
Numa oficina de férias da Páscoa, com um pequeno grupo de crianças dos 7 aos 12 anos, lancei um desafio logo no início:
hoje não estamos preocupados com as respostas.
O que é uma pergunta?
Começámos com uma pergunta simples:
o que é uma pergunta?
A partir daí, fomos recolhendo exemplos.
As perguntas do dia a dia.
As que se repetem.
As que fazemos quase sem pensar.
Que perguntas fazemos mais vezes?
E o que é que essas perguntas mostram sobre nós?
Pouco a pouco, deixámos de apenas perguntar — e passámos a pensar sobre o acto de perguntar.
Escolher um tema… em forma de pergunta
Num segundo momento, apresentei vários temas — não como temas, mas sim como perguntas.
E lancei um novo desafio: escolher uma para investigarmos juntos.
Mas antes de escolher surgiu outra questão: como vamos decidir?
Decidir também é um problema filosófico
Votar?
Chegar a consenso?
Inventar outra forma?
Começámos a explorar as possibilidades.
O que é mais justo?
O que é mais rápido?
O que permite escutar toda a gente?
De repente, a escolha deixou de ser apenas um meio.
Passou a ser também um problema.
Quem faz as perguntas?
Ao longo da oficina foi-se tornando claro que perguntar é uma forma de participação.
Em muitos contextos são os adultos que fazem a maioria das perguntas.
São eles que orientam, que conduzem, que validam.
Mas o que acontece quando esse lugar se abre às perguntas das crianças?
As perguntas das crianças são levadas a sério?
O segredo para ter um filho filósofo é deixá-lo fazer todas as perguntas? “O segredo é levar as suas perguntas a sério. Deixe-os saber que se preocupa com a sua curiosidade – e que se preocupa com o que eles pensam”, responde, acrescentando que “todos os miúdos são filósofos porque estão confusos com o mundo e estão a tentar compreendê-lo.
Scott Hershovitz em entrevista ao Público (1 de Junho 2023)
Levar as perguntas a sério
Trabalhar a partir do que não se sabe — e não apenas do que já se sabe — muda a forma como pensamos.
As perguntas deixam de ser apenas um caminho para respostas e passam a ser o próprio trabalho.
Terminámos com uma última pergunta: o que aconteceu ao meu pensamento durante a oficina?
E respondemos, pois claro.
joana rita sousa
Para continuar a pensar sobre perguntas
Se este tema lhe interessa, talvez possa continuar por aqui:
7 razões + 1 para amar a filosofia — onde a pergunta surge como parte de um conjunto mais amplo de práticas do pensar.
O quadrante das perguntas — uma ferramenta para distinguir diferentes tipos de perguntas e perceber que nem todas fazem o mesmo.

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