A oficina Abrir o MUZEU às Perguntas partiu de um dos gestos centrais que atravessam a identidade do MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst: criar um espaço onde a arte, a filosofia e o pensamento crítico se encontram através do diálogo e da participação. Inserida numa programação que entende o museu como ágora contemporânea, a oficina convidou famílias a pensar sobre o papel dos museus, das perguntas e da própria experiência de pensar em conjunto.

Que sentido tem visitar um museu só com perguntas? “Para mim tem sentido, porque posso ficar com mais curiosidade para encontrar as respostas”, disse uma das crianças presentes. Pensámos em perguntas, mas também no diálogo em si mesmo.
A dada altura, o diálogo surgiu como uma possibilidade, um caminho, para lidar com alguém que não concorda connosco. Explorámos essa ideia numa via colaborativa que incluiu pensar em bolinhos de bacalhau (só mesmo quem esteve na oficina sabe do que falamos!).
Será que conseguimos convencer alguém pelas palavras? E pela comida?

Depois de registarmos perguntas e de reflectirmos sobre o seu papel, assumimos o papel de pessoas curadoras da exposição: que critérios orientarão a escolha das perguntas a apresentar?
A lista revelou-se extensa e, nalguns casos, observámos alguma tensão entre os critérios: surgiram propostas como “perguntas que façam rir” a par de “perguntas que façam chorar”, evidenciando diferentes concepções sobre o que torna uma pergunta relevante ou significativa.
Para além da escolha das perguntas, emergiu uma camada adicional de complexidade: a necessidade de escolher os próprios critérios. Que critérios devem orientar a escolha de critérios? Esta meta-reflexão ficou em aberto por falta de tempo, mas não sem antes termos conseguido dar forma a um gesto simbólico: a “inauguração” do nosso Museu de Perguntas — um museu que, por agora, existe sobretudo no espaço partilhado da imaginação das famílias que estiveram presentes.
joana rita sousa
📷 Hugo Delgado / MUZEU

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