
A turma do 4.º ano chegou à hora marcada. À sua espera estava uma sala ampla, onde podiam sentar-se no chão à volta de uma folha de papel de cenário. Depois de largarem os casacos, sentaram-se.
Apresentei-me, disse o meu nome, e perguntei: sabem o que vêm aqui fazer?
– “Uma actividade.”
– “Vamos desenhar.”
Bom, é uma actividade. Não sei se vamos desenhar, logo vemos. É uma oficina de filosofia, disse eu.
– “Filosofia? Mas isso não é só no 10.º ano?”
Esta pergunta fez-me sorrir.
Sim, de facto, a maioria das pessoas só contacta com a Filosofia no 10.º ano e nesta turma havia uma criança cujo irmão estava no 10.º ano.
Perguntei se sabia alguma coisa de Filosofia, se o irmão falava disso. A resposta foi um “mais ou menos”.
Outra criança diz: “Isto vai ser um problema, porque é filosofia e há muitas formas de pensar.”
E qual é o problema de haver muitas formas de pensar?
Alguém disse “cada pessoa pode pensar de uma maneira.”
Certo.
Será possível haver pessoas diferentes a pensar da mesma maneira?
Será que é possível haver um diálogo entre pessoas com muitas formas de pensar?
Pronto. Tínhamos um problema filosoficamente relevante em mãos.
Seguimos a investigação em grupo e não chegámos a fazer desenhos no papel de cenário.
joana rita sousa

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