filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    joana rita #filocriatividade

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    Uma nota inicial: chamar “erros” talvez seja excessivo. Na verdade, falamos de um modo de reagir bastante humano.

    Todos nós já respondemos demasiado depressa, mudámos de assunto ou tentámos encontrar uma resposta perfeita.

    O problema não é fazê-lo ocasionalmente; é não percebermos como essas respostas podem, por vezes, fechar um diálogo que estava mesmo a começar.

    1. Responder demasiado depressa

    Às vezes a criança ainda a criança está a formular a pergunta ou o comentário e o adulto já avança com uma hipótese ou uma recusa para abordar o tema.

    Escrevi sobre a importância de acolher as perguntas das crianças no artigo É normal uma criança perguntar tanto? onde exploro o papel da curiosidade no desenvolvimento do pensamento.

    2. Pensar que todas as perguntas precisam de uma resposta

    Recordo-me de uma ideia partilhada pela Ellen Duthie: há perguntas que são perguntas para a vida e que vão acompanhar-nos uma e outra vez.

    Nem todas as perguntas precisam de uma resposta fechada, imediata e definitiva. Algumas precisam de tempo para serem contempladas. Outras precisam de silêncio para serem compreendidas. E há perguntas que, em vez de pedirem uma resposta, pedem outra pergunta.

    Quando respondemos demasiado depressa, podemos impedir que a pergunta continue a fazer eco dentro de nós.

    3. Confundir curiosidade com desafio

    Há adultos que, quando ouvem uma criança perguntar “Porquê?”, sentem que a sua autoridade está a ser posta em causa. Porém, na maioria das vezes, não é isso que está a acontecer.

    A criança não está necessariamente a contestar uma regra ou uma decisão; está a tentar compreender o mundo. Interpretar a curiosidade como desobediência pode levar-nos a interromper uma investigação que estava a dar os primeiros passos.

    4. Dar respostas demasiado completas

    É comum os adultos quererem muito dar respostas muito completas, como se fosse importante resolver definitivamente a questão naquele momento.

    Queremos explicar tudo, fechar o assunto e evitar que a pergunta volte a surgir.

    Uma boa conversa filosófica termina com uma compreensão mais profunda do problema e com novas perguntas. Ao tentarmos arrumar a pergunta de forma demasiado simplista, podemos retirar à criança a possibilidade de continuar a pensar sobre ela.

    Esta atitude pode tornar-se um obstáculo à prática da humildade intelectual, isto é, à capacidade de reconhecer que o nosso conhecimento é limitado, que as nossas explicações podem ser provisórias e que uma pergunta pode merecer várias respostas possíveis ao longo da vida.

    5. Corrigir antes de compreender

    A criança diz qualquer coisa que nos soa a errado. Por exemplo, numa oficina uma das crianças afirmou que “Não posso dizer que a terra é redonda.” O que fiz foi perguntar: “Então, o que queres dizer com isso?”

    Seria precipitado concluir que a criança está a defender que a terra é plana; e mesmo que fosse essa a sua ideia, nada como pedir esclarecimentos e solicitar as razões que fundamentam as suas ideias. Primeiro que tudo há que compreender o que a criança quer dizer.

    6. Ter medo de dizer “Não sei”

    Em tempos, um pai confessou-me que não era grande apreciador das várias perguntas que o filho lhe apresentava. Porquê?, perguntei eu. A resposta: “É que se eu não tenho a resposta, o que faço? Sou o pai, devia saber responder!”

    Tal como acontece com este pai, há adultos sentem que devem ter uma resposta para todas as perguntas das crianças. Quando não a têm, receiam perder credibilidade.

    No entanto, dizer “Não sei” pode ser uma excelente resposta, desde que não termine a conversa. Podemos ainda acrescentar: “Nunca tinha pensado nisso.”, “O que pensas tu?” ou “Como poderíamos investigar essa pergunta?”.

    Ao reconhecer que também temos dúvidas, mostramos às crianças que pensar não consiste em saber tudo, mas em permanecer disponível para investigar.

    7. Transformar todas as perguntas numa lição

    Às vezes basta pensar, não é preciso moralizar.

    Nem todas as perguntas precisam de terminar numa moral da história ou numa explicação sobre aquilo que está certo e aquilo que está errado.

    Por vezes, basta explorar a pergunta. O simples facto de escutarmos diferentes perspectivas, procurarmos razões ou imaginarmos alternativas já constitui uma aprendizagem.

    8. Valorizar apenas as perguntas “inteligentes”

    Há perguntas que parecem profundas à primeira vista e outras que parecem demasiado simples. Mas nem sempre as mais interessantes são aquelas que soam mais filosóficas (seja lá o que isso for!)

    A pergunta “Porque é que temos de arrumar os brinquedos?” pode abrir uma investigação sobre regras ou responsabilidade e até mesmo sobre justiça. Acolher uma pergunta é meio caminho andado para aprofundar o que nos parece simples.

    9. Apressar o diálogo

    Vivemos rodeados de horários, tarefas e interrupções. É natural sentirmos vontade de responder rapidamente e seguir em frente.

    No entanto, o pensamento precisa de tempo. Algumas perguntas ganham profundidade quando lhes damos espaço para amadurecer, quando aceitamos alguns segundos de silêncio ou quando regressamos ao mesmo assunto dias mais tarde.

    Nem todos os diálogos precisam de terminar no momento em que começaram.

    10. Esquecer que a pergunta também é para nós

    Quando uma criança pergunta, é fácil pensarmos que espera apenas uma resposta nossa — tal como referi no exemplo anterior, do pai que se afligia com as perguntas do filho.

    Muitas perguntas que escuto nas oficinas acabam por me interpelar, por me convidar a pensar ou a voltar a pensar. Considero que tenho uma oportunidade para revisitar ideias, para reconhecer dúvidas e, por vezes, para descobrir que nunca tinha pensado verdadeiramente naquele assunto.

    Julgo que essa é uma das maiores riquezas do diálogo filosófico: as perguntas das crianças não transformam apenas as crianças. Transformam também os adultos que aceitam pensar com elas.

    joana rita

    Se gostou de ler este artigo, então talvez valha a pena ler os seguintes:

    É normal uma criança perguntar tanto? — porque as perguntas são uma forma de compreender o mundo.

    O que é a Filosofia para Crianças? — uma introdução ao diálogo filosófico e à comunidade de investigação.

    Debate ou diálogo em sala de aula: o que estamos realmente a promover? — porque pensar em conjunto é diferente de tentar convencer.

    Quando um livro pergunta — como a literatura pode tornar-se um ponto de partida para o pensamento.

    O que pode uma pergunta? — uma reflexão sobre a curiosidade, a ignorância e o papel das perguntas no desenvolvimento do pensamento.

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    joana rita #filocriatividade

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    Uma formação especializada pode fazer diferença para quem já trabalha na área da Filosofia para Crianças e Jovens ou para quem pretende começar a desenvolver práticas.

    Estão abertas as candidaturas para a 8.ª edição da Pós-Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.

    Uma formação para aprofundar a Filosofia para Crianças e Jovens

    A pós-graduação permite contactar com diferentes dimensões da área, articulando fundamentos filosóficos, questões educativas e metodologias de intervenção.

    São 96 horas de formação, correspondentes a 16 ECTS,

    Uma formação deste género pode ser uma oportunidade para pensar sobre aquilo que fazemos quando criamos condições para o filosofar das crianças e jovens.

    Quem pode beneficiar desta formação?

    Professores, educadores, profissionais de bibliotecas, museus e outras instituições culturais e educativas, facilitadores de comunidades de investigação e todos aqueles que desenvolvem — ou pretendem desenvolver — projectos relacionados com filosofia, educação e pensamento crítico podem encontrar aqui um espaço de aprofundamento.

    Uma das riquezas de uma formação nesta área está precisamente na possibilidade de experimentar, questionar, observar e discutir as próprias práticas.

    E se não está em Lisboa, não se preocupe: a edição pode ser frequentada em regime e-learning, com aulas síncronas e assíncronas. Esta possibilidade tem sido concretizada nas últimas edições, permitindo que estudantes que vivem fora de Lisboa — e até fora de Portugal — possam frequentar a formação. Assim, a localização geográfica deixa de ser necessariamente um obstáculo à frequência da pós-graduação.

    Faço parte da equipa docente

    Nesta edição, integro novamente a equipa docente da pós-graduação. Estarei responsável por duas unidades curriculares: Metodologias em Filosofia para Crianças e Jovens e Pensamento Crítico e Pensamento Criativo.

    Pensamento Crítico e Pensamento Criativo.

    São duas áreas que atravessam grande parte do meu trabalho enquanto filósofa, formadora e facilitadora de Filosofia para Crianças e Jovens.

    Tenho trabalhado nesta área há cerca de vinte anos e continuo a considerar fundamental criar espaços de formação onde seja possível não apenas aprender metodologias, mas também pensar filosoficamente sobre aquilo que fazemos quando trabalhamos com crianças e jovens.

    Para lá das respostas prontas

    Uma formação em Filosofia para Crianças e Jovens deve ajudar-nos a formular melhores perguntas.

    Perguntas sobre o que significa filosofar com crianças, sobre o papel do adulto numa comunidade de investigação, obre o que torna uma pergunta filosófica, sobre a relação entre pensamento crítico e criatividade, sobre a importância do diálogo. E, sobretudo, sobre que condições precisamos de criar para que crianças e jovens possam pensar por si próprios de modo colaborativo.

    É esse tipo de trabalho que esta pós-graduação procura aprofundar.

    8.ª edição da Pós-Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens

    🟪 96 horas | 16 ECTS
    🟪 Início: 17 de outubro de 2026
    🟪 Possibilidade de frequência em regime e-learning
    🟪 Aulas síncronas e assíncronas, sem necessidade de deslocação à Faculdade
    🟪 Candidaturas até 23 de setembro

    Pode consultar o plano de estudos, a equipa docente, as condições de acesso e todas as informações sobre a candidatura na página da Pós-Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens da FCH-Católica.

    Se a Filosofia para Crianças e Jovens faz parte do seu trabalho — ou se gostaria que passasse a fazer — talvez esta seja uma boa altura para aprofundar esse caminho.

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    Perguntar não mata: guia de exploração, para famílias, nos cemitérios

    Perguntar não mata é uma proposta de guia nos cemitérios para famílias e para escolas.

    A primeira proposta convida a conhecer o Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, nomeadamente um dos seus monumentos mais imponentes. O guia está disponível, gratuitamente, no Boletim Cultural dos Cemitérios de Lisboa #8.

    3 razões para visitar um cemitério, em família

    Para olhar para a vida através da memória dos outros

    Epitáfios, fotografias, esculturas, nomes, datas e objetos contam histórias. Observar esses vestígios pode levar a perguntas sobre quem fomos, o que deixamos e como queremos ser lembrados.

    Para aprender a olhar para um lugar de outra maneira

    Um cemitério é simultaneamente espaço de memória, património, arte e afectos. Uma visita pode transformar um passeio numa pequena investigação: O que estamos a ver? O que podemos descobrir? O que não conseguimos saber?

    Para conversar sobre a morte sem ser preciso esperar que ela aconteça

    O cemitério pode ser um ponto de partida para falar sobre a morte, a perda, o medo, as despedidas e aquilo que pensamos que acontece depois.

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    Uma visita em família ao cemitério não tem de ser uma visita “sobre a morte”. Pode ser uma oportunidade para conversar sobre a vida a partir de um lugar onde a morte está presente.

    joana rita

    Nota: imagem gerada por IA.

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    Cluj Philosophy Festival, 3rd Edition, October 14–19, 2026

    When the festival organizers chose the question “What do we still have in common?” as the theme for this year’s edition, they did not conceive of it in a nostalgic sense—as if we once shared a great deal, only to be left with little today. They did not intend to suggest that we shared so much in the past and that the present has become impoverished.

    The question is oriented toward the future, taking as its starting point the current experience of a “tragedy of the non-common,” as some authors term it. We begin with observations that are simple and accessible to everyone: collective action has become increasingly difficult to realize as we witness a world dominated by arbitrary powers and the operations of massive global economic groups; as citizens’ political engagement wanes and democracies weaken; and as the social fabric erodes, making way for forms of discourse and action that are fusionist, communitarian, and exclusionary—such as nationalism, xenophobia, racism, identity- and security-based paranoia, and discrimination against various types of minorities.

    For more details, check out the Festival’s facebook page.

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    Tenho comigo o exemplar 15/99 do livro A Loja dos Defeitos. Trata-se, portanto, de uma edição numerada e limitada, o que torna este livro ainda mais precioso enquanto objecto.

    “A minha avó encontrava defeitos em tudo o que via” — é assim que começa o texto assinado por Joana Rocha, estando as ilustrações ao cargo de Lisa Penedo e Marta Curtis.

    A primeira pergunta que o livro nos coloca é precisamente esta: o que é um defeito?

    Quando uma palavra comum se transforma numa pergunta

    A palavra “defeito” parece simples. Usamo-la para falar de objectos, de situações e até de pessoas — quem nunca perguntou a alguém “qual é o teu maior defeito?

    Mas quando paramos para pensar, percebemos que não é assim tão evidente.

    O que é um defeito?

    Algo que está errado?

    Algo que não corresponde ao esperado?

    Algo que alguém decidiu que deveria ser diferente?

    Será que existe um defeito por si mesmo ou será que aquilo que chamamos defeito depende sempre de um contexto, de um olhar, de uma comparação?

    Esta é uma das portas de entrada para a filosofia para/com crianças: transformar aquilo que parece óbvio numa pergunta.

    Na tradição da filosofia para/com crianças, desenvolvida por Matthew Lipman e Ann Margaret Sharp, entre outros, a investigação filosófica surge frequentemente a partir dos conceitos do quotidiano. Em Philosophy in the Classroom (1980), Lipman, Sharp e Oscanyan defendem a importância de criar espaços onde as crianças possam perguntar, argumentar e construir pensamento em conjunto.

    A Loja dos Defeitos oferece uma excelente oportunidade para uma comunidade de investigação filosófica: quem decide o que é um defeito? Uma característica pode ser um defeito num contexto e uma qualidade noutro?

    O lugar da imagem: olhar de novo para aquilo que parecia estranho

    Num livro que fala de defeitos, a presença das ilustrações ganha uma importância particular.

    As imagens de Lisa Penedo e Marta Curtis ajudam a construir o ambiente desta loja improvável: há senhas que tiramos para esperar pela nossa vez, há objectos e elementos que nos transportam para um espaço onde o negócio passa por vender aquilo que normalmente tentamos esconder.

    As ilustrações, pontuadas por colagens, tornam o livro ainda mais especial enquanto experiência física. A própria forma do livro parece convidar-nos a olhar com atenção para aquilo que poderia passar despercebido.

    Dos defeitos às possibilidades: pensar criativamente

    Esta transformação do olhar aproxima-se das propostas de pensamento criativo de Edward de Bono.

    O pensamento lateral convida-nos a procurar alternativas às interpretações habituais. Em vez de aceitar uma leitura única de uma situação, experimentamos outras possibilidades.

    Um traço que parece uma limitação pode revelar uma capacidade. Uma diferença pode tornar-se uma oportunidade. Uma falha pode abrir um caminho inesperado.

    Mas esta ideia não significa afirmar que todos os defeitos são virtudes. Significa antes perguntar: que critérios usamos para decidir que algo tem valor?

    Quem define o que é perfeito?

    É aqui que o livro convida a uma conversa em torno da ética.

    Quando chamamos algo de “defeito”, estamos sempre a partir de uma ideia de como algo deveria ser. Mas de onde vem essa ideia? Quem estabelece esses modelos?

    A pergunta das crianças que devolve a filosofia aos adultos

    Um dos autores de referência da área da filosofia para/com crianças, Gareth Matthews, mostra como muitas perguntas das crianças têm uma força filosófica precisamente porque questionam aquilo que os adultos já deixaram de interrogar.

    Uma criança pode perguntar:

    “Porque é que isso é um defeito?”

    Essa pergunta obriga-nos a justificar algo que talvez nunca tenhamos pensado verdadeiramente.

    A Loja dos Defeitos não nos dá uma resposta fechada sobre a imperfeição, já que o livro é um convite para perguntar e contemplar várias perguntas — e possibilidades de resposta.

    O livro permite-nos colocar em prática um dos elementos fundamentais da filosofia para/com crianças: aprender a perguntar antes de corrigir; aprender a escutar antes de classificar; e aprender a descobrir possibilidades onde antes víamos apenas falhas.

    joana rita

    A Loja dos Defeitos, de Joana Rocha, Marta Curtis e Lisa Penedo, Goonas Edições

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    Procura recomendações de livros para a sua lista de compras da Feira do Livro do Porto? Aqui encontra sugestões que têm sempre um assumido enviesamento filosófico.

    Para quem quer começar a ler Filosofia

    Toma um café com Sócrates, de Elke Wiss, Planeta

    O que é a Filosofia?, de António de Castro Caeiro, Tinta-da-China

    Grande História Visual da Filosofia de Masato Tanaka, Marcador

    Livros que provocam perguntas

    Quarto escuro, de Inês Barata Raposo e Pedro Pousada, Bruaá Editora

    Harold e o lápis púrpura, de Crockett Johnson, Relógio D’Água

    Esta árvore é minha (não te aproximes), de Oliver Tallec, Nuvem de Letras

    Literatura com um toque de Filosofia

    A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, Editorial Presença

    Tudo na natureza apenas continua, Yiyun Li, Alfaguara

    O que a chama iluminou, de Afonso Cruz, Companhia das Letras

    Outros livros

    A Arte de Não Ter Sempre Razão, de Martin Desrosiers, Zigurate

    Pensar Melhor, de Adam Grant, Vogais

    Não Acredites em Tudo — Como as teorias da conspiração nos tentam manipular, de Renato Rocha, Planeta

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    Alguns destes livros já foram sugeridos na newsletter #LivrosPerguntadores.

    Convido-o/a a subscrever AQUI.

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    Hoje, 12 de agosto de 2026, um eclipse solar vai atravessar o céu de várias regiões do mundo.

    Um eclipse é, antes de mais, um fenómeno astronómico. A Lua passa entre a Terra e o Sol e a sua sombra atinge a superfície terrestre. Dependendo do lugar onde estamos, podemos observar um eclipse total ou parcial.

    Para quem já visita este blog há algum tempo, aposto que adivinha o que vou dizer: um eclipse também pode ser uma excelente ocasião para perguntar.

    Quantas perguntas cabem num eclipse?

    Imagine uma criança a olhar para o céu.

    Porque é que o Sol desapareceu?

    É uma pergunta que podemos responder recorrendo à astronomia. Mas podemos continuar:

    Como sabemos que isto vai acontecer?

    Aqui já entramos no território do conhecimento e da previsão.

    Se estivermos dentro de casa e não virmos o eclipse, ele aconteceu na mesma?

    A questão é outra: estamos a perguntar pela relação entre realidade e observação.

    Porque é que algumas pessoas viajam centenas ou milhares de quilómetros só para ver um eclipse?

    Podemos falar de curiosidade, de experiências raras, de valor e de expectativa.

    Talvez surja ainda outra pergunta: Se toda a gente soubesse exactamente quando o eclipse ia acontecer, ele continuaria a ser surpreendente?

    Uma pergunta pode, portanto, começar por procurar uma explicação e acabar por abrir uma investigação.

    Perguntar não é apenas pedir informação

    As crianças fazem perguntas desde muito cedo. E essas perguntas não têm todas a mesma função.

    Algumas procuram informação: “Que horas são?”

    Outras procuram uma explicação: “Porque é que acontece um eclipse?”

    Outras procuram esclarecimento: “Mas a Lua fica mesmo à frente do Sol?”

    E outras podem levar-nos para questões mais abertas: “Como sabemos que aquilo que vemos é mesmo o que está a acontecer?”

    A investigação sobre o questionamento infantil tem mostrado precisamente que as perguntas desempenham um papel importante nos processos de compreensão e aprendizagem. As perguntas das crianças não se limitam a pedidos de informação: podem orientar a procura de explicações, ajudar a construir conhecimento e revelar aquilo que a criança está a tentar compreender.

    Também no ensino das ciências se tem defendido a importância das perguntas dos alunos para a construção do conhecimento. Jonathan Osborne e Emily Reigh, por exemplo, distinguem diferentes funções epistemológicas das perguntas, incluindo perguntas sobre entidades e acontecimentos, perguntas causais e perguntas sobre o próprio conhecimento.

    Isto não significa que se deva transformar todas as perguntas das crianças em perguntas filosóficas.

    Uma pergunta científica continua a ser uma pergunta científica. Uma boa explicação científica é importante. Perante o mesmo fenómeno, podem surgir diferentes tipos de investigação.

    Do “como acontece?” ao “o que significa?”

    É aqui que um fenómeno como o eclipse se torna particularmente interessante para uma sessão de Filosofia para Crianças.

    Podemos começar por aquilo que observamos: O Sol parece desaparecer.

    Depois procurar uma explicação: A Lua passa entre a Terra e o Sol e bloqueia a luz solar.

    Mas podemos continuar a perguntar: Se o eclipse não fosse observado por ninguém, teria acontecido?

    Ou: Como sabemos que um acontecimento que não podemos observar diretamente aconteceu?

    Ou ainda: Uma coisa precisa de ser vista para ser real?

    Estas perguntas já não se resolvem simplesmente procurando uma informação numa enciclopédia. Precisamos de pensar, apresentar razões, ouvir outras perspectivas, avaliar argumentos e eventualmente rever aquilo que pensamos.

    É precisamente este movimento de investigação partilhada que está no centro de muitas abordagens de Filosofia para Crianças.

    O diálogo filosófico pretende criar condições para que possamos investigar perguntas, construir e avaliar razões e pensar em conjunto. A literatura sobre Filosofia para Crianças descreve diferentes modalidades desta prática, mas a dimensão dialógica e investigativa é uma preocupação recorrente.

    Um eclipse também pode ser uma oportunidade para escutar

    Um fenómeno comum a um grupo permite que cada participante chegue ao diálogo com uma experiência própria. Cada um de nós olhar para o mesmo céu. Será que vamos ver exactamente a mesma coisa? Será que vamos ter as mesmas perguntas? O eclipse tem o mesmo significado para todos? Isto pode ser filosoficamente produtivo.

    O que é que este eclipse nos faz perguntar?

    Um pequeno kit para dialogar sobre o eclipse

    Quer continuar esta conversa? Preparei um pequeno Kit de Diálogo sobre o Eclipse, com propostas para explorar estas e outras perguntas em família ou em grupo.

    O kit é exclusivo para subscritores da newsletter da filocriatividade.

    [Quero receber o kit]

    Um eclipse pode durar apenas alguns minutos, já as perguntas que ele provoca podem durar bastante mais tempo.

    Nota informativa

    Para a informação astronómica sobre o eclipse de 12 de agosto de 2026, vale a pena consultar a página da NASA dedicada ao fenómeno. É importante ter em conta as recomendações para observar um eclipse em segurança.

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    Filosofia para pessoas não filósofas (*) — é como quem diz, filosofia para todos. Acredite, até as filósofas e os filósofos precisam praticar estes (e outros exercícios) diariamente. Caso contrário, o pensamento pode enferrujar ou tornar-se rígido, com demasiada areia na engrenagem.

    Aqui ficam 3 exercícios que pratico no meu quotidiano. A minha sugestão é que experimente um exercício de cada vez.

    1- Desafio: ler um livro de um filósofo

    Uma das práticas diárias de alguém que se dedica à filosofia ou que a estuda, passa pela leitura. Ler um livro de um filósofo permite-nos dialogar com o seu pensamento e ampliar o nosso.

    Vai ler coisas com as quais concorda, outras das quais duvida e ainda outras com as quais discorda. Podem acontecer muitas coisas quando nos colocamos no lugar de uma pessoa filósofa e tentamos ver o mundo pelos seus olhos. Pode vir a gostar ou não do que escreveu essa pessoa – ou melhor, daquilo que lhe chega do seu pensamento, nos textos.

    E como escolher o livro? Sugiro que comece por um filósofo que suscite alguma curiosidade. Experimente a leitura de um dos diálogos de Platão, por exemplo. A Apologia de Sócrates. Se preferir um olhar mais contemporâneo, avance para Mary Midgley e o livro “Para que serve a filosofia?”

    A regra deste desafio é simples: se o livro se mostrar difícil, assuma que o vai tentar ler, pelo menos durante um mês. Não desista. Citando o professor Clóvis de Barros, “é uma questão de brio”.

    Intercale uma leitura filosófica com uma leitura não filosófica, para que o seu pensamento ganhe distância face à filosofia e depois possa mergulhar nela com dedicação.

    2 – Anunciar o que vamos dizer

    Esta é uma regra de diálogo que aprendi com o professor Oscar Brenifier.  Trata-se de uma regra simples e que pode ser levada para qualquer tipo de diálogo, não necessariamente filosófico. Pode ser útil, por exemplo, em reuniões de trabalho. Antes de falar, anuncie o que vais fazer: vou acrescentar uma ideia, vou contradizer, vou fazer uma pergunta, vou contar uma anedota, vou reforçar o que disse, entre outros.

    Isto exige que pensemos no que vamos dizer e na sua relação com o diálogo em curso. Além disso, tem como efeito a clarificação do discurso. Permite aos outros que analisem as tuas palavras com base no teu anúncio prévio.

    O exercício é simples, mas nem por isso está isento de esforço. Esta prática abre espaço para que se identifiquem momentos de mudança de ideias; algo que é bastante comum, mas do qual nem sempre temos consciência de quando ou como aconteceu.

    Sim, pensar exige tempo e este exercício combate a pressa que temos para dizer muitas coisas e ajuda-nos a ficar mais confortáveis com o silêncio.

    3 – Fazer perguntas à pergunta

    Compre um caderno com o qual possa andar, para todo o lado. O desafio passa por registar uma pergunta por dia. Pode fazer esse exercício a qualquer hora do dia: o importante é que registe uma pergunta, todos os dias, durante um mês. No mês seguinte, pegue na pergunta do dia 1 do mês passado e faça pelo menos três perguntas a essa pergunta: e por aí fora.

    Desta maneira amplia o exercício do perguntar, a partir de uma interrogação. No final desse mês terá as 30 perguntas iniciais e ainda 90 que surgiram a partir dessas. No mês seguinte o desafio passa por responder a uma pergunta por dia.

     “Mas respondo a qual delas, Joana?” Sugiro que abra o caderno de forma aleatória e comece a responder. Por escrito, sim. Tenho para mim que ler e escrever, usando o suporte papel e a caneta para o efeito, nos permite um diálogo mais próximo com o nosso pensamento. E isto é baseado numa história verídica — a minha.

    (*) entenda-se, para quem não faz da filosofia o seu ofício.

    joana rita

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    O que pode fazer a filosofia num museu, numa exposição, num festival ou num espaço patrimonial?

    A pergunta interessa-me porque o meu trabalho de mediação cultural não nasceu de uma tentativa de levar a filosofia para os museus. Nasceu de um percurso mais longo, construído entre a filosofia, o diálogo e a criação de espaços para pensar.

    Desde 2008 que desenvolvo oficinas de Filosofia para/com Crianças e Jovens. Ao longo deste percurso, a prática do diálogo filosófico tornou-se uma das dimensões centrais do meu trabalho.

    Mais recentemente, tenho vindo também a aprofundar o estudo da mediação cultural e do turismo cultural, procurando compreender melhor a relação entre as pessoas, o património, os lugares e as experiências culturais.

    É neste cruzamento que situo actualmente uma parte importante da minha prática: a mediação cultural e filosófica, como uma forma particular de pensar o encontro entre públicos, obras, lugares e ideias.

    Quando uma obra se torna uma oportunidade para pensar

    Uma exposição pode ser visitada, uma obra pode ser explicada, um objecto pode ser contextualizado, um lugar pode ser apresentado através da sua história — e tudo isto importa.

    Uma experiência cultural pode também abrir espaço e tempo para pensar a partir daquilo que encontramos.

    Uma obra pode provocar uma pergunta sobre liberdade. Uma fotografia pode levar-nos a pensar sobre memória. Uma instalação artística pode fazer surgir questões sobre poder. Um objecto pode alterar a nossa percepção de uma determinada época. Um lugar pode tornar concretas perguntas que, de outra forma, permaneceriam abstractas.

    É nesse território que a filosofia encontra a mediação cultural, permitindo que aquilo que vemos se transforme numa experiência de pensamento.

    Não se trata de uma aula de filosofia dentro de um museu

    A mediação cultural e filosófica que desenvolvo não consiste em pegar numa obra, escolher um conceito filosófico e construir à sua volta uma actividade.

    O ponto de partida é outro: interessa-me perceber que possibilidades de pensamento existem naquele encontro específico entre pessoas, obras e lugares.

    Interessa-me perceber que possibilidades de pensamento existem naquele encontro específico entre pessoas, obras e lugares.

    Cada contexto exige uma escuta diferente: uma exposição de arte contemporânea não oferece as mesmas possibilidades que um museu, uma fotografia não convoca necessariamente o mesmo tipo de experiência que um objecto patrimonial. Um grupo de crianças não chega a um espaço cultural com o mesmo olhar que um grupo de adultos.

    A mediação acontece precisamente nesse espaço de relação.

    O lugar convida a pensar

    Uma das dimensões que mais me interessa neste trabalho é a importância do lugar.

    Quando desenvolvo uma proposta de mediação, não penso apenas naquilo que está exposto. Penso também no espaço onde nos encontramos, naquilo que conta, naquilo que esconde, nas relações que permite estabelecer e nas perguntas que pode tornar possíveis.

    Esta perspectiva tornou-se particularmente evidente nas Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais, desenvolvidas desde 2024 nos Cemitérios de Lisboa.

    Aqui, o cemitério não é somente um cenário para uma oficina de filosofia, mas sim parte da própria experiência.

    A memória, a ausência, a passagem do tempo, a identidade, os rituais, os símbolos e as diferentes formas de relação com os mortos estão inscritos naquele espaço.

    O património deixa, assim, de ser apenas algo sobre o qual aprendemos e torna-se matéria para pensar.

    As Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais são, por isso, um exemplo particularmente claro daquilo que procuro fazer: cruzar filosofia, experiência cultural, património e diálogo, criando uma proposta que dificilmente caberia numa categoria convencional. O projecto tem vindo a afirmar-se como uma proposta singular no contexto português, trabalhando a morte com crianças e famílias em contexto cemiterial e articulando a prática filosófica com conhecimento especializado sobre os cemitérios enquanto espaços culturais e patrimoniais.

    Entre a obra e o público

    A mediação cultural acontece, em grande medida, nesse espaço intermédio e a pessoa que faz a mediação não é apenas como alguém que transmite informação.

    Existe uma dimensão de construção de condições para o encontro — é aqui que a minha formação em Filosofia para/com Crianças e Jovens tem sido determinante.

    O trabalho desenvolvido ao longo de anos com comunidades de investigação, a experiência na facilitação do diálogo e o estudo das condições que permitem que diferentes pessoas pensem em conjunto constituem uma base importante para este tipo de mediação.

    Não se trata de transportar mecanicamente uma prática de um contexto para outro, mas sim de reconhecer que há conhecimentos e competências desenvolvidos no trabalho filosófico — particularmente no questionamento, na escuta, na argumentação e no diálogo — que podem contribuir para outras formas de relação com a cultura.

    O diálogo não é apenas uma técnica

    Há uma tendência para pensar o diálogo como uma ferramenta que podemos acrescentar a uma actividade.

    Perguntamos. Damos a palavra. Ouvimos as respostas. Seguimos para a próxima pergunta. Mas o diálogo filosófico que tenho vindo a estudar e a praticar é mais exigente do que isso, pois implica criar condições para que as ideias possam ser examinadas.

    Pretendo transportar para os contextos culturais a experiência de pensamento partilhado, reconhecendo que um espaço cultural também pode ser um espaço de investigação.

    Da Filosofia para/com Crianças à mediação cultural

    O percurso que me trouxe até aqui começou, em grande medida, no trabalho com crianças e jovens.

    A Filosofia para/com Crianças ensinou-me a levar a sério as perguntas, a observar o modo como as pessoas constroem significado em conjunto e a reconhecer que o pensamento não precisa de acontecer apenas em contextos académicos.

    Ao longo dos anos, fui encontrando outros lugares onde estas práticas podiam fazer sentido (museus, cemitérios, exposições artísitcas, festivais literários…) e cada contexto permitiu-me também aprender.

    A importância do contexto

    Não vejo a mediação cultural e filosófica como uma metodologia com um conjunto fixo de passos, muito menos como uma fórmula poderia ser facilmente transportada de uma exposição para outra.

    Interessa-me precisamente o contrário, ou seja, partir de cada contexto. Por isso é que a preparação da oficina é tão importante para mim, fazendo uma visita prévia ao espaço para perceber o que o espaço oferece e encontrar algo que possa ser provocador de pensamento.

    Partir de cada contexto.

    Este é um trabalho que tem tanto de investigação quanto de criação.

    Uma prática que cruza diferentes saberes

    Hoje, quando penso na minha prática de mediação cultural e filosófica, reconheço nela vários percursos que se foram encontrando: a Filosofia para/com Crianças e Jovens, o estudo e a prática do diálogo, a investigação sobre pensamento crítico, a mediação cultural, o meu interesse pelo turismo cultural, a experiência em museus, exposições, festivais, bibliotecas e outros espaços culturais.

    Nenhum destes elementos, isoladamente, define aquilo que faço; é a sua combinação que dá forma à minha prática.

    Talvez por isso seja difícil descrevê-la apenas como “oficina de filosofia” ou “visita guiada”. É uma forma de mediação cultural que utiliza o pensamento e o diálogo como matéria de trabalho.

    E se a mediação não terminasse quando saímos do museu?

    Uma experiência cultural interessante não precisa de terminar quando atravessamos a porta de saída. Pode continuar numa pergunta — ou num guia orientador do diálogo.

    Tenho tido a oportunidade de criar guias ou guiões para pensar a partir de exposições ou outros espaços culturais. Em 2025 um desses trabalhos foi reconhecido com o Prémio Linguagem Clara, pela Acesso Cultura.

    Filosofia e mediação cultural: um território próprio

    Existem encontros em que a filosofia pode fazer algo particularmente interessante: abrir espaço para que o público não se limite a compreender aquilo que está diante de si, mas possa pensar a partir disso. Não se trata de ensinar as pessoas a olhar para uma obra de determinada maneira, mas sim de criar condições para que possam olhar, pensar e dialogar a partir dela.

    Diria que é aí que reside a diferença entre apresentar uma obra e mediar o encontro com ela.

    Uma obra pode ser explicada em poucos minutos; uma boa pergunta pode continuar connosco muito depois de termos saído do museu.

    boa pergunta pode continuar connosco muito depois de termos saído do museu.

    *

    Se procura uma forma diferente de aproximar os seus públicos de uma exposição, de um museu, de um espaço patrimonial ou de um festival, podemos pensar em conjunto uma proposta de mediação cultural e filosófica adequada ao seu contexto.

    Desenvolvo oficinas, visitas dialogadas e outros dispositivos de mediação a partir das características de cada espaço, obra e público, cruzando a minha experiência em Filosofia para/com Crianças e Jovens com a prática do diálogo, o estudo da mediação cultural e do turismo cultural.

    Se pretende criar uma experiência cultural que não termina quando acaba a visita, fale comigo.

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    joana rita #filocriatividade

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    “Mas as crianças conseguem fazer filosofia?”

    Esta é, provavelmente, a pergunta que mais ouço desde que fundei a filocriatividade, um projecto através do qual, desde 2008, crio experiências de diálogo filosófico com crianças, jovens e adultos em escolas, bibliotecas, museus, cemitérios e outros contextos culturais.

    A pergunta costuma surgir acompanhada de algumas ideias feitas. Há quem imagine crianças a estudar Platão ou Aristóteles. Há quem pense que se trata de ensinar valores ou regras de boa convivência. Outros imaginam um debate em que cada um diz a sua opinião.

    Nenhuma destas imagens corresponde verdadeiramente ao que acontece.

    Antes de avançarmos, uma breve nota terminológica. Ao longo deste artigo utilizarei, por vezes, a expressão Filosofia para/com Crianças. Embora Filosofia para Crianças continue a ser a designação mais conhecida — e aquela que muitas pessoas utilizam quando procuram informação sobre esta prática —, muitos investigadores e facilitadores preferem hoje falar em Filosofia para/com Crianças, sublinhando que as crianças não são apenas destinatárias da filosofia, mas participantes activas na construção do diálogo e da investigação.

    Uma pergunta com muitas respostas

    Em Portugal, um dos textos de divulgação conhecidos sobre este tema é o artigo A Filosofia para Crianças, de Dina Mendonça, publicado no Portal da Criança. Continua a ser uma excelente introdução para quem quer conhecer as origens desta proposta e compreender o contributo de Matthew Lipman para a sua divulgação.

    Desde então, a investigação cresceu significativamente. Hoje sabemos muito mais sobre o impacto do diálogo filosófico no desenvolvimento do pensamento crítico, da argumentação, da escuta e da participação democrática. Também o próprio campo evoluiu, dando maior atenção ao papel activo das crianças na construção do diálogo, razão pela qual muitas pessoas preferem falar em Filosofia para/com Crianças.

    Então, afinal, o que é a Filosofia para/com Crianças?

    Se tivesse de responder numa frase, diria que a Filosofia para/com Crianças é uma prática de diálogo em que crianças e adultos investigam, em conjunto, perguntas que não têm respostas simples.

    O objectivo não passa por transmitir conhecimentos filosóficos, nem por ensinar as crianças a pensar “como filósofos”.

    O objectivo consiste em criar condições para que as crianças — e também os adultos — desenvolvam formas de pensar mais rigorosas, mais criativas, mais cuidadosas e mais colaborativas.

    Esta formulação inspira-se no trabalho de Matthew Lipman e de Ann Margaret Sharp, que defenderam que a educação filosófica deveria promover um pensamento crítico, criativo e cuidadoso. Mais tarde, outros autores contribuíram para alargar esta perspectiva, reforçando a dimensão relacional e colaborativa do pensamento.

    Pensar com rigor implica procurar boas razões. Pensar com criatividade implica imaginar alternativas. Pensar com cuidado implica escutar os outros, considerar diferentes perspectivas e reconhecer que podemos estar enganados.

    Não é uma aula de respostas

    Uma sessão de Filosofia para/com Crianças costuma começar com um estímulo — ou provocação filosófica. Pode ser um livro, uma imagem, um objecto, uma obra de arte, uma notícia, uma pergunta ou uma experiência que alguém nos relata.

    Em vez de começarmos pelas respostas, começamos pelas perguntas das crianças. É a partir delas que o diálogo se organiza. Ao problematizar uma situação, surgem hipóteses, conceitos, distinções e, muitas vezes, novas perguntas que tornam a investigação ainda mais interessante.

    Quem participa pela primeira vez costuma estranhar uma coisa: o adulto não conduz a conversa para uma resposta previamente definida, sabendo perfeitamente “onde queremos chegar”.

    Não temos como foco chegar rapidamente a uma conclusão, mas sim aprender a investigar um problema.

    Perguntar é o primeiro passo

    A Filosofia para Crianças nasce do espanto perante o mundo: daquele momento em que algo deixa de parecer óbvio e passa a merecer uma pergunta. Eis algumas:

    “Porque é que temos de obedecer?”

    “O que é uma amizade verdadeira?”

    “Será que podemos pensar sem palavras?”

    “Porque é que as pessoas morrem?”

    São perguntas de crianças ou de adultos? Na verdade são perguntas que qualquer ser humano poderá colocar, seja de que idade for. Há um exercício que por vezes faço e que passa por apresentar uma lista de perguntas recolhidas nas minhas oficinas e pedir aos formandos para indicar quais são as perguntas das crianças, dos jovens e dos adultos. A diferença encontra-se no grau de sofisticação com o qual se pergunta; já o elemento perguntado é partilhado entre as várias idades.

    No artigo É normal uma criança perguntar tanto? explico por que razão as perguntas são uma forma de compreender o mundo e porque talvez devêssemos preocupar-nos mais quando elas desaparecem do que quando parecem não ter fim.

    Pensar em conjunto

    Uma das ideias mais importantes da Filosofia para/com Crianças é que pensar não é uma actividade exclusivamente individual. Pensamos melhor, de modo mais claro, quando escutamos outras pessoas, atendemos a objecções, ou dizemos algo como “nunca tinha pensado nisso”.

    É por isso que falamos em comunidade de investigação: um grupo que procura compreender melhor um problema através do diálogo. Não pretendemos vencer debates ou coleccionar opiniões. Pretendemos compreender melhor um problema. Isso implica construir significado em conjunto, testar ideias, identificar pressupostos, procurar exemplos e contra-exemplos e aceitar que uma boa pergunta pode ser mais valiosa do que uma resposta cheia de pressa.

    No artigo Debate ou diálogo em sala de aula: o que estamos realmente a promover? reflicto precisamente sobre esta diferença.

    Mais do que responder

    Por vezes perguntam-me: então, como é que termina uma oficina de Filosofia para/com Crianças? Chegam a alguma conclusão?

    Sim, por vezes chegamos a uma conclusão — outras vezes, chegamos a várias. Também podemos terminar com perguntas melhores, mais claras; com argumentos mais sólidos; com uma compreensão mais profunda do problema.

    Ou simplesmente com a consciência de que pensar é um processo que continua para lá dessa oficina.

    O que aprendem as crianças?

    Ao participarem regularmente em comunidades de diálogo filosófico, as crianças desenvolvem competências como:

    • formular perguntas significativas;
    • justificar as suas ideias;
    • argumentar com razões;
    • escutar atentamente;
    • identificar pressupostos;
    • considerar alternativas e possibilidades;
    • considerar diferentes perspectivas;
    • rever as próprias posições;
    • construir pensamento em conjunto.

    No fundo, desenvolvem formas de pensar que se reforçam mutuamente: um pensamento crítico, criativo, cuidadoso e colaborativo.

    No meu livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças, procuro mostrar que pensar criticamente não significa desconfiar de tudo nem criticar por sistema. Significa aprender a perguntar melhor, a avaliar razões e a dialogar com quem pensa de forma diferente.

    Afinal, a Filosofia para Crianças resulta?

    Ao longo das últimas décadas têm sido publicados numerosos estudos sobre os efeitos da Filosofia para Crianças. Revisões sistemáticas e meta-análises sugerem benefícios consistentes no desenvolvimento do raciocínio, da argumentação, do pensamento crítico e de algumas competências socioemocionais.

    Isto não significa que todas as oficinas produzam os mesmos resultados nem que a Filosofia para Crianças seja uma solução para todos os problemas educativos. Significa, isso sim, que existe hoje um corpo de investigação muito mais robusto do que existia quando Matthew Lipman iniciou este movimento, no final da década de 1960.

    Como é que a filocriatividade vive esta prática?

    Desde 2008 que a filocriatividade procura criar espaços onde crianças, jovens e adultos possam parar, pensar, escutar e dialogar.

    Ao longo destes anos, dinamizei milhares de oficinas em escolas, bibliotecas, museus, cemitérios, festivais, universidades e outros contextos culturais. Há algo que permanece constante: a convicção de que qualquer pessoa é capaz de pensar filosoficamente quando encontra tempo, perguntas e um grupo comprometido e disposto a investigar em conjunto.

    Embora a Filosofia para Crianças tenha nascido em contexto escolar, acredito que o pensamento filosófico não pertence apenas à escola. Também pode acontecer numa biblioteca, numa exposição, durante um passeio, à volta de um livro ou mesmo num cemitério.

    É por isso que gosto de falar em experiências ou oficinas de diálogo filosófico, mais do que em aulas de filosofia.

    Uma prática para crianças… e para adultos

    Apesar do nome, a Filosofia para/com Crianças não transforma apenas as crianças, mas também os adultos.

    Quem facilita um diálogo filosófico aprende a escutar mais e a responder menos depressa e a valorizar uma boa pergunta. Aprende que dizer “Não sei” pode ser o início de uma investigação e não o fim de uma conversa.

    Depois de milhares de oficinas realizadas desde 2008, continuo sem conseguir prever quais serão as perguntas que surgirão numa sessão. É esta incerteza que me faz continuar.

    Sempre que uma criança pergunta, suspende por instantes aquilo que julgávamos saber. Obriga-nos a escutar, a pensar melhor e, muitas vezes, a reconhecer que não temos respostas definitivas.

    Num tempo marcado pela rapidez, pela polarização e pelo excesso de opiniões, a Filosofia para Crianças lembra-nos de algo essencial: aprender a pensar é, antes de mais, aprender a permanecer em diálogo.

    *

    Está a descobrir a Filosofia para Crianças? Talvez estes artigos do blog também lhe interessem:

    Se este tema despertou a sua curiosidade, talvez o próximo passo seja participar numa experiência de diálogo filosófico.

    Ao longo do ano lectivo 2026/2027 irei dinamizar oficinas, ações de curta duração e cursos de 25 horas dedicados à Filosofia para Crianças, ao pensamento crítico e à facilitação do diálogo filosófico. Nestas formações partilho não só a minha experiência de quase duas décadas de prática, mas também bibliografia, recursos e propostas de trabalho que poderão ser úteis a professores, educadores, bibliotecários, mediadores culturais e a todos os que trabalham com crianças e jovens.

    Pode consultar a agenda actualizada e as próximas formações.

    Quem sabe, encontramo-nos em breve para parar, pensar, escutar e dialogar.

    joana rita

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    joana rita #filocriatividade

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    “Porque é que o céu é azul?”

    “Porque é que as pessoas morrem?”

    “Se eu tivesse outro nome era outra pessoa?”

    “Quem inventou as perguntas?”

    Há dias em que parece que uma criança vive apenas para perguntar. Uma pergunta leva a outra, e outra, e outra. Alguns adultos divertem-se. Outros sentem-se cansados.

    Outros interrogam-se: “Será normal uma criança perguntar tanto?”

    A resposta curta é simples: sim. No seu livro, A Arte de fazer Perguntas, Warren Berger diz-nos que “de acordo com o neurologista infantil Paul Harris, há estudos que demonstram que uma criança faz uma média de 40 mil perguntas entre as idades de 2 e 5 anos. Durante esse período de três anos, diz Harris, há uma mudança no tipo de perguntas que são feitas: deixam de ser dimples perguntas factuais (nomes dos objectos) para passarem a ser os primeiros pedidos de explicações aos 30 meses. Aos 4 anos, a parte de leão das perguntas tem que ver com a procura de explicações e não apenas com factos.” (pp. 60-61).

    Perguntar é uma forma de entender o mundo

    As crianças não perguntam apenas porque lhes falta informação. Perguntam porque estão a tentar compreender o mundo. Cada pergunta é uma tentativa de estabelecer relações, descobrir padrões, testar hipóteses ou encontrar sentido para aquilo que observam.

    Esta ideia é corroborada por Warren Berger, que escreve em A Arte de Fazer Perguntas: “Os cérebros das crianças estão constantemente a associar estímulos ou pensamentos. E enquanto estão a fazer estas ligações mentais, estão também à procura de mais informações e de esclarecimentos por meio das perguntas que fazem.”

    Perguntar é, afinal, uma tarefa cognitivamente exigente. O neurologista que Berger cita refere que o processo de perguntar exige um conjunto de manobras mentais complexas.

    É como se entrassem em campo três elementos: aquilo que a criança sabe, aquilo que a criança não sabe e aquilo que a criança sabe que não sabe. “Fazer perguntas também indica que a criança compreende que há várias respostas possíveis.” (Berger, p. 61)

    A importância do porquê

    Porque é que as crianças insistem no porquê? Será que as crianças pretendem apenas aborrecer ou provocar os adultos? Não.

    O Porquê? cumpre um papel, o de aprofundamento. Surge quando as explicações que ouvimos ou aquilo que pensamos a partir do que observamos não nos satisfaz.

    Esta atitude é típica das crianças cujas idades correspondem ao pré-escolar. Quando esta fase termina, a quantidade de perguntas diminui, segundo o neurologista Harris. Porquê? Harris avança com uma hipótese: as crianças preferem perguntar em casa, em vez de perguntar na escola.

    Berger deixa um alerta face à tendência de escolarização do pré-escolar: “(…) quanto mais os estabelecimentos de ensino pré-escolar se organizam à imagem das escolas dos restantes níveis de ensino, mais se transformam em espaços destinados a encher as crianças com informações e a abastecerem-nas com as respostas a perguntas que elas ainda não fizeram, o que parece traduzir-se no esmagamento da sua curiosidade natural.” (p. 64)

    As perguntas difíceis também fazem parte da infância

    Muitas das perguntas que mais inquietam os adultos surgem muito cedo.

    “Porque é que as pessoas morrem?”

    “Onde estava eu antes de nascer?”

    “Porque é que existem guerras?”

    “O que é ser uma boa pessoa?”

    Estas perguntas não significam que exista algo de errado com a criança. Pelo contrário, mostram que está a tentar compreender questões fundamentais da existência. Evitá-las ou mudarmos rapidamente de assunto não faz com que desapareçam. Apenas retira às crianças a possibilidade de pensarem acompanhadas.

    Foi precisamente sobre este tema que escrevi no artigo Perguntas vitais sobre assuntos fatais: porquê falar sobre a morte com crianças?, onde falo das oficinas que convidam as crianças a perguntar e a pensar sobre um tema difícil, a morte.

    O problema não é perguntar muito. É deixar de perguntar.

    Há uma mudança curiosa ao longo da infância.

    As crianças pequenas perguntam quase tudo. Mais tarde, muitas deixam de perguntar tanto, como já vimos com os estudos de Harris.

    A forma como os adultos reagem às suas perguntas podem dar a entender que perguntar incomoda, que fazer perguntas interrompe a aula. Por vezes, parece que o importante é descobrir rapidamente a resposta certa. Pouco a pouco, a curiosidade vai cedendo lugar à procura da resposta esperada.

    Esta mudança deve preocupar-nos mais do que o excesso de perguntas na infância.

    E quando já não sabemos responder?

    É natural que um adulto não saiba responder a todas as perguntas, o que pode transformar-se numa oportunidade.

    Podemos dizer:

    • “Nunca tinha pensado nisso.”
    • “O que pensas tu?”
    • “Como poderíamos investigar isso?”
    • “Vamos escrever a pergunta e continuar a pensar nela.”

    Estas respostas mantêm o diálogo vivo.

    Na Filosofia para/com Crianças aprendemos precisamente isto: um bom diálogo não depende de alguém que sabe todas as respostas, mas de pessoas dispostas a pensar em conjunto.

    É também essa diferença entre procurar convencer alguém e construir pensamento colectivo que exploro no artigo Debate ou diálogo em sala de aula: o que estamos realmente a promover?.

    Afinal, qual é o verdadeiro problema?

    Que tipo de adultos queremos ser quando uma criança nos oferece uma pergunta?

    Queremos responder rapidamente para passar ao assunto seguinte?

    Queremos acolher essa pergunta como um convite para pensar em conjunto?

    O que acontece a uma criança quando os adultos deixam de levar as suas perguntas a sério?

    As perguntas das crianças são sinais de curiosidade, de espanto e de vontade de compreender o mundo.

    A forma como lhes respondemos — ou como as acolhemos — pode fazer a diferença entre uma criança que continua a perguntar… e uma criança que aprende que é melhor ficar calada.

    joana rita

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    Segundo a revista Time Out Lisboa, o projecto foi criado por Inês Machado e Ana Braga, da Triciclo, e inspira-se parcialmente numa experiência do pedagogo polaco Janusz Korczak, que incentivava crianças a escrever sobre as suas próprias vidas, preocupações e ideias.

    A proposta deste projecto editorial e pedagógico é particularmente interessante porque não trata as crianças apenas como participantes de oficinas de escrita, mas como autoras reais.

    Um livro infantil sobre o 25 de Abril, a liberdade e a democracia

    O projecto integrou as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e esse enquadramento atravessa muitas das propostas presentes no livro.

    As crianças foram convidadas a pensar sobre:

    • liberdade;
    • democracia;
    • ditadura;
    • censura;
    • participação;
    • revolução.

    Mas este não é um livro infantil sobre o 25 de Abril construído a partir de explicações escolares tradicionais. O que encontramos aqui é um conjunto de textos, desenhos, colagens, frases soltas, perguntas, post-its e apontamentos que revelam o próprio processo de pensamento das crianças.

    De certa forma, temos acesso não apenas ao resultado final — o livro — mas também ao processo de criação.

    Um projecto de escrita criativa e participação cultural infantil

    Ao longo das páginas encontramos reflexões sobre aquilo que era proibido durante a ditadura, sobre como se vivia antes da Revolução dos Cravos, sobre os direitos conquistados depois do 25 de Abril e sobre liberdade de expressão e participação democrática.

    Tudo isto surge filtrado pelo olhar das crianças: um olhar simultaneamente sério, inesperado e, por vezes, profundamente cómico.

    As crianças conseguem fazer ligações aparentemente estranhas entre assuntos, mudar subitamente de tema, fazer perguntas sem ansiedade de resposta e aproximar humor e filosofia sem pedir autorização para isso. Este livro conserva parte dessa energia.

    Crianças como autoras e produtoras de pensamento

    Talvez o aspecto mais forte deste projecto seja político. Passo a explicar.

    Vivemos num mundo onde as crianças passam grande parte do tempo a responder a perguntas feitas por pessoas adultas:

    • “O que quer dizer o texto?”
    • “O que queria dizer o autor?”
    • “O que aprendeste?”

    Livros Escritos por Crianças inverte parcialmente essa lógica.

    Aqui, as crianças não aparecem apenas como destinatárias da cultura ou da educação. Aparecem como produtoras de linguagem, imaginação e pensamento — algo ainda raro em muitos projectos educativos e editoriais. Outro projecto que actua nesta linha é a Fábrica das Histórias, da Cabeçudos.

    Um projecto raro no panorama editorial infantil português

    Mais do que uma colectânea de trabalhos escolares, Livros Escritos por Crianças é o resultado de uma experiência de participação cultural infantil.

    O projecto da Triciclo Editora mostra que as crianças não têm apenas direito a consumir cultura. Também têm direito a produzir pensamento, a criar linguagem e a escrever o mundo e sobre o mundo.

    joana rita

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    A rubrica chama-se Perguntar não mata: os cemitérios como ponto de partida para o diálogosugestões para o diálogo em família e nas comunidades escolares e poderá ser lida no Boletim Cultural dos Cemitérios de Lisboa, bem como na newsletter especial Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais. Trata-se de pequenos guias que convidam à observação, à pergunta e ao diálogo durante uma visita ao cemitério.

    Como surgiu a ideia?

    A ideia surgiu ao navegar no instagram para investigar que tipo de actividades acontecem nos cemitérios, destinadas a crianças. Consegui encontrar registos de visitas no Crematório e Cemitério da Penitência, em Caju, Brasil, através da página Necrotour. Haverá outros projectos, mas as Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais apresentam uma marca distintiva: a mediação cultural e filosófica a partir de um lugar onde a morte está presente — o cemitério.

    Reconheço o potencial filosófico do cemitério para provocar o diálogo:

    Atravessar os cemitérios de Lisboa torna-se, pois, nessa viagem mágica e fabulosa sobre o que pensamos e sentimos sobre esse momento tão íntimo, natural e inevitável e, simultaneamente, descobrir que “olhando” a morte, escrita nos epitáfios, construída na monumentalidade dos jazigos, estamos a “olhar” para a vida, para aquilo que fomos, para aquilo que somos (…).

    Francisco Moita Flores, A Arte e a Vida nos Cemitérios de Lisboa — o Passado e a Memória, in Os Cemitérios de Lisboa: entre o Real e o Imaginário, p. 157

    Nesta linha surge a rubrica Perguntar não mata: os cemitérios como ponto de partida para o diálogosugestões para o diálogo em família e nas comunidades escolares, para convidar famílias e comunidades escolares a visitar o Cemitério do Alto de São João com uma atitude perguntadora e exploradora.

    A rubrica foi imediatamente acolhida pela Sara Gonçalves e pela Gisela Monteiro, da Divisão de Gestão Cemiterial da Câmara de Lisboa, que publica o Boletim Cultural dos Cemitérios de Lisboa. Agendámos uma visita ao Cemitério do Alto de São João para escolher os jazigos ou monumentos que iriam servir de ponto de partida para o diálogo. No Boletim #8 é possível ler a primeira das proposta que lançamos às famílias e comunidades escolares.

    Como agir no cemitério

    Antes de iniciar o percurso, vale a pena lembrar que um cemitério continua a ser, antes de tudo, um lugar de despedida, de memória e de recolhimento. Por isso, este convite ao diálogo caminha lado a lado com uma atitude de respeito.

    Algumas sugestões simples:

    • caminhar com tranquilidade e falar num tom de voz adequado ao espaço;
    • respeitar quem ali se encontra em visita, a cuidar das campas ou jazigos ou mesmo em cerimónias fúnebres;
    • não subir para os jazigos, monumentos ou esculturas;
    • não tocar em elementos que possam estar fragilizados;
    • não mexer nas flores, nos objectos ou noutros elementos memoriais que possamos encontrar;
    • observar atentamente, fotografando apenas quando tal não interfira com as regras do cemitério, bem como com a privacidade ou o recolhimento de outras pessoas;
    • recordar que estamos num espaço vivo de memória, património e afectos.

    Considero que é possível habitar estes lugares com curiosidade e delicadeza. Fazer perguntas não diminui o respeito pelo cemitério; pelo contrário, pode ajudar-nos a olhar com mais atenção, compreender melhor o seu património e reconhecer as muitas histórias que guarda.

    Em breve, espero poder criar guias como este para outros cemitérios, noutros pontos do país.

    Se trabalha num município ou numa entidade responsável pela gestão e valorização do património cemiterial e considera que este projecto poderá fazer sentido na sua comunidade, convido-o(a) a entrar em contacto através deste formulário.

    joana rita

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    Ao visitar o LinkedIn, encontrei um novo artigo de Aaron Yarmel, um autor que acompanho desde os cursos online de Filosofia para/com Crianças que frequentei algures em 2020 ou 2021. O título chamou-me imediatamente a atenção: Towards a Theory of Inquiry Dialogue Questions (2026).

    O que faz de uma pergunta uma boa pergunta? — eis uma pergunta que me acompanha há muito, seja na investigação, na prática e também na formação que tenho o privilégio de ministrar. É quase inevitável fazer esta pergunta, diria eu.

    Quando tentamos descrever o que acontece numa oficina ou num encontro de Filosofia para Crianças, procuramos apresentar os elementos que distinguem essa oficina de outras. Ao longo de quase 20 anos a estudar esta área, já escutei diferentes formas de responder a esta pergunta. Algumas pessoas privilegiam aspectos formais (a forma como nos sentamos, se tratamos as pessoas pelo nome…), outras privilegiam atitudes (a escuta, o não ter pressa para tratar a pergunta…).

    E a pergunta? Que papel ocupa a pergunta? Como se escolhe a pergunta? Quem escolhe?

    Certamente já me ouviram falar da importância das perguntas e da boa pergunta. Mas também já me ouviram dizer como pensar naquilo que faz de uma pergunta uma boa pergunta é, por si, um exercício filosófico.

    Foi precisamente esse o ponto de partida da conversa que tive com o ChatGPT, a quem passei o artigo de Yarmel, artigo esse que se encontra disponível em acesso livre.

    Da natureza da pergunta à sua função

    O ChatGPT chamou-me a atenção para uma ideia central do artigo: Yarmel desloca o foco da natureza da pergunta para a função da pergunta. Em vez de perguntar “O que é uma pergunta filosófica?”, interessa-lhe perguntar “O que faz com que uma pergunta funcione bem, como organizadora de um diálogo de investigação?”

    Considerei esta mudança muito significativa. Pedi depois ao ChatGPT que sintetizasse as diferenças entre Cam, Worley e Yarmel. A resposta ajudou-me a formular uma ideia que me parece central: enquanto Cam e Worley recorrem sobretudo a categorias para pensar as perguntas, Yarmel prefere trabalhar com continuums. Em vez de classificações rígidas, propõe uma leitura gradual e contextual.

    Colocando em prática a honestidade e a humildade intelectuais, Yarmel reconhece os limites da sua própria proposta. Reconhece que não existe uma pergunta ideal válida para todos os grupos. Reconhece que uma mesma pergunta pode funcionar muito bem numa comunidade e revelar-se completamente estéril noutra. Reconhece, sobretudo, que o julgamento do facilitador continua a ser indispensável.

    Dei por mim a perceber uma coisa sobre o meu próprio percurso.

    As oficinas pontuais como escola de facilitação

    Uma parte muito importante do meu trabalho consiste em realizar oficinas pontuais. Entro numa escola, numa biblioteca, num museu ou numa associação, encontro um grupo que nunca vi antes e, muitas vezes, sei que provavelmente nunca mais o voltarei a encontrar.

    Durante anos pensei que essa característica era apenas uma condição logística do meu trabalho. Agora começo a suspeitar que foi também uma escola de facilitação.

    Levo comigo propostas que já experimentei dezenas de vezes. Algumas nasceram com outros grupos. Outras foram sendo afinadas ao longo dos anos. Ainda assim, há sempre a possibilidade de não serem acolhidas.

    Antes chamava-lhe “risco”. Hoje prefiro chamar-lhe “informação”.

    Quando uma pergunta não encontra eco num grupo, isso não significa necessariamente que seja uma má pergunta. Significa, talvez, que aquela pergunta não é a pergunta daquele grupo.

    O artigo de Yarmel deu-me linguagem para descrever uma competência que fui desenvolvendo sem lhe dar um nome. Durante anos pensei que estava apenas a ganhar experiência. Hoje percebo que estava, sobretudo, a aprender a ler a relação entre uma pergunta e uma comunidade.

    Aprender a ler a relação entre uma pergunta e uma comunidade

    As oficinas pontuais ensinaram-me a não confiar apenas na qualidade intrínseca de uma proposta. Ensinaram-me que uma pergunta só ganha verdadeiramente vida quando encontra uma comunidade capaz e disponível para a investigar.

    Percebi que aquilo que fui aprendendo ao longo dos anos tem muito que ver com aquilo que Yarmel designa por leitura do contexto. Não se trata apenas de escolher uma boa pergunta antes da sessão começar. Trata-se de observar continuamente o grupo: perceber quando há curiosidade, quando há desacordo, quando a conversa precisa de maior precisão, quando a pergunta é demasiado ampla ou demasiado estreita.

    Penso que este é o elemento menos visível da facilitação. É relativamente fácil aprender técnicas de dinamização. Podemos aprender a organizar o espaço, a gerir tempos de fala, a escutar sem interromper ou a incentivar a participação. Tudo isso é importante.

    Muito mais difícil é desenvolver aquilo que só a experiência parece ensinar: a capacidade de perceber, em poucos minutos, se uma pergunta tem condições para gerar investigação naquele grupo concreto.

    Não sei se essa competência pode ser ensinada directamente. Suspeito que se desenvolve através de centenas de encontros diferentes, de perguntas que resultaram e de perguntas que falharam, de oficinas em que foi preciso abandonar o plano inicial para seguir uma ideia inesperada trazida pelos participantes.

    Um trabalho interminável

    O artigo de Yarmel não oferece uma receita para construir boas perguntas, o que me parece particularmente meritório. Em vez de nos dizer quais são as boas perguntas, ajuda-nos a compreender por que razão essa decisão é muito mais difícil do que parece.

    Facilitar uma comunidade de investigação começa muito antes da roda se formar; começa quando nos interrogamos, com toda a seriedade, sobre a própria pergunta que vamos propor ou sobre as perguntas que o grupo propõe, convidando o grupo a interrogar-se também sobre as suas perguntas.

    Uma das tarefas da pessoa facilitadora passa por continuar a interrogar-se sobre aquilo que faz de uma pergunta uma boa pergunta. É um trabalho interminável, ou como nos diz a música, “a never ending story“.

    joana rita

    Nota (1): sobre o quadrante das perguntas de Philip Cam poderá ler este artigo e também este, aqui do blog.

    Nota (2): O Aaron Yarmel deixou um comentário neste artigo, cuja leitura recomendo, com alguns esclarecimentos.

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    joana rita #filocriatividade

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    As perguntas que chegam antes das respostas

    A morte é uma das experiências universais da condição humana e, simultaneamente, um dos temas menos presentes nas conversas educativas. Apesar disso, as crianças encontram-se com a morte desde muito cedo: através da perda de familiares, de animais de estimação, de acontecimentos noticiados, de histórias, filmes ou jogos. Observam, interrogam-se e procuram construir explicações.

    A questão não é tanto se as crianças pensam sobre a morte, mas sim se encontram adultos disponíveis para escutar as suas perguntas.

    Diversos autores têm defendido que a infância não deve ser entendida como uma etapa de afastamento das grandes questões da existência, mas como um período particularmente fértil para as explorar. Neste sentido, a Filosofia para/com Crianças constitui um enquadramento privilegiado para abordar temas existenciais, permitindo que as crianças investiguem conceitos, formulem hipóteses, confrontem diferentes perspectivas e construam significado em comunidade.

    Perguntar a morte para pensar a vida

    A autora e filósofa Ellen Duthie oferece um contributo particularmente relevante para esta reflexão. No livro ¿Así es la muerte? 38 preguntas mortales de niñas y niños, desenvolvido a partir de um projecto internacional que reuniu mais de mil perguntas formuladas por crianças e jovens entre os 5 e os 15 anos, a morte surge não como um tema a evitar, mas como um objecto legítimo de investigação filosófica.

    As perguntas presentes no livro revelam a profundidade, diversidade e sofisticação do pensamento infantil: as crianças interrogam-se sobre o que acontece quando morremos, sobre a tristeza, a memória, a identidade, os rituais, a justiça e o sentido da vida.

    A obra demonstra que, quando lhes é dado espaço para perguntar, as crianças revelam uma curiosidade genuína e persistente sobre questões fundamentais da existência.

    Também Caitlin Doughty, agente funerária e autora de Will My Cat Eat My Eyeballs?, parte das perguntas das crianças para reflectir sobre a morte, afirmando:

    “All death questions are good death questions, but the most direct and most provocative questions come from kids.”

    As perguntas das crianças revelam uma relação particularmente aberta com a curiosidade, a imaginação e a investigação. São perguntas que não procuram apenas informação: procuram compreender.

    Uma comunidade de investigação diante dos grandes mistérios

    Esta perspectiva encontra-se em profunda sintonia com os princípios da Filosofia para/com Crianças desenvolvidos por Matthew Lipman e Ann Margaret Sharp.

    Para Lipman, a educação filosófica deve partir das perguntas das próprias crianças e promover comunidades de investigação nas quais o pensamento crítico, criativo e cuidadoso se desenvolve através do diálogo.

    As questões sobre a morte não constituem uma excepção; pelo contrário, representam algumas das perguntas mais fundamentais da experiência humana. São perguntas capazes de mobilizar capacidades de conceptualização, argumentação, interpretação e construção de significado.

    Quando uma comunidade de investigação filosófica se reúne em torno da morte, não procura chegar a uma resposta definitiva. Procura criar condições para pensar em conjunto aquilo que, muitas vezes, é vivido em silêncio.

    Perguntas Vitais sobre Assuntos Fatais: um espaço para filosofar sobre a vida

    É neste enquadramento que se inscreve a proposta Perguntas Vitais sobre Assuntos Fatais, integrada no projecto #filocriatividade.

    Em 2024, estas oficinas deram os seus primeiros passos nos Cemitérios de Lisboa, num trabalho de pensamento que teve como ponto de partida o próprio espaço cemiterial. Mais do que um cenário, o cemitério funciona como um lugar filosófico: um espaço onde se cruzam memória, ausência, passagem do tempo, identidade, rituais e diferentes formas de relação entre vivos e mortos.

    A partir deste lugar, a morte deixa de ser apenas um tema abstracto e transforma-se numa oportunidade para observar, perguntar e pensar.

    Tendo em conta que a morte surge espontaneamente nos diálogos que desenvolvo com crianças e jovens, as Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais passaram a integrar o portefólio #filocriatividade, podendo ser realizadas em escolas, bibliotecas ou outros contextos educativos e culturais.

    Desde então, estas oficinas têm sido realizadas com crianças e jovens desde o 1.º ciclo ao ensino secundário.

    Estas oficinas não procuram antecipar preocupações que as crianças não tenham, nem fornecer respostas prontas sobre a morte. Procuram criar um espaço seguro de questionamento, escuta e reflexão partilhada, onde seja possível explorar temas como a perda, a finitude, a memória, o cuidado, a transformação e o significado da existência.

    Não se trata de ensinar às crianças o que pensar sobre a morte, mas de lhes oferecer condições para pensarem por si mesmas sobre uma realidade que faz parte da vida.

    Três encontros, muitas perguntas e alguns mistérios

    De janeiro a junho de 2026 aconteceu o ciclo Perguntas Vitais sobre Assuntos Fatais, junto da turma do 4.º ano da Escola Básica Santa Cruz, em Coimbra. O convite partiu do Teatro Académico Gil Vicente, integrado na sua oferta educativa para a comunidade escolar.

    Ao longo de três oficinas, as crianças foram convidadas a explorar diferentes dimensões associadas à morte através de perguntas filosóficas, jogos e diálogo, contribuindo para a construção colectiva de significado.

    A experiência destas oficinas tem mostrado que, quando criamos condições para o diálogo filosófico, as crianças não revelam apenas curiosidade sobre a morte. Revelam também uma capacidade surpreendente para pensar sobre a perda, a mudança, o cuidado, a memória e aquilo que torna a vida significativa.

    O que aprendemos quando escutamos as perguntas das crianças

    A relevância destas oficinas encontra também confirmação na avaliação realizada pelas próprias crianças participantes.

    No final do ciclo, algumas das ideias destacadas foram:

    «pensámos muito bem»

    «resolvemos muitas perguntas e mistérios»

    «fizemos perguntas muito criativas»

    Estas apreciações sugerem que as crianças reconheceram o valor do exercício filosófico não apenas como uma oportunidade para encontrar respostas, mas sobretudo como uma experiência de investigação, imaginação e construção conjunta de significado.

    Na avaliação final, sublinharam ainda a importância de poder escutar as ideias das outras pessoas, valorizando o tempo e o espaço do diálogo.

    Este aspecto é particularmente significativo porque remete para um dos princípios centrais da Filosofia para/com Crianças: a comunidade de investigação, entendida como um contexto onde cada participante é convidado a pensar com os outros, a considerar diferentes perspectivas e a aprofundar a sua compreensão através da escuta e da reflexão partilhada.

    Da morte como ponto final à morte como ponto de partida

    Esta será uma das contribuições mais importantes das oficinas Perguntas Vitais sobre Assuntos Fatais: mostrar que as grandes questões da existência não precisam de ser enfrentadas em silêncio ou individualmente.

    Podem ser exploradas em comunidade, através do diálogo, da curiosidade e da coragem de perguntar.

    Nesse processo, as crianças descobrem não apenas novas formas de pensar sobre a morte, mas também novas formas de pensar sobre a vida, sobre si mesmas e sobre as pessoas à sua volta.

    Nas oficinas Perguntas Vitais sobre Assuntos Fatais, a morte surge como um ponto de partida: uma oportunidade para filosofar sobre a vida.

    joana rita

    📷 João Duarte & Sofia Martins / TAGV