
Os nomes de Feliza, escrito por de Juan Gabriel Vásquez, é um belíssimo livro que reconstitui a trajetória de Feliza Bursztyn, escultora colombiana de origens judaicas que viveu entre o desejo de liberdade e as amarras de um mundo que não estava preparado para ela.
A partir da história de Felicia – o seu nome inicial e que decidiu alterar para Feliza – serve como espelho de tensões mais amplas — identitárias, artísticas, de género, de política, de memória — que afetam muitas pessoas e dá oportunidade aos leitores para refletirem sobre a dificuldade de conciliar as diferentes liberdades com as normas, os preconceitos, harmonizar as limitações sociais e políticas.
Trata-se de uma narrativa que entrelaça vida íntima, memória familiar, exílio e arte numa sociedade marcada pela violência política, o patriarcado e o deslocamento transnacional.
Feliza emerge como alguém que enfrenta as convenções sociais e culturais— a ditadura do realismo artístico, as expectativas sobre o papel da mulher na arte, o que é ser mulher — procurando, sempre, construir-se livremente, nas diferentes dimensões da vida. Desejou ser livre. Lutou pela sua liberdade. Amou a vida. Viveu intensamente e de forma despreconceituosa.
Feliza é símbolo de uma identidade em transformação —, até ao momento súbito da sua morte, aos 48 anos, num restaurante de Paris, acompanhada de amigos e do célebre escritor Gabriel García Márquez, que escreveu que ela “morreu de tristeza”.
Júlia Martins
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