filocriatividade

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🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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O guarda-redes como filósofo

Estou encantada com este trabalho da Renascença, do jornalista Eduardo Soares da Silva, sobre o treinador Farioli. Lembro-me de ouvir falar que o tinha estudado Filosofia, quando foi contratado para o Futebol Clube do Porto. Talvez por questões clubísticas, não tive curiosidade em saber mais sobre os seus estudos, as suas investigações.

O podcast chama-se O Código Farioli, e neste episódio 2 é possível escutar a sua ideia de jogo pelo olhar do guarda-redes, a pessoa que está dentro e fora do jogo, simultaneamente. “O filósofo é o Homem que participa e está de fora.” O ser humano que se dedica ao ofício da Filosofia está no mundo e procura distanciar-se dele, tal como o guarda-redes.

Pensar o jogo

Talvez seja precisamente aí que o pensamento filosófico entra no futebol de Farioli: não apenas nas ideias tácticas ou nos métodos de treino, mas na forma como olha o jogo como uma experiência humana complexa, feita de percepção, tempo, risco, decisão e relação com os outros. O guarda-redes torna-se, então, mais do que um jogador; é uma figura filosófica, alguém obrigado a ler o mundo inteiro a partir de um lugar de aparente solidão.

Epoché entre os postes

Esse distanciamento faz-me lembrar a ideia de epoché: a suspensão do juízo, a tentativa de interromper, ainda que momentaneamente, os automatismos com que olhamos o mundo. O guarda-redes, como o filósofo, parece exercer esse gesto raro de suspensão — recua um passo para ver melhor, evita reagir imediatamente, procura ler o movimento antes de se deixar arrastar por ele.

Tanto no futebol como na Filosofia, pensar exige precisamente isso: a capacidade de habitar o jogo sem ficar totalmente preso à vertigem do jogo.

joana rita sousa

(A propósito de Filosofia e Futebol, há uns anos troquei umas bolas com o Luís Cristovão que resultaram neste e neste artigo. Boas leituras!)

imagem: Renascença

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