
Um projecto nascido entre a filosofia e a criatividade
A filocriatividade nasce da vontade de criar espaços onde a filosofia possa acontecer de forma viva, próxima e acessível.
O projecto parte da Filosofia para/com Crianças e Jovens e cruza-a com práticas de criatividade, nomeadamente as propostas desenvolvidas por Edward de Bono e Ellen Duthie. O ponto de encontro está na curiosidade, na pergunta, na imaginação e na possibilidade de olhar para o mundo a partir de diferentes perspectivas.
Pensar não se reduz a procurar respostas; pensar passa também por aprender a formular melhores perguntas, a escutar diferentes ideias e a construir pensamento em conjunto.
Dois eixos de trabalho: formação e oficinas para filosofar em comunidade
A filocriatividade desenvolve-se em dois grandes eixos.
Por um lado, existe um trabalho de formação dirigido a professores, educadores, mediadores e outras pessoas adultas interessadas em criar espaços de diálogo e pensamento. Estas formações exploram ferramentas e metodologias que permitem levar a filosofia e a criatividade para diferentes contextos educativos e comunitários.
Por outro lado, crio e dinamizo oficinas de filosofia para/com crianças e jovens, famílias e grupos intergeracionais. São encontros onde histórias, imagens, jogos, objectos, lugares ou situações do quotidiano podem ser o ponto de partida para pensar em conjunto.
Cada oficina é um convite a parar, observar, perguntar, escutar e dialogar.
Um projecto com muitos quilómetros e muitas perguntas
Ao longo do seu percurso, a filocriatividade já realizou 21.026 oficinas, envolvendo 46.012 participantes.
De Norte a Sul do país, passando pelas ilhas, o projecto chegou a diferentes comunidades e contextos. Também atravessou fronteiras, com experiências e colaborações em Moçambique e, mais recentemente, com a possibilidade de trabalhar à distância, criada pela pandemia, que abriu portas para encontros com outros países, como São Tomé e Príncipe, Roménia e Brasil.
A filosofia pode acontecer em muitos lugares
A filocriatividade acontece onde houver espaço e tempo para pensar.
Ao longo dos anos, as oficinas chegaram a bibliotecas escolares e municipais, museus (MUZEU, MIAA, Museu do Mar Rei D. Carlos I), teatros, associações culturais, festivais de filosofia (Festival de Filosofia de Abrantes, ESPANTO), festivais literários, cemitérios e empresas.
Trabalhar filosofia em diferentes lugares significa também reconhecer que o pensamento não pertence apenas às salas de aula. Pode acontecer num museu diante de uma obra, numa biblioteca a partir de uma história, num cemitério perante as grandes perguntas da existência ou numa empresa quando é necessário pensar em conjunto.
Criar condições para pensar
Filosofar é uma prática que se aprende e se cultiva.
Como?
Dando tempo às perguntas.
Experimentando o diálogo como ferramenta de descoberta.
Desenvolvendo um pensamento mais crítico, criativo, cuidadoso e colaborativo.
O foco não passa por transmitir conteúdos da História da Filosofia, mas sim de criar condições para que crianças, jovens e pessoas adultas possam pensar de modo mais claro e lúdico.
Uma pergunta pode ser o início de muitas possibilidades.
Nota: este texto serviu de orientação à minha participação na mesa-redonda das 2.ªs Jornadas Arte e Educação, promovidas pela Arte Central, no dia 3 de Julho de 2026.

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