filocriatividade

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

🟥 quem sou eu?

🟡 [joana rita] Sou licenciada em Filosofia pela FCH da Universidade Católica.
Desde 2008 que viajo pelo país promovendo oficinas de pensamento crítico e criativo, para todas as idades.
Em 2019 concluí o mestrado em Filosofia para Crianças, com a defesa da 1.ª dissertação do país nesta área: Queres saber? Pergunta. (UAc).
Tenho um artigo publicado na Springer, “Why vote? A reflection on the democratic nature of dialogical inquiries” (2023). Em 2025 publiquei dois artigos no Journal of Philosophy in Schools.
Sou a autora do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças (2025). 

Membro honorário da Federación Mexicana de Filosofía para Niños A.C.
Em 2021 o projecto filocriatividade recebeu o reconhecimento da Cátedra UNESCO/Universidade de Nantes: «Práticas de Filosofia com Crianças»

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    joana rita #filocriatividade

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    A Rede Mexicana de Mulheres Filósofas (ReMMuF) disponibiliza um conjunto de publicações em acesso aberto que contribuem para dar visibilidade ao pensamento produzido por mulheres e para ampliar as vozes presentes no debate filosófico contemporâneo.

    Entre livros, artigos e dossiers, encontram-se reflexões sobre ética, feminismos, política, epistemologia, linguagem, ciência, tecnologia e muitos outros temas que atravessam a vida comum e os desafios do nosso tempo.

    Explorar estas publicações é uma oportunidade para conhecer investigações rigorosas, descobrir novas autoras e participar num movimento que procura tornar a filosofia mais diversa, plural e representativa.

    Consulte as publicações neste link.

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    Um dia para celebrar… e para pensar

    Todos os anos, o Dia Mundial da Criança enche-se de actividades, animação, ofertas e programas especiais. É uma celebração importante e bem-vinda. Afinal, brincar, imaginar, descobrir e estar com outras pessoas são dimensões fundamentais da infância.

    Esta data pode ser também uma oportunidade para reflectirmos sobre uma questão menos visível: o que significa, verdadeiramente, respeitar as crianças?

    Esta data não surge apenas para proporcionar momentos de diversão, mas sim para recordar os direitos das crianças e a responsabilidade colectiva de criar condições para que possam crescer com dignidade, protecção, bem-estar e liberdade.

    Celebrar a infância implica ir além da festa.

    O direito a participar: muito mais do que dar voz

    Um dos direitos menos compreendidos — e, muitas vezes, menos praticados — é o direito das crianças à participação, consagrado no artigo 12.º da Convenção sobre os Direitos da Criança.

    Participar significa criar condições para que possam expressar as suas opiniões, ser escutadas e ter influência nos assuntos que lhes dizem respeito.

    Uma das formas mais úteis de compreender este direito é através do Modelo de Participação de Lundy, desenvolvido por Laura Lundy. Este modelo mostra que a participação não acontece automaticamente quando se pergunta a uma criança o que pensa. Para que seja genuína, são necessários quatro elementos:

    Espaço

    As crianças precisam de oportunidades reais para expressar as suas ideias. É necessário criar contextos seguros, inclusivos e acolhedores, onde sintam que podem participar sem receio de julgamento ou desvalorização.

    Voz

    Ter um espaço não basta. As crianças devem receber apoio para formular e comunicar as suas opiniões através das múltiplas linguagens que utilizam: a palavra, o desenho, a escrita, o jogo, a expressão artística ou outras formas de comunicação.

    Audiência

    As opiniões das crianças precisam de encontrar quem as escute. Participação é saber que alguém está verdadeiramente disponível para ouvir e compreender aquilo que está a ser dito.

    Influência

    Talvez este seja o elemento mais desafiante. As opiniões das crianças devem ser consideradas nos processos de decisão. Isto não significa que a vontade da criança prevaleça sempre, mas significa que aquilo que expressou é levado a sério e tem um impacto real na reflexão e na tomada de decisões.

    Desconstruindo alguns mitos

    Quando se fala em participação infantil, surgem frequentemente alguns equívocos.

    “As crianças não têm maturidade suficiente”

    As crianças não precisam de saber tudo para terem algo importante a dizer. Aliás, os adultos também não sabem tudo e continuam a participar nas decisões que afetam as suas vidas.

    A participação não significa que as crianças tomem todas as decisões sozinhas. Significa que as suas perspetivas são consideradas de forma séria e respeitosa, de acordo com a sua idade, experiência e contexto.

    “Se dermos voz às crianças, os adultos perdem autoridade”

    Escutar não é abdicar de responsabilidades.

    Os adultos continuam a ter o dever de proteger, orientar e decidir quando necessário. Mas podem fazê-lo de forma dialogante, explicando razões e acolhendo diferentes pontos de vista.

    A autoridade não se enfraquece quando escuta. Pelo contrário: torna-se mais legítima.

    “As crianças não estão interessadas em participar”

    Muitas vezes, as crianças parecem desinteressadas porque raramente lhes é dada uma oportunidade real para participar.

    Quando percebem que as suas opiniões têm consequências e que são levadas a sério, a resposta costuma ser diferente: surgem ideias, perguntas, propostas e formas criativas de olhar para os problemas.

    Talvez a questão não seja se as crianças querem participar. Talvez seja se os adultos estão dispostos a criar condições para que essa participação aconteça.

    As crianças não são o futuro, são (n)o presente

    É frequente ouvirmos dizer que as crianças são “o futuro”. A expressão é bem-intencionada, mas tem um problema: faz-nos esquecer que as crianças são, antes de mais, pessoas do presente.

    Não precisam apenas de ser preparadas para uma vida futura. Precisam de ser reconhecidas hoje como cidadãos, com experiências, opiniões, interesses e preocupações que merecem ser escutados.

    Quando pensamos nas crianças apenas como adultos em construção, corremos o risco de desvalorizar aquilo que pensam e sentem agora. Como se as suas ideias fossem apenas ensaios para algo que virá mais tarde.

    A infância não é uma sala de espera para a idade adulta.

    Oferecer tempo, não apenas presentes

    Talvez uma das formas mais simples de promover a participação das crianças seja oferecer-lhes algo que nem sempre abunda: tempo.

    Tempo para conversar.

    Tempo para fazer perguntas.

    Tempo para explorar interesses próprios.

    Tempo para imaginar soluções para problemas reais.

    Tempo para discordar, argumentar e mudar de opinião.

    Num quotidiano frequentemente marcado pela pressa, pela agenda preenchida e pela necessidade de ocupar cada minuto, criar espaços de escuta pode ser um dos maiores presentes que podemos oferecer.

    Escutar as perguntas das crianças

    As crianças perguntam sobre tudo: regras, justiça, morte.

    As perguntas nem sempre têm respostas simples — e isso não é um problema. Podemos criar novas perguntas, dialogar sobre as perguntas e admitir que partilhamos a mesma pergunta, sem saber muito bem a resposta. Temos, assim, uma oportunidade para investigar em conjunto.

    A infância é um território fértil para a curiosidade, uma das formas mais poderosas de participação no mundo.

    Levar a infância a sério

    Neste Dia Mundial da Criança, vale a pena recordar que respeitar as crianças não significa apenas protegê-las ou proporcionar-lhes momentos felizes.

    Significa também reconhecer a sua capacidade para pensar, questionar, imaginar e contribuir.

    Significa criar contextos onde possam participar nas decisões que lhes dizem respeito.

    Significa compreender que brincar e pensar não são actividades opostas.

    E significa, sobretudo, levar a infância a sério.

    Porque as crianças não são apenas destinatárias de cuidados ou de celebrações ocasionais. São pessoas com voz própria, aqui e agora.

    O melhor modo de assinalar este dia passa por fazer uma pergunta simples:

    Quando foi a última vez que escutámos verdadeiramente uma criança?

    joana rita sousa / filocriatividade

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    Vi a capa de O Grande Livro dos Rabos algures e sorri imediatamente. Rabos. Muitos rabos! Quando finalmente tive oportunidade de folhear este livro infantil de não-ficção, fiquei completamente rendida à proposta.

    Afinal, tudo o que diz respeito a rabos, cocó e pum provoca gargalhadas nas crianças. Quando crescemos, tendemos a deixar de rir destes temas — talvez porque começamos a sofrer dos primeiros sintomas de “adultês”.

    Lembro-me de embalar a minha afilhada, ainda bebé, e de lhe sussurrar:

    “Aproveita. Agora toda a gente vai achar maravilhoso se arrotares depois de comer e se a tua fralda tiver cocó. Daqui a uns anos, arrotar será feio e falar de cocó também.”

    Um livro infantil sobre rabos… e evolução humana

    O Grande Livro dos Rabos, de Eva Manzano, com ilustrações de Emilio Urberuaga, transforma o rabo num verdadeiro objecto de estudo. Este livro infantil informativo convida-nos a pensar no rabo de um ponto de vista científico, zoológico, evolutivo e cultural.

    A proposta é simultaneamente divertida e inteligente: usar um tema aparentemente disparatado para despertar curiosidade científica nas crianças.

    Logo nas primeiras páginas, o livro lembra-nos um pequeno detalhe fascinante: não conhecemos verdadeiramente o nosso próprio rabo. Tal como a nuca, é uma parte do corpo mais visível para os outros do que para nós.

    Mas como surgiu o rabo? O rabo ajudou os seres humanos a tornarem-se mais inteligentes? Que papel teve na evolução humana?

    O livro responde a estas perguntas — e a muitas outras. Mesmo sendo um livro de não-ficção para crianças, este é também um livro profundamente perguntador.

    Porque é que os rabos incomodam tanto as pessoas adultas?

    Parte da inteligência de O Grande Livro dos Rabos está precisamente aqui: o livro pega num tema divertido para as crianças e desconfortável para muitas pessoas adultas.

    Isso leva-nos inevitavelmente a perguntar:

    • Porque nos incomodam tanto as conversas sobre rabos e cocó?
    • Porque transformamos certas partes do corpo em tabu?
    • Porque é que algumas funções do corpo provocam simultaneamente riso e vergonha?

    Humor, cocó e humanidade

    Além das crianças, há outro grupo profundamente fascinado por cocó, xixi e rabos: os humoristas.

    No livro Coisa que não edifica nem destrói, Ricardo Araújo Pereira dedica um capítulo ao humor escatológico e escreve:

    “Humoristas de todos os tempos e lugares têm demonstrado um fascínio muito grande por matéria fecal — uma idiossincrasia, entre muitas, que partilham com crianças pequenas.”

    Mais à frente, acrescenta uma ideia particularmente bonita: rir dos excrementos não significa necessariamente desprezá-los. Pelo contrário, pode ser uma forma de celebrar a vida, o prazer, o corpo e a condição humana.

    Somos, afinal, criaturas capazes do sublime e do excremento. Fazemos poesia, catedrais… e também fazemos cocó.

    Um livro infantil que celebra o corpo e a curiosidade

    No fundo, O Grande Livro dos Rabos é muito mais do que um livro engraçado sobre rabos. É um livro infantil sobre o corpo humano, a evolução, os tabus e a curiosidade.

    Um livro que mostra como o humor pode abrir espaço para perguntas sérias.

    Um lembrete de que crescer não devia obrigar-nos a perder a capacidade de rir destas coisas.

    Viva o rabo!

    joana rita sousa

    O Grande Livro dos Rabos, Eva Manzano e Emilio Urberuaga, Booksmile / #pub

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    Vi a Animais de Rua a anunciar a Masterclass Online “Como compreender e lidar com as expressões do Luto pela Perda de um Animal de Estimação” e foi assim que conheci o trabalho da Dra. Maria Estrela, que através do linkedin.

    A morte de um animal de estimação é, frequentemente, o primeiro contacto próximo de uma criança com a morte. Pensei: talvez a Dra. Maria Estrela possa contribuir para o blog com um texto sobre o tema. E aqui estamos! Agradeço a disponibilidade da Dra. Maria Estrela.

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    Perder um animal de estimação pode ser muito difícil para crianças e adolescentes, mas muitas vezes essa dor é pouco valorizada. Para muitas crianças, é a primeira experiência de perda e pode ser uma oportunidade importante para aprender a lidar com emoções.

    Um estudo da Universidade de Harvard (2020) mostrou que a morte de um animal pode aumentar o sofrimento emocional, especialmente em crianças mais novas ou em situações de maior vulnerabilidade. Os animais funcionam como figuras de ligação, trazendo conforto e segurança, e a sua perda pode provocar reações de luto parecidas com outras perdas significativas.

    Falar com honestidade

    • Evite dizer “foi dormir” ou “foi embora”, porque isso pode gerar medo ou confusão.
    • Responda com clareza e simplicidade; dizer “não sei” é aceitável.
    • Não invente histórias (“foi viajar”, “fugiu”), pois isso pode comprometer a confiança da criança.

    Como entendem a morte

    • Até 5 anos: podem pensar que a morte é temporária e perguntar várias vezes se o animal vai voltar.
    • 5 a 9 anos: já percebem que é definitiva, mas podem ter dificuldade em entender os sentimentos que surgem. 
    • A partir dos 10 anos e na adolescência: entendem que a morte é definitiva, mas viver o luto nesta fase, já cheia de desafios emocionais, pode ser bastante complicado, muitas vezes causando tristeza intensa, irritabilidade ou afastamento.

    Sinais de que estão a sofrer

    • Voltar a comportamentos mais infantis
    • Alterações do sono ou cansaço
    • Dificuldade de concentração ou irritabilidade
    • Isolamento social
    • Medo de novas perdas

    Estas reações são normais e podem durar algumas semanas.

    Como apoiar

    • Reconheça a perda e valide os sentimentos (“é normal sentires-te assim”).
    • Crie um espaço seguro para falar ou expressar emoções através de desenho, escrita ou outras atividades.
    • Mantenha rotinas e estrutura.
    • Ajuste expectativas temporariamente, se notar impacto no comportamento ou rendimento.
    • Faça pequenos rituais de despedida: desenhar o animal, escrever uma carta, plantar algo em memória ou criar pequenos objetos simbólicos. Estes gestos ajudam a processar a perda.
    • Observe continuamente o comportamento e o bem-estar.
    • Evite substituir o animal imediatamente, deixando que o luto aconteça de forma natural.

    Quando procurar ajuda

    Procure apoio profissional (psicólogo, pediatra ou psiquiatra) se:

    • O sofrimento atrapalha o dia a dia da criança ou adolescente.
    • Persistem alterações no comportamento, humor ou rendimento escolar.
    • A criança ou jovem deixa de participar em atividades habituais.
    • Surgem sinais fortes de ansiedade, culpa ou isolamento prolongado.

    O luto por um animal de estimação é real e legítimo. O papel do adulto é criar um espaço seguro, apoiar a expressão das emoções e ajudar a criança ou jovem a compreender a perda. Pequenos gestos de atenção, validação e rituais simbólicos podem ter um efeito duradouro no seu desenvolvimento emocional.

    Maria Estrela Felício – Médica Veterinária (BR), especializada no apoio ao luto pela perda de um animal de estimação

    E-mail apoioaolutopet@gmail.com / Linkedin

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    A oficina Abrir o MUZEU às Perguntas partiu de um dos gestos centrais que atravessam a identidade do MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst: criar um espaço onde a arte, a filosofia e o pensamento crítico se encontram através do diálogo e da participação. Inserida numa programação que entende o museu como ágora contemporânea, a oficina convidou famílias a pensar sobre o papel dos museus, das perguntas e da própria experiência de pensar em conjunto.

    Que sentido tem visitar um museu só com perguntas? “Para mim tem sentido, porque posso ficar com mais curiosidade para encontrar as respostas”, disse uma das crianças presentes. Pensámos em perguntas, mas também no diálogo em si mesmo.

    A dada altura, o diálogo surgiu como uma possibilidade, um caminho, para lidar com alguém que não concorda connosco. Explorámos essa ideia numa via colaborativa que incluiu pensar em bolinhos de bacalhau (só mesmo quem esteve na oficina sabe do que falamos!).

    Será que conseguimos convencer alguém pelas palavras? E pela comida?

    Depois de registarmos perguntas e de reflectirmos sobre o seu papel, assumimos o papel de pessoas curadoras da exposição: que critérios orientarão a escolha das perguntas a apresentar?

    A lista revelou-se extensa e, nalguns casos, observámos alguma tensão entre os critérios: surgiram propostas como “perguntas que façam rir” a par de “perguntas que façam chorar”, evidenciando diferentes concepções sobre o que torna uma pergunta relevante ou significativa.


    Para além da escolha das perguntas, emergiu uma camada adicional de complexidade: a necessidade de escolher os próprios critérios. Que critérios devem orientar a escolha de critérios? Esta meta-reflexão ficou em aberto por falta de tempo, mas não sem antes termos conseguido dar forma a um gesto simbólico: a “inauguração” do nosso Museu de Perguntas — um museu que, por agora, existe sobretudo no espaço partilhado da imaginação das famílias que estiveram presentes.

    joana rita

    📷 Hugo Delgado / MUZEU

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    Está a pensar ir até à Feira do Livro de Lisboa?

    Se a resposta é “sim”, considere estas sugestões de livros na área da filosofia e filosofia para/com crianças e jovens para a sua lista de compras.

    Para treinar a sua sensibilidade filosófica

    A primeira sugestão é profundamente enviesada: trata-se do livro Como desenvolver o pensamento crítico das crianças, que escrevi e publiquei em 2025. O livro conta com a participação do professor Vítor Lima e dirige-se a pessoas adultas interessadas em trabalhar o pensamento crítico — o seu e o das crianças à sua volta. Vale a pena espreitar a proposta da Editorial Presença.

    A Arte de Pensar com Clareza, de Rolf Dobelli (Temas e Debates), acompanha-me há vários anos e continua a ser uma recomendação frequente nas minhas formações. O livro apresenta 52 erros de raciocínio comuns e convida-nos a olhar com mais honestidade para as nossas fragilidades cognitivas. No fundo, lembra-nos aquilo que o filósofo Desidério Murcho escreveu: “o ser humano é, intermitentemente e com esforço, um ser racional”.

    Além das histórias da filosofia mais convencionais — como a proposta de Antony Kenny, publicada pela Gradiva — poderá encontrar outras excelentes portas de entrada para a filosofia:

    • Grandes Ideias para Mentes Curiosas (The School of Life, Minotauro)
    • O que é a Filosofia?, de António de Castro Caeiro (Tinta-da-China)
    • A Bebedeira de Kant e 21 Lições de Filosofia, de David Erlich (Planeta)
    • Grande História Visual da Filosofia, de Masato Tanaka e Tetsuya Saito (Marcador)
    • O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, numa edição em novela gráfica publicada pela Elsinore

    Recomendo ainda equilibrar estas leituras com Filósofas, de Fabiana Lessa e Natasha Hennemann, para evitar a ideia errada de que as mulheres não tiveram contributos relevantes para a história da filosofia.

    Filosofia para/com crianças: por onde começar?

    Se pretende conhecer ou aprofundar a área da filosofia para/com crianças, recomendo:

    • Brincar a Pensar, de Dina Mendonça e Maria João Lourenço (Plátano Editora)
    • A Máquina dos Ses, de Peter Worley (Edições 70)
    • Como Educar um Filósofo, de Scott Hershovitz (Lua de Papel)

    São livros que ajudam a pensar a infância como um espaço legítimo de investigação filosófica, de diálogo e de espanto.

    Sugestões de Livros Perguntadores

    Para quem acompanha a newsletter #filocriatividade, estas sugestões já são familiares. Aqui ficam alguns dos livros sugeridos por mim e pela Júlia Martins, mensalmente, desde 2023.

    Mafalda para Miúdos, de Quino

    Nas páginas de Mafalda para Miúdos encontramos as inquietações das crianças através da voz da Mafalda e dos seus amigos. A partir do quotidiano — na escola, em casa ou à mesa da sopa — Quino provoca-nos com perguntas sobre crítica, futuro, liberdade e convivência.

    Flicts, de Ziraldo

    Flicts é um poema visual raro e inesquecível. Num grafismo revolucionário, Ziraldo pinta o mundo, os arco-íris, as bandeiras e a Lua de uma forma profundamente singular.

    A História Mais Pequena do Mundo, de Lia Ferreira

    Uma história muito curta e atrevida, capaz de levantar imediatamente perguntas: “Porque é que alguém escreveria uma história tão pequena?”

    Por Exemplo, uma Rosa

    Neste livro de Ana Pessoa e Madalena Matoso, o espanto nasce da descoberta de que existem muitas coisas — e muitos nomes para essas coisas. Algumas magoam, outras balançam, outras escondem outras coisas dentro delas. O que têm em comum?

    Barafunda

    Um livro de Afonso Cruz e Marta Bernardes, ilustrado por José Cardoso, que arruma e desarruma ideias a cada página.

    A Grande Fábrica das Palavras

    Recomendado pelo PNL2027, este livro de Agnès de Lestrade e Valeria Docampo levanta perguntas belíssimas: o que fazemos quando temos poucas palavras? Como dizer o mundo quando as palavras são escassas? É impossível não pensar na Novilíngua de George Orwell e no universo de 1984.

    O Labirinto dos Sentidos

    Neste livro, Laura Luz Silva e Ana Luísa Oliveira convidam-nos para uma viagem pelo País das Maravilhas dos sentidos. Tal como Alice, a protagonista entra num mundo onde os animais revelam capacidades sensoriais surpreendentes.

    O que a Chama Iluminou

    Mais um livro de Afonso Cruz, desta vez um convite delicado a pensar o fim, a morte e aquilo que permanece.

    Fronteiras

    Neste álbum ilustrado de Karim Ressouni-Demigneux e Karine Maincent, texto e imagem articulam-se de forma subtil para abordar a ideia de fronteira enquanto construção humana, simbólica e política.

    A Elegância do Ouriço

    O romance de Muriel Barbery é uma excelente ponte entre literatura e filosofia. Nele cruzam-se temas como a solidão, a amizade, a beleza, a morte, o preconceito, a velhice, a arte e o sentido da vida — matéria-prima preciosa para longas conversas filosóficas.

    Boas compras e boas leituras!

    joana rita sousa

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    joana rita #filocriatividade

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    O guarda-redes como filósofo

    Estou encantada com este trabalho da Renascença, do jornalista Eduardo Soares da Silva, sobre o treinador Farioli. Lembro-me de ouvir falar que o tinha estudado Filosofia, quando foi contratado para o Futebol Clube do Porto. Talvez por questões clubísticas, não tive curiosidade em saber mais sobre os seus estudos, as suas investigações.

    O podcast chama-se O Código Farioli, e neste episódio 2 é possível escutar a sua ideia de jogo pelo olhar do guarda-redes, a pessoa que está dentro e fora do jogo, simultaneamente. “O filósofo é o Homem que participa e está de fora.” O ser humano que se dedica ao ofício da Filosofia está no mundo e procura distanciar-se dele, tal como o guarda-redes.

    Pensar o jogo

    Talvez seja precisamente aí que o pensamento filosófico entra no futebol de Farioli: não apenas nas ideias tácticas ou nos métodos de treino, mas na forma como olha o jogo como uma experiência humana complexa, feita de percepção, tempo, risco, decisão e relação com os outros. O guarda-redes torna-se, então, mais do que um jogador; é uma figura filosófica, alguém obrigado a ler o mundo inteiro a partir de um lugar de aparente solidão.

    Epoché entre os postes

    Esse distanciamento faz-me lembrar a ideia de epoché: a suspensão do juízo, a tentativa de interromper, ainda que momentaneamente, os automatismos com que olhamos o mundo. O guarda-redes, como o filósofo, parece exercer esse gesto raro de suspensão — recua um passo para ver melhor, evita reagir imediatamente, procura ler o movimento antes de se deixar arrastar por ele.

    Tanto no futebol como na Filosofia, pensar exige precisamente isso: a capacidade de habitar o jogo sem ficar totalmente preso à vertigem do jogo.

    joana rita sousa

    (A propósito de Filosofia e Futebol, há uns anos troquei umas bolas com o Luís Cristovão que resultaram neste e neste artigo. Boas leituras!)

    imagem: Renascença

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    joana rita #filocriatividade

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    No âmbito da programação educativa da INDEX – Bienal de Arte e Tecnologia, a #filocriatividade dinamizou o conjunto de oficinas filosóficas “Há poder no diálogo?”, dirigido a famílias e à comunidade escolar, em Braga.

    Integrada numa edição da bienal dedicada às relações entre arte, tecnologia e poder, esta proposta procurou criar espaços de reflexão partilhada sobre diferentes formas de poder presentes no quotidiano, nas relações humanas, nas imagens e nos sistemas tecnológicos.

    O ponto de partida: observar para pensar

    As oficinas tiveram como ponto de partida a observação de parte do trabalho de Cemile Sahin, exposto no espaço gnration. A partir desse contacto inicial com os universos visuais e narrativos presentes na obra, os participantes foram convidados a explorar diferentes ideias relacionadas com o poder, entre elas o poder do dinheiro, o poder da amizade, o poder do conhecimento, o poder da natureza e o poder da linguagem.

    As sessões iniciaram-se com momentos de observação e descrição, valorizando a atenção aos detalhes, às imagens e às interpretações possíveis como ponto de partida para o pensamento filosófico. A partir daí, desenvolveram-se diálogos em grupo centrados na formulação de perguntas, na análise de diferentes perspetivas e na construção de sentido(s).

    A pergunta “Há poder no diálogo?” atravessou as diferentes sessões, permitindo aos participantes refletir sobre o diálogo enquanto espaço de influência, de negociação, de conflito, de cooperação e detransformação. A possibilidade de pensar o poder para além de formas evidentes de autoridade revelou-se especialmente relevante, conduzindo à exploração de formas subtis e quotidianas de influência presentes nas relações humanas e sociais.

    #filocriatividade: filosofia e mediação cultural em itinerância

    Integradas no projecto de itinerância da #filocriatividade, estas oficinas procuram aproximar a filosofia de diferentes contextos educativos, culturais e artísticos, promovendo experiências de pensamento partilhado em diálogo com práticas de criação contemporânea.

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    joana rita #filocriatividade

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    Vou assumir que a pessoa leitora está comprometida com a ideia de treinar o pensamento crítico e pretende criar momentos no seu quotidiano para essa prática.

    Deixo aqui algumas sugestões.

    O e-mail urgente

    O trabalho apresenta muitas solicitações. Temos a sensação de que todo o telefonema ou todo o e-mail é urgente. Será mesmo? 

    Uma pessoa pensadora crítica fará um esforço para não se precipitar naquilo que diz ou nas decisões que toma. Como é que isso acontece na prática? Estabelecendo limites e tempos de resposta. Aquele e-mail sobre um assunto delicado ou envolto numa linguagem que nos soa a agressiva numa primeira leitura deverá ficar a marinar algum tempo antes de responder. Não ceda ao impulso de responder logo. Espere algumas horas ou mesmo dias. Esta atitude permite-lhe ganhar distância e clareza sobre o assunto. 

    O fulano e o assunto X

    Imagine um cenário comum: um grupo de pessoas está na sua pausa de almoço e alguém inicia um tópico. “Já viste o que fulano disse sobre X?” A pessoa leitora deste artigo não sabe quem é fulano, nem a importância do assunto X. Não tem nada a dizer sobre o assunto. Pode apenas escutar ou, então, pode aproveitar para fazer perguntas. Eis algumas que podem ser úteis: “Quem é fulano?”“É especialista no assunto X?”“Se eu quiser saber mais sobre o assunto X, onde posso informar-me?”.

    Não garanto que as pessoas respondam sempre, pois nem sempre há disponibilidade para explorar um assunto. É mais fácil saltar para conclusões e ideias simplistas. Acredito que ao modelar esta atitude de curiosidade, esta atitude perguntadora, outras pessoas podem juntar-se a nós, sejam elas crianças, jovens ou adultas.

    O artigo de opinião

    Escolha um artigo de opinião acessível online, por exemplo. Comece por escolher um tema que seja do seu interesse, podendo ou não conhecer a pessoa autora do artigo.

    Leia e procure identificar a opinião e se esta se encontra fundamentada. Qual é a ideia que a pessoa defende? Em que ideias sustenta essa perspectiva? Registe em papel estas suas observações para depois pensar: será que a ideia se encontra bem fundamentada? Será que eu concordo com a totalidade das ideias ou apenas com uma parte? 

    Um exercício alternativo passa por ler um artigo de opinião sobre um tema sobre o qual tem pouca informação. Neste caso, a leitura permite-lhe fazer perguntas assumindo o ponto de vista de uma pessoa curiosa, que quer saber mais sobre um dado assunto. Registe as perguntas que lhe surgirem e, noutra fase do processo, investigue essas perguntas e procure as respostas.

    Como treinar o pensamento crítico?

    Treinar pensamento crítico é como qualquer outro treino: exige disciplina e compromisso, pode ser mais ou menos divertido. Depende um pouco dos dias e da nossa disponibilidade mental. O importante é manter o foco e criar o hábito de fazer estes e outros exercícios de pensamento crítico. 

    joana rita sousa

    – texto originalmente publicado no blog Simply Flow, em Maio de 2025

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    joana rita #filocriatividade

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    – curadoria de joana rita sousa (filocriatividade)

    As perguntas e a curiosidade sobre a morte fazem parte da vida das pessoas mortais; não só das pessoas adultas, mas também das crianças e dos jovens. Algures entre o medo e um certo fascínio, habitam perguntas vitais sobre este assunto fatal. Queremos conversar sobre o tema, mas ao mesmo tempo evitamos o tema.

    Será que ler um livro pode ajudar? Confio que sim. A leitura partilhada, em casa ou na escola, pode resultar num momento de escuta e de partilha de perguntas e curiosidades sobre o tema da morte.

    Neste tópico, as minhas recomendações flutuam entre os livros informativos, que nos relatam a visão científica sobre a morte, bem como os rituais em torno da mesma; e os livros que convidam a explorar o tema e o nosso interesse por ele.

    Seguem-se sugestões de leitura para a vida antes da morte, para crianças, jovens e pessoas adultas.

    Estes (e outros) livros têm sido essenciais para me ajudar a criar as Oficinas Vitais sobre Assuntos Fatais que acontecem nos Cemitérios de Lisboa, desde Outubro de 2024.

    Boas leituras!

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    Enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal, de Nelson Nunes, Zigurate

    Enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal é um livro sobre a morte, da autoria de Nelson Nunes, para quem a morte se apresenta como um grande ponto de interrogação. O autor pergunta pela morte, conversa com outras pessoas sobre a morte, pensa sobre a morte, escreve sobre a morte. A morte. Essa palavra que só parece bonita quando se fala em “morrer de amor”. 

    ¿Así es la muerte?, de Ellen Duthie, Anna Juan Cantavella e Andrea Antinori, Wonder Ponder

    Tem curiosidade em saber que perguntas fazem as crianças e os jovens sobre a morte? Nesse caso, este livro é o ideal, pois é comporto de 38 perguntas que chegaram de vários pontos do mundo. Ellen Duthie e Anna Juan Cantavella procuraram responder da melhor forma possível a essas perguntas. Frequentemente, as respostas apresentam-nos outras perguntas.

    Supergigante, de Ana Pessoa e Bernardo P. Carvalho, Planeta Tangerina

    Conhecemos a personagem deste livro num dia simultaneamente feliz e triste da sua vida. O avô do Edgar morre e a Joana beija o Edgar pela primeira vez. Como é que um fim e um princípio podem conviver assim, num só dia?

    O que a chama iluminou, de Afonso Cruz, Companhia das Letras

    Afonso Cruz partilha duas experiências quase fatais numa das suas viagens literárias a Santiago do Chile. O escritor convida-nos a pensar sobre fins: o fim da vida, o fim das coisas, o fim do mundo tal qual o conhecemos. Que princípios podemos encontrar nos diferentes fins?

    A história mais pequena do mundo, de Lia Ferreira (edição de autora)

    Este pequeno livro alberga a história mais pequena do mundo, onde o início e o fim estão separados por poucas páginas. É um dos livros mais divertidos e fatais que li nos últimos tempos.

    O que é a vida?, de Oscar Brenifier (Dinalivro)

    A proposta de Oscar Brenifier convida a perguntar sobre a morte. Encontramos várias perguntas e diferentes pontos de vista sobre a vida. A leitura deste livro permite-nos aprofundar o tema da vida com uma atitude perguntadora. Não é que as respostas não importem; porém, a atitude que se pretende cultivar é a de parar para contemplar as perguntas.

    (texto publicado no Boletim dos Cemitérios de Lisboa, número 07/dezembro 2025)

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    joana rita #filocriatividade

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    Depois de uma primeira edição dedicada ao medo, o Festival Internacional de Filosofia ESPANTO regressa a Cascais com um outro tema, o desejo.

    Entre os dias 13 e 28 de Junho de 2026, o festival reúne filósofos, escritores, artistas e pensadores nacionais e internacionais para explorar uma das forças mais complexas da experiência humana.

    O desejo como tema filosófico

    Na edição deste ano, o festival convida o público a pensar o desejo para lá das leituras simplistas associadas ao consumo ou ao prazer imediato.

    Segundo Catarina Barosa, fundadora do ESPANTO:

    «O Desejo pode ser visto como apetite, coragem, vontade, aspiração de preencher um vazio existencial. Ele expressa-se tanto como libido, reconhecimento de si através do outro, quanto como potência criadora. O desejo transcende-se a si mesmo e, nesse próprio movimento, o Homo Sapiens não cessa de se construir» (via SAPO)

    Filosofia para além da academia

    Tal como aconteceu na edição inaugural, dedicada ao medo, o ESPANTO aposta num programa multidisciplinar com palestras, debates, entrevistas, performances e actividades em diferentes espaços de Cascais.

    O festival volta também a cruzar filosofia e espaço público, incluindo actividades em bairros comunitários e locais culturais da cidade, numa tentativa de aproximar o pensamento filosófico de públicos diversos.

    Entre os convidados desta edição encontram-se nomes como Maria Luísa Ribeiro Ferreira, Gilles Lipovetsky, Samantha Rose Hill, Didier Eribon, Minna Salami, Sofia Carvalho e Gonçalo M. Tavares. Haverá lugar a uma homenagem a Viriato Soromenho Marques.

    Filosofar com crianças também é fazer filosofia

    Há outro aspecto do ESPANTO que me entusiasma particularmente: a presença da Ágora Filosofia para Crianças, cuja curadoria me foi entregue por parte da Catarina Barosa.

    Esta programação parte de uma convicção que atravessa o meu trabalho há vários anos: as crianças não são apenas capazes de fazer perguntas filosóficas, como muitas vezes nos ajudam a reencontrar perguntas que vamos perdendo à medida que nos tornamos adultos.

    Ao longo do festival haverá oficinas, conversas e actividades pensadas para crianças, jovens e famílias, criando espaços onde pensar em conjunto acontece através do diálogo, da imaginação e da escuta.

    Também me parece especialmente importante o trabalho que o festival desenvolve nos bairros comunitários de Cascais. Essa dimensão pública e comunitária do pensamento é, para mim, uma das marcas mais fortes e mais necessárias deste festival.

    Um festival para quem gosta de perguntas

    Uma das propostas mais interessantes do ESPANTO passa precisamente por retirar a filosofia do lugar fechado da especialização académica e devolvê-la ao espaço público. A filosofia surge aqui como uma prática viva de interrogação sobre aquilo que atravessa a experiência humana quotidiana.

    Num mundo saturado de respostas rápidas e opiniões imediatas e pouco ou nada fundamentadas, o festival reivindica a importância de parar, pensar, escutar e dialogar em conjunto.

    Visite o site do ESPANTO.

    Os bilhetes já se encontram à venda.

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    joana rita #filocriatividade

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    A turma do 4.º ano chegou à hora marcada. À sua espera estava uma sala ampla, onde podiam sentar-se no chão à volta de uma folha de papel de cenário. Depois de largarem os casacos, sentaram-se.

    Apresentei-me, disse o meu nome, e perguntei: sabem o que vêm aqui fazer?

    – “Uma actividade.”

    – “Vamos desenhar.”

    Bom, é uma actividade. Não sei se vamos desenhar, logo vemos. É uma oficina de filosofia, disse eu.

    – “Filosofia? Mas isso não é só no 10.º ano?”

    Esta pergunta fez-me sorrir.

    Sim, de facto, a maioria das pessoas só contacta com a Filosofia no 10.º ano e nesta turma havia uma criança cujo irmão estava no 10.º ano.

    Perguntei se sabia alguma coisa de Filosofia, se o irmão falava disso. A resposta foi um “mais ou menos”.

    Outra criança diz: “Isto vai ser um problema, porque é filosofia e há muitas formas de pensar.”

    E qual é o problema de haver muitas formas de pensar?

    Alguém disse “cada pessoa pode pensar de uma maneira.”

    Certo.

    Será possível haver pessoas diferentes a pensar da mesma maneira?

    Será que é possível haver um diálogo entre pessoas com muitas formas de pensar?

    Pronto. Tínhamos um problema filosoficamente relevante em mãos.

    Seguimos a investigação em grupo e não chegámos a fazer desenhos no papel de cenário.

    joana rita sousa

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    joana rita #filocriatividade

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    Não é a primeira vez que deixo aqui no blog sugestões de podcasts de filosofia — e suspeito que também não será a última.

    Nos últimos tempos resolvi actualizar esta lista e reunir alguns dos podcasts sobre filosofia que me têm acompanhado no quotidiano. Entre conferências, diálogos e episódios dedicados à filosofia para/com crianças, há muito pensamento que convida a parar, pensar, escutar e… dialogar!

    António de Castro Caeiro em Podcast

    O que é a Filosofia? e Sobre os Sentimentos são dois podcasts completos de António de Castro Caeiro, fruto das suas conferências no CCB. Entretanto já é possível escutar o Sobre a Verdade da Mentira.

    O Princípio da Inquietação

    Numa parceria Espanto/Expresso surge uma nova temporada d’O Princípio da Inquietação, com Catarina Barosa e David Erlich. Estou curiosa para escutar o que aí vem. A primeira temporada deste podcast dedica-se ao tema do MEDO e retoma as intervenções na primeira edição do Festival Espanto (2025).

    Filosofia a Dois

    Filosofia a Dois permite-nos espreitar um diálogo entre dois filósofos: Vítor e Evelyn, da escola de filosofia online INÉF (Isto Não É Filosofia). Um projecto para quem gosta de escutar conversas filosóficas próximas do quotidiano.

    Filosofia para/com Crianças no Spotify

    Entretanto, tenho também vindo a organizar uma playlist no Spotify dedicada à Filosofia para/com Crianças, reunindo vários episódios e recursos relacionados com este tema.Convido-a/o a escutar AQUI.

    Se conhecer outros podcasts de filosofia que deveriam constar nesta lista, deixe as suas sugestões nos comentários.

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    joana rita #filocriatividade

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    Está de volta o Philosophy Spring Festival que acontece em Portimão por iniciativa do Clube dos Filósofos Vivos.

    De 6 de maio a 6 de junho, Portimão volta a afirmar-se como palco de pensamento, criação e debate com a realização da 4.ª edição do Philosophy Spring Festival, uma iniciativa organizada pelo Clube dos Filósofos Vivos da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, dirigida sobretudo aos jovens, mas aberta a toda a comunidade.

    Nascido sob o signo da irreverência e do pensamento “fora da caixa”, o festival conta com uma programação intensa e gratuita, que se prolonga ao longo do mês de maio em diferentes locais da cidade e que inclui diversas iniciativas nas áreas da música, arte e literatura, sempre com a filosofia como ponto de interseção.

    A edição de 2026 assume-se como a mais marcadamente filosófica de sempre, com metade dos dez eventos centrados diretamente nesta área e com uma novidade relevante: em quatro momentos, os protagonistas são os próprios alunos e ex-alunos do Clube dos Filósofos Vivos, reforçando o carácter participativo e formativo da iniciativa.” (Viva Portimão)

    Leia a notícia completa AQUI.

    Por falar em Festivais de Filosofia, convido-a/o a visitar o site do Festival ESPANTO que em 2026 dedica a sua edição ao tema do DESEJO.

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    joana rita #filocriatividade

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    Num contexto marcado por posições extremadas e debates rápidos, esta oficina propõe pensar o que significa discordar sem romper o diálogo. É possível discutir ideias sem transformar o outro num adversário? Explora-se o valor da escuta, da argumentação e do desacordo como exercício democrático.

    Podemos aprender a discordar? Como gerir a discórdia nos nossos diálogos quotidianos? Será a discordância um obstáculo ou uma oportunidade para pensar melhor?

    Nesta primeira sessão do ciclo, partimos de perguntas simples, mas exigentes: podemos aprender a discordar? E será mais fácil fazê-lo com quem nos é próximo ou com pessoas desconhecidas? Entre hesitações e tomadas de posição, surgiu uma hipótese de resposta: “sim, discordar é uma maneira de saber o que as outras pessoas pensam”. Mas será sempre assim?

    Através de uma proposta lúdica, explorámos diferentes ideias, avaliando o seu potencial de gerar acordo ou discórdia. Entre temas mais consensuais e outros mais polémicos, navegámos no mar do diálogo, procurando momentos de pausa para pensar, escutar e reformular.

    Mais do que chegar a conclusões definitivas, este encontro abriu espaço e tempo para experimentar formas de discordar com atenção, curiosidade e respeito — reconhecendo que, por vezes, é na diferença que o pensamento ganha maior clareza e profundidade.

    Esta oficina aconteceu no dia 25 de Abril e foi a nossa forma de homenagear a liberdade e cuidar da democracia.

    Agradeço ao ATLAS – Mediação Cultural do Município de Braga pelo convite para fazer parte das comemorações do 25 de Abril.

    📷 Braga Cultura