
Vi a Animais de Rua a anunciar a Masterclass Online “Como compreender e lidar com as expressões do Luto pela Perda de um Animal de Estimação” e foi assim que conheci o trabalho da Dra. Maria Estrela, que através do linkedin.
A morte de um animal de estimação é, frequentemente, o primeiro contacto próximo de uma criança com a morte. Pensei: talvez a Dra. Maria Estrela possa contribuir para o blog com um texto sobre o tema. E aqui estamos! Agradeço a disponibilidade da Dra. Maria Estrela.
*
Perder um animal de estimação pode ser muito difícil para crianças e adolescentes, mas muitas vezes essa dor é pouco valorizada. Para muitas crianças, é a primeira experiência de perda e pode ser uma oportunidade importante para aprender a lidar com emoções.
Um estudo da Universidade de Harvard (2020) mostrou que a morte de um animal pode aumentar o sofrimento emocional, especialmente em crianças mais novas ou em situações de maior vulnerabilidade. Os animais funcionam como figuras de ligação, trazendo conforto e segurança, e a sua perda pode provocar reações de luto parecidas com outras perdas significativas.
Falar com honestidade
- Evite dizer “foi dormir” ou “foi embora”, porque isso pode gerar medo ou confusão.
- Responda com clareza e simplicidade; dizer “não sei” é aceitável.
- Não invente histórias (“foi viajar”, “fugiu”), pois isso pode comprometer a confiança da criança.
Como entendem a morte
- Até 5 anos: podem pensar que a morte é temporária e perguntar várias vezes se o animal vai voltar.
- 5 a 9 anos: já percebem que é definitiva, mas podem ter dificuldade em entender os sentimentos que surgem.
- A partir dos 10 anos e na adolescência: entendem que a morte é definitiva, mas viver o luto nesta fase, já cheia de desafios emocionais, pode ser bastante complicado, muitas vezes causando tristeza intensa, irritabilidade ou afastamento.
Sinais de que estão a sofrer
- Voltar a comportamentos mais infantis
- Alterações do sono ou cansaço
- Dificuldade de concentração ou irritabilidade
- Isolamento social
- Medo de novas perdas
Estas reações são normais e podem durar algumas semanas.
Como apoiar
- Reconheça a perda e valide os sentimentos (“é normal sentires-te assim”).
- Crie um espaço seguro para falar ou expressar emoções através de desenho, escrita ou outras atividades.
- Mantenha rotinas e estrutura.
- Ajuste expectativas temporariamente, se notar impacto no comportamento ou rendimento.
- Faça pequenos rituais de despedida: desenhar o animal, escrever uma carta, plantar algo em memória ou criar pequenos objetos simbólicos. Estes gestos ajudam a processar a perda.
- Observe continuamente o comportamento e o bem-estar.
- Evite substituir o animal imediatamente, deixando que o luto aconteça de forma natural.
Quando procurar ajuda
Procure apoio profissional (psicólogo, pediatra ou psiquiatra) se:
- O sofrimento atrapalha o dia a dia da criança ou adolescente.
- Persistem alterações no comportamento, humor ou rendimento escolar.
- A criança ou jovem deixa de participar em atividades habituais.
- Surgem sinais fortes de ansiedade, culpa ou isolamento prolongado.
O luto por um animal de estimação é real e legítimo. O papel do adulto é criar um espaço seguro, apoiar a expressão das emoções e ajudar a criança ou jovem a compreender a perda. Pequenos gestos de atenção, validação e rituais simbólicos podem ter um efeito duradouro no seu desenvolvimento emocional.
Maria Estrela Felício – Médica Veterinária (BR), especializada no apoio ao luto pela perda de um animal de estimação
E-mail apoioaolutopet@gmail.com / Linkedin

Deixe um comentário