Conheça o quadrante de perguntas, uma ferramenta de Phil Cam para explorar diferentes tipos de perguntas e promover o pensamento crítico, a investigação e o diálogo na sala de aula.

O que é o quadrante de perguntas?
O quadrante de perguntas é uma ferramenta de pensamento que nos ajuda a explorar diferentes tipos de perguntas, tendo em conta as respostas que podem suscitar. Criado por Phil Cam, permite organizar perguntas e perceber que nem todas exigem o mesmo tipo de trabalho: algumas pedem que procuremos informação, outras convidam-nos a imaginar possibilidades e outras ainda abrem caminho à investigação conjunta.
A ferramenta pode ser particularmente útil em contexto educativo, quando queremos que os alunos não se limitem a responder a perguntas colocadas pelo professor, mas aprendam também a formular as suas próprias perguntas, a comparar alternativas e a reconhecer diferentes formas de investigar um assunto.
O quadrante não serve para classificar definitivamente as perguntas em categorias estanques. A sua utilidade está, sobretudo, em ajudar-nos a pensar sobre aquilo que perguntamos e sobre o trabalho que cada pergunta nos convida a fazer.
Quais são os quatro tipos de perguntas?
O quadrante organiza as perguntas em quatro áreas, de acordo com o tipo de resposta que tendem a convocar.
1. Perguntas de compreensão
São perguntas cujas respostas podem ser encontradas no próprio material que estamos a explorar: um livro, uma imagem, um filme, uma notícia ou uma conversa. A resposta está, de algum modo, presente no texto ou no contexto e tende a ser consensual.
Por exemplo, depois de ler uma história, podemos perguntar: «Porque saiu a personagem de casa?» A resposta poderá ser encontrada na narrativa.
2. Perguntas factuais
São perguntas cuja resposta depende de informação factual ou de conhecimento especializado. Para lhes responder, precisamos de consultar fontes, observar dados ou recorrer a conhecimentos que permitam esclarecer a questão.
Por exemplo: «Em que ano foi publicado este livro?» ou «Como se forma um eclipse solar?»
3. Perguntas que exploram possibilidades
Estas perguntas convidam-nos a imaginar cenários, formular hipóteses e considerar alternativas. Não se limitam a recuperar informação já disponível: pedem-nos que exploremos aquilo que poderia acontecer ou que imaginemos outras possibilidades.
Por exemplo: «Como teria terminado a história se a personagem tivesse tomado outra decisão?»
4. Perguntas para a investigação conjunta
São perguntas que podem proporcionar um diálogo em que procuramos compreender um problema, examinar diferentes perspectivas e construir respostas razoáveis. Não se resolvem necessariamente através da consulta de uma fonte ou da recuperação de um dado factual.
Por exemplo: «O que significa ser corajoso?» ou «Temos sempre obrigação de dizer a verdade?»
Estas perguntas podem dar início a uma investigação filosófica, na qual importa apresentar razões, escutar outras perspectivas, examinar exemplos e contra-exemplos e rever as ideias quando encontramos boas razões para o fazer.
Como utilizar o quadrante de perguntas na sala de aula?
Uma possibilidade consiste em começar por uma experiência comum: a leitura de um livro, a observação de uma imagem, a análise de uma notícia ou a exploração de uma obra de arte.
Em vez de apresentar imediatamente uma lista de perguntas, podemos convidar os alunos a formular as suas próprias perguntas sobre aquilo que observaram. Num segundo momento, o grupo procura perceber que tipo de resposta cada pergunta parece convocar e onde a colocaria no quadrante.
O exercício não termina necessariamente com a classificação. Pelo contrário, o diálogo pode começar precisamente aí.
Será que todos colocariam a mesma pergunta no mesmo quadrante? O que nos leva a tomar essa decisão? Uma pergunta inicialmente factual pode dar origem a uma questão filosófica? O que precisamos de saber antes de conseguirmos investigar uma pergunta em conjunto?
O quadrante torna-se, assim, uma oportunidade para pensar sobre as perguntas e não apenas para produzir mais perguntas.
Pode também ser utilizado para rever as perguntas formuladas por um grupo, identificar as que precisam de ser clarificadas e explorar novas possibilidades. O importante não é preencher todos os quadrantes por obrigação, mas compreender melhor a diversidade das perguntas e as diferentes formas de lhes responder.
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Olá! O meu nome é Joana Rita. Sou filósofa e perguntóloga e, desde 2008, crio espaços para parar, pensar, escutar e dialogar.
Através da #filocriatividade, desenvolvo oficinas de diálogo e pensamento crítico, criativo e colaborativo com crianças e jovens, mas também com os adultos que os acompanham e com quem trabalham.
A forma como escutamos uma pergunta, o que fazemos quando não sabemos responder e o espaço que damos às crianças para pensar são algumas das questões que trabalhamos nas minhas oficinas e formações.
Se procura uma oficina para crianças ou jovens, uma formação para professores e outros profissionais ou uma actividade para a sua escola, biblioteca ou espaço cultural, escreva-me. Podemos conversar.


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