janusz Korczak aponta para uma ideia exigente: o espanto constante perante a “perspicácia” das crianças pode revelar uma expectativa baixa. Surpreendemo-nos porque, no fundo, não contávamos que pensassem assim.

O espanto, neste caso, denuncia uma forma súbtil de desvalorização.

Confesso que nunca tinha formulado a questão desta maneira, embora me incomodem observações aparentemente inofensivas, como: “as crianças dizem coisas tão giras”.

Já dei por mim a pensar, sem dizer: “giras? giras, não, sérias!”.

Há algo nesse tipo de comentário que desloca o pensamento da criança para o campo do encantador, do curioso, mas não necessariamente do significativo.

É precisamente esse tipo de espanto que Korczak parece criticar, um espanto que diminui, porque parte de uma expectativa limitada: “não estava à espera disto vindo de uma criança”.

Mas talvez seja importante não rejeitar o espanto em si, e sim distinguir os seus modos. Há um outro espanto, que poderíamos chamar filosófico, que não assenta numa hierarquia implícita. É o espanto que reconhece o pensamento da outra pessoa, seja criança, jovem ou adulta, como genuinamente inesperado. Um espanto que não diminui, mas que desloca: “nunca tinha pensado nisso”.

Entre um e outro, joga-se algo decisivo. Não apenas a forma como olhamos para as crianças, mas a forma como entendemos o seu pensamento; pensamento que merece ser escutado com seriedade.

joana rita sousa

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