
Duelo remete-nos para um cenário bélico, de confronto, de combate entre duas pessoas armadas, segundo regras estabelecidas e diante de testemunhas.
Abrimos o livro e nas guardas iniciais surge-nos um envelope. O leitor poderá ficar confuso, mas rapidamente entenderá que se trata de uma carta ilustrada, dirigida a Rodin Rostov, adversário do protagonista, que se sente ofendido. Mal-entendidos e quezílias que ferem as orelhas e o coração, não deverão ficar esquecidos.
O duelo é marcado! De costas com costas… contam os passos que os separam, afinal, não é assim o procedimento num duelo? 1,2,3,4…. Lá vão eles, afastando-se; afastando-se… E, ao contrário do previsto, a separação diluí a dor, dando lugar ao sol, ao desabrochar das flores, ao perdão, à paz.
Neste há algumas perguntas, como por exemplo:
- “Um, dois, três, quatro, quantos passos nos separariam?”
- “Seriam, acaso, as suas pernas mais longas, as suas botas mais rápidas?”
- “Talvez pense que fugi, que me acanhei, mas para onde poderia eu ir?”
- “Para onde ia? O que tinha diante de mim?”
Duelo, de Inês Viegas Oliveira, é um livro belo, belíssimo. Inspirador. Um grito de alerta à diversidade e à tolerância.
Júlia Martins

Deixe um comentário